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ENTREVISTA: BLASTHRASH
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Realizada
por: Cezar
Augusto
Respondida por: Dário
Viola & Felipe Nizuma
Blasthrash
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Da
capital paulista, a Blasthrash vem desde 1998
batalhando com muita energia pelo Thrash Metal
volvido ainda mais àquela veia ‘Bay
Area’, eles que até mesmo no
nome da banda fixaram o termo ‘Thrash’,
sem sequer lembrar quem o colocou na dita
época, devido ao alcoólico momento,
chegam atacando com sua pancadaria old school
que culmina em muito ‘punch’,
transparência, diversão e honestidade.
Notar-se-á essa espontaneidade facilmente
nas palavras dos brothers Dario Viola (Vocal
& Guitar) e Felipe Nizuma (Guitar), tanto
que as respostas ficaram enormes, devido a
empolgação para com as questões...
Let’s Go !!!
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TGZ:
Thrash maniacs! Desde quando a Blasthrash
vem batalhando no underground, como foi a
união que culminou no nascimento da
banda, e se a formação sempre
foi a mesma?
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Dario:
Tudo bem Cezar? [*N.E.:
Sim, Nap(ops!) ] . O Blasthrash surgiu
em 1998, e desde essa época vem batalhando
em nome do som que pratica. A banda surgiu
da união de um grupo de amigos, que
resolveram montar uma banda pra tentar tocar
aquilo que ouviam. Éramos novos na
época, em média 16 anos de idade.
Essa formação durou até
o final de 1999, quando a banda acabou por
desavenças. Em 2001, eu, depois de
muito procurar, encontrei no Felipe, no Diego
e no Paulo os integrantes perfeitos para a
banda, pois eram caras que pensavam na banda
assim como eu, e que vestiram a camisa da
banda, literalmente, pois também tinha
como objetivo pra banda, os objetivos iniciais
da época da formação
da banda. A formação estava
ainda melhor que em seu início.
Agora, em 2005, logo após o lançamento
do play, o batera Paulo, saiu da banda, e
o Rafael entrou em seu lugar.
Felipe: O que facilitou também
é que já éramos amigos
antes de tocarmos juntos, saíamos todo
fim de semana pra beber por aí, hehehe
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TGZ:
Vamos lá, o nome Blasthrash foi
dado por quem e por quê?
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Dario:
A pessoa exata que deu o nome, eu sinceramente
não me recordo, provavelmente estávamos
muito bêbados pra lembrar com exatidão.
Só tenho certeza que pode ter sido
eu, algum cara da formação antiga,
ou algum amigo nosso que compareceu ao ensaio
e que decidimos por esse nome. Não
conseguíamos pensar num nome, e bebíamos
e ficávamos discutindo por horas procurando
um nome, mas me lembro que ele surgiu a partir
do momento que resolvemos "brincar"
com a palavra Blaster, que achávamos
forte tanto em seu significado quanto em sua
sonoridade. Aí, pela benção
de algum deus etílico ou do Metal,
pairou sobre alguém essa junção
de Blaster + Thrash, que curtimos mais pela
sonoridade que pelo significado. E foi isso
aí, curtimos a junção
destas duas palavras, principalmente por carregar
o THRASH no nome, e curtimos o fato de ser
um nome até que original e dificilmente
teríamos algum homônimo.
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TGZ:
O álcool é foda e inspirador
pra mesclar as idéias!. E a banda tem
quais materiais demonstrativos lançados
até chegar ao Debut Álbum?
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Felipe: Antes do "No Traces",
ainda com a formação antiga,
eles lançaram uma Demo chamada "License
to Thrash" em 1998, que circulou legal
no underground até quando eu entrei
na banda, junto com o Diego e com o Paulo;
logo decidimos trabalhar o mais rápido
possível no que se tornou a segunda
Demo-Tape da banda, chamada "Beer &
Mosh", gravamos ela num esquema ao vivo
no estúdio porque a gente não
tinha dinheiro pra gravar de forma mais adequada.
Essa Demo girou bastante no underground. Vale
lembrar que ela foi lançada com ajuda
da Force Majeure Records, e foi o primeiro
lançamento deles. Depois da "Beer
& Mosh" de 2002, nós participamos
do primeiro volume da coletânea do web
‘metal vox’ com a música
"I.M.F.", que saiu de bônus
no "No Traces".
