» ENTREVISTA: APOKALYPTIC RAIDS «

- Perguntas : LeatherFace
- Respostas : Leon Manssure-
- Entrevista realizada em Outubro de 2007 -

A/c Leon Manssur
C.P. 44034 - Rio de Janeiro – RJ – Cep: 22.060-970
apokalyptic_raids@yahoo.com
www.geocities.com/apokalyptic_raids - www.myspace.com/apokalypticraids


U
ma entrevista muito interessante que o irmão LeatherFace realizou com o Apokalyptic Raids do Rio de Janeiro, uma banda que toca na linha “old school” do Metal e, como o próprio Leon (Vocal & Guitarra), declara: “o Apokalyptic Raids é uma banda que tem senso de humor (negro) e que leva seu trabalho extremamente a sério, porque o fazemos pelo prazer”.

Então, Hellhammerheads e Metalbangers, vocês estão intimados a ler esta entrevista, agora...

TGZ: Salve Leon, estou sabendo que vocês foram convidados para um Split com o Nordic Mist. Fale sobre suas expectativas para esse Split, qual gravadora está encarregada deste trabalho e que músicas pretendem incluir, e qual será o formato?

Leon Manssur : Sim, foi um convite da banda e da Hell's Headbangers, que é o selo que distribui oficialmente o Nunslaughter. A gente não tem muitos Eps nem Splits, mas no caso uma banda tão boa como o Nordic Mist, a resposta foi sim logo de cara. O formato é um Compacto 7". As músicas ainda não definimos, pois temos um Split com o Farscape agendado e temos que escolher os “tracklists” para maximizar o número de mortos por quebra de pescoços em ambos os lançamentos...

TGZ: Sei que já estão trabalhando no seu quarto álbum de estúdio, este conta com composições de Hellpreacher também, estou certo? Como é ter um membro contribuindo novamente nas composições? Adrameleck também assinou algumas músicas no primeiro, mas desde então nenhum outro membro o fez, Hellpreacher fez uma grande diferença dentro do AR, certo?

Leon Manssur :
Sim, estamos com um álbum novo sendo projetado...
Estamos trabalhando como nunca nas composições. Na verdade, as composições sempre tiveram contribuições de toda a banda nos arranjos, uma coisa que eu sempre estimulei. Geralmente eu chego com uma idéia meio
vaga, tipicamente uma base e um refrão, e daí a gente desenvolve. Outras vezes eu tenho uma idéia de música completa.
No primeiro álbum, Adrameleck assinou sozinho, algumas das melhores composições, idéias completas que ele desenvolveu ou que eu completei um mínimo. O segundo tem várias músicas minhas que ficaram de fora do primeiro. Nele e no terceiro, existem algumas contribuições de Sub Umbra também.
Mas agora Hellpreacher tem apresentado músicas memoráveis, então nada mais justo do que colocá-las em seu merecido lugar. Já tocamos uma dessas músicas novas ao vivo, "Nothing Will Happen" e o resultado tem sido impressionante, o pessoal gostou muito dessa música.
Cada um tem suas características, e eu procuro expô-las ao máximo. A combinação Sub Umbra e Skullkrusher não contribuiu muito com composições, o que era largamente compensado pelo desempenho em shows. O Hellpreacher tem uma característica diferente, ele compõe mais. Ele entrou pra banda no susto e não deixou a peteca cair. Se a gente pudesse ter o melhor de todo mundo...

TGZ: Parece que nuns shows do AR você tem inovado com jogos de mímicas, no Cover “Crucifiction” do Hellhammer, você representou Jesus crucificado para os hellbangers adivinharem a musica. O que podemos esperar nos próximos shows, além dessas divertidas brincadeiras ?

Leon Manssur : Hahahahahahah, aquilo foi algo espontâneo, na hora me pareceu a coisa mais natural a fazer. Eu acho que devemos muito ao Black Metal dos anos 90, afinal eles mantiveram o Underground quando a geração anterior se afastou. Mas um grande problema que eu noto nas bandas dos anos 90 em diante é a falta de senso de humor. As pessoas fazem uma patrulha muito grande quanto ao quesito "diversão" e "entretenimento", parecem palavras proibidas. Mas e essência do Metal não é essa. A essência do Metal é a de levar a "diversão" a sério até as últimas conseqüências, no sentido de que a sociedade não irá nos tirar o prazer do nosso estilo de vida. Então, pode ter certeza que o Apokalyptic Raids é uma banda que tem senso de humor (negro) e que leva seu trabalho extremamente a sério, porque o fazemos pelo prazer.

