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Perguntas : Mario
Tenebrarum (Colaborador)-
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- Respostas :
Ricardo
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- Entrevista
realizada em Fevereiro de 2008-
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Esta
banda gaúcha já tem 12
anos de formação, haja
vista ter sido formada em 1996 com a
proposta de tocar um obscuro Death/Doom
Metal e que com o passar do tempo se
transformou em “one-man-band”
(banda de um homem só) com a
idéia também de não
ficar se prendendo a rótulos
e tal, fatos estes (dentre outros assuntos
questionados, tal como o polêmico
“movimento separatista”
defendido por alguns no Sul) os quais
você ficará sabendo a seguir
pelas palavras de Ricardo/Alone Stale...
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TGZ:
Salve Ricardo como vai? Primeiro nos
relate a história de vida da Alone
Stale.
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Ricardo:
Beleza Mário !
Bom... A Alone Stale se formou em 96 (na
época como um trio: Alexandre- bateria,
Charles- baixo e eu na guitarra/vocal).
Muita influência de Black Sabbath
e Death Metal... Isso resultou na nossa
sonoridade, tínhamos uma linha bem
Doom Metal na época. Em 1 ano compomos
14 músicas, mas apenas 8 delas foram
registradas em gravações de
ensaios. Nesse meio tempo fizemos um show
em Porto Alegre (pelo extinto Projeto 10
mil e Uma Noites) e outros shows aqui em
nossa cidade (Fábrica da Cultura,
Colégio Lemos Jr....) organizados
pelo pessoal do underground daqui.
Em 99 lançamos nossa primeira demo
oficial (Back to Suffering) em k7, obtendo
contatos em várias partes do Brasil
e fora dele, e mesmo sendo um registro que
não nos agradou muito, muitas pessoas
gostaram. No decorrer do tempo... (até
2005) as atividades da banda se resumiam
em apenas ensaiar e fazer shows; aqui em
Rio Grande (Maio Cultural) e em Pelotas
(Noise Rock e Caos Total)... Até
que resolvemos começar a gravar o
que seria nosso 2ª registro oficial
(Which Word Does Offend?) que ainda não
foi lançado, mais adiante explico
o porquê. No mesmo ano lançamos
“Just Rehearsal” (sendo outra
demo ensaio) e “Passing Opportunities”
(também demo ensaio) que inicialmente
tinha a proposta de apenas ser divulgada
no meio virtual em formato mp3. Hoje a banda
se encontra apenas com um integrante na
formação.
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TGZ:
Alone Stale teve várias formações,
cominando como uma “one-man-band”
o que se deve esse fato? |
Ricardo:
Posso muito bem dizer que pode ter sido pela
falta de interesse em querer desenvolver um
conteúdo artístico; já
que a banda sempre se negou a sustentar qualquer
tipo de “status quo” no meio musical.
Talvez isso tenha feito com o que quem queria
esse “status” achasse que o “esforço
em troca de nada” não valesse à
pena.
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TGZ:
O som que você faz tem uma pegada Doom/Death
Metal, mas no release você utiliza um
termo mais abrangente como Metal Extremo,
desta forma tenta fugir dos rótulos?
Como você vê esse tipo de prisão
artística? |
Ricardo:
Sim... O termo “Metal Extremo” é
justamente pra mencionar que a banda não
tem a responsabilidade de fazer o que o “estilo
exige”, me entendes? Partindo do princípio
de que Punk, Death Metal, Gótico, Grind
Core... Tudo isso em suma é Rock’n
Roll em essência... Não tenho porque
me sentir obrigado a compor sempre da mesma
maneira. Isso faz com que a espontaneidade exista
e o resultado final seja verdadeiro. Felizmente
ou infelizmente (ainda não sei) tudo
que faço acaba tendo uma pegada Death
Metal.
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TGZ:
Outra coisa interessante na sua obra são
as capas, eles têm um significado além
do próprio desenho. Você parte
com o desenho na mente ou ele vai se formando
no decorrer da criação artística
do álbum?
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Ricardo:
Olha... Nada do que eu faço tem uma regra
pré-estabelecida, tudo acontece na hora.
Às vezes as idéias surgem e amadurecem
com o tempo, dependendo do que eu quero mostrar.
Mas nem sempre o que eu quero mostrar é
visto. Outras vezes não preciso querer
mostrar nada, as coisas se mostram sozinhas.
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TGZ:
Falando nos outros materiais
que já lançou, como foi a aceitação
deles na cena? Foi o esperado por você? |
Ricardo:
Até onde eu sei... As pessoas que curtem
a musica extrema em geral gostam bastante
do som da banda. Considerando a recepção
do público em um modo geral... Os registros
lançados não têm distinção
de preferência entre si. Mas posso estar
enganado (rsrsrsrs).