Dario: No começo desse ano, antes
do ‘play’ sair, lançamos
uma pequena Promo-Cdr com alguns sons prévia,
“rough mix”, do que saíria
no ‘play’, sendo mais um apanhado
geral de tudo que já havíamos
gravado. Chamamos essa Promo de "Promo
2005".
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TGZ:
E sobre o resultado final dessa gravação,
onde faltou grana e sobrou cervejas e moshs
para terem registrado essa segunda demo?
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Felipe: Acho que a nossa amizade
fez dessa Demo uma coisa muito especial, thrash/cerveja/mosh
são praticamente um ideal de vida hehehe,
ela foi muito importante, mesmo a gente achando
que a gravação não tenha
saído do jeito que esperávamos,
foi tudo feito muito às pressas.
Dario: Se bem que pela grana que
tínhamos disponível na época,
ainda que a gente gostaria que o resultado
fosse outro, meio que sabíamos que
não dava pra fazer milagre com pouca
grana, o que implicaria em pouco tempo no
estúdio... O que mais valeu foi a curtição
e a empolgação que estávamos.
Muita cerveja, conhaque, pinga com limão,
refrigerante vagabundo e pão com mussarela.
Ah, e o que mais importa, muita zoeira, só
falando merda o tempo todo, a gente até
esquecia de gravar, de tanto que se divertia.
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TGZ:
Como foi o acordo estabelecido com a
Force Majeure Recs para o lançamento
do Debut "No Traces Left Behind"?
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Dario: Bem, basicamente o dono do selo
ao lançar tanto nossa Demo, quanto
a da banda Thrash Metal de Osasco, Total Mayhem
(diga-se de passagem, muito boa!), ao perceber
que havia público para o estilo, nos
propôs um acerto para lançarmos
nosso play com ele. Foi bem simples até.
A parceria que fizemos com ele com a Demo
"Beer and Mosh" funcionou meio que
como um "estágio" pra esse
lançamento do ‘play’. Pra
nós, de certa maneira, caiu como uma
luva, pois tínhamos material para o
Cd, porém, estávamos “quebrados”
na época da gravação
e através do selo, conseguimos gravar
sem ter gasto dinheiro algum.
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TGZ:
E vocês acompanham a divulgação
do álbum feita pelo selo?
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Felipe: Bom, nós, na medida do
possível, temos acompanhado a divulgação
porque isso nos interessa também, e
como não é todo dia que conversamos
com o dono do selo, acabamos descobrindo sozinhos
as coisas que aparecem sobre o "No Traces".
Dario: Como por exemplo, uma vez que
estávamos folheando uma ‘Roadie
Crew’, e do nada, reparamos que havia
um anúncio nosso lá.
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TGZ:
Que acharam da resenha vista no ThunderGod?
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Dario: Também, as influências,
as bandas que foram citadas como nossas influências,
são entre outras, exatamente aquilo
que ouvimos, curtimos e temos em mente quando
compomos e tocamos. Notadamente Vio-Lence,
Nuclear Assault e Kreator, creio que são
bandas que o Headbanger que atentar para os
riffs, vocal e estruturas encontrará
bastante influência. A menção
aos backing vocals também foi legal,
pois enfoca outro ponto que gostamos de inserir
nas músicas, pois achamos extremamente
marcantes e uma das coisas mais legais dentro
do Thrash Metal. "Thrash Correria"
foi uma das melhores definições
que já colocaram pro nosso som, concordamos
completamente, tanto pela rapidez do som quanto
pelas “correrias” que fazemos
pra manter a banda na ativa hehehe. (*N.E.:!!!)
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TGZ:
E a idéia dos moshs no sofá,
hein?!
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Dario:
Curti, bem legal a idéia, total
festa na casa de algum camarada que tá
sozinho, ou mora sozinho, zoeira sem limites,
regada a muito álcool! De preferência
com companhia feminina hehehe É exatamente
algo que já fizemos várias vezes
em noites em que não havia lugar algum
para ir! Era passar no mercado, comprar muita
bebida, e começar a encher a cara ouvindo
muito METAL!
Felipe: Treinar em casa e praticar
nos shows, hehehe
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TGZ:
Falem sobre as maníacas letras
do “No Traces Left Behind”.
