» ENTREVISTA: BLASTHRASH «

Realizada por: Cezar Augusto

Respondida por:
Dário Viola & Felipe Nizuma

Blasthrash

Contatos:
A/c Diego Nogueira
Rua Antônio Quintiliano, 97. Bl.06, Ap.18
São Paulo/SP - 02323-070
blasthrashband@hotmail.com


D
a capital paulista, a Blasthrash vem desde 1998 batalhando com muita energia pelo Thrash Metal volvido ainda mais àquela veia ‘Bay Area’, eles que até mesmo no nome da banda fixaram o termo ‘Thrash’, sem sequer lembrar quem o colocou na dita época, devido ao alcoólico momento, chegam atacando com sua pancadaria old school que culmina em muito ‘punch’, transparência, diversão e honestidade. Notar-se-á essa espontaneidade facilmente nas palavras dos brothers Dario Viola (Vocal & Guitar) e Felipe Nizuma (Guitar), tanto que as respostas ficaram enormes, devido a empolgação para com as questões... Let’s Go !!!

TGZ: Thrash maniacs! Desde quando a Blasthrash vem batalhando no underground, como foi a união que culminou no nascimento da banda, e se a formação sempre foi a mesma?

Dario:
Tudo bem Cezar? [*N.E.: Sim, Nap(ops!) ] . O Blasthrash surgiu em 1998, e desde essa época vem batalhando em nome do som que pratica. A banda surgiu da união de um grupo de amigos, que resolveram montar uma banda pra tentar tocar aquilo que ouviam. Éramos novos na época, em média 16 anos de idade. Essa formação durou até o final de 1999, quando a banda acabou por desavenças. Em 2001, eu, depois de muito procurar, encontrei no Felipe, no Diego e no Paulo os integrantes perfeitos para a banda, pois eram caras que pensavam na banda assim como eu, e que vestiram a camisa da banda, literalmente, pois também tinha como objetivo pra banda, os objetivos iniciais da época da formação da banda. A formação estava ainda melhor que em seu início.
Agora, em 2005, logo após o lançamento do play, o batera Paulo, saiu da banda, e o Rafael entrou em seu lugar.
Felipe: O que facilitou também é que já éramos amigos antes de tocarmos juntos, saíamos todo fim de semana pra beber por aí, hehehe

TGZ: Vamos lá, o nome Blasthrash foi dado por quem e por quê?

Dario: A pessoa exata que deu o nome, eu sinceramente não me recordo, provavelmente estávamos muito bêbados pra lembrar com exatidão. Só tenho certeza que pode ter sido eu, algum cara da formação antiga, ou algum amigo nosso que compareceu ao ensaio e que decidimos por esse nome. Não conseguíamos pensar num nome, e bebíamos e ficávamos discutindo por horas procurando um nome, mas me lembro que ele surgiu a partir do momento que resolvemos "brincar" com a palavra Blaster, que achávamos forte tanto em seu significado quanto em sua sonoridade. Aí, pela benção de algum deus etílico ou do Metal, pairou sobre alguém essa junção de Blaster + Thrash, que curtimos mais pela sonoridade que pelo significado. E foi isso aí, curtimos a junção destas duas palavras, principalmente por carregar o THRASH no nome, e curtimos o fato de ser um nome até que original e dificilmente teríamos algum homônimo.

TGZ: O álcool é foda e inspirador pra mesclar as idéias!. E a banda tem quais materiais demonstrativos lançados até chegar ao Debut Álbum?

Felipe:
Antes do "No Traces", ainda com a formação antiga, eles lançaram uma Demo chamada "License to Thrash" em 1998, que circulou legal no underground até quando eu entrei na banda, junto com o Diego e com o Paulo; logo decidimos trabalhar o mais rápido possível no que se tornou a segunda Demo-Tape da banda, chamada "Beer & Mosh", gravamos ela num esquema ao vivo no estúdio porque a gente não tinha dinheiro pra gravar de forma mais adequada. Essa Demo girou bastante no underground. Vale lembrar que ela foi lançada com ajuda da Force Majeure Records, e foi o primeiro lançamento deles. Depois da "Beer & Mosh" de 2002, nós participamos do primeiro volume da coletânea do web ‘metal vox’ com a música "I.M.F.", que saiu de bônus no "No Traces".
Dario:
No começo desse ano, antes do ‘play’ sair, lançamos uma pequena Promo-Cdr com alguns sons prévia, “rough mix”, do que saíria no ‘play’, sendo mais um apanhado geral de tudo que já havíamos gravado. Chamamos essa Promo de "Promo 2005".


