» ENTREVISTA: HECATE «

- Perguntas :Elimar Oliveira
- Respostas : Pagan Priestesse-
- Entrevista realizada em Novembro de 2007 -

Hecate Horde
Rua Rocha Lima, 869 - Aldeota - Fortaleza/CE – Cep: 60.135-000
hecatehorda@zipmail.com.br


A
horda Hecate foi formada em 1995 e conduz sua trajetória através do Black Metal com letras voltadas ao Paganismo e Ocultismo. Nos seus doze anos de história a horda lançou duas demos “Sob o Signo da Magia” (1998) e “Iniciais Heresias” (2001) o debut-álbum “Odes ao Oculto” (2003) e o split-vinil “Triunfal Aliança” (2005) ao lado da horda Mausoleum... Em resumo o Hecate vem ostentando com honra e fidelidade a bandeira do Metal Negro Underground!!! Para saber mais sobre o Hecate conversamos com Pagan Priestess o que resultou na entrevista abaixo, confiram:

TGZ: Envolta à Profana Mística a Hecate conduz seus ritos, desde sua formação a mais de dez anos! O que inspira para a composição lírica e musical da Hecate?

Pagan Priestess: Saudações Elimar e leitores do ThunderGod Zine !
Sim, nossa horda data de 1995 e desde então foram e são muitas batalhas que travamos para manter chama de nossos ritos queimando sempre... Creio que o fundamental numa horda é a vontade e o real sentimento para com o que você escreve e toca, existindo isso, todas as dificuldades são superáveis... Assim, diria que nossa inspiração advém realmente de nossas crenças em um universo não tridimensional e obscuro além, é claro, de nossa total devoção à música pesada.

TGZ: O primeiro material lançado a demo-tape “Sob o Signo da Magia” de 1998 trazia ritos entoados em inglês e português, atualmente a Hecate entoa seus ritos apenas em português, porque tal decisão? E qual a principal razão para que suas letras sejam entoadas em nossa língua?

Pagan Priestess:
Sim, em nossa primeira demo existia apenas um hino em português chamado “A Celebração”; Nossa decisão se deveu apenas ao nosso desejo de nos fazermos compreensíveis aos apreciadores de nosso país (sem nacionalismos); Na parte lírica se encontra a expressão do conhecimento e ideologia da horda, de nossa concepção do que acreditamos ser o Black Metal, então creio que isso deve estar claro também para aqueles que procuram conhecer nosso som.

TGZ: Após o lançamento da primeira demo-tape a Hecate participou da coletânea “Southern Warriors Cult II”, qual foi o resultado e a divulgação deste material? E o petardo escolhido para essa compilação “Onipresente Magia” será re-editado em outro material?

Pagan Priestess: A “Southern Warriors Cult II”, assim como o primeiro volume, foi lançado pelo antigo selo Southern Spirits de Belo Horizonte; cremos que tal material foi divulgado mais nos círculos do Underground e o que sei é que hoje não há mais esse material disponível; Esta faixa “Onipresente Magia” não é muito conhecida, pois saiu apenas neste material, mas é nosso pensamento não apenas reeditá-la ou disponibilizá-la em outro trabalho, mas re-gravar a mesma em uma futura obra!

TGZ: Nesta época a horda completou a formação, porém a mesma foi desfeita e alterada fato que a perseguiu até os dias atuais, os motivos das mudanças se repetem? Como vocês selecionam os membros para fazer parte do line-up e como o mesmo está atualmente?

Pagan Priestess: Sim, infelizmente temos convivido com esse problema de formação instável por toda nossa trajetória... Os motivos que ocasionam isso são vários, desde questões ideológicas, questões de relacionamento e postura... Enfim, principalmente o posto de baterista fixo tem sido nosso grande problema e infelizmente se não há baterista inviabilizam-se os ensaios coletivos, adiam-se projetos, etc. Nós selecionamos pessoas principalmente pela questão ideológica, depois verificamos a questão técnica; As duas questões são importantes, mas hoje não são suficientes para se manter ninguém numa horda, pois personalidades, egos, caráter, influenciam realmente na convivência de um grupo e podem prejudicar todo um trabalho e a relação entre todos. Então vejo como um assunto complexo e espero (ainda) que possamos realmente encontrar a estabilidade em nossa formação. Atualmente, estamos com um batera session, W. Daimon, o problema dele não estar fixo conosco é mais pelo fato o de seu tempo escasso para ensaios e shows.

TGZ: Após a coletânea vocês lançaram a segunda Demo-Tape (DT) “Iniciais Heresias”, revele-nos os segredos contidos neste material e a mensagem trazida nos hinos nele presentes.

Pagan Priestess: Esse material data de 2000 e serviu como uma prévia de nosso Cd “Odes ao Oculto”, portanto o denominamos desta forma, eram as “Iniciais Heresias” de um rito Maior que estaria por vir... Os hinos presentes são “Hostes Infernais” – letra que expressa um sentimento satânico de fúria contra a dominação cristã por séculos e séculos e um apelo de vingança contra tal dominação... “Mahamvantara” - a mesma sob título hindu aborda a questão dos ciclos da vida e morte, a vigília do Destino na forma de mitos como as moiras, Queres, etc. Esta Demo possui ainda um hino instrumental “Carruagens do Poder” e o hino ao vivo “A Celebração” pertencente a primeira demo, mas claramente executada de forma mais agressiva nesta versão ao vivo – a mesma aborda uma temática toda pagã de culto às florestas, ás energias sutis e aos arquétipos antigos.