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Felipe: Somos meio suspeitos pra
falar! No geral é o Dario quem as faz,
mas todo mundo dá um toque. Falamos
de lances que rolam no dia-a-dia, como política
e coisas do tipo “loucura” ou
“depressão”, sempre temas
que tem a ver com a realidade das pessoas,
nada de conto de fadas hehehe.
Dario: Bem, procuramos falar sobre
assuntos variados, não nos fixarmos
em apenas um tema. Pelo contrário,
queremos sim é falar sobre o que vier
à cabeça... algo que nos incomoda
no mundo, na sociedade, até mesmo em
nossas vidas. Se não quisermos falar
sobre algo assim, também não
temos problema algum em fazer alguma letra
mais “clichê”, algo mais
recorrente nas letras de Metal, por que também
achamos isso válido. Afinal, temáticas
como morte, assassinos, suicídio, violência,
álcool, shows de metal também
são válidos e combinam muito
bem com o Thrash Metal. No geral, creio que
priorizamos a música em relação
à letra. Ainda que a letra tenha importância
para nós, achamos que a mensagem mais
importante que podemos passar está
na música em si, na fidelidade ao Thrash
Metal em seus moldes originais. Sendo assim,
a letra é um complemento. Importante,
porém um algo que vai “coroar”
o mais importante, que é a música.
Mesmo pensando assim, vamos tentando fugir
do lugar-comum, mesmo quando tratando de temas
que já foram muito explorados, tentando
ser criativos, expondo um assunto de maneira
diferente, mesmo que já tratado por
várias outras bandas, acho que conseguimos
soar sinceros e um pouco originais nos nossos
pontos-de-vista. No “No Traces”,
temos letras tratando de assuntos diferentes,
e aquelas que têm temas similares tem
abordagens diferentes. Na “Psychotic
Minds” falamos sobre a mente de um serial-killer,
alguém que mata por prazer, e colocando
que mesmo nós que nos achamos normais
e superiores às pessoas que agem dessa
maneira, no fundo de nossas mentes podemos
esconder gostos e hábitos nada “normais”,
ou seja, o que é ser mentalmente são?
“Nudity on TV” fala sobre o baixo
nível que a mídia e principalmente
a TV aqui no Brasil está... não
somos falsos moralistas e tampouco defensores
da “moral e bons costumes” mas
achamos que num país atrasado como
o nosso, a TV e a mídia em geral deveriam
primar por uma qualidade melhor, algo que
pudesse contribuir com a construção
de uma sociedade melhor e mais justa. “No
more apathy” tenta ser uma mensagem
positiva para os piores momentos, quando achamos
que nada mudará e melhorará,
algo que tem a ver com o poder que nossa força
de vontade pode ter para mudar uma situação.
Já “Assassin” é
uma letra mais antiga, mas que resolvemos
manter em seu estado original para o play.
A temática é mais ou menos a
mesma da “Psychotic” mas é
mais simples na abordagem de seus versos.
Simplicidade Metal baseada nas letras dos
pioneiros dos anos 80, ou se você preferir,
clichê, mas consciente de ser clichê.
“When will they fall?” fala sobre
a prepotência e egocentrismo da atual
potência dominante: os EUA, e levantando
a hipótese que sua queda se aproxima!
“Beer and Mosh” fala sobre nosso
“thrashing way of life” e acho
que dispensa maiores comentários, suas
letras falam por si só! “…
And then all my hope is gone” é
meio que o outro lado da moeda da “No
more apathy”. É sobre aqueles
momentos em que nada na vida parece possível
e o suicídio aparece como uma alternativa
real e recorrente nos pensamentos. “Empty
words” é mezzo ficcional mezzo
pessoal, e fala sobre a decepção
com alguém em quem confiava e que a
palavra se revelou menos valiosa que merda
(afinal, merda tem valor como adubo!). “Collapse
is near” aborda o tema mais recorrente
e presente na história humana: a guerra.
O enfoque é mais direcionado para os
acontecimentos presentes, como os pseudo-divinamente
inspirados atentados que vêm acontecendo
e a resposta pseudo-justiceira e pseudo-divina
dos EUA a eles. Os dois lados atribuem à
religião tal violência porém
como sempre a religião que por si só
já é um mal, serve para esconder
outros propósitos ainda mais egoístas
e maquiavélicos. Na letra questionamos
a necessidade da guerra em nossa presente
sociedade, no mundo atual que se mostra tão
esclarecido e racional, porém é
igual às supostas sociedades atrasadas,
porque acaba sempre resolvendo as desavenças
com a guerra. Finalmente, na “IMF”,
falamos sobre a situação de
inferioridade que nos é imposta pelas
nações dominantes, que por trás
de propósitos humanistas somente fazem
perpetuar seu domínio, o subdesenvolvimento
e o atraso nas nações que exploram.
