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Perguntas :Elimar
Oliveira |
- Respostas :
Pagan Priestesse-
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- Entrevista
realizada em Novembro de 2007 -
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A
horda Hecate foi formada em 1995 e conduz
sua trajetória através
do Black Metal com letras voltadas ao
Paganismo e Ocultismo. Nos seus doze
anos de história a horda lançou
duas demos “Sob o Signo da Magia”
(1998) e “Iniciais Heresias”
(2001) o debut-álbum “Odes
ao Oculto” (2003) e o split-vinil
“Triunfal Aliança”
(2005) ao lado da horda Mausoleum...
Em resumo o Hecate vem ostentando com
honra e fidelidade a bandeira do Metal
Negro Underground!!! Para saber mais
sobre o Hecate conversamos com Pagan
Priestess o que resultou na entrevista
abaixo, confiram:
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TGZ:
Envolta à Profana Mística
a Hecate conduz seus ritos, desde sua formação
a mais de dez anos! O que inspira para a composição
lírica e musical da Hecate?
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Pagan
Priestess: Saudações
Elimar e leitores do ThunderGod Zine !
Sim, nossa horda data de 1995 e desde então
foram e são muitas batalhas que travamos
para manter chama de nossos ritos queimando
sempre... Creio que o fundamental numa horda
é a vontade e o real sentimento para
com o que você escreve e toca, existindo
isso, todas as dificuldades são superáveis...
Assim, diria que nossa inspiração
advém realmente de nossas crenças
em um universo não tridimensional e
obscuro além, é claro, de nossa
total devoção à música
pesada.
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TGZ:
O primeiro material lançado a
demo-tape “Sob o Signo da Magia”
de 1998 trazia ritos entoados em inglês
e português, atualmente a Hecate entoa
seus ritos apenas em português, porque
tal decisão? E qual a principal razão
para que suas letras sejam entoadas em nossa
língua? |
Pagan Priestess:
Sim, em nossa primeira
demo existia apenas um hino em português
chamado “A Celebração”;
Nossa decisão se deveu apenas ao nosso
desejo de nos fazermos compreensíveis
aos apreciadores de nosso país (sem
nacionalismos); Na parte lírica se
encontra a expressão do conhecimento
e ideologia da horda, de nossa concepção
do que acreditamos ser o Black Metal, então
creio que isso deve estar claro também
para aqueles que procuram conhecer nosso som.
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TGZ:
Após o lançamento da primeira
demo-tape a Hecate participou da coletânea
“Southern Warriors Cult II”, qual
foi o resultado e a divulgação
deste material? E o petardo escolhido para
essa compilação “Onipresente
Magia” será re-editado em outro
material? |
Pagan
Priestess: A “Southern
Warriors Cult II”, assim como o primeiro
volume, foi lançado pelo antigo selo
Southern Spirits de Belo Horizonte; cremos
que tal material foi divulgado mais nos círculos
do Underground e o que sei é que hoje
não há mais esse material disponível;
Esta faixa “Onipresente Magia”
não é muito conhecida, pois
saiu apenas neste material, mas é nosso
pensamento não apenas reeditá-la
ou disponibilizá-la em outro trabalho,
mas re-gravar a mesma em uma futura obra!
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TGZ:
Nesta época a horda completou a formação,
porém a mesma foi desfeita e alterada
fato que a perseguiu até os dias atuais,
os motivos das mudanças se repetem?
Como vocês selecionam os membros para
fazer parte do line-up e como o mesmo está
atualmente? |
Pagan
Priestess: Sim, infelizmente
temos convivido com esse problema de formação
instável por toda nossa trajetória...
Os motivos que ocasionam isso são vários,
desde questões ideológicas,
questões de relacionamento e postura...
Enfim, principalmente o posto de baterista
fixo tem sido nosso grande problema e infelizmente
se não há baterista inviabilizam-se
os ensaios coletivos, adiam-se projetos, etc.
