Realizada
por: Cezar
Augusto
Respondida por: Leonardo
Breakneck
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TGZ:
Saudações
camarada! Vamos lá: A formação
se deu com a junção de outras
duas bandas locais, como estas se chamavam
e por que essa decisão para solidificar
em uma?
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Leonardo: Ave Cezar! Antes de tudo queria
agradecer essa oportunidade do TGZ e o grande
apoio que vêm nos dando. Sinceramente
eu nem lembro quais eram os nomes das bandas.
Eu tocava em uma dessas e acabei saindo porque
descobri que tava com tendinite no pé
esquerdo, aí tinha que parar de tocar
por um tempo pra ver se passava, fiquei quase
dois meses longe da bateria. Nisso essa banda
que eu tava acabou e a outra acabou porque
o guitarrista ia mudar de cidade. Aí
os caras das duas resolveram montar outra
e como tinha gente que participava das duas
ficou mais fácil. Eu não era
baterista no começo, mas depois de
um mês acabei entrando no lugar do outro.
Resumindo foi mais ou menos isso.
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TGZ:
Putz! E vocês por ser do “interiorzão”
de MG, cidade de Guaxupé, fez com que
se tornasse mais difícil essa meta
de formação metalizada? |
Leonardo: Foi
bem difícil, porque aqui não
tem muita gente que ouve metal, menos ainda
que toca e participa da cena ativamente. O
nosso antigo baixista, por exemplo, tinha
"hardcore" tatuado nas costas, nada
contra, mas o que ele gostava mesmo não
era metal e tava com a gente porque não
tinhamos muitas opções. Nós
eramos um quinteto no começo, e quanto
mais gente mais briga dá, então
até chegar no trio de hoje tivemos
que limar os outros integrantes pra encontrar
a melhor formação.
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TGZ:
E detalhe que a banda ainda nem tinha nome,
após formar-se, estando a tocar covers
e a iniciar a compôr músicas
próprias. Enfim, por que o nome dado
então fora Breakneck? |
Leonardo: A gente não achava um
nome legal pra banda, até que veio
Breakneck. Eu tirei do refrão da "Freewheel
Burning" do Judas Priest. A tradução
literal de Breakneck seria algo como quebra-pescoço
ou quebrar pescoço, uma coisa assim.
Mas na verdade é uma expressão
de algo arriscado... na música do Judas
tá como "breakneck speed",
o que seria uma velocidade muito alta, perigosa
e por aí vai... Mas o que vale é
quem ler ver que estamos aí pra quebrar
pescoços mesmo, heheheh
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TGZ:
Hehe...No decorrer da instabilidade de permanência
de alguns membros, aconteceu um fato inesperado:
O Guitarrista Zezinho sofreu um acidente automobilístico
que afetou seus nervos da mão esquerda,
impedindo-o de tocar por um tempo e a banda
ficou parada até o começo de
2004. Por curiosidade: Como foi esse acidente?
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Leonardo: Esse acidente foi
um azar do caralho... Tava um amigo nosso
dirigindo, tavam descendo uma avenida bem
rápido, aí tinha uma curva fechada
e o carro foi em cheio num poste, deixou dois
bairros da cidade sem luz, heheh... O Zezinho
que tava atrás voou pro vidro da frente,
ficou a forma dele no vidro e ele fez uns
cortes na cabeça e o braço esquerdo
fudeu tudo. A ex-namorada dele cortou o queixo,
o motorista quebrou a clavícula, outro
levou uns cortes no rosto e outro ficou chorando
pelo relógio quebrado. O carro deu
perda total e ninguém sabe como saiu
todo mundo vivo.
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TGZ:
E quando a mão dele começou
a melhorar, ele tocou só com dois dedos
por um tempo, até que depois de quatro
cirurgias e alguns pinos no cotovelo ele conseguiu
recuperar seus movimentos. Que garra do cara,
hein? Esta atitude contagiou de alguma forma
no clima para vocês superarem ainda
mais as barreiras, enfim ? |
Leonardo: Quando a gente ficou sabendo
que ele não podia tocar foi desanimador,
mas ele falou pra gente continuar como tava.