E digo, nas novas músicas que temos
feito, estamos explorando outros temas novos,
ainda mais diversificados, esperamos que os
Bangers curtam a sinceridade com que escrevemos!
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TGZ:
Os shows de vocês desestruturam os alicerces
dos locais tomados de assalto thrasher (hehehe),
Diz aí? Comentem sobre o delírio
nas apresentações.
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Felipe:
Olha tivemos shows bem legais onde a
galera agitou muito e quebrou tudo mesmo!
O que a gente gosta mesmo é de tocar,
as vezes devido a hora, ou alguma coisa que
rola no dia, a galera pode não estar
tão a fim de agitar, mas mesmo assim
a gente gosta de tocar! Mas nada como o mosh
e o circle pit comendo solto!
Dario:
Bem, ao menos tentamos desestruturar os alicerces
hehehe. Acho que às vezes conseguimos
hehehe. Tentamos no palco, mostrar o máximo
de empolgação possível,
tentando fazer o show com a maior energia
possível. Realmente gostamos de tocar,
de estar no palco mandando ver nosso som,
aliás, é uma das coisas que
mais gostamos de fazer na vida, então
achamos que até por respeito a quem
vai ao show nos ver, e até mesmo a
nós mesmos o melhor que podemos fazer
é “dar o sangue” no palco.
Óbvio que nem sempre tudo dá
100% certo, mas no geral, tentamos sempre
nos apresentar desta maneira bem empolgante.
E às vezes até no sacrifício.
O Diego, nosso baixista, sofre de uma bronquite
bem forte, e mesmo em meio ao início
de uma crise, numa madrugada fria pra caralho
em Sorocaba/SP, ele subiu no palco com a maior
boa vontade. É pela paixão ao
que fazemos. O que mais gostamos nos shows
é ver a galera agitando, e fazemos
de tudo para isso, tocando com a maior velocidade
possível, e para o Mosh, se necessário,
algum de nós será o primeiro
a dar um Stage Dive (o Felipe que o diga,
várias vezes ele larga a guitarra e
pula!). Algumas das apresentações
que mais nos marcaram pela intensidade da
galera agitando, e que com certeza como você
disse, desestruturaram os alicerces das casas
de show foram: Assunção no Paraguai
junto com OverLord e DL50 – os paraguaios
agitam insanamente, puta que pariu, é
mosh que não pára mais, realmente
do caralho! É um lugar perfeito para
bandas de thrash tocarem, o pessoal é
muito receptivo ao estilo, curtem mesmo a
apresentação das bandas, agitando
como “Suicidal Maniacs” hehehe
– aqui em Sampa mesmo, duas datas no
mesmo bar, o Cerveja Azul, que à primeira
vista pode parecer ruim mas revela-se perfeito
para shows de thrash, uma no final de 2004
e outra no começo de 2005, a primeira
com os cariocas do Flageladör e Farscape
e a segunda com os paraguaios do OverLord
e Patriarca – foi mosh, circle pit e
stage dive do início ao fim, é
um bar pequeno, propício a um show
intenso – outra vez aqui em São
Paulo, junto com o Kremate e com o Em Ruínas,
num local chamado TribeHouse, um show que
todas as bandas mandaram muito bem, a galera
agitou pra caralho e o melhor de tudo, a qualidade
do som estava muito boa, e ainda melhor: muito
alto! - e por fim, um aqui no interior de
São Paulo, em Campo Limpo Pta. –
um bar pequeno, um domingo com chuva, porém
extremamente Beer n’ Mosh! A cerveja
não parava de rolar, e o pessoal agitava
feito doido! O som estava mais ou menos, mas
que se dane, estava alto e pesado, e isso
é o que mais conta! Total Thrash. Fora
esses, também houveram outros shows
bem intensos, mas esses são os que
ainda consegui guardar na minha memória
já bem afetada pelo consumo abusivo
de bebidas alcoólicas e pelo stress
de se morar em São Paulo. Teve também
um outro dia, que mal chegamos a tocar, porém
foi do caralho... ou melhor, na hora foi um
pequeno susto, mas depois, achamos engraçado...
era um show com metade das bandas Thrash,
metade HC. Até aí, perfeito.