TGZ: E sobre o resultado final dessa gravação, onde faltou grana e sobrou cervejas e moshs para terem registrado essa segunda demo?

Felipe: Acho que a nossa amizade fez dessa Demo uma coisa muito especial, thrash/cerveja/mosh são praticamente um ideal de vida hehehe, ela foi muito importante, mesmo a gente achando que a gravação não tenha saído do jeito que esperávamos, foi tudo feito muito às pressas.
Dario: Se bem que pela grana que tínhamos disponível na época, ainda que a gente gostaria que o resultado fosse outro, meio que sabíamos que não dava pra fazer milagre com pouca grana, o que implicaria em pouco tempo no estúdio... O que mais valeu foi a curtição e a empolgação que estávamos. Muita cerveja, conhaque, pinga com limão, refrigerante vagabundo e pão com mussarela. Ah, e o que mais importa, muita zoeira, só falando merda o tempo todo, a gente até esquecia de gravar, de tanto que se divertia.


TGZ: Como foi o acordo estabelecido com a Force Majeure Recs para o lançamento do Debut "No Traces Left Behind"?

Dario:
Bem, basicamente o dono do selo ao lançar tanto nossa Demo, quanto a da banda Thrash Metal de Osasco, Total Mayhem (diga-se de passagem, muito boa!), ao perceber que havia público para o estilo, nos propôs um acerto para lançarmos nosso play com ele. Foi bem simples até. A parceria que fizemos com ele com a Demo "Beer and Mosh" funcionou meio que como um "estágio" pra esse lançamento do ‘play’. Pra nós, de certa maneira, caiu como uma luva, pois tínhamos material para o Cd, porém, estávamos “quebrados” na época da gravação e através do selo, conseguimos gravar sem ter gasto dinheiro algum.


TGZ: E vocês acompanham a divulgação do álbum feita pelo selo?

Felipe:
Bom, nós, na medida do possível, temos acompanhado a divulgação porque isso nos interessa também, e como não é todo dia que conversamos com o dono do selo, acabamos descobrindo sozinhos as coisas que aparecem sobre o "No Traces".
Dario:
Como por exemplo, uma vez que estávamos folheando uma ‘Roadie Crew’, e do nada, reparamos que havia um anúncio nosso lá.


TGZ: Que acharam da resenha vista no ThunderGod?

Dario:
Também, as influências, as bandas que foram citadas como nossas influências, são entre outras, exatamente aquilo que ouvimos, curtimos e temos em mente quando compomos e tocamos. Notadamente Vio-Lence, Nuclear Assault e Kreator, creio que são bandas que o Headbanger que atentar para os riffs, vocal e estruturas encontrará bastante influência. A menção aos backing vocals também foi legal, pois enfoca outro ponto que gostamos de inserir nas músicas, pois achamos extremamente marcantes e uma das coisas mais legais dentro do Thrash Metal. "Thrash Correria" foi uma das melhores definições que já colocaram pro nosso som, concordamos completamente, tanto pela rapidez do som quanto pelas “correrias” que fazemos pra manter a banda na ativa hehehe. (*N.E.:!!!)

TGZ: E a idéia dos moshs no sofá, hein?!

Dario: Curti, bem legal a idéia, total festa na casa de algum camarada que tá sozinho, ou mora sozinho, zoeira sem limites, regada a muito álcool! De preferência com companhia feminina hehehe É exatamente algo que já fizemos várias vezes em noites em que não havia lugar algum para ir! Era passar no mercado, comprar muita bebida, e começar a encher a cara ouvindo muito METAL!
Felipe: Treinar em casa e praticar nos shows, hehehe
TGZ: Falem sobre as maníacas letras do “No Traces Left Behind”.

