» ENTREVISTA: FLESH GRINDER «

- Perguntas : Panda (Oligarquia)
- Respostas : Rogerio e Fabioe-
- Entrevista realizada em Outubro de 2007 -

A
bordando temas putrefatos como doenças, morte, mutilação, enfim numa trilha Gore e Splatter, esta antiga banda catarinense segue seu rumo sangrento e patológico, fazendo seu estilo podre e extremo por entre o Grind e o Death Metal cortantes tal como instrumentos cirúrgicos rasgando a pele humana.
Confiram esta interessante entrevista com o Flesh Grinder para saber muito mais sobre a trajetória da banda...




TGZ: A banda surgiu no inicio dos anos 90 já fazendo splatter, podemos dizer que vocês são umas das primeiras bandas do gênero no Brasil!!? Quais foram às influências iniciais e adquiriram alguma nova Influência no decorrer da carreira? Falando daquelas influências que conhecemos depois, sons mais novos?

Rogerio: Quando o Flesh Grinder iniciou, em 94, realmente existiam poucas bandas splatters no Brasil. As mais conhecidas da época eram a Sarcastic e a Rotting Flesh. No inicio as influencias eram as bandas como Morbid Angel, Napalm Death, Autopsy, Carcass, Impetigo, Demilich, mas sempre tentamos não nos influenciar diretamente neste ou aquele grupo para não nos tornarmos cópia de ninguém. Atualmente ouvimos muitas bandas de variados estilos e isso tudo acaba sendo influencia na hora de compor.
Fabio: Não podemos esquecer do Bolt Thrower... sempre foi uma puta influencia para gente.

TGZ: Esse novo cd as influências são as mesmas ? O modo de compor e gravar se mantiveram também ou mudou alguma coisa?

Rogerio:
Do Coroner’s Inquest Suit para o Crumb’s Crunchy Delights Organization pouca coisa se alterou além da saída do Eduardo (guitarra).


TGZ: E gravar lá com aqueles loucos do Ciero , Trek e Tchello (da Tribo Estúdio)? Como rolaram as gravações e por que optaram viajarem até aqui (SP) pra efetuá-las?

Rogerio: Gravamos com o Ciero e com o Trek, e foi uma experiência muito boa, porque eles realmente sabem o que fazem. O resultado foi o que esperávamos. Quanto ao fato de ir a SP, a intenção era realmente “sugar” o conhecimento do Ciero (que assina a produção do CD). Já gravamos em vários outros estúdios e o fato de trabalhar com pessoas diferentes também nos faz aprender e traz evolução ao trabalho.

TGZ: O nome desse novo material é Crumb´s Crunchy Delights Organization !!!! Que nome hein?(risos) O que vocês quiseram passar com esse título, tendo em vista que o disco todo foi inspirado no filme Bad Taste de 1987? E falando da parte musical, o estilo da banda continua o mesmo , com um “algo” á mais que eleva esse novo cd aos já lançados da banda, como conseguiram isso?

Rogerio: Crumb’s Crunchy Delights Organization é o nome da organização alienígena que tem uma cadeia de restaurantes intergalácticos e que serve como prato principal carne humana. Isso tudo tirado do filme. O Fábio deu a idéia e gostamos. Quanto a parte musical, na nossa opinião o disco está um pouco mais trabalhado que o anterior e mais bem finalizado.
Fabio: Essa foi uma maneira de homenagear um dos filmes que tem servido de inspiração na parte lírica para gente e que nos rendeu sempre bons momentos de entretenimento.

TGZ: Acreditam que se tivessem optado por gravar ai em sua cidade ou em outro estúdio e produtor , o resultado seria o mesmo ou parecido?

Rogerio: Pode até ser que sim, mas o Ciero e o Trek captaram muito bem a nossa idéia e pela experiência que tivemos em trabalhos anteriores seria meio difícil termos o mesmo resultado.

Fabio: Poder gravar analogicamente nos chamou bastante atenção também, e pelo menos não achamos por aqui nenhum estúdio que nos proporcionaria esse estilo de gravação. Então acho particularmente que não conseguiríamos o peso que conseguimos se tivéssemos gravado em algum estúdio de SC

TGZ: A banda contabiliza turnês nacionais e turnês internacionais! Vocês há muito tempo influenciam a maioria das bandas que surgem desde a segunda metade dos anos 90 no Brasil e diria até influenciando “uns loucos” lá no velho continente... Comente um pouco dessas turnês , as nacionais as gringas, como é a galera que curte a banda lá fora, e se encontraram um terreno preparado pro Flesh Grinder?

Rogerio:
Sempre tivemos ótima receptividade por parte do público em todos os lugares em que tocamos, até mesmo quando tocamos para públicos de outros estilos. Os shows no velho mundo foram excelentes, bem organizados e na maioria das vezes com ótimo público. Algumas vezes nos impressionamos com o quanto somos conhecidos, como um fato que ocorreu em Praga na Republica Tcheca (que por sinal não tocamos) em que estávamos andando pela cidade e passou um cara por nós e gritou o nome da banda. Talvez uma coincidência grande, mas de qualquer forma foi bem legal.


TGZ: E como já está a agenda pra divulgar esse novo play, que pelas faixas que pude ouvir tá foda! Por onde passarão? O que já tem planejado e o que vem planejando? Vocês vão novamente pra Europa promover esse disco?