As bandas se revezavam, e foram shows muito
bons, e harmonia perfeita entre as duas galeras.
Porém, rolou uma treta de um pessoal
que estava no show, com uma galera mais “rapper”
do bairro em que o show estava rolando. Beleza...
quando subimos ao palco, do nada, percebemos
que a galera começou a se dispersar...
pensei até que sei lá, não
estávamos agradando... mas rapidamente
percebemos o que acontecia: o pessoal do bairro,
que estava envolvido na briga com o pessoal
que estava no show, começou a invadir
o lugar armado e dando tiros! Foi só
tempo de sairmos do palco e nos protegermos
dos tiros! O show acabou na mesma hora e umas
4 bandas incluindo nós, ficaram sem
tocar. Felizmente ninguém se feriu,
mas essa galera que atirou vandalizou alguns
carros do pessoal que estava no show... Houveram
outros muito fodas também, mas meus
neurônios corroídos pelo álcool
e outras substâncias tem muita dificuldade
para lembrar! Mas com certeza nossos shows
mais intensos ainda estão por vir,
por isso preparem-se para o Blasthrash em
suas cidades!
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TGZ:
Vocês estão planejando uma turnê
para o nordeste e sul do Brasil, é?
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Felipe: Estamos com alguns contatos,
mas nada 100% confirmado. Seria muito legal
viajar pelo Brasil, sobretudo pelo que dizem
os caras de outras bandas que já estiveram
por aí. Estamos loucos pra tocarmos
no Brasil inteiro, caras de bandas como Violator,
Executer dizem ótimas coisas sobre
os shows e as pessoas de outros lugares do
Brasil, estamos loucos pra conhecer a galera
por aí, tomar várias cerveja
e tudo mais!
Dario: Sim, existem planos, porém
por enquanto nada de concreto. Este é
o nosso maior desejo como banda, tocar pelo
Brasil todo e por onde mais conseguirmos.
Tocar é sempre bom. Viajar é
muito bom também. E conhecer novas
pessoas do caralho também. Uma tour
é oportunidade de fazer tudo isso ao
mesmo tempo. Divulgarmos nosso som por aí,
para pessoas que curtam também o som
quem curtimos/fazemos, e conhecer pessoas
com quem possamos tomar altas brejas conversando
sobre Metal. Perfeito! Para a turnê,
tudo tem que ser bem planejada, por que atualmente
é meio complicado conciliarmos as folgas/férias
de todos nós na banda. Tem que rolar
uma certa antecedência para nos programarmos
nos nossos empregos pois é um pouco
complicado pedirmos demissão para fazermos
a turnê... o desemprego aqui em Sampa
tá foda e jogar um trampo pro alto
é total doideira... logo que o “No
Traces” saiu, o cara do nosso selo teve
uma proposta de algumas datas pelo nordeste
porém acabamos por não confirmá-las
justamente por isso, pois só teríamos
2 semanas para tentarmos um acordo em nossos
empregos e seria impossível conseguir
algo em tão pouco tempo. Ficamos até
um pouco frustrados por isso, mas sabemos
que isso só dificulta um pouco as coisas
mas não impedem totalmente. Por enquanto
temos feito o máximo de shows que tem
aparecido, na distância que possa ser
percorrida no espaço de tempo de um
final de semana, que é o tempo que
dispomos, e dentro destas possibilidades,
estamos totalmente abertos a propostas de
shows. Já quanto à turnê
propriamente dita, englobando locais mais
distantes de São Paulo, avisamos aos
thrashers e bangers que estejam interessados,
que nossos planos apontam para o meio do ano
de 2006. É a data para a qual estamos
nos programando para cairmos na estrada, de
Norte a Sul, e mesmo algumas datas nos países
vizinhos ao Brasil.
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TGZ:
Opinem brevemente sobre cada banda:
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Vio-Lence:
Felipe: Nossa!! 100% de influencia
no Blasthrash com o LP Eternal Nightmare!
Dario: Como muita gente pode notar,
essa banda é uma das maiores influências.
Na minha opinião, é o nome que
sintetiza mais perfeitamente todas as características
do Thrash Metal da Bay Area.
Kreator:
Felipe: Muito foda, clássico
dos clássicos! Até o Coma Of
Souls a gente ouve muito!
