» ENTREVISTA: DARKWAY«

- Perguntas : Tiagoh ‘Evildead (Colaborador)-
- Respostas : Josué Neto (Vocal/Baixo)-
- Entrevista realizada em Julho de 2007 -

A/c Josué Neto
Rua Benedito Gregório, 296 – Servantes - 19085 – 200 - Presidente Prudente – SP
josue_vocals@hotmail.com


O Darkway nasceu no ano de 2004 na cidade de Presidente Prudente, São Paulo - Brasil. Contava com os integrantes Joso Neto (Vocal e Baixo), Felipe "Crackpot" Araújo (Guitarra), Murilo "Presunto" Correa (Guitarra) e Gustavo "China" Tobara (Bateria). Cinco meses após a sua fundação, já estava gravando o seu primeiro registro, a demo intitulada "Rest In Pieces", que conta com 9 músicas próprias.
Após várias mudanças na formação da banda, em 2007 ela é composta pelos membros Joso Neto (Baixo e Vocal), Lucas Meneguette (Guitarra), Fat Wender (Guitarra) e Vitão Blacksmith (Bateria). Atualmente a banda se direciona numa vertente mais Thrash, de modo que o som fica oscilando entre a violência e a melodia.
A nova proposta deve ser concretizada com o lançamento de seu debut intitulado Violent Inertia, prometido para o segundo semestre de 2007.
Segue abaixo uma descontraída entrevista com o vocal e baixo Joso Neto, que falou dos planos do Darkway, fatos interessantes da banda e outros assuntos que vocês leitores com certeza vão curtir.
TGZ: Hail “Joso”! Sinto-me lisonjeado em fazer a entrevista com o Darkway, que conheço de longa data, e principalmente com você, que é um grande irmão. Há algo que gostaria de dizer antes de começarmos o interrogatório?

Josué Olá pessoal do ThunderGod! É um prazer estar concedendo esta entrevista e mostrando um pouco do Darkway pra vocês. Obrigado Tiagoh pela oportunidade, é sempre bom contar com velhos amigos! (E já aviso que não me responsabilizo por danos posteriores... rsrs!!) Keep Metal Kids!!

TGZ: Hahahaha, Ok brother... Vamos seguir logo com a pergunta de praxe: De onde veio o nome “Darkway”?

Josué Ahhh...Foi em 2004, quando o Darkway ainda se chamava “Acid 4 Acid”. Queria arrumar um nome mais simples e que tivesse a cara da banda, então certo dia eu estava assistindo um filme antigo; aqueles medievais bem toscos, 2 guardas levavam um prisioneiro para o calabouço e o chefe deles disse "Lead him through the DARK WAY" rs!!!... Daí eu vi o nome e só resolvi juntar as duas palavras. Darkway então era um nome simples e fácil, do jeito que queríamos. O pessoal que estava na banda na época achou legal e assim ficou.


TGZ: Massa... na época, a banda era formada por quem?

Josué Bem, já tivemos varias formações, levando em conta que no Oeste de São Paulo é difícil arrumar músicos compromissados com a coisa, mas nessa época a banda era formada por Gustavo "China" Tobara (D), Felipe "Crackpot" Araújo (G), Murilo "Presunto" Corrêa (G) e eu no baixo e vocal. Essa formação é a que gravou nossa primeira demo, a “Rest In Pieces”. Depois nos separamos, cada um foi resolver suas vidas pessoais, eu fiquei sozinho por um bom tempo compondo as músicas do novo álbum, o "Violent Inertia", e até então o Lucas Meneguette (g) tinha entrado. Fomos estabilizar quando entraram Wender "Fét" Rezende (g) e Victor Blacksmith (D). O Victor é meu primo de primeiro grau, ele tocava no Fright Night (RIP) e quando a mesma acabou ele veio pro Darkway.


TGZ: Mesmo após a debandada geral dos músicos no início você se manteve firme com o Darkway, e também segurou a bucha de gravar os vocais da demo sem ser vocalista habitual. Como foi essa experiência de ter de assumir os vocais e reerguer a banda praticamente sozinho?

Josué Na época nosso vocalista era o Ailton Barros. Ele teve que sair da banda pra se dedicar a um novo emprego que tinha conseguido na época. Ele mesmo disse que eu conseguiria gravar os vocais, já que eu tinha feito todas as linhas, e com a força do Ailton e dos outros caras eu fui gravar. O resultado ficou legal!
Agora, sobre o tempo no qual ficamos sozinhos foi realmente foda, porque todos que têm banda sabem como é ruim não ter alguém interessado pra fazer um trabalho musical... Mas quando o Lucas (g) entrou, me deu ânimo renovado. Ele é um rapaz bastante engraçado, do tipo de pessoa que não tem tempo ruim. Essa minha perseverança quanto à banda veio da maior parte do Lucas, que não queria que a coisa morresse, já que eu tinha até pensado em acabar (o que não aconteceu).

