» ENTREVISTA: ALONE STALE «

- Perguntas : Mario Tenebrarum (Colaborador)-
- Respostas : Ricardo -
- Entrevista realizada em Fevereiro de 2008-

A/c Ricardo
Rua Ildefonso Poester, nº170 - Pq. Sao Pedro
Rio Grande/ Rio Grande do Sul
Cep: 96216-270 - Brasil

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=21887326



E
sta banda gaúcha já tem 12 anos de formação, haja vista ter sido formada em 1996 com a proposta de tocar um obscuro Death/Doom Metal e que com o passar do tempo se transformou em “one-man-band” (banda de um homem só) com a idéia também de não ficar se prendendo a rótulos e tal, fatos estes (dentre outros assuntos questionados, tal como o polêmico “movimento separatista” defendido por alguns no Sul) os quais você ficará sabendo a seguir pelas palavras de Ricardo/Alone Stale...

"Outra coisa que me preocupa é que muita gente tem uma leve inclinação ao facismo, e é uma coisa bem comum dentro do black metal..."

TGZ: Salve Ricardo como vai? Primeiro nos relate a história de vida da Alone Stale.


Ricardo: Beleza Mário !
Bom... A Alone Stale se formou em 96 (na época como um trio: Alexandre- bateria, Charles- baixo e eu na guitarra/vocal). Muita influência de Black Sabbath e Death Metal... Isso resultou na nossa sonoridade, tínhamos uma linha bem Doom Metal na época. Em 1 ano compomos 14 músicas, mas apenas 8 delas foram registradas em gravações de ensaios. Nesse meio tempo fizemos um show em Porto Alegre (pelo extinto Projeto 10 mil e Uma Noites) e outros shows aqui em nossa cidade (Fábrica da Cultura, Colégio Lemos Jr....) organizados pelo pessoal do underground daqui.
Em 99 lançamos nossa primeira demo oficial (Back to Suffering) em k7, obtendo contatos em várias partes do Brasil e fora dele, e mesmo sendo um registro que não nos agradou muito, muitas pessoas gostaram. No decorrer do tempo... (até 2005) as atividades da banda se resumiam em apenas ensaiar e fazer shows; aqui em Rio Grande (Maio Cultural) e em Pelotas (Noise Rock e Caos Total)... Até que resolvemos começar a gravar o que seria nosso 2ª registro oficial (Which Word Does Offend?) que ainda não foi lançado, mais adiante explico o porquê. No mesmo ano lançamos “Just Rehearsal” (sendo outra demo ensaio) e “Passing Opportunities” (também demo ensaio) que inicialmente tinha a proposta de apenas ser divulgada no meio virtual em formato mp3. Hoje a banda se encontra apenas com um integrante na formação.

TGZ: Alone Stale teve várias formações, cominando como uma “one-man-band” o que se deve esse fato?

Ricardo:
Posso muito bem dizer que pode ter sido pela falta de interesse em querer desenvolver um conteúdo artístico; já que a banda sempre se negou a sustentar qualquer tipo de “status quo” no meio musical. Talvez isso tenha feito com o que quem queria esse “status” achasse que o “esforço em troca de nada” não valesse à pena.

TGZ: O som que você faz tem uma pegada Doom/Death Metal, mas no release você utiliza um termo mais abrangente como Metal Extremo, desta forma tenta fugir dos rótulos? Como você vê esse tipo de prisão artística?

Ricardo:
Sim... O termo “Metal Extremo” é justamente pra mencionar que a banda não tem a responsabilidade de fazer o que o “estilo exige”, me entendes? Partindo do princípio de que Punk, Death Metal, Gótico, Grind Core... Tudo isso em suma é Rock’n Roll em essência... Não tenho porque me sentir obrigado a compor sempre da mesma maneira. Isso faz com que a espontaneidade exista e o resultado final seja verdadeiro. Felizmente ou infelizmente (ainda não sei) tudo que faço acaba tendo uma pegada Death Metal.


TGZ: Outra coisa interessante na sua obra são as capas, eles têm um significado além do próprio desenho. Você parte com o desenho na mente ou ele vai se formando no decorrer da criação artística do álbum?

Ricardo: Olha... Nada do que eu faço tem uma regra pré-estabelecida, tudo acontece na hora. Às vezes as idéias surgem e amadurecem com o tempo, dependendo do que eu quero mostrar. Mas nem sempre o que eu quero mostrar é visto. Outras vezes não preciso querer mostrar nada, as coisas se mostram sozinhas.
 

TGZ: Falando nos outros materiais que já lançou, como foi a aceitação deles na cena? Foi o esperado por você?