TGZ: Numa entrevista você declarou que havia enviado seu material para o Warhammer, porém eles nunca responderam e você achou que eles não haviam apreciado o AR. Logo depois de ler esta entrevista, o baixista Frank mandou o material para você declarando que não gostaria de deixar nenhum fã de Hellhammer na mão. Fale de sua amizade com o baixista Frank, sua paixão em comum pelo Hellhammer e da volta do Warhammer sem o mesmo.

Leon Manssur : Sim, depois do ocorrido trocamos alguma correspondência e debatemos sobre nossos pontos em comum ou não. Trocamos material de nossas bandas, e o Frank chegou a me enviar uma camisa do Crude SS que ele mesmo pintou a mão, a qual conservarei pra sempre.
Ele inclusive me relatou o fim do Warhammer durante as gravações do álbum final da banda. Depois disso, ele nunca mais escreveu.
Quanto à volta do Warhammer, não gostei, achei bastante sem feeling. O Frank "Necros II" era realmente a alma da banda na minha opinião. Os outros integrantes podem ser bons fãs e bons letristas, mas a falta do Frank fala mais alto no momento. Sinceramente, eu espero que todos eles dêem a volta por cima.

TGZ: Você esteve envolvido na produção do novo álbum do Farscape, muitas pessoa tem declarado ser o melhor álbum de 2006, porém algumas pessoas tem dito que a banda não deveria jamais ter gravado “Wild Rocker”, que mostra uma face do Farscape mais Heavy Metal, o que você acha das opiniões dos mais radicais a respeito disso?

Leon Manssur : Eu adorei ter produzido esse álbum, menos pelas notas 10 que ele levou do que pela diversão que todos nós tivemos no estúdio. Quanto à opinião, todo mundo tem direito de ter a sua, inclusive de achar que esta ou aquela música não é boa.
Nos discos do AR, sempre existem músicas que algumas pessoas vêm me dizer que é a melhor, e outras vêm me dizer que é a pior. Eu ficaria muito puto se ninguém tivesse reação alguma.
O que a gente não pode admitir é patrulha na cena. Os caras gravaram uma música estilo NWOBHM, e fizeram com uma classe que eu nunca vi banda brasileira fazer. Não gravaram nenhuma “farofa” nem jogaram o nome do Metal na lama, então antes de patrulhar uma banda honesta, esses críticos deviam tentar compôr uma música memorável.


TGZ: Numa entrevista a uma revista brasileira, Tom Warrior declarou que fica feliz ao saber de bandas do Brasil influenciadas por Hellhammer e Celtic Frost, mas leu declarações meio negativas a respeito dele e você tem criticado a postura e música de Tom Warrior de algumas últimas entrevistas. Qual sua reação ao saber que ele não estava muito satisfeito com suas críticas?

Leon Manssur :
Eu sou completamente obcecado por Hellhammer, mas não pela personalidade de Thomas Fischer, nem de nenhum outro "herói" do Metal. Tenho muito mais respeito por Lemmy, Iommi, Cronos e alguns outros que deram exemplos mais do que palavras.
Eu e todos os fãs de Hellhammer temos uma coisa entalada na garganta desde 1984... Após termos nossasexpectativas sistematicamente frustradas uma após a outra, ter que agüentar a inauguração do Gothic Metal com ‘Into The Pandemonium’, ter que ser ridicularizado pelo Cold Lake, e o lixo que é ‘Vanity/Nemesis’, ‘Apollyon Sun’ e todas as idéias furadas de modernidade, e agora com essa merda de disco que é ‘Monotheist’. Isto não vai a lugar nenhum. De novo.
Se ele não gostou dos meus comentários, eu adorei saber que estou incomodando tanto quanto a volta do Celtic Frost para fazer música ruim me incomoda e a muitos outros fãs. O imperador está nu.