TGZ: Um lance interessante: O título da demo é "Rest in Pieces" e a música principal chama-se "Rest in Peace". Qual foi a sacada e/ou intenção do trocadilho?

Josué Na verdade a Demo se chama Rest in PIECES e a música se chama Rest In Peace. “Rest in Peace” foi feita para o pai do Murilo que havia morrido e, traduzindo, o nome do álbum ficaria "Descanse em Pedaços" hehehe... direto, né?! Hahuahuaha

TGZ: Orra!! Se é!! huhauahua... Ainda falando da Rest in Pieces, qual a temática da demo em si (letras, melodias e tudo mais) e qual foi a aceitação da galera? (Me lembro que logo quando ouvi vocês ao vivo, tocando antes da gente em Itaí/SP, já curti logo de cara e fiquei doido atrás da demo... hehehe)

Josué Rs!! É, o “R.I.P.” acabou sendo uma coisa rara de se ter hoje em dia!! (Rs)... Tipo, na época eu tinha colocado na cabeça que íamos fazer algo diferente, começando sobre juntar dois elementos totalmente diferentes como o Death e o Heavy Metal tradicional. Eu vinha de uma banda de progressivo, então ficava fácil pra misturar as coisas, mas me inspirei em bandas como Sinner, Six Feet Under, Hypocrisy, Candlemass e outras desse tipo. Pra nós o resultado foi bastante agradável, as letras tinham um conteúdo político na maioria, sempre falando de hipocrisia religiosa, governos corruptos e paradas do tipo. A coisa começou a acontecer mesmo foi ao vivo, pois as músicas soavam sujas, mas com muito trampo de guitas, baixo, batera e vocal... Mas eu assumo que o R.I.P. foi algo bem experimental e que eu não faria de novo!! (Rs)... Hoje tentamos fazer músicas mais diretas, mas com as mesmas características. Ainda queremos ser uma banda diferente das demais.

TGZ: Tocando no lance de se fazer algo diferente... O vindouro “Violent Inertia” será diferente do RIP em quê?

Josué Bem... Pra fazer as músicas do ‘Violent Inertia’ nós usamos a mesma estrutura do ‘R.I.P.’, só que deixamos as músicas mais diretas, com influências mais diretas; pra quem está escutando, é a mesma coisa de ouvir o sucessor do RIP, vão perceber que é a mesma banda, o mesmo feeling, só que usamos todas nossas características de uma forma diferente. As musicas estão mais rápidas, com uma cara mais "Thrash" como a faixa-título “Violent Inertia” ou a “Ripping the Heart of God”, só que músicas como “XXX” e “Darkwalkers” trazem a mesma carga que o RIP tinha, ou seja, ‘demos um corte de cabelo e colocamos outra roupa’, mas a banda é a mesma... não ia deixar de lado aquela pegada do RIP porque ela deu muito certo.

TGZ: Hahaha, curti o nome “Darkwalkers”. É um tipo de crônica ou auto-bio dos insanos bêbados undergrounds da banda ou não tem nada a ver com vocês?

Josué (Rs!!!) Tem a ver com nós todos! (Rs!!). Darkwalkers sai um pouco do contexto político do álbum pra falar um pouco de bebedeira, curtição e metal. No ínicio nós nos intitulávamos Darkwalkers, mas com o tempo o público fez por merecer o nome... Então VOCÊS são os Darkwalkers e essa música foi escrita para aqueles que gostam do Darkway e todas aquelas coisas citadas ali em cima!

TGZ: Putz cara, que da hora! (Que rasgação de seda...rs). Você(s) tem plena consciência de como o headbanger é verdadeiro (= true metal banger... hehehe) e que cada um ajuda no crescimento da cena e na solidificação das bandas. Como é a cena em Pres. Prudente e em todo o Oeste Paulista?

Josué
Há alguns anos atrás era bem menor, mas depois da união de bandas como o Fright Night (RIP), Guilhotina, Subcut e Darkway, a coisa começou a crescer. Ainda não é grande como na capital do nosso estado, por exemplo, mas é verdadeira! Gosto muito da cena daqui. Nós fazemos um festival todo ano (o Headbanger's Farm Festival) e sempre é legal ver a galera toda junto com bandas legais tocando!!!