Felipe: Somos meio suspeitos pra falar! No geral é o Dario quem as faz, mas todo mundo dá um toque. Falamos de lances que rolam no dia-a-dia, como política e coisas do tipo “loucura” ou “depressão”, sempre temas que tem a ver com a realidade das pessoas, nada de conto de fadas hehehe.
Dario: Bem, procuramos falar sobre assuntos variados, não nos fixarmos em apenas um tema. Pelo contrário, queremos sim é falar sobre o que vier à cabeça... algo que nos incomoda no mundo, na sociedade, até mesmo em nossas vidas. Se não quisermos falar sobre algo assim, também não temos problema algum em fazer alguma letra mais “clichê”, algo mais recorrente nas letras de Metal, por que também achamos isso válido. Afinal, temáticas como morte, assassinos, suicídio, violência, álcool, shows de metal também são válidos e combinam muito bem com o Thrash Metal. No geral, creio que priorizamos a música em relação à letra. Ainda que a letra tenha importância para nós, achamos que a mensagem mais importante que podemos passar está na música em si, na fidelidade ao Thrash Metal em seus moldes originais. Sendo assim, a letra é um complemento. Importante, porém um algo que vai “coroar” o mais importante, que é a música. Mesmo pensando assim, vamos tentando fugir do lugar-comum, mesmo quando tratando de temas que já foram muito explorados, tentando ser criativos, expondo um assunto de maneira diferente, mesmo que já tratado por várias outras bandas, acho que conseguimos soar sinceros e um pouco originais nos nossos pontos-de-vista. No “No Traces”, temos letras tratando de assuntos diferentes, e aquelas que têm temas similares tem abordagens diferentes. Na “Psychotic Minds” falamos sobre a mente de um serial-killer, alguém que mata por prazer, e colocando que mesmo nós que nos achamos normais e superiores às pessoas que agem dessa maneira, no fundo de nossas mentes podemos esconder gostos e hábitos nada “normais”, ou seja, o que é ser mentalmente são? “Nudity on TV” fala sobre o baixo nível que a mídia e principalmente a TV aqui no Brasil está... não somos falsos moralistas e tampouco defensores da “moral e bons costumes” mas achamos que num país atrasado como o nosso, a TV e a mídia em geral deveriam primar por uma qualidade melhor, algo que pudesse contribuir com a construção de uma sociedade melhor e mais justa. “No more apathy” tenta ser uma mensagem positiva para os piores momentos, quando achamos que nada mudará e melhorará, algo que tem a ver com o poder que nossa força de vontade pode ter para mudar uma situação. Já “Assassin” é uma letra mais antiga, mas que resolvemos manter em seu estado original para o play. A temática é mais ou menos a mesma da “Psychotic” mas é mais simples na abordagem de seus versos. Simplicidade Metal baseada nas letras dos pioneiros dos anos 80, ou se você preferir, clichê, mas consciente de ser clichê. “When will they fall?” fala sobre a prepotência e egocentrismo da atual potência dominante: os EUA, e levantando a hipótese que sua queda se aproxima! “Beer and Mosh” fala sobre nosso “thrashing way of life” e acho que dispensa maiores comentários, suas letras falam por si só! “… And then all my hope is gone” é meio que o outro lado da moeda da “No more apathy”. É sobre aqueles momentos em que nada na vida parece possível e o suicídio aparece como uma alternativa real e recorrente nos pensamentos. “Empty words” é mezzo ficcional mezzo pessoal, e fala sobre a decepção com alguém em quem confiava e que a palavra se revelou menos valiosa que merda (afinal, merda tem valor como adubo!). “Collapse is near” aborda o tema mais recorrente e presente na história humana: a guerra. O enfoque é mais direcionado para os acontecimentos presentes, como os pseudo-divinamente inspirados atentados que vêm acontecendo e a resposta pseudo-justiceira e pseudo-divina dos EUA a eles. Os dois lados atribuem à religião tal violência porém como sempre a religião que por si só já é um mal, serve para esconder outros propósitos ainda mais egoístas e maquiavélicos. Na letra questionamos a necessidade da guerra em nossa presente sociedade, no mundo atual que se mostra tão esclarecido e racional, porém é igual às supostas sociedades atrasadas, porque acaba sempre resolvendo as desavenças com a guerra. Finalmente, na “IMF”, falamos sobre a situação de inferioridade que nos é imposta pelas nações dominantes, que por trás de propósitos humanistas somente fazem perpetuar seu domínio, o subdesenvolvimento e o atraso nas nações que exploram. E digo, nas novas músicas que temos feito, estamos explorando outros temas novos, ainda mais diversificados, esperamos que os Bangers curtam a sinceridade com que escrevemos!