Tentamos mas não deu muito certo, aí
ele tava conseguindo tocar nossas músicas
com os dois dedos q estavam funcionando e
saia mais ou menos, isso já no fim
de 2003 começo de 2004, até
que ele fez uma cirurgia de reconstrução
de nervos, daí passou um tempo e de
repente todos dedos tavam funcionando. Porém
o médico falou que ele ia conseguir
no máximo 80% dos movimentos de antes,
mas o que ele tá fazendo tá
na gravação da demo e espero
que ainda vá melhorar mais. Quando
a gente vê que as coisas deram certo
apesar de tudo não dá vontade
de desistir, mas de continuar e cada vez mais
forte!
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TGZ:
Bom, em janeiro de 2005, a banda entrou em
estúdio para gravar três músicas:
Breakneck, Scream of Death e Diary of a Murderer.
Daí quais os problemas ocorridos para
o lançamento do Cd-Demo com estas faixas
ter sido lançado apenas em Julho? |
Leonardo: Os maiores problemas foram
em relação à parte financeira
e também porque a gente não
sabia como lançar a demo... Se a lançava
com capa, encarte e essas coisas todas, ou
até como um EP independente, até
que por fim saiu do jeito que está,
com o cd dentro de uma capinha de papel, papelão,
não sei como chama esse material...
Também queriamos por uma foto no encarte
mas não teve jeito no fim, isso também
atrasou um pouco.. O desenho foi feito por
um amigo nosso, que faz umas coisas bem loucas
e não gastamos nada com isso. O maior
problema foi grana mesmo, mas do jeito que
saiu foi mais barato e também possibilita
a gente vender o cd mais barato, porque a
gravação pelo menos ficou de
qualidade. O que demorou também foi
que cada integrante da banda tava morando
em uma cidade na época, então
pra tomar decisões que satisfizessem
a todos demorou um pouco mais que o normal.
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TGZ:
Por que deixar esse material homônimo
à banda? |
Leonardo:
Nós íamos por o nome de
uma outra música, "Storm",
que também íamos gravar mas
não deu. Acabou que nem pensamos em
outro título e ficou só o Breakneck
mesmo.
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TGZ:
E os títulos das faixas são
matadores, poderia descrever do que se trata
a letra de cada uma delas? |
Leonardo: Bom,
as letras não são minhas, mas
vou tentar descrever. A letra de "Breakneck"
pode se dizer que trata em parte da proposta
da banda que é a de tocar Metal e bangear
até morrer e também de extravasar
o ódio através da música.
"Scream of Death" fala dos últimos
momentos de vida de um certo indivíduo.
Ele pode fazer o que quiser mas a morte já
deixou avisado que vai encontrá-lo,
não adianta esconder, correr, gritar
e muito menos rezar que já era. A "Diary
of a Murderer" é, como o título
diz, o diário de um assassino. Ele
acaba matando por causa do ódio e isso
gera alguns pesadelos e uma certa tristeza
também. A ilustração
da capa foi inspirada nessa música
e o solo do final da música representa
o arrependimento do assassino, mas quem sabe
um dia ele não volta a matar?
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TGZ:
A banda tem pouca divulgação
até agora, mas está investindo
para propagar o seu Thrash em vários
meios da cena, é claro. Por onde o
material foi divulgado até então? |
Leonardo: Até agora a divulgação
foi praticamente nula, infelizmente... Mas
foi por causa de tempo, agora tamos correndo
atrás do prejuízo. Um dos pouquíssimos
lugares que foi divulgado foi no TGZ.
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TGZ:
Vocês entraram na Coletânea ThunderGod
Vol. II na expectativa de ampliar seus horizontes
de difusão. Qual a sua opinião
sobre a impot~encia das coletâneas? |
Leonardo: Porra, coletâneas acho
que são um dos maiores meios de divulgação
do underground. Um zine já é
uma grande divulgação, mas se
junto com um zine ainda tiver uma coisa pro
cara ouvir as bandas é ainda melhor.
