» ENTREVISTA: DEFORMITY BR «

- Perguntas : Elimar Oliveira -
- Respostas : Yuri Hamayano (Bateria)-
- Entrevista realizada em Abril de 2007 -

A/c Yuri Hamayano
R. Presidente Lincoln, 62 - Feira de Santana/BA - Cep: 44.075-310
http://www.geocities.com/deformity_br/

Aí está a Deformity Br, banda fiel de Splatter Death Metal, que está na batalha há 12 anos, honrando a cena baiana e no currículo com lançamentos de algumas Demos e participação em coletânea, tocando o “Metal da Morte” com estilo temático sanguinolento e divulgando o Promo 'There´s More Blood Coming'; pois é através das palavras do irmão Yuri, conhecido por nós como “infectado”, que vamos saber como anda a trajetória da Deformity Br...
TGZ: Metálicas Saudações Yuri “Infectado” Hamayano!!! É uma honra ter em nossas páginas a fudida Deformity Br, que está divulgando seu novo play “There´s More Blood Coming”, comece falando sobre esse novo material

Yuri Hamayano Hails velho Lord Amraking! Hehehe... Cara, esta demo saiu meio que de forma acidental. A história dela é bem interessante... nós estávamos com um computador em mão e queríamos testar nossas habilidades de fazer merda num estúdio, desta vez nós mesmos comandando a merda toda! Então alugamos o estúdio e lá fomos com nossa máquina meio fudida tentar fazer uns testes, uma gravações, umas pré-produções... deu muito trabalho e creio termos gravado 6 ou 7 músicas. Uma outra parte das gravações foi feita em casa mesmo, como o baixo, solos e vocais. Quando todo material estava pronto, ficamos meio que decepcionados, pois fizemos um monte de merdas, principalmente eu, que vacilei bastante na bateria ... coisas que não havia possibilidade de consertar! Mas quando percebi a oportunidade de fazer uma turnê pelo sudeste com o Mystifier e então poder divulgar a Deformity Br, corremos e fizemos a mixagem de duas músicas – as que ficaram melhor gravadas! Assim surgiu a demo! Meio louco, não? Mas até que gostamos do trabalho que desenvolvemos. Bem melhor que todas as gravações anteriores (opinião nossa). As músicas também apresentam um trabalho um pouco diferente das músicas encontradas na “Fleshless Remains”, apresentando maior elaboração, mas sem perder o peso, a pancadaria e as tradicionais passagens “para bater cabeça”. Agora estamos na correria para divulgá-la para os metalheads.

TGZ: A temática lírica continua abordando os assassinatos em séries, atrocidades, tudo ligado a mentes de pessoas desequilibradas, a intenção em relatar esses temas é para mostrar o lado psicótico da mente humana? Por quê?

Yuri A mente humana sempre foi objeto de muitas elucubrações, dúvidas, mistérios, etc. E embora muitos estudiosos renomados tenham tentado (e conseguiram) mapear o comportamento humano, sempre existem aqueles “pontos fora da reta”! Sempre existirão casos que irão surpreender e contrariar as teorias. Principalmente no caso dos assassinos, pois não há muitos sinais que possam ser seguidos a determinar seu comportamento fora dos padrões sociais. Muitos se sentem como semideuses, ou porque não deuses, já que se crêem ter-lhes conferido poder de tirar vidas! É muita viagem! Falar sobre estas coisas é uma oportunidade de mostrar como a mente humana é rica e podre... pode construir, mas também, no mais fino requinte de crueldade, ter as mais curiosas idéias para tirar vidas! Eu, particularmente, tenho me interessado bastante pela trajetória de assassinos, além de métodos de tortura, castigo e execução dos tempos antigos e medievais. No início, as letras falavam muito sobre doenças fulminantes e como elas destroem o corpo. Tentamos sempre ser o mais rico possível nos detalhes... só para dar náuseas nos leitores! E o melhor de tudo: a maioria do material escrito é baseado em fatos reais! Só após algum tempo comecei a perceber mais os assassinos em série... Creio que minha mente também deva ser objeto de estudo em tempos futuros! Hehehe...

TGZ: Apesar de a Deformity ter doze anos de estrada foi lançado quatro materiais, o cd-promo (1999) o cd-demo “Fleshless Remains” (2001), a participação no for-way split “Killing all the Posers” (2002) além desse novo material “There´s more...”, e o full-lenght, existe algo planejado? Esse novo material seria uma prévia do álbum a ser lançado em breve?