TGZ: Os shows de vocês desestruturam os alicerces dos locais tomados de assalto thrasher (hehehe), Diz aí? Comentem sobre o delírio nas apresentações.

Felipe: Olha tivemos shows bem legais onde a galera agitou muito e quebrou tudo mesmo! O que a gente gosta mesmo é de tocar, as vezes devido a hora, ou alguma coisa que rola no dia, a galera pode não estar tão a fim de agitar, mas mesmo assim a gente gosta de tocar! Mas nada como o mosh e o circle pit comendo solto!
Dario: Bem, ao menos tentamos desestruturar os alicerces hehehe. Acho que às vezes conseguimos hehehe. Tentamos no palco, mostrar o máximo de empolgação possível, tentando fazer o show com a maior energia possível. Realmente gostamos de tocar, de estar no palco mandando ver nosso som, aliás, é uma das coisas que mais gostamos de fazer na vida, então achamos que até por respeito a quem vai ao show nos ver, e até mesmo a nós mesmos o melhor que podemos fazer é “dar o sangue” no palco. Óbvio que nem sempre tudo dá 100% certo, mas no geral, tentamos sempre nos apresentar desta maneira bem empolgante. E às vezes até no sacrifício. O Diego, nosso baixista, sofre de uma bronquite bem forte, e mesmo em meio ao início de uma crise, numa madrugada fria pra caralho em Sorocaba/SP, ele subiu no palco com a maior boa vontade. É pela paixão ao que fazemos. O que mais gostamos nos shows é ver a galera agitando, e fazemos de tudo para isso, tocando com a maior velocidade possível, e para o Mosh, se necessário, algum de nós será o primeiro a dar um Stage Dive (o Felipe que o diga, várias vezes ele larga a guitarra e pula!). Algumas das apresentações que mais nos marcaram pela intensidade da galera agitando, e que com certeza como você disse, desestruturaram os alicerces das casas de show foram: Assunção no Paraguai junto com OverLord e DL50 – os paraguaios agitam insanamente, puta que pariu, é mosh que não pára mais, realmente do caralho! É um lugar perfeito para bandas de thrash tocarem, o pessoal é muito receptivo ao estilo, curtem mesmo a apresentação das bandas, agitando como “Suicidal Maniacs” hehehe – aqui em Sampa mesmo, duas datas no mesmo bar, o Cerveja Azul, que à primeira vista pode parecer ruim mas revela-se perfeito para shows de thrash, uma no final de 2004 e outra no começo de 2005, a primeira com os cariocas do Flageladör e Farscape e a segunda com os paraguaios do OverLord e Patriarca – foi mosh, circle pit e stage dive do início ao fim, é um bar pequeno, propício a um show intenso – outra vez aqui em São Paulo, junto com o Kremate e com o Em Ruínas, num local chamado TribeHouse, um show que todas as bandas mandaram muito bem, a galera agitou pra caralho e o melhor de tudo, a qualidade do som estava muito boa, e ainda melhor: muito alto! - e por fim, um aqui no interior de São Paulo, em Campo Limpo Pta. – um bar pequeno, um domingo com chuva, porém extremamente Beer n’ Mosh! A cerveja não parava de rolar, e o pessoal agitava feito doido! O som estava mais ou menos, mas que se dane, estava alto e pesado, e isso é o que mais conta! Total Thrash. Fora esses, também houveram outros shows bem intensos, mas esses são os que ainda consegui guardar na minha memória já bem afetada pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas e pelo stress de se morar em São Paulo. Teve também um outro dia, que mal chegamos a tocar, porém foi do caralho... ou melhor, na hora foi um pequeno susto, mas depois, achamos engraçado... era um show com metade das bandas Thrash, metade HC. Até aí, perfeito. As bandas se revezavam, e foram shows muito bons, e harmonia perfeita entre as duas galeras. Porém, rolou uma treta de um pessoal que estava no show, com uma galera mais “rapper” do bairro em que o show estava rolando. Beleza... quando subimos ao palco, do nada, percebemos que a galera começou a se dispersar... pensei até que sei lá, não estávamos agradando... mas rapidamente percebemos o que acontecia: o pessoal do bairro, que estava envolvido na briga com o pessoal que estava no show, começou a invadir o lugar armado e dando tiros! Foi só tempo de sairmos do palco e nos protegermos dos tiros! O show acabou na mesma hora e umas 4 bandas incluindo nós, ficaram sem tocar. Felizmente ninguém se feriu, mas essa galera que atirou vandalizou alguns carros do pessoal que estava no show... Houveram outros muito fodas também, mas meus neurônios corroídos pelo álcool e outras substâncias tem muita dificuldade para lembrar! Mas com certeza nossos shows mais intensos ainda estão por vir, por isso preparem-se para o Blasthrash em suas cidades!