Dario: Uma das minhas “portas
de entrada” no Thrash Metal. Até
o “Coma of Souls” são perfeitos.
Com uns 14 anos, vi o clipe de “Betrayer”
pela primeira vez e decidi que o Thrash Metal
era o que queria pra vida. Com certeza uma
das 5 maiores influências do Blasthrash.
Tankard:
Felipe: Influência evidente
no Blasthrash! Os únicos 100% autênticos
até hoje!
Dario: Velocidade, peso, cerveja,
bom-humor. Preciso dizer mais?
Nuclear Assault:
Felipe: Banda foda, daquelas que
é difícil não gostar!
Vocal agudo com aquele pique hardcore, total
thrash fucking metal!
Dario: O nome mais forte da cena
Thrash de New York/New Jersey nos 80. Intenso,
vocal animal... tem como não gostar?
Exodus:
Felipe: É daquelas bandas
que a gente conhece primeiro, particularmente
é uma das minhas favoritas, principalmente
o Bonded e o Fabulous.
Dario: Junto com Kreator, Slayer
e mais algumas, nosso primeiro contato com
o Thrash. Clássico total. “Bonded
by Blood” é total influência.
Suicidal Tendencies:
Felipe: Banda polêmica, muita
gente não gosta, mas a gente curte
pra caralho! Acho que o Join In The Army é
o que exerce mais influencia em nós!
Dario: Até o “Lights
Camera Revolution” tem nosso total respeito.
“Suicidal Tendencies” e “Join
The Army” são clássicos
absolutos. É uma das bandas que mais
contribuiu para a interação
HC + Metal.
Quaisquer
outras que queiram acrescentar:
Felipe:
Devo mencionar bandas como Ratos de Porão,
MX, Executer, Viking, Assassin que são
foda pra caralho, e bandas novas, como Violator,
Farscape, Flagelador, Kremate, Eternal Devastation,
Wardeath, Total Mayhem, Overlord (do Paraguai),
Toxic Patrol, Evil Offering e Massive Power
do Chile, Municipal Waste dos EUA entre outras
muito foda que vem por aí!
Dario: Bem, para não me estender
demais, só citarei os nomes das que
mais nos influenciam, sem comentar uma por
uma: Forbidden, Slayer, MX, Candlemass, Voïvod,
Aggression, Assassin, Mutilator, Sadus, Anthrax,
Heathen, Viking, Witch Hammer, Dark Angel,
Mezzrow, Exhorder, Sabbat(Ing), Vulcano, Wehrmacht,
Attomica, Sodom, Executer, Paradox, Artillery,
Coroner, Megadeth, Darkness, Loudblast, Destruction,
D.R.I., Whiplash, Annihilator, Bulldozer,
Death Angel, R.D.P., Possessed, Indestroy,
Merciless, Metal Church, Holy Terror, Dark
Angel, Sacrilege(Ing), OverKill, Defiance,
Sacred Reich, Acid Storm, Flotsam And Jetsam,
Deathrow, Testament, Leviaethan, Pestilence,
Acid Reign, Exumer, Sepultura, S.O.D., Mekong
Delta, Death Angel, Dorsal Atlântica,
Cro-Mags, Nasty Savage, Lobotomia, Hirax,
At War, The Mist, C.O.C., Devastation, Necrodeath,
Sanctuary, Blind Illusion, Mortal Sin, Soothsayer,
Sacrifice, Rage, Anthares, Evildead, Carnivore,
Celtic Frost, Angel Dust, ficando por aqui
só nas principais ... e muitas, muitas
outras...!
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TGZ:
Como sabem, na resenha feita do “No
Traces...”, falei que os sons"...farão
com que os maníacos batam suas cabeças
e dêem moshs, mesmo no sofá de
casa (hahaha) ...". A receptividade da
galera está sendo como o esperado?
|
Felipe:
Bem, as resenhas que saíram até
agora foram bem legais e a galera que adquiriu
e veio falar conosco tem curtido, isso aí
já nos deixa felizes pra caralho hehehe
Nos shows tem gente cantando algumas músicas
e isso é bem legal também! Se
não fossem essas pessoas, acho que
a banda nem existiria mais! Só podemos
agradecer toda a atenção de
quem comprou e dá apoio a nós
e a outras bandas do underground!