TGZ: O Headbanger’s Farm Festival é um evento que você faz juntamente com os brothers de P.P. numa fazenda, chácara, sítio, roça... certo? Quantas edições já rolaram, e você se lembra das bandas que já fizeram parte do cast? (hehehe)

Josué (Rs!) Rolou uma edição apenas, a segunda vai ser dia 15 de setembro. Estamos negociando com o Devil On Earth*, Subcut, Guilhotina, Street Fear e Darkway (nós). Na primeira edição tocaram, tirando o Darkway e o Subcut que também estão pra tocar na próxima, o Executtioner (Maringá/PR), Malthron (Maringá/PR) e Conflito Sonoro (Presidente Prudente/SP).
[*Nota do Tiagoh: Em breve rolará uma entrevista com o Devil on Earth (Speed Thrash, de Barra Bonita – SP), citado logo acima. XD]

TGZ: Como em toda banda, cagadas e fatos históricos/lendários/folclóricos acontecem... Conte-nos de alguma situação inusitada ocorrida durante todo esse tempo de trampo no underground, seja na produção de eventos ou nos palcos e rolês com o Darkway (se é que é possível citar uma só... hehehe).

Josué Bem, vou citar um que marcou pra sempre: Uma vez estávamos indo fazer um show em Bauru/SP. Acho que foi em 2005, assim que o Lucas entrou. Aliás, foi o primeiro show dele. Estávamos na van com o pessoal, estava muito frio e ameaçava chover hiuahiuahiua... Foi quando a van quebrou no meio da estrada. Você que viaja com banda sabe que "meio de estrada" é um lugar BEM longe da cidade, e o frio e a chuva não colaboravam!! (Rs)... Lembro de tomar quase sozinho uma garrafa de whiskey que tínhamos levado!! Juro que quase congelamos até chegar o socorro... hahaha. Chegamos no show... Bem, eu estava um pouco alterado... Quase não conseguia andar!! (Rs)... Foi um mau bocado, mas foi legal pra experiência...
Da próxima vez eu levarei 2 garrafas de whiskey e não uma só!! hiuahihaua

TGZ: Hahuahauhauhauahu... Foda! Já em tom de despedida, pra quando está planejando soltar a porrada que será o “Violent Inertia” e o que podemos esperar desse rebento?

Josué Queremos lançar o “VI” em agosto, vamos ver se conseguimos tornar isso possível. O que posso adiantar é que são as melhores músicas que já fizemos! Algo que oscila entre a violência e a melodia. Estamos muito felizes com os resultados no estúdio e espero mesmo que vocês curtam o álbum!

TGZ: Como estão as datas? Planejam uma turnê após o lançamento do “VI”?

Josué Na verdade já estamos fazendo alguns shows por ai. Estamos esperando o término das gravações pra começar a planejar as datas, mas acho que em setembro já estaremos prontos para uma nova maratona de shows!


TGZ: Em uma de nossas conversas você me disse que abandonou o trampo juntamente com outro integrante do Darkway, e que outro de vocês também está pra sair do trampo. Essa ‘greve mútua’ é para melhor poderem se dedicar à banda, rola o lance de “um por todos e todos por um” até nisso ou foram despedidos mesmo? (haha)

Josué (Rs!) Bem... Rolou uma conversa na banda e tals, conversamos com nossos pais e patrões e resolvemos que queremos ter mais tempo pra se dedicar ao Darkway. Todo mundo resolveu atender. Bem, o Vitor é meu primo e todos os caras da banda são amigos de verdade. Demos força um ao outro pra enfrentar essa fase de nossas vidas e botamos na cabeça que independente do que acontecer, permaneceremos juntos pra ajudar um ao outro. Colocamos muito empenho nesse álbum e acho que vai dar tudo certo! (Rs)

TGZ: Que moral e coragem, hein! Isso que é devoção ao Metal. Voltando aos shows, qual o próximo... Algum confirmado?

Josué Faremos o último show agora em Ilha Solteira com nossos conterrâneos do Subcut, o Streetfear, Sopro e mais umas duas bandas, que vai ocorrer no dia 22 de Julho, depois vamos parar pra acabar de gravar o álbum e só voltaremos a tocar quando tudo estiver finalizado.!


TGZ: Certo, brother. Regacem no show e não esqueça de mandar o meu “Violent Inertia” quando finalizarem, hein! Pra finalizar, gostaria de dizer algo que por ventura e vacilo eu tenha esquecido?

Josué Tá ok, Tiago!!! O lance é bola pra frente, enfrentar os problemas com força, pois só assim você nunca vai cair! É como diria o grande Charlie Schudiner: "Let the metal flow!"


TGZ: Beleza, irmão! Agradeço de coração pela paciência em responder todo este interrogatório e desejo o melhor pra vocês. Parabéns pelo espírito underground e pela humildade, cara... Um grande abraço e nos encontraremos em breve pelos rebentos interioranos. Deixo pra você encerrar com um último recado e um "falou" para os headbangers que certamente curtiram sua entrevista. Até breve, irmão!

Josué Espero que tenham gostado da entrevista e de ficarem sabendo um pouco mais do que é o Darkway. Nos vemos por aí em algum show, vão, porque o underground brasileiro precisa de ajuda! Até a próxima e “Keep Metal”!


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