Na verdade nunca me preocupei em agradar ninguém
com o que a banda faz; acho que quando tu
te preocupas muito... Tu te tornas escravo.
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TGZ:
Você teve um material lançado
em Portugal certo? Como foi essa experiência?
Gostaria de repeti-la? |
Ricardo:
É... A "Back to Suffering"
teve seu lançamento em Portugal no
ano de 2000. Achei muito legal poder fazer
esse intercâmbio. Repetir a experiência?
Com certeza ! A arte deve se expandir e ser
mostrada a qualquer um que esteja receptivo
ou não a ela.
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TGZ:
A sua cidade é Rio Grande no
RS, como é o movimento underground
ai na sua região? |
Ricardo:
Rio Grande sempre foi um pólo artístico
muito forte, pena que é muito desvalorizado.
O aspecto econômico da cidade faz
com que os artistas nascidos aqui tenham
uma grande fonte de inspiração
em suas atividades. Rio Grande é
conhecida por ter uma alma Punk muito forte...
E isso não deixa de ser verdade.
O esquema do “Do It Yourself”
por aqui é realizado literalmente.
Claro... Como em todo lugar aqui também
tem os idiotas que competem pra ver quem
é o “mais”. Esses aí
não fazem o que fazem por inspiração,
mas sim por vaidade.
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TGZ:
O quê achas desse ‘movimento
separatista’ que corre pelo Sul? |

Ricardo:
Bom... Alguns defendem esse movimento com
a desculpa da “identidade própria”
que o Rio Grande do Sul tem; é uma
coisa falsa na verdade, considerando que todos
os estados do Brasil, sem exceção,
possuem um resultado cultural proveniente
de várias partes do mundo juntamente
com a nossa cultura indígena. Outra
desculpa é a desculpa econômica,
alguns afirmam que o RS poderia se sustentar
sozinho após se tornar um país
livre (?) do Brasil.
Isso é outra coisa falsa, já
que o modo de como o sistema político
e burocrático funcionará será
o mesmo: o capitalismo. Qualquer um sabe que
o capitalismo só funciona para quem
está no topo da pirâmide social,
e isso é pura exclusão. Não
existe igualdade e nem liberdade no capitalismo,
apenas consumo e competição.
Infelizmente algumas pessoas e bandas ditas
undergrounds estão envolvidas com isso
de uma forma ou de outra... Sendo apoiando
o movimento em prol do conforto que a ilusão
do capitalismo dá... Ou levantando
a bandeira do estado nos shows, demonstrando
um sentimento regionalista/nacionalista exacerbado.
Isso quer dizer... O “Underground subversivo
e sem fronteiras” está na verdade
deixando de ser underground para se tornar
mais um produto do capitalismo, tal como uma
banda qualquer de alguma moda passageira.
Outra coisa que me preocupa é que muita
gente tem uma leve inclinação
ao facismo, e é uma coisa bem comum
dentro do black metal e que muitos ignoram.
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TGZ:
Já que estamos falando de política,
tens acompanhado a sucessão presidencial
americana? Qual deles você diria que
é ‘menos ruim’? |
Ricardo:
Ahahah !!! Eu acho que não existe o “menos
ruim”.
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TGZ:
Você acredita que algum dia teremos
igualdade entre as culturas do mundo, tanto
no lado social como econômico? |
Ricardo:
Só quando o ser humano perceber que a
Lei da Seleção Natural está
ultrapassada.
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TGZ:
Mudando de assunto deixamos esses exploradores
do povo de lado, voltando a falar da Alone
Stale fiquei sabendo que tem material novo
guardado esperando seu lançamento,
nos fale dele. |

Ricardo:
Pois é... Esse material se chama “Which
Word Does Offend?” e começou
a ser gravado em setembro de 2005, mas tivemos
que parar em 2006. O batera na época
sentiu vontade de sair da banda antes de completarmos
o que faltava, me deixando com 40% do material
ainda pra terminar. Como até então
eu tinha pagado sozinho todas as despesas
das gravações... não
tive como continuar com o processo. Foi muito
desanimador, pois tínhamos em mente
várias outras coisas além do
registro em áudio que tiveram que ser
guardadas.
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TGZ:
Quais são os planos futuros para a
Alone Stale? |
Ricardo:
É... Depois dessa aprendi que não
adianta fazer planos (rsrsrs).
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TGZ:
Foi um grande prazer tê-lo aqui deixo
o espaço para suas considerações
finais. |
Ricardo:
Considerações finais? Nada disso!
A história não pára por
aqui meu amigo.
Eu é que te agradeço. E espero
que consigas satisfação em tuas
realizações.
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