Dario: Sim, e muito legal, tem sido
até melhor do que esperávamos
inicialmente. Dentro de nossas possibilidades
atuais, sem um grande esquema de distribuição
do CD e sem uma turnê, a receptividade
tem sido excepcional. Acho que os bangers
ao ouvirem o play percebem que fazemos o som
que fazemos por paixão, sem uma gota
de oportunismo. Temos recebido contato de
bangers de todas as regiões do Brasil,
e mesmo do exterior. Agradecemos a atenção
dada a nós, e até pedimos desculpa
por tanto nosso endereço de contato
quanto nosso e-mail não terem saído
no CD... foi um erro na diagramação
do CD que nos deixou putos... mas mesmo assim,
é legal saber que teve gente que correu
atrás do nosso e-mail/endereço,
é sinal que curtiram mesmo nosso som.
No geral, acho que tem tudo rolado muito legal,
que o pessoal percebe que “thrash is
our business... and business is good!”
hehehe brincadeiras à parte, penso
que a recepção ao nosso som
e aos nossos ideais dentro do Metal tem sido
boa. Ficamos muito contentes com isso pois
as pessoas entendem nosso som e nossos ideais
dentro do metal: fazer o que gostamos com
a maior paixão possível.
|
TGZ:
Ah, a capa chama à atenção,
quem foi o desenhista e o quê querem
passar com a ilustração? |
Dario:
Eu não cheguei a conhecê-lo
pessoalmente, porém o Felipe e o Diego
falaram um pouco com ele pra
tentar passar a idéia inicial da capa
pro cara. A idéia inicial era a destruição
que aparece na capa, tendo relação
direta com o título do CD. Algo que
remetesse um pouco até à capa
do “Ultra Violence” do Death Angel,
que é sem dúvida uma puta referência
para nós. Pensamos também em
talvez colocar alguma figura humana, mas era
para ser algo mais tipo o “Slowly We
Rot” do Obituary, o “Peace Sells”
do Megadeth ou o “A Higher Form of Killing”
do Intruder. Mas aí, deixamos o trabalho
por conta do desenhista. Como ele é
conhecido do cara do nosso selo, eles mantinham
contato e em algum ponto do processo de finalização
do desenho, o cara do nosso selo teve a idéia
de colocar a menininha... não gostamos
muito da idéia pois queríamos
somente a destruição ou então
alguns corpos pelo chão... a idéia
da menininha até era legal, mas contrariava
nossa concepção ideal e inicial,
e o principal ponto: achamos que remeteria
demais ao Annihilator e em menor escala a
algo como o Dark Angel em “Leave Scars”.
Porém, como o trabalho já estava
pronto e queríamos lançar logo
o disco, pois já estava começando
a demorar, resolvemos lançar com esta
capa mesmo... gostamos dela porém só
ficamos um pouco frustrados por não
respeitar exatamente à nossa vontade
inicial... por outro lado, o que a mensagem
principal que quisemos passar com a capa,
que é a destruição, bem
relacionada ao título do CD, continua
presente. E a presença da garota abandonada
deu um toque de desolação legal
também...
|
TGZ:
E a montagem da velha escola com as fotos
misturadas e desordenadas em P & B; como
sempre, marcando situações delirantes
(risos). Huum, isto deve fazer também
com que se lembrem de divertidos fatos curiosos,
all right? Relatem aí alguns que são
inesquecíveis.
|
Dario: Com certeza, naquela montagem
tem foto de tudo quanto é dia diferente,
várias situações, algumas
delas com certeza muito interessantes! Porém,
a maioria das fotos são de shows, junto
com camaradas nossos e camaradas nossas das
bandas que tocaram junto com a gente. Bem,
até tem uma ou outra situação
mais pitoresca, mas prefiro nem comentar...
é melhor deixar pra imaginação
de cada um!
|
TGZ:
Vocês curtem também desenhos,
games, seriados, né? Citem-nos dentro
dessa escala de preferências.
|
Felipe:
Pô cara, eu não sou muito ligado
em games hehehe, eu gostava muito do Super
Nintendo, mas vendi ele pra comprar a minha
guitarra quando eu era moleque hehehe
Quanto aos desenhos e seriados, eu sou fã,
e bem fanático, do Chaves, Pica Pau
é fodão também!