Ajuda pra quem não conhece as bandas
e também quem não tem como arrumar
várias demos pelo menos vai conhecer
uma música das bandas da coletânea,
vai ter uma idéia do som né.
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TGZ:
A Breakneck apresenta um Thrash vigoroso com
influências calcadas nos anos 80 e 90,
já botando pra fuder logo nesta 1ª
Demo. Vocês ficaram satisfeitos com
o resultado final deste 1° registro? |
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Leonardo:
Fiquei bastante satisfeito com o resultado!
Nossa idéia era de gravar mais músicas
quando entramos em estúdio, mas por
grana e tempo acabou não dando certo.
Já me disseram que a qualidade tá
até melhor que de alguns álbuns,
fico muito feliz por isso. Quisemos fazer
um trabalho profissional e saiu o mais perto
possível disso. Foi a primeira vez
que entramos em estúdio e ninguém
tinha experiência nenhuma, hoje valeu
como uma experiência muito grande e
que nos fez crescer muito. Pra época
que a gente gravou ficou muito bom o resultado,
mas se fosse hoje, depois dessa experiência
que nós tivemos ainda sairia melhor!
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TGZ:
Ah, qual o seu parecer sobre o Thrash Metal
das décadas acima citadas? |
Leonardo:
Putz,
não tem nem o que falar do Thrash 80!
O que as bandas como Slayer, Sepultura, Sodom,
Destruction,
Sabbat, Death Angel, Coroner, pra citar algumas,
fizeram? -Um puta som, todos considerados
thrash mas cada banda com sua identidade.
Fizeram o que há de melhor no Metal...
Já da década de 90 não
curto muito o que teve. Várias bandas
de thrash mudaram completamente o som, não
sei qual foi a influência dos anos 90
nesse povo que fez isso. E o thrash moderno
não me chama nem um pouco a atenção,
tipo The Haunted, nem sei nomear muitas bandas.
Felizmente aqui no Brasil temos várias
bandas tocando thrash oitentista, tipo Bywar,
Flashover, Violator. Bandas fodas que me fazem
querer ter vivido nos anos 80, heheh. Na minha
opinião a década de 90 foi a
década do death metal, mas o thrash
ficou meio esquecido.
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TGZ:
Aproveitando o ensejo, qual a sua opinião
também sobre bandas que modernizam
o Thrash com influências estranhas/eletrônicas
(ou sei lá como dizer) que as deixam
como a mídia chama de “new metal”? |
Leonardo:
Eu
acho uma merda. Não tenho nada contra
quem gosta ou curte, mas pra mim é
muito ruim. O pior é que essas bandas
já tem uma exposição
gigantesca na mídia em geral e algumas
revistas especializadas em metal ainda colocam
essas bandas lá. Isso só tira
espaço das bandas de metal verdadeiras,
foda isso. E sempre que eu tô andando
na rua e vejo alguém com uma camiseta
dessas bandinhas, me bate um desejo de dar
umas porradas na pessoa, não sei por
que, mas sempre fiquei na minha, hehe. Cada
um ouve o que quiser.
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| TGZ:
Huum... Sonhos e metas da Breakneck, diz aí. |
Leonardo:
Um
sonho acho que seria fazer uma tour gigantesca,
no Brasil inteiro e também no exterior,
lançar vários álbuns,
vamos sonhando até acontecer alguma
coisa. Metas por enquanto é a de fazer
mais shows, tocar bastante, e arrumar um jeito
de gravar outras músicas nossas e que
seje ouvida pelo maior número possível
de headbangers.
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TGZ:
É isto, valeu pela confiança
que vem dando ao TGZ, desejamos sinceramente
longa vida na jornada de vocês, todos
os humildes e espontâneos para com o
sentimento Metal merecem essas estimas verdadeiras...Abraço
por trás (hehe) e até mais Leonardo
& Cia ! |
Leonardo: Valeu pelo apoio do TGZ e que
mais iniciativas como essa aconteçam
no futuro, vida longa! Agora esse negócio
de abraço por trás é
embassado hein, hehehe. Fico só no
abraço mesmo! Até a próxima!
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