Yuri Estivemos mesmo dormindo, não? Infelizmente o nosso preciosismo foi um dos fatores que bastante influenciaram a não termos mais registros de nosso trabalho. Como comentei anteriormente, o próprio ‘There’s more blood...’ tornou-se uma Demo meio que no susto. Aliás, respondendo a sua pergunta, ela dá sim uma demonstração do que estamos trabalhando recentemente. Neste momento estamos nos programando para gravar um material com o intuito de lançar um EP, ou um Split, ou algo do gênero. Queremos colocar 6 músicas neste material, dentre as quais 3 serão inéditas. No entanto este EP será composto basicamente por composições antigas, apenas para que não percamos a oportunidade do registro – gostamos dessas músicas: “Epidemic”, “Rupture of Mind” e “The Ripper”. As outras 3 constarão da regravação de “Disgrace is Coming” e das músicas que compõe a Demo ‘There’s more blood...’ – queremos mostrar como as estamos executando neste exato momento. O nosso grande problema é o medo com a gravação e produção, sem contar com os recursos escassos para procurar um estúdio mais especializado na cidade de Salvador. Aliás, nas minhas programações esta gravação já está atrasada e creio que quanto mais temermos, maior será a demora! Portanto, encorajem-nos e cobrem o EP! Novas composições também já estão sendo preparadas para um provável álbum! Estamos com gás novo e a volta do grande Diego Corpseslaughtergrinder à banda tem muita contribuição quanto a isso! Estas novas composições estão trazendo novos e interessantes elementos, mas sempre com a nossa já conhecida marca!

TGZ: Dos materiais lançados, qual foi o melhor divulgado e na opinião da banda qual desses materiais mais agradou no resultado final à banda?

Yuri Destes materiais que você acabou de citar meu velho, é quase certo que o mais bem divulgado tenha sido a coletânea “Killing...”. Também, não havia como competir! Hehehe... Mas creio que aquele que teve mais impacto foi realmente o “Fleshless...”. Aliás, foi através deste que colocamos a cara na cova começamos nossa divulgação! No entanto é difícil falar sobre um material preferido, mesmo porque cada um deles remete a uma outra época completamente distinta! Por exemplo, a Promo de 99, na qual trazemos apenas uma música: a banda gosta bastante do resultado daquela música por ser grosseira, agressiva e bastante pesada apesar de a gravação estar muito tosca! Até já se chegou a pensar que se a “Fleshless...” tivesse saído com aquele peso seria muito mais fudida! Mas resultado final que mais agradou mesmo foi a da “There’s more...”, mesmo porque, como montei anteriormente, fomos nós mesmos quem cuidamos de todos os detalhes da gravação e mixagem! Cremos que ainda podemos chegar com uma gravação bem mais desgraçada nas próximas investidas, aliás, já erramos bastante, ao menos os mesmos erros não serão cometidos!

TGZ: A Deformity Br tem um bom tempo que não toca aqui em Feira de Santana (a cidade de origem da banda), existe algum motivo para essa falta de shows aqui em Feira de Santana?

Yuri Bom tempo? Tocamos em julho do ano passado (2006)! Há apenas oito meses atrás! Talvez, comparando com tempos passados, realmente tínhamos o costume de tocar bem mais, mas isso também coincide com o fato de que nestes outros tempos nós mesmos cuidávamos das produções. Realmente conseguimos contar nos dedos das mãos as vezes em que fomos chamados para os palcos feirenses por outros produtores, não que isso seja algo ruim ou os estejamos desmerecendo! Ao contrário do que se possa pensar, não temos problema algum em tocar aqui na cidade, mas também temos diversos outros motivos para nos dar o direito da escolha de fazê-lo ou não! Nós, como qualquer outra banda Metal (creio), adoramos as aparições ao vivo e agora estamos de volta a plena atividade e com muitas novidades. Chamem-nos para tocar! Hehehe...
TGZ: Em 2001 quando a banda completou 6 anos vocês organizaram um show em homenagem a essa data marcante, o “Six Years of Destruction”. Agora, prestes a completar doze anos, ou seja mais seis, existe outra idéia para organizar outro puta show? Daí era só esperar mais seis anos para completar 6 6 6 hehehe!