Rogerio:
Como até agora estávamos trabalhando apenas na elaboração do disco temos somente algumas datas marcadas, mas assim que organizarmos nossa agenda ela estará disponível no 'myspace' da banda para que todos possam acompanhar e se possível ir nos shows. Quanto a retornar para a Europa, sem dúvidas temos intenção, mas nada 100% definido ainda.


TGZ: Na Europa, o mercado é bem diferente daqui, diria que é mais “aquecido”? Vocês têm material lançado por lá, licenciado ou até distribuído? Afinal, facilita muito ter uma gravadora ou distribuidora que represente a banda fora, como funciona a distribuição de material por lá?

Rogerio:
A coisa por lá funciona um pouco diferente daqui principalmente pelo poder aquisitivo do pessoal. Nunca trabalhamos com uma gravadora ou distribuidora de lá, apenas dos EUA (Goregiastic Records) que lançou o álbum Coroner’s Inquest Suit, mas sempre tivemos nossos CD’s e até a demo tape distribuídos por lá através de parcerias entre as gravadoras.


TGZ: Esse é o 5º disco da banda, sem contar um Split e uma Demo!!! Em se tratando da discografia de uma banda brasileira, ela é extensa! Quando rola um Dvd ou quem sabe um Cd ao vivo? Público e material pra isso vocês tem!

Rogerio: Estamos negociando a produção de um DVD para 2008. Vamos ver se conseguimos concretizá-lo.

TGZ: S.P.L.A.T.T.E.R. lançado em 1999 é dito pelo publico da banda e do estilo, como um clássico! Vocês concordam? Esse realmente é o melhor trabalho da banda? E do lado de vendagem, foi o que vendeu mais? Não vem com aquela conversa fiada que o disco novo é melhor e que blá ,blá , blá ...(rs). Sei que tecnicamente o disco novo tem um desempenho superior aos anteriores, isso é óbvio! Tô falando de sentimento, de dar tudo certo no momento certo e um disco se tornar quase insuperável!

Rogerio: Também gostamos muito do SPLATTER, mas eu particularmente prefiro o Libido Corporis, acho mais cru e direto. Quanto a vendagem tanto o SPLATTER quanto o Anatomy & Surgery tiveram reprensagem então devem estar quase empatados nas milhões de cópias vendidas (risos).


TGZ: A parte das letras segue o tradicionalismo splatter, já pensaram em escrever sobre assuntos do cotidiano ou sobre assuntos políticos? Quem escreve as letras e como transformar um filme ...Um livro em letra?

Rogerio: Bom, o Fábio é demente suficiente para escrevê-las então pode também explicar a transformação de um filme em letra. Quanto a escrever sobre assuntos do cotidiano nunca passou pela nossa cabeça. Não que não gostamos, muitas bandas fazem isso e muito bem, mas nosso negócio é esse mesmo e não pretendemos mudar.


Fabio: Transformar um filme ou um livro em letra é bem mais fácil do que você criar uma letra do nada. Você já tem as cenas na cabeça e acaba contando de outro ponto de vista, que no nosso caso é sempre mais podre e violento possível.

TGZ: Como vocês tem bagagem em literatura e videoteca, fala aí quais escritores vocês mais gostam? E cineasta, qual te agrada mais? Todo mundo na banda lê esses autores? Quais são os melhores livros e filmes de todos os tempos?

Fabio: No meu caso na literatura gosto mais de obras fantásticas tipo Tolkien, JJ Ramirez... Mas faz tempo que troquei esses livros por livros técnicos... Filmes quanto mais gore e retardados melhor, sou fã da TROMA e seus filmes escrachados.. Filmes orientais rules, mas não os de fantasmas e sim os que apresentam muita violência e depravação explicitas. Mas recomendo os clássicos também.. zumbis, canibais, serial killers...

TGZ: O visual da banda é bem peculiar... Já vi até algumas bandas novas imitando descaradamente o visual de vocês , o que até encaro com bons olhos , mas confesso que a primeira vez que vi vocês ao vivo , foi foda (risos)! Como é a reação do publico hoje em dia? Já tiveram problemas com esse material nas estradas ou bloqueios policiais?

Rogerio: Resolvemos diferenciar no visual para darmos mais força pra música. O público reagiu bem, tanto que já vimos não só bandas utilizando materiais parecidos como o próprio público. Isso é ótimo. Não foi uma invenção nossa, outras bandas já fizeram e apenas acrescentamos alguns elementos. Nunca tivemos nenhum problema, mas não estamos escapes de sermos parados por policiais e termos de explicar um avental ensangüentado e um monte de CD’s com fotos de gente destroçada (risos).

TGZ: “Crumb´s Crunchy Delights Organization” tá aí no mercado pra molecada pegar, ouvir até cansar e sair abrindo rodas de mosh no show da banda! Dê suas declarações finais, recados, toques ou sei lá que diabos quiser falar aos leitores... Abraço, boa sorte, boa turnê e nos vemos na estrada em breve...

Rogerio: Na verdade o CD ainda não foi lançado, mas em breve estará disponível e esperamos que as pessoas que acompanham nosso trabalho gostem. Queremos agradecer a você pelo espaço dado ao Flesh Grinder no ThunderGod Zine e Visão Underground. E aproveitar para reforçar para os leitores que os zines ainda são a melhor e mais segura fonte de informações sobre as bandas, pois são completamente independentes, e agradecer a todos que nos dão força e que nos motivam a continuar fazendo toda essa barulheira. Keep on rotting!!!

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