Dario: Eu sou fã de seriados,
games e desenhos. Porém não
sou muito aficcionado em nada disso. Curto,
mas de boa... Assisto alguns, porém
não sou do tipo que não perde
nenhum capítulo. A respeito dos games,
minha fase de ouro foi com o Nintendinho 8
bits, depois disso o Metal entrou na minha
vida, e o Nintendo foi perdendo espaço
hehehe só sobrava um pouco para o futebol.
Curto muito cinema e leitura também.
Literatura, História (que estudo na
faculdade) e também HQ. No cinema,
diferentes vertentes, filmes de vários
países diferentes... do mainstream
de Hollywood até o mais alternativo
do cinema sul-americano e asiático,
passando pelo “cult” europeu;
se for algo que me agrade, sou fã.
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TGZ:
Traçando um comparativo entre o Thrash
anos oitenta com o dos anos noventa e os mais
modernos; o quê vocês podem comentar?
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Felipe: É complicado, porque acho
que o thrash tem que ser tocado como era tocado
antes, mas também não posso
recriminar quem toca som “modernoso”!
Nós tocamos do jeito que nós
gostamos e achamos legal e eles tocam do jeito
deles. Só não nos venham dizer
que é a mesma coisa que não
é!! Hehehe
Dario: Bem... eu poderia falar muito,
dizer um monte de teorias e tal, mas prefiro
fazer minhas as palavras do Felipe. O que
ele disse, é resumidamente exatamente
o que nós da banda pensamos.
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| TGZ:
No mais, como é a relação
da Blasthrash com bandas de outras vertentes
do underground, vocês tem restrições
em tocar com algumas de linhas sonoras e ideológicas
distintas? |
Felipe: Cara, nós não temos
preconceitos, mas certos estilos são
preconceituosos por si só, e acho que
não eles não iam querer tocar
com bandas tipo nós hehehe
Dario: No geral, não tenho
restrição a nada... sendo Metal
estamos dentro do “cast” das bandas,
não importando qual a vertente. Já
dividimos o palco com várias outras
bandas e muitos shows com bandas de Heavy,
Doom, Death, Black, Grindcore, e até
mesmo Punk/HC foram muito legais. Acho que
de maneira geral o público também
aceita bem. Logicamente certas misturas não
rolam legal, mas como o Thrash Metal não
é aquilo de mais extremo, tampouco
o mais acessível dentro do Metal, sendo
uma espécie de meio termo, creio que
os Thrashers se adaptam legal a quase qualquer
cast. O mais importante é dividirmos
o palco com bandas que levantam a bandeira
do Underground e do som feito por paixão
ao estilo, sem oportunismo, isso é
legal. Porém, acima de tudo, queremos
mostrar nosso som, isso nos torna abertos
à maioria das propostas que rolam.
Só não me agrada a idéia
de dividir o palco com tendências oportunistas
e que nada tem a ver com o Heavy Metal como
o tal do “new metal(?)”, ou mesmo
essa nova onda de “gothic metal(?)”...
tocar com uma banda de White Metal também
não me agrada muito pois discordo totalmente
de seus preceitos...
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TGZ:
Como nos finais de alguns desenhos: Thats
all folks, completando com: Beer
and Mosh. Foi um prazer fazer essa espontânea
entrevista, pois finalizem "sem deixar
traços pra trás" e como
recado mandem as “bullets” que
lhes restam ... |
Dario: Bem, em primeiro lugar agradeço
a paciência, Cezar, por ter aguardado
toda minha demora em ter respondido à
entrevista! Porém pode ter certeza
que a demora se deveu justamente a um fato
que também te agradeço... à
ótima formulação desta
entrevista, pois percebi com suas perguntas
que você conseguiu captar bem o que
queremos passar com o nosso som, e de maneira
geral, como somos e nosso “thrashin’
way of life” hehehe (por isso acho que
me excedi em muitas respostas e acabei falando
demais!). Também agradeço a
todo mundo que teve saco de ler nossas por
vezes longas respostas e todos aqueles que
direta ou indiretamente nos apóiam
e também ao Underground como um todo.
Vamos curtir um som, tomar umas brejas, nos
divertir... Porque isso é mais do que
um alívio pra todo o stress e merdas
que enfrentamos na vida, e ainda mais, em
minha opinião, o Metal é uma
das coisas que mais faz valer nossa existência...
É UM ESTILO DE VIDA!!! Bem, acho que
é isso aí, METAL GREETINGS!!!
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