Yuri Eu estava comentando algo neste sentido com Julio nestas semanas que passaram. Parece-me que ele quer sim comemorar os 12 anos da banda, mas desta vez o evento deve ser um pouco menor que o “Six years...”, que contou com a presença de grandes nomes do Metal baiano como Headhunter DC, Incrust, além das desativadas Sower e Inoculation. Assim que tivermos algo fechado estaremos divulgando! No entanto eu queria que a banda pudesse presentear os ouvintes com o lançamento de algum material nosso. Vejamos o que será possível fazer nestes próximos 4 meses. O bom mesmo seria poder fazer um show comemorativo a cada ano, mas passamos pela primeira década sem nada de especial! Horrível! Apresentando ainda outra variável, todos sabemos que ao produzir eventos de metal a probabilidade de prejuízos é alta, o que desanima um pouco! Mas posso garantir que haverá um assalto metálico em meados de agosto.

TGZ: Atualmente existe uma espécie de revival dos anos oitenta, bandas com a pegada oitentista, bangers criticando web-zines e afirmando que verdadeiro apenas zine impresso, uma febre em busca de vinis, tapes, eu sinceramente não tenho nada contra bandas que tocam Metal com influência dos anos 80 desde que façam sem forçar a barra, como também não tenho nada contra zines impressos, vinis ou tapes, muito pelo contrário, apenas acho que existe um certo exagero e radicalismo burro em relação a tudo isso, mas qual sua opinião, visto que você está na cena a muito tempo?

Yuri Sempre haverá no homem um sentimento de nostalgia aquilo que foi vivido com fervor. E é este o sentimento que trouxe a tona esta revitalização da produção dos anos oitenta. Se observarmos com mais cautela este é um movimento que surgiu não apenas no Metal, mas nas artes em geral, aliás, aqueles foram anos de intensa produção cultural (e de grande qualidade). Este já é um ótimo motivo para qualquer agitação! O Metal em todo este tempo avançou barreiras e limites inimagináveis do peso, brutalidade, técnica e velocidade... aumentou o horizonte! A minha única pergunta é: por que não continuar desbravando? Mas tenho plena certeza que é válida, sim, a retomada da sonoridade oitentista... muita coisa legal tem surgido neste bojo! O estranho mesmo é que parte das pessoas que ovacionam os anos oitenta mal os vivenciou. Ainda assim, tudo bem. A história está aí para ser visitada, re-visitada, revista, vivida e construída. Também adoro os vinis por sua estética e, novamente, por causa de uma nostalgia, mas não nego a superioridade das novas tecnologias empregadas na indústria da música. Gosto dos zines impressos por causa da aversão em ter que ficar horas a fio na frente de uma tela de computador e até acredito mais na música classificada por tradicional! O que não há espaço é para radicalismo pro ou contra este movimento... ele está aí, quer muitos queiram ou não! É necessário lembrar que há espaço para todos! Cada qual conquistará o seu! E quanto mais pudermos ajudar uns aos outros, melhor! Muitos correram para fazer parte deste movimento pro oitenta porque é algo que está em evidência, assim como já aconteceu com diversos outros segmentos do Metal. Apenas o tempo irá mostrar quem realmente é sério!

TGZ: E a cena Metal aqui na Bahia, na sua opinião você acha que o momento atual existe um cenário fudido ou não? Por quê?

Yuri Claro que sim! Penso estamos numa das melhores fases do cenário baiano! A diferença de outras boas épocas em nosso cenário é que agora não apenas temos boas bandas, zines e shows, mas também temos muita gente lançando. Bons lançamentos, diga-se de passagem, e isto dá maior visibilidade à Bahia! Vocês não querem que eu cite os nomes aqui, não? Basta prestar qualquer infinitesimal de atenção! A única coisa que não é tão boa assim é o excesso de violência de algumas figuras em nosso meio! Claro que fazemos Metal apenas para aqueles que gostam e merecem. Mas será que é necessário espancar até a morte toda outra pessoa desinformada ou “fora dos padrões”?
Infelizmente a movimentação no interior do estado é bem fraca em comparação àquela da capital. Os shows têm diminuído e nunca mais vi o aparecimento de bandas que consigam ter uma atividade expressiva, salvo por raros casos. Talvez ter a cena forte apenas nas capitais seja uma das características do cenário nordestino – alguém me corrija se estiver errado. Mas isto também depende dos incentivos que cada outra banda recebe dentro de seu cenário. O quero dizer é que nós podemos modificar esta situação para melhor, apoiando com maior vigor as bandas do interior para que estas cresçam e possam dar homogeneidade nas atividades metálicas do nosso estado!

