» ENTREVISTA: GRADUS PENTALPHAE «

Realizada por: Cezar Augusto

Respondida por:
Mário "Beaumanior"

Gradus Pentalphae

A/c Mário Moraes
Av. Maranhão, 254 Nova Iguaçu/RJ
Cep: 26.033 - 691

Site:
www.graduspentalphae.cjb.net

TGZ: Saudações ! Quais as razões filosóficas e musicais que fizeram surgir a Gradus Pentalphae, e por que tantos abalos em sua estrutura que quase fizeram a horda adormecer por completo? Defina caso a caso.

Nário:
Saudações caro amigo Cezar!
A Gradus Pentalphae surgiu em meados de 96 com o intuito tanto musical quanto filosófico Thelemico e o pagão, onde existe um vasto universo para o conhecimento o humano.
Como toda instituição que depende de pessoas tivemos alguns conflitos internos, por motivos de adequação a Gradus. Nosso objetivo é ter membros que se enquadrem tanto no aspecto musical quanto filosófico, por isto tivemos problemas com a formação da Banda. Não queremos pessoas que apenas toquem algum instrumento, pois isto é muito simples de conseguir, precisávamos de reais integrantes para a Gradus. Onde seriam partes fundamentais para o funcionamento de toda a engrenagem de composições, harmonia e arranjos na banda, além de companheirismo que é crucial para o bom relacionamento entre os integrantes.

TGZ: Explique o significado do nome e o porquê de se referir como “Ordem Gradus Pentalphae”.

Nário:
Gradus Pentlaphae morfologicamente falando significa Degraus do Pentagrama (Degraus de Evolução do Pentagrama) esta denominação foi criada por Gregor A. Gregorius, ex-membro da O.T.O, secretário-geral da Grande Loja Pansófica em Berlim e fundador da Ordem Fraternitas Saturnis, esta que por sua vez é uma síntese da OTO/Tantric sexo-magick, gnosticism e Thelema, sendo reconhecida por Aleister Crowley (Mestre Therion). Gradus Pentalphae também define o décimo oitavo grau do Ritual de Magia Sexual de Gregor A. Gregorius na Fraternitas Saturnis.
Refiro-me a Gradus Pentalphae de Ordem, pois somos uma confraria, uma fraternidade, ou seja, união ou convivência como irmãos, um conjunto de pessoas da mesma categoria com os mesmos interesses. Sendo pelo bem comum de todos os membros.

TGZ: Há alguma ênfase, simbologicamente falando, a subentender no logotipo?

Nário:
Sim, a logo da Gradus Pentalphae tem significado em seus traços. Os símbolos da logo representam os elementos (terra, água, fogo, ar e o homem) que saudamos na trindade dos pontos do sagrado triangulo... Ra-Hoor-Khuit.:.

TGZ: O manancial filosófico da vossa ideologia se embasa na Thelema, o que me fez lembrar acerca do tema, o seguinte: “a Verdade é obrigatoriamente ligada à Verdadeira Vontade. Existem várias facetas da Verdade, o que cria múltiplas (e igualmente válidas) verdades”.
Então, o antônimo entre verdade e mentira teria algo a se relacionar com a dualidade criada entre o bem e o mal? Ou seria algo relativo dentro de toda essa concepção?

Nário: A Vontade não é igual a verdade em Thelema, pois segundo Marcelo Motta em Chamando Filhos do Sol que foi a primeira publicação Thelêmica no Brasil, transcreve-se o seguinte...
“Tu és o Teu Próprio Caminho.
Por isto está escrito: Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos fará livres. (saberás que és uma estrela, um Deus)
Este mundo não é um antro de demônios expiando seus pecados; este mundo é um dossel de Deuses que dormem, e dormindo, sonham.”
A Verdade é o auto-conhecimento o desvencilhar dos paradigmas, pois “todo homem e toda mulher é uma estrela”, tem sua própria órbita e não necessitam de intermediários para sua projeção.
Ser THELEMITA é ter consciência de que não somos adivinhos, futurólogos, nem fazedores de milagres, e deixarmos esta temática aos pseudos magos; Ser THELEMITA não é julgarmos que a nossa Filosofia é a única detentora da verdade, tornando-nos fanáticos.

TGZ: Gostaria de que comentasse acerca da 1ª Demo intitulada “Du Mysticus Oduaris Dii”, e o significado de seu título para com as letras compostas.

Nário:
Esta primeira demo foi gravada em 97 com a primeira formação da Gradus com apenas 05 muisicas sendo duas instrumentais. A tradução da frase “Du Mysticus Oduaris Dii” é A Mística Música dos Deuses, foi dado este título a demo, pois nossas composições e a temática girava em torno de Horus, Nuit, assim como mostra na música The Law.

TGZ: E, demorou-se alguns anos para o lançamento do novo artefato, o Promo-Cd de 2002, certo? Discorra também sobre a decisão de incluir a Demo acima citada neste material promocional.

Nário:
Correto, mas infelizmente não incluiremos a Demo neste Promo-CD, pois pretendemos apenas divulgar nosso novo trabalho e ficaria bem contrastante o trabalho antigo junto ao atual.
Mas nossa primeira Demo está sendo relançada pela Holokaostor Productions.