Ricardo:
Até onde eu sei... As pessoas que curtem a musica extrema em geral gostam bastante do som da banda. Considerando a recepção do público em um modo geral... Os registros lançados não têm distinção de preferência entre si. Mas posso estar enganado (rsrsrsrs).
Na verdade nunca me preocupei em agradar ninguém com o que a banda faz; acho que quando tu te preocupas muito... Tu te tornas escravo.

TGZ: Você teve um material lançado em Portugal certo? Como foi essa experiência? Gostaria de repeti-la?

Ricardo: É... A "Back to Suffering" teve seu lançamento em Portugal no ano de 2000. Achei muito legal poder fazer esse intercâmbio. Repetir a experiência? Com certeza ! A arte deve se expandir e ser mostrada a qualquer um que esteja receptivo ou não a ela.

TGZ: A sua cidade é Rio Grande no RS, como é o movimento underground ai na sua região?


Ricardo: Rio Grande sempre foi um pólo artístico muito forte, pena que é muito desvalorizado.
O aspecto econômico da cidade faz com que os artistas nascidos aqui tenham uma grande fonte de inspiração em suas atividades. Rio Grande é conhecida por ter uma alma Punk muito forte... E isso não deixa de ser verdade. O esquema do “Do It Yourself” por aqui é realizado literalmente. Claro... Como em todo lugar aqui também tem os idiotas que competem pra ver quem é o “mais”. Esses aí não fazem o que fazem por inspiração, mas sim por vaidade.

TGZ: O quê achas desse ‘movimento separatista’ que corre pelo Sul?

Ricardo:
Bom... Alguns defendem esse movimento com a desculpa da “identidade própria” que o Rio Grande do Sul tem; é uma coisa falsa na verdade, considerando que todos os estados do Brasil, sem exceção, possuem um resultado cultural proveniente de várias partes do mundo juntamente com a nossa cultura indígena. Outra desculpa é a desculpa econômica, alguns afirmam que o RS poderia se sustentar sozinho após se tornar um país livre (?) do Brasil.
Isso é outra coisa falsa, já que o modo de como o sistema político e burocrático funcionará será o mesmo: o capitalismo. Qualquer um sabe que o capitalismo só funciona para quem está no topo da pirâmide social, e isso é pura exclusão. Não existe igualdade e nem liberdade no capitalismo, apenas consumo e competição.
Infelizmente algumas pessoas e bandas ditas undergrounds estão envolvidas com isso de uma forma ou de outra... Sendo apoiando o movimento em prol do conforto que a ilusão do capitalismo dá... Ou levantando a bandeira do estado nos shows, demonstrando um sentimento regionalista/nacionalista exacerbado.
Isso quer dizer... O “Underground subversivo e sem fronteiras” está na verdade deixando de ser underground para se tornar mais um produto do capitalismo, tal como uma banda qualquer de alguma moda passageira. Outra coisa que me preocupa é que muita gente tem uma leve inclinação ao facismo, e é uma coisa bem comum dentro do black metal e que muitos ignoram.

TGZ: Já que estamos falando de política, tens acompanhado a sucessão presidencial americana? Qual deles você diria que é ‘menos ruim’?

Ricardo:
Ahahah !!! Eu acho que não existe o “menos ruim”.
 
TGZ: Você acredita que algum dia teremos igualdade entre as culturas do mundo, tanto no lado social como econômico?

Ricardo:
Só quando o ser humano perceber que a Lei da Seleção Natural está ultrapassada.

TGZ: Mudando de assunto deixamos esses exploradores do povo de lado, voltando a falar da Alone Stale fiquei sabendo que tem material novo guardado esperando seu lançamento, nos fale dele.

Ricardo:
Pois é... Esse material se chama “Which Word Does Offend?” e começou a ser gravado em setembro de 2005, mas tivemos que parar em 2006. O batera na época sentiu vontade de sair da banda antes de completarmos o que faltava, me deixando com 40% do material ainda pra terminar. Como até então eu tinha pagado sozinho todas as despesas das gravações... não tive como continuar com o processo. Foi muito desanimador, pois tínhamos em mente várias outras coisas além do registro em áudio que tiveram que ser guardadas.
 
TGZ: Quais são os planos futuros para a Alone Stale?

Ricardo:
É... Depois dessa aprendi que não adianta fazer planos (rsrsrs).

TGZ: Foi um grande prazer tê-lo aqui deixo o espaço para suas considerações finais.

Ricardo:
Considerações finais? Nada disso! A história não pára por aqui meu amigo.
Eu é que te agradeço. E espero que consigas satisfação em tuas realizações.

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