TGZ: Muita gente fala de cena unida, união underground, mas parece que muitos seguem o caminho que profetiza Carlos Vândalo na música “Metal Desunido” (Dorsal Atlântica – “Dividir e Conquistar”) que diz em uma das frases “Metal Desunido vai se matar, vai se destruir”, na sua opinião está acontecendo isso na cena ou ainda é exagero afirmar tal situação?

Yuri Uma atitude que realmente caminha nesse sentido são as diversas bandas que se auto-intitulam: a melhor banda daqui ou de lá. Num meio tão restrito, atitudes como esta acabam sufocando as estrelas periféricas e soam como apelo. Os melhores com toda certeza irão aparecer naturalmente!
Nestas últimas duas semanas estive viajando novamente com o Mystifier e ali, sim, percebi e presenciei mais uma vez a força da união do Metal! A incondicionalidade da ajuda, o prazer em ser parte desta “seita” e a sede pelo Metal foram características que me saltaram claras aos olhos! Ainda existem muitas pessoas Brasil afora que acreditam nesta união, que não é utópica. O maior defeito da raça humana é a sua vaidade, isso faz com que seus interesses sejam postos à frente de qualquer outra coisa que possa ser relevante, isso os faz passar uns por cima dos outros (principalmente se há dinheiro envolvido). Aliás, em minhas reflexões acho até bom que as atividades dentro do Metal underground não envolvam a movimentação de muitas cifras, caso contrário um número muito maior de sanguessugas estaria por aqui. A visão das pessoas no underground é romântica, pura e inocente, por isso somos unidos. Imagine como as coisas poderiam mudar se as bandas ganhassem R$50.000,00 por show? Será que ainda assim haveriam os ditos reais, os ditos amantes do Metal? Será que haveria união sob tais condições? Devolvo aqui alguns devaneios! Será que alguém pode dar mais na frase “Metal Desunido vai se matar, vai se destruir”?


TGZ: Voltando a falar sobre a Deformity Br, num passado recente vocês estavam pensando em fazer uma mini-tournée aqui pelo Nordeste, ainda têm essa idéia pra por em prática agora ou acham melhor quando o primeiro álbum for lançado?

Yuri Queremos viajar! Argh! Seria uma boa poder fazer um giro pelo nordeste. Mas como você comentou, achamos mais prudente pesar mais na divulgação da banda antes de sairmos em turnê. Lançar o EP e quiçá o primeiro álbum... assim as pessoas terão escutado de modo mais conciso sobre o nosso nome e percebido melhor o nosso trabalho. Neste instante a turnê funcionará melhor! Não que isso signifique menos gastos, porque sabemos que as bandas iniciantes (que é sim o nosso caso, pois não temos lançamentos oficiais) têm sim que tirar do bolso para ajudar nestas turnês. Os eventos de Metal, em geral, são bastante restritos (olhem a questão financeira aí novamente!) e isso pesa na hora de dar uma ajuda de custos às bandas. Por mais que as bandas mereçam receber algo em troca do seu esforço ficam, por vezes, difícil fazer melhores propostas. Essas são algumas das variáveis que teremos que prestar atenção antes de decidir qual o melhor momento de viajar!


TGZ: Estamos chegando ao fim de nossa conversa, agradeço em nome do ThunderGod e dos leitores, o espaço é seu, finalize deixando uma mensagem aos leitores ou acrescente algo que consideras necessário.

Yuri Palavras finais... sei lá! Kill the king! Nós que somos eternamente gratos a você Amraking e ao velho Dorsal por todo o trabalho honrado que sempre buscaram construir ao longo de todos estes anos que vos conheço. A história não haveria de ser diferente aqui com o desgraçado Thundergod! Não canso de falar que os zines configuram-se na voz do underground! Muito obrigado então por nos dar esta oportunidade de falar mais um pouco sobre o nosso trabalho. É muito honroso estar parte de seu trabalho. Então, por que não infectar todos os leitores podres com estas idéias da união? Com a idéia do apoio? Aprendam a tocar sim, montem bandas, montem shows! Escutem no volume máximo, leiam as publicações metálicas! Apareçam nos shows, comprem CD’s de bandas nacionais! Isso é muito importante! Não copiem lançamentos nacionais! Que porra é essa?!? Algo mais? Hehehe... Wait and you’ll feel the rottenness from Deformity coming right to your fucking noses! Hail Thundergod! Hail north-eastern Brazilian Metal! Thor’s hammer will crush non-metal down!

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