Nós selecionamos pessoas principalmente
pela questão ideológica, depois
verificamos a questão técnica;
As duas questões são importantes,
mas hoje não são suficientes
para se manter ninguém numa horda,
pois personalidades, egos, caráter,
influenciam realmente na convivência
de um grupo e podem prejudicar todo um trabalho
e a relação entre todos. Então
vejo como um assunto complexo e espero (ainda)
que possamos realmente encontrar a estabilidade
em nossa formação. Atualmente,
estamos com um batera session, W. Daimon,
o problema dele não estar fixo conosco
é mais pelo fato o de seu tempo escasso
para ensaios e shows.
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TGZ:
Após a coletânea vocês
lançaram a segunda Demo-Tape (DT) “Iniciais
Heresias”, revele-nos os segredos contidos
neste material e a mensagem trazida nos hinos
nele presentes.
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Pagan
Priestess: Esse material
data de 2000 e serviu como uma prévia
de nosso Cd “Odes ao Oculto”,
portanto o denominamos desta forma, eram as
“Iniciais Heresias” de um rito
Maior que estaria por vir... Os hinos presentes
são “Hostes Infernais”
– letra que expressa um sentimento satânico
de fúria contra a dominação
cristã por séculos e séculos
e um apelo de vingança contra tal dominação...
“Mahamvantara” - a mesma sob título
hindu aborda a questão dos ciclos da
vida e morte, a vigília do Destino
na forma de mitos como as moiras, Queres,
etc. Esta Demo possui ainda um hino instrumental
“Carruagens do Poder” e o hino
ao vivo “A Celebração”
pertencente a primeira demo, mas claramente
executada de forma mais agressiva nesta versão
ao vivo – a mesma aborda uma temática
toda pagã de culto às florestas,
ás energias sutis e aos arquétipos
antigos.
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TGZ:
Após as duas DT's e a participação
na compilação eis que surge
o Debut-Cd “Odes ao Oculto”, que
da mesma forma dos outros materiais, traz
uma excelente produção, excelente
gravação e ritos muito bem compostos
e executados, enaltecendo a nome da horda
e da cena Metal Extremo Nordestina, mesmo
independente vocês conseguiram fazer
uma excelente trabalho, quais foram os resultados
obtidos deste material? |
Pagan
Priestess: Os melhores
possíveis, pois foi um material concebido
por nós de forma bem cuidadosa, nele
certamente há a expressão de
toda nossa ideologia e musicalidade da maneira
como almejamos, numa gravação
bem feita e com uma parte gráfica que
realmente é um complemento à
parte sonora; Apesar de nossos poucos recursos
de divulgação, esta obra alcançou,
a nosso ver, o lugar que realmente nos interessam,
o underground nacional.
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TGZ:
Não posso deixar de citar o Split-Vinil
“Triunfal Aliança” que
traz a Hecate e o Mausuleum, como surgiu a
idéia deste projeto? |
Pagan
Priestess: Estávamos
nessa época com a intenção
de lançar um material em vinil e o
Mausoleum também, assim nos contatos
com o Douglas (guitarra do Mausoleum), o mesmo
nos convidou para este split, o que aceitamos
de imediato, pois o Mausoleum é uma
horda que sempre esteve ligada a nós
durante nossa trajetória, desenvolvemos
ao longo do tempo uma amizade, um respeito
e admiração mútuo –
o split veio a consolidar esta união
e aliança de forma arrebatadora, para
nós foi uma grande satisfação
e honra concretizar esta obra!
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TGZ:
O som feito pelo Hecate nos remete ao
culto profano ao paganismo, com muitos climas
extraídos de teclados... Muitos torcem
o nariz para hordas que usam esse instrumento,
eu acho que, sabendo usar, o mesmo pode criar
climas sombrios de forma singular sem prejudicar,
pelo contrário, enriquecendo a musicalidade
pretendida. Qual a opinião de vocês
sobre esse assunto que ás vezes chega
a ser polêmico? |
Pagan
Priestess: Este, na verdade,
é mais um assunto dentre muitos que
são expressos de forma polêmica
dentro do Metal e Black Metal; desde o início
de nossa jornada utilizamos os teclados em
nosso som, pois o mesmo tem uma função
na música de dar um caráter
etéreo e obscuro a determinadas bases.