TGZ: “Lustful Vampiric Intercourse” é o nome do novo trabalho, que adormeceu junto com a banda no final de 2002 por ficar sem baterista engajado á proposta, porém acordou com a entrada do baterista Fernando, fincado a partir de 2004. Daí o processo de pré-produção está a todo vapor, certo? Integre essa questão, falando sobre todo o processo em andamento.

Nário: No inicio foi um pouco complicado para encontrar o estúdio certo, porque queríamos que ficasse com a qualidade de gravação boa, preço de gravação compatível ao orçamento da banda e um operador que curtisse Metal, para agilizar o andamento das Gravações. Após alguns meses de busca encontramos o Estúdio Vale, o qual estamos gravando e fazendo alguns testes com gravações analógicas esperamos que o resultado final fique bom.

TGZ: A horda acabara de integrar a própria faixa “Lustful Vampiric Intercourse” no segundo Volume da Compilação ThunderGod. Quais as suas expectativas de divulgação neste trabalho independente?

Nário:
A Compilação ThunderGod é um ótimo meio de divulgação de nosso trabalho além de ser uma compilação séria e com proposta de ascensão do underground sem farsa ou hipocrisia. A nossa meta é divulgar nosso novo trabalho com o propósito de expandir musicalmente a filosofia da Horda.

TGZ: Ok; Mario Moraes (Beaumanior), como você trata as demais religiões e filosofias existentes, às quais tenhas conhecimentos (ou não)? A sua postura acaba por ser indiferente ou não às quais quer que sejam?

Nário:
Em relação às outras filosofias e religiões existentes, sou contra toda forma de repreensão de pensamento e liberdade que quaisquer delas pegarem. Pois todo homem é livre a seguir sua própria lei, não devendo se restringir a falsos moralismos, dogmas e ridículas crendices.

TGZ: Acerca da Thelema: Os dois principais axiomas thelêmicos detalham a relação entre Amor e Vontade: "Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei"; e "Amor é a lei, amor sob vontade". Como você compreende e relaciona essas emanações subjetivas?

Nário:
Você descreveu certo, “axiomas”, que quer dizer verdade absoluta sem exigência de demonstração, ou seja, uma das energias mais fortes que fazem mover as engrenagens do universo é o Amor, mas amor sob vontade. A tua vontade moverá o mundo. Todo ato intencional é um ato de Magick; Todo ato bem sucedido enquadra-se ao realizador.
ESTÁ ESCRITO que “Amor é a lei, amor sob vontade”. Aqui há um Arcano velado, pois em grego AGAPE, Amor, tem o mesmo valor numérico que Thelema, Vontade. Por isto nós compreendemos que a natureza da Vontade Universal é Amor.
Ora, Amor é o incêndio em êxtase de Dois que desejam se tornar Um. É, pois uma fórmula Universal de Alta Magia. Pois todas as coisas, sofrendo por causa da individualidade, devem necessariamente querer Unidade como seu remédio.
Anton La Vey descreve o seguinte “...use energia com quem a merece, em vez de amor desperdiçado aos ingratos!
Você não pode amar a todos; é ridículo pensar que pode. Se você ama a todos e a tudo você perde seus poderes naturais de seleção e acaba se tornando uma pessoa de julgamento ruim de caráter e qualidade. Se alguma coisa é usada tão livremente ela perde o seu real significado. Portanto, deve-se amar fortemente e completamente quem merece o seu amor, mas nunca voltar a outra face ao inimigo!”
Amor sob vontade pode ser interpretado Kteis sob o Falo, é a Fórmula oculta do Eon de Horus. Esta é a fórmula da Magick Sexual mais direta e mais potente e assim é claro que existe maior êxito, porém, pode ser a mais perigosa se usada de forma errada.
“Faze o que tu queres há de ser tudo da lei.” ...É nosso direito sem nos impor assim, e executar a tarefa para qual a natureza nos habilitou. É o dever, dever não só para consigo mesmo, mas também para com seus semelhantes, um dever embasado na necessidade fundamental, que não pode ser negligenciado devido a qualquer casual circunstância momentânea que aparenta colocar uma tal conduta sob o aspecto de inconveniência ou mesmo a crueldade, mate se necessário (AL II 58).

TGZ: Antes de findarmos esta, escreva o próximo capítulo (meta) que a Gradus Pentalphae traceja para seu futuro.

Nário:
Nossa meta é finalizarmos as Gravações e Produção do CD com êxito, partindo para realização de shows para mostrar o trabalho da Horda Gradus Pentalphae. Assim como a divulgação do mesmo no Brasil e Exterior e recomeçar o ciclo novamente.

TGZ: Momento de agradecer pela presença e pela confiança em nosso trabalho, tanto como Zine, quanto Coletânea; deixo-te livre para as últimas exposições escritas ...

Nário: Agradeço-lhe Cezar pela oportunidade e divulgação da Horda, pois necessitamos de pessoas sérias e competentes iguais a ti para honrar o nome do Metal Nacional e todos aqueles que diretamente e indiretamente apóiam a Horda Gradus Pentalphae e o Underground. E lhe parabenizo pela elaboração da entrevista, com perguntas concisas e exatas.
Um abraço,
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