TGZ: Vocês estão planejando uma turnê para o nordeste e sul do Brasil, é?

Felipe: Estamos com alguns contatos, mas nada 100% confirmado. Seria muito legal viajar pelo Brasil, sobretudo pelo que dizem os caras de outras bandas que já estiveram por aí. Estamos loucos pra tocarmos no Brasil inteiro, caras de bandas como Violator, Executer dizem ótimas coisas sobre os shows e as pessoas de outros lugares do Brasil, estamos loucos pra conhecer a galera por aí, tomar várias cerveja e tudo mais!
Dario: Sim, existem planos, porém por enquanto nada de concreto. Este é o nosso maior desejo como banda, tocar pelo Brasil todo e por onde mais conseguirmos. Tocar é sempre bom. Viajar é muito bom também. E conhecer novas pessoas do caralho também. Uma tour é oportunidade de fazer tudo isso ao mesmo tempo. Divulgarmos nosso som por aí, para pessoas que curtam também o som quem curtimos/fazemos, e conhecer pessoas com quem possamos tomar altas brejas conversando sobre Metal. Perfeito! Para a turnê, tudo tem que ser bem planejada, por que atualmente é meio complicado conciliarmos as folgas/férias de todos nós na banda. Tem que rolar uma certa antecedência para nos programarmos nos nossos empregos pois é um pouco complicado pedirmos demissão para fazermos a turnê... o desemprego aqui em Sampa tá foda e jogar um trampo pro alto é total doideira... logo que o “No Traces” saiu, o cara do nosso selo teve uma proposta de algumas datas pelo nordeste porém acabamos por não confirmá-las justamente por isso, pois só teríamos 2 semanas para tentarmos um acordo em nossos empregos e seria impossível conseguir algo em tão pouco tempo. Ficamos até um pouco frustrados por isso, mas sabemos que isso só dificulta um pouco as coisas mas não impedem totalmente. Por enquanto temos feito o máximo de shows que tem aparecido, na distância que possa ser percorrida no espaço de tempo de um final de semana, que é o tempo que dispomos, e dentro destas possibilidades, estamos totalmente abertos a propostas de shows. Já quanto à turnê propriamente dita, englobando locais mais distantes de São Paulo, avisamos aos thrashers e bangers que estejam interessados, que nossos planos apontam para o meio do ano de 2006. É a data para a qual estamos nos programando para cairmos na estrada, de Norte a Sul, e mesmo algumas datas nos países vizinhos ao Brasil.