Concordo com você na questão
de que se deve saber usar, para que não
se perca a agressividade, mas o Black Metal
(assim como alguns estilos como Doom, etc)
é um estilo bastante livre nesse sentido,
permite a adoção de determinadas
sonoridades em função da especificidade
da lírica e da ideologia. Estamos falando
de culto ao obscuro, de espiritualidade negra
– isso permite várias formas
de expressão... O problema é
que, apesar de uma pretensa liberdade bradada
pelo Metal e suas vertentes, muitos querem
dizer o que é real e o que não
é, é uma certa dogmatização
do som pesado onde o mesmo só pode
ser concebido de certa forma...Não
que esteja falando contra o som tradicional,
de forma alguma! Sou bastante tradicionalista
em se falando de som, mas é sempre
bom ouvir antes de criticar. O certo é
que os teclados tiveram seu auge no início
e decorrer da década de 90... Quando
veio o excessivo marketing de bandas como
Dimmu Borgir e Cradle of Filth, começou-se
a ligar teclados a comercialismo, ao falso
metal... Daí muitos começaram
a bradar “no keyboards, no vocals females”
como uma lei a ser seguida pelos apreciadores
do verdadeiro metal - veio a fase do metal
extremo e hoje vivenciamos a fase do Metal
Old School, oitentista... Concluindo, passamos
ao longe do que pode ser percebido como moda,
senso comum, pensamento majoritário,
etc. Na verdade, tocamos o que queremos realmente
tocar e toda nossa sonoridade se baseia em
uma ideologia expressada, então escute-nos
quem se sentir identificado realmente.
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TGZ:
Uma pergunta que sempre costumo fazer, como
está a cena do Ceará atualmente?
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Pagan
Priestess: Como em vários
lugares, é uma cena caótica,
a meu ver... Dividida e permeada por intrigas
e fofocas, banalizada pelo enfraquecimento
de idéias e difusora de posturas comuns
à época em que vivemos. Claro
que existem pessoas sérias e isto deve
ser bastante ressaltado, pois estas possuem
um envolvimento que independe de modas, de
opiniões externas, etc. Os shows de
Metal mais extremo se tornaram mais escassos,
o que não é de todo ruim, pois
quantidade nem sempre significa qualidade.
O cenário, como em vários lugares,
se renova com bandas e pessoas novas... Os
tempos atuais certamente trazem os ares de
inúmeras transformações
pelas quais o Underground vivencia.
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TGZ:
Quais os projetos que a Hecate tem para por
em prática por esses tempos? |
Pagan
Priestess: Nosso maior
projeto sempre foi e será continuar
na luta, na batalha incansável por
ideais e atitudes que tornam o Black Metal
vivo, obscuro e principalmente transgressor!
Eis nosso grande objetivo, pois o que constatamos
é que o Black Metal tem se tornado
“pastiche” de si mesmo, mero produto
mercadológico, vitrine de clichês...
Virou certamente um produto consumível
e digerível para uma massa a qual não
interessa nenhum tipo de ideologia, conhecimento,
filosofia, apenas a estética e o som,
este muitas vezes repleto de uma mesmice e
previsibilidade cansativas; Estão bastante
longe os anos de ouro e prata deste estilo,
após uma onda de modismos, o Black
Metal, ainda bem, está sendo mais esquecido
em detrimento do que hoje é “in”,
então está ficando “out”!!
Espero, portanto, que a reserva ideológica
e pulsante do estilo se mantenha viva e continue
criando, desta vez, no submundo e porões,
lugares que realmente se faz pertencer, do
chamado dito underground.
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TGZ:
Agradeço pela atenção
em nos responder a entrevista e deixo que
finalize deixando suas considerações
finais. |
Pagan
Priestess: Eu agradeço
sinceramente pela oportunidade de expressão!
Desejo força a vossa luta em prol de
teus ideais e aos leitores desta entrevista,
o melhor que poderia dizer é: Mantenham–se
fiéis a si mesmos!!
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