TGZ: Falando sobre Celtic Frost, o que você achou do seu último trabalho? Você declarou numa entrevista que Tom Warrior não poderia fazer músicas como você. Isso foi um desafio para que Tom Warrior deixe a música industrial de lado e volte aos tempos do ‘Morbid Tales’?

Leon Manssur :
Quem me dera. Eu tenho certeza que eles não conseguem. O tempo passou, eles já eram.
Eu li no livro dele que eles tentaram regravar ‘The Third of The Storms’ na época do ‘Into The Pandemonium’, mas não conseguiram fazer direito. Foi por isso que resolvemos fazer nossa versão.
‘Monotheist’ parece a fase ruim do Sepultura misturado com Cathedral. É apenas uma seqüência de barulho industrial. Na minha opinião de fã, não tem músicas memoráveis.


TGZ: Fale sobre o novo álbum, o que deve trazer de novo e permanecer dos antigo elementos no AR?

Leon Manssur :
Como você já antecipou, deveremos ter um par de composições de Hellpreacher, além de outras minhas. Ainda é cedo pra especular, pois estamos compondo e debatendo o “tracklist” e o álbum ainda deve demorar pra sair. Nós sempre acabamos com algumas músicas a mais que podem ser usadas em Eps ou mesmo gravar 2 álbuns de uma só vez. Existem sim composições muito antigas do meu arquivo para serem gravadas.
O ‘Third Storm’ foi um álbum bastante experimental, e até fomos bem sucedidos em muitas coisas, mas acho que neste álbum iremos ser mais diretos. Mas só terei a resposta definitiva em 2008.


TGZ: Quais bandas do Brasil e de fora tem chamado sua atenção nesse momento na cena underground metálica?

Leon Manssur : Estamos num momento muito interessante, onde muita coisa boa vem de "Worship Bands", assumidas ou não e bandas ditas "originais" não trazem absolutamente nada de novo ou interessante.
Além do próprio Nordic Mist do Split, tem uma leva de bandas, como Gallhammer, Morrigan, Devil Lee Rot, Toxic Holocaust, além de nomes mais antigos como Sabbat, etc. e do Brasil: Power From Hell, Witchkraft, novos trabalhos de grandes bandas obscuras como Sarcasmo e Mausoleum, além de muitas bandas daqui do Rio, como o próprio Sodomizer, de muitas bandas boas de Heavy, Thrash, Death e Black de São Paulo, como por exemplo Breakdown e Clenched Fist e outras de todo o Brasil...


TGZ: Algumas personalidades e tópicos para você dar sua opinião:

Quorthon:
Leon Manssur : De novo, não cultuo a personalidade dele. Gosto muito dos 4 primeiros álbuns do Bathory, e só.
Only Death is Real:
Leon Manssur : Isto está errado. Não existe realidade. A ontologia morre na linguagem. Nem a morte é real.
Rita Cadillac:
Leon Manssur : Ah, a Rita é um fetiche antigo...
Venom:
Leon Manssur : O Black Sabbath dos anos 80. O Metal se divide em antes do Venom e depois do Venom. (Cronos, Mantas e Abbadon, não o Venom atual...)


TGZ: Sei que gosta de fazer “backings” em shows, quais bandas você ainda não realizou uma “Jam” e gostaria de dividir o palco?

Leon Manssur : Sodomizer! Cuidado Leatherface, você é a próxima vítima do “Stage Invader”!!!

TGZ: Planos futuros de uma tour no Nordeste do país, e pela Europa ?

Leon Manssur : Sim, estamos nos organizando para viajar. Temos as dificuldades que todos têm de conciliar horários de trabalho e ter disponibilidade para viajar, mas estamos cada vez mais próximos de entrar na estrada, com a ajuda do pessoal do Dominus Praelli.
Quanto ao exterior, é possível, mas não iremos fazer uma tour de qualquer maneira, pagando nossas passagens do próprio bolso. Quando acontecer, será algo grande...

TGZ: OK isso é tudo Obrigado Leon e o espaço e seu para suas últimas considerações ...

Leon Manssur : Valeu pela entrevista! Foi totalmente fora dos padrões, o que é bom...
Hellhammerheads e Metalbangers entrem em contato!

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