TGZ: Opinem brevemente sobre cada banda:

Vio-Lence:
Felipe: Nossa!! 100% de influencia no Blasthrash com o LP Eternal Nightmare!
Dario: Como muita gente pode notar, essa banda é uma das maiores influências. Na minha opinião, é o nome que sintetiza mais perfeitamente todas as características do Thrash Metal da Bay Area.
Kreator:
Felipe: Muito foda, clássico dos clássicos! Até o Coma Of Souls a gente ouve muito!
Dario: Uma das minhas “portas de entrada” no Thrash Metal. Até o “Coma of Souls” são perfeitos. Com uns 14 anos, vi o clipe de “Betrayer” pela primeira vez e decidi que o Thrash Metal era o que queria pra vida. Com certeza uma das 5 maiores influências do Blasthrash.
Tankard:
Felipe: Influência evidente no Blasthrash! Os únicos 100% autênticos até hoje!
Dario: Velocidade, peso, cerveja, bom-humor. Preciso dizer mais?
Nuclear Assault:
Felipe: Banda foda, daquelas que é difícil não gostar! Vocal agudo com aquele pique hardcore, total thrash fucking metal!
Dario: O nome mais forte da cena Thrash de New York/New Jersey nos 80. Intenso, vocal animal... tem como não gostar?
Exodus:
Felipe: É daquelas bandas que a gente conhece primeiro, particularmente é uma das minhas favoritas, principalmente o Bonded e o Fabulous.
Dario: Junto com Kreator, Slayer e mais algumas, nosso primeiro contato com o Thrash. Clássico total. “Bonded by Blood” é total influência.
Suicidal Tendencies:
Felipe: Banda polêmica, muita gente não gosta, mas a gente curte pra caralho! Acho que o Join In The Army é o que exerce mais influencia em nós!
Dario: Até o “Lights Camera Revolution” tem nosso total respeito. “Suicidal Tendencies” e “Join The Army” são clássicos absolutos. É uma das bandas que mais contribuiu para a interação HC + Metal.
Quaisquer outras que queiram acrescentar:
Felipe: Devo mencionar bandas como Ratos de Porão, MX, Executer, Viking, Assassin que são foda pra caralho, e bandas novas, como Violator, Farscape, Flagelador, Kremate, Eternal Devastation, Wardeath, Total Mayhem, Overlord (do Paraguai), Toxic Patrol, Evil Offering e Massive Power do Chile, Municipal Waste dos EUA entre outras muito foda que vem por aí!
Dario: Bem, para não me estender demais, só citarei os nomes das que mais nos influenciam, sem comentar uma por uma: Forbidden, Slayer, MX, Candlemass, Voïvod, Aggression, Assassin, Mutilator, Sadus, Anthrax, Heathen, Viking, Witch Hammer, Dark Angel, Mezzrow, Exhorder, Sabbat(Ing), Vulcano, Wehrmacht, Attomica, Sodom, Executer, Paradox, Artillery, Coroner, Megadeth, Darkness, Loudblast, Destruction, D.R.I., Whiplash, Annihilator, Bulldozer, Death Angel, R.D.P., Possessed, Indestroy, Merciless, Metal Church, Holy Terror, Dark Angel, Sacrilege(Ing), OverKill, Defiance, Sacred Reich, Acid Storm, Flotsam And Jetsam, Deathrow, Testament, Leviaethan, Pestilence, Acid Reign, Exumer, Sepultura, S.O.D., Mekong Delta, Death Angel, Dorsal Atlântica, Cro-Mags, Nasty Savage, Lobotomia, Hirax, At War, The Mist, C.O.C., Devastation, Necrodeath, Sanctuary, Blind Illusion, Mortal Sin, Soothsayer, Sacrifice, Rage, Anthares, Evildead, Carnivore, Celtic Frost, Angel Dust, ficando por aqui só nas principais ... e muitas, muitas outras...!

TGZ: Como sabem, na resenha feita do “No Traces...”, falei que os sons"...farão com que os maníacos batam suas cabeças e dêem moshs, mesmo no sofá de casa (hahaha) ...". A receptividade da galera está sendo como o esperado?

Felipe: Bem, as resenhas que saíram até agora foram bem legais e a galera que adquiriu e veio falar conosco tem curtido, isso aí já nos deixa felizes pra caralho hehehe Nos shows tem gente cantando algumas músicas e isso é bem legal também! Se não fossem essas pessoas, acho que a banda nem existiria mais! Só podemos agradecer toda a atenção de quem comprou e dá apoio a nós e a outras bandas do underground!
Dario: Sim, e muito legal, tem sido até melhor do que esperávamos inicialmente. Dentro de nossas possibilidades atuais, sem um grande esquema de distribuição do CD e sem uma turnê, a receptividade tem sido excepcional. Acho que os bangers ao ouvirem o play percebem que fazemos o som que fazemos por paixão, sem uma gota de oportunismo. Temos recebido contato de bangers de todas as regiões do Brasil, e mesmo do exterior. Agradecemos a atenção dada a nós, e até pedimos desculpa por tanto nosso endereço de contato quanto nosso e-mail não terem saído no CD... foi um erro na diagramação do CD que nos deixou putos... mas mesmo assim, é legal saber que teve gente que correu atrás do nosso e-mail/endereço, é sinal que curtiram mesmo nosso som. No geral, acho que tem tudo rolado muito legal, que o pessoal percebe que “thrash is our business... and business is good!” hehehe brincadeiras à parte, penso que a recepção ao nosso som e aos nossos ideais dentro do Metal tem sido boa. Ficamos muito contentes com isso pois as pessoas entendem nosso som e nossos ideais dentro do metal: fazer o que gostamos com a maior paixão possível.

TGZ: Ah, a capa chama à atenção, quem foi o desenhista e o quê querem passar com a ilustração?

Dario: Eu não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, porém o Felipe e o Diego falaram um pouco com ele pra tentar passar a idéia inicial da capa pro cara. A idéia inicial era a destruição que aparece na capa, tendo relação direta com o título do CD. Algo que remetesse um pouco até à capa do “Ultra Violence” do Death Angel, que é sem dúvida uma puta referência para nós. Pensamos também em talvez colocar alguma figura humana, mas era para ser algo mais tipo o “Slowly We Rot” do Obituary, o “Peace Sells” do Megadeth ou o “A Higher Form of Killing” do Intruder. Mas aí, deixamos o trabalho por conta do desenhista. Como ele é conhecido do cara do nosso selo, eles mantinham contato e em algum ponto do processo de finalização do desenho, o cara do nosso selo teve a idéia de colocar a menininha... não gostamos muito da idéia pois queríamos somente a destruição ou então alguns corpos pelo chão... a idéia da menininha até era legal, mas contrariava nossa concepção ideal e inicial, e o principal ponto: achamos que remeteria demais ao Annihilator e em menor escala a algo como o Dark Angel em “Leave Scars”. Porém, como o trabalho já estava pronto e queríamos lançar logo o disco, pois já estava começando a demorar, resolvemos lançar com esta capa mesmo... gostamos dela porém só ficamos um pouco frustrados por não respeitar exatamente à nossa vontade inicial... por outro lado, o que a mensagem principal que quisemos passar com a capa, que é a destruição, bem relacionada ao título do CD, continua presente. E a presença da garota abandonada deu um toque de desolação legal também...

TGZ: E a montagem da velha escola com as fotos misturadas e desordenadas em P & B; como sempre, marcando situações delirantes (risos). Huum, isto deve fazer também com que se lembrem de divertidos fatos curiosos, all right? Relatem aí alguns que são inesquecíveis.

Dario: Com certeza, naquela montagem tem foto de tudo quanto é dia diferente, várias situações, algumas delas com certeza muito interessantes! Porém, a maioria das fotos são de shows, junto com camaradas nossos e camaradas nossas das bandas que tocaram junto com a gente. Bem, até tem uma ou outra situação mais pitoresca, mas prefiro nem comentar... é melhor deixar pra imaginação de cada um!

TGZ: Vocês curtem também desenhos, games, seriados, né? Citem-nos dentro dessa escala de preferências.

Felipe: Pô cara, eu não sou muito ligado em games hehehe, eu gostava muito do Super Nintendo, mas vendi ele pra comprar a minha guitarra quando eu era moleque hehehe
Quanto aos desenhos e seriados, eu sou fã, e bem fanático, do Chaves, Pica Pau é fodão também!
Dario: Eu sou fã de seriados, games e desenhos. Porém não sou muito aficcionado em nada disso. Curto, mas de boa... Assisto alguns, porém não sou do tipo que não perde nenhum capítulo. A respeito dos games, minha fase de ouro foi com o Nintendinho 8 bits, depois disso o Metal entrou na minha vida, e o Nintendo foi perdendo espaço hehehe só sobrava um pouco para o futebol. Curto muito cinema e leitura também. Literatura, História (que estudo na faculdade) e também HQ. No cinema, diferentes vertentes, filmes de vários países diferentes... do mainstream de Hollywood até o mais alternativo do cinema sul-americano e asiático, passando pelo “cult” europeu; se for algo que me agrade, sou fã.

TGZ: Traçando um comparativo entre o Thrash anos oitenta com o dos anos noventa e os mais modernos; o quê vocês podem comentar?

Felipe:
É complicado, porque acho que o thrash tem que ser tocado como era tocado antes, mas também não posso recriminar quem toca som “modernoso”! Nós tocamos do jeito que nós gostamos e achamos legal e eles tocam do jeito deles. Só não nos venham dizer que é a mesma coisa que não é!! Hehehe
Dario: Bem... eu poderia falar muito, dizer um monte de teorias e tal, mas prefiro fazer minhas as palavras do Felipe. O que ele disse, é resumidamente exatamente o que nós da banda pensamos.

TGZ: No mais, como é a relação da Blasthrash com bandas de outras vertentes do underground, vocês tem restrições em tocar com algumas de linhas sonoras e ideológicas distintas?

Felipe:
Cara, nós não temos preconceitos, mas certos estilos são preconceituosos por si só, e acho que não eles não iam querer tocar com bandas tipo nós hehehe
Dario: No geral, não tenho restrição a nada... sendo Metal estamos dentro do “cast” das bandas, não importando qual a vertente. Já dividimos o palco com várias outras bandas e muitos shows com bandas de Heavy, Doom, Death, Black, Grindcore, e até mesmo Punk/HC foram muito legais. Acho que de maneira geral o público também aceita bem. Logicamente certas misturas não rolam legal, mas como o Thrash Metal não é aquilo de mais extremo, tampouco o mais acessível dentro do Metal, sendo uma espécie de meio termo, creio que os Thrashers se adaptam legal a quase qualquer cast. O mais importante é dividirmos o palco com bandas que levantam a bandeira do Underground e do som feito por paixão ao estilo, sem oportunismo, isso é legal. Porém, acima de tudo, queremos mostrar nosso som, isso nos torna abertos à maioria das propostas que rolam. Só não me agrada a idéia de dividir o palco com tendências oportunistas e que nada tem a ver com o Heavy Metal como o tal do “new metal(?)”, ou mesmo essa nova onda de “gothic metal(?)”... tocar com uma banda de White Metal também não me agrada muito pois discordo totalmente de seus preceitos...

TGZ: Como nos finais de alguns desenhos: Thats all folks, completando com: Beer and Mosh. Foi um prazer fazer essa espontânea entrevista, pois finalizem "sem deixar traços pra trás" e como recado mandem as “bullets” que lhes restam ...

Dario:
Bem, em primeiro lugar agradeço a paciência, Cezar, por ter aguardado toda minha demora em ter respondido à entrevista! Porém pode ter certeza que a demora se deveu justamente a um fato que também te agradeço... à ótima formulação desta entrevista, pois percebi com suas perguntas que você conseguiu captar bem o que queremos passar com o nosso som, e de maneira geral, como somos e nosso “thrashin’ way of life” hehehe (por isso acho que me excedi em muitas respostas e acabei falando demais!). Também agradeço a todo mundo que teve saco de ler nossas por vezes longas respostas e todos aqueles que direta ou indiretamente nos apóiam e também ao Underground como um todo. Vamos curtir um som, tomar umas brejas, nos divertir... Porque isso é mais do que um alívio pra todo o stress e merdas que enfrentamos na vida, e ainda mais, em minha opinião, o Metal é uma das coisas que mais faz valer nossa existência... É UM ESTILO DE VIDA!!! Bem, acho que é isso aí, METAL GREETINGS!!!


 
Livro de Visitas
Livro de Visitas Resenhas (Cd's, Demos, Dvd's, etc) Novidades Materiais Links Entrevistas Editorial + Equipe Contatos TGZ Agenda de Shows Pág. Inicial Pág. Inicial Agenda de Shows Contatos TGZ Editorial + Equipe Entrevistas Links Materiais Novidades Resenhas (Cd's, Demos, Dvd's, etc) Livro de Visitas