TGZ: Após as duas DT's e a participação na compilação eis que surge o Debut-Cd “Odes ao Oculto”, que da mesma forma dos outros materiais, traz uma excelente produção, excelente gravação e ritos muito bem compostos e executados, enaltecendo a nome da horda e da cena Metal Extremo Nordestina, mesmo independente vocês conseguiram fazer uma excelente trabalho, quais foram os resultados obtidos deste material?

Pagan Priestess: Os melhores possíveis, pois foi um material concebido por nós de forma bem cuidadosa, nele certamente há a expressão de toda nossa ideologia e musicalidade da maneira como almejamos, numa gravação bem feita e com uma parte gráfica que realmente é um complemento à parte sonora; Apesar de nossos poucos recursos de divulgação, esta obra alcançou, a nosso ver, o lugar que realmente nos interessam, o underground nacional.
TGZ: Não posso deixar de citar o Split-Vinil “Triunfal Aliança” que traz a Hecate e o Mausuleum, como surgiu a idéia deste projeto?

Pagan Priestess: Estávamos nessa época com a intenção de lançar um material em vinil e o Mausoleum também, assim nos contatos com o Douglas (guitarra do Mausoleum), o mesmo nos convidou para este split, o que aceitamos de imediato, pois o Mausoleum é uma horda que sempre esteve ligada a nós durante nossa trajetória, desenvolvemos ao longo do tempo uma amizade, um respeito e admiração mútuo – o split veio a consolidar esta união e aliança de forma arrebatadora, para nós foi uma grande satisfação e honra concretizar esta obra!
TGZ: O som feito pelo Hecate nos remete ao culto profano ao paganismo, com muitos climas extraídos de teclados... Muitos torcem o nariz para hordas que usam esse instrumento, eu acho que, sabendo usar, o mesmo pode criar climas sombrios de forma singular sem prejudicar, pelo contrário, enriquecendo a musicalidade pretendida. Qual a opinião de vocês sobre esse assunto que ás vezes chega a ser polêmico?


Pagan Priestess: Este, na verdade, é mais um assunto dentre muitos que são expressos de forma polêmica dentro do Metal e Black Metal; desde o início de nossa jornada utilizamos os teclados em nosso som, pois o mesmo tem uma função na música de dar um caráter etéreo e obscuro a determinadas bases. Concordo com você na questão de que se deve saber usar, para que não se perca a agressividade, mas o Black Metal (assim como alguns estilos como Doom, etc) é um estilo bastante livre nesse sentido, permite a adoção de determinadas sonoridades em função da especificidade da lírica e da ideologia. Estamos falando de culto ao obscuro, de espiritualidade negra – isso permite várias formas de expressão... O problema é que, apesar de uma pretensa liberdade bradada pelo Metal e suas vertentes, muitos querem dizer o que é real e o que não é, é uma certa dogmatização do som pesado onde o mesmo só pode ser concebido de certa forma...Não que esteja falando contra o som tradicional, de forma alguma! Sou bastante tradicionalista em se falando de som, mas é sempre bom ouvir antes de criticar. O certo é que os teclados tiveram seu auge no início e decorrer da década de 90... Quando veio o excessivo marketing de bandas como Dimmu Borgir e Cradle of Filth, começou-se a ligar teclados a comercialismo, ao falso metal... Daí muitos começaram a bradar “no keyboards, no vocals females” como uma lei a ser seguida pelos apreciadores do verdadeiro metal - veio a fase do metal extremo e hoje vivenciamos a fase do Metal Old School, oitentista... Concluindo, passamos ao longe do que pode ser percebido como moda, senso comum, pensamento majoritário, etc. Na verdade, tocamos o que queremos realmente tocar e toda nossa sonoridade se baseia em uma ideologia expressada, então escute-nos quem se sentir identificado realmente.


TGZ: Uma pergunta que sempre costumo fazer, como está a cena do Ceará atualmente?


Pagan Priestess: Como em vários lugares, é uma cena caótica, a meu ver... Dividida e permeada por intrigas e fofocas, banalizada pelo enfraquecimento de idéias e difusora de posturas comuns à época em que vivemos. Claro que existem pessoas sérias e isto deve ser bastante ressaltado, pois estas possuem um envolvimento que independe de modas, de opiniões externas, etc. Os shows de Metal mais extremo se tornaram mais escassos, o que não é de todo ruim, pois quantidade nem sempre significa qualidade. O cenário, como em vários lugares, se renova com bandas e pessoas novas... Os tempos atuais certamente trazem os ares de inúmeras transformações pelas quais o Underground vivencia.

TGZ: Quais os projetos que a Hecate tem para por em prática por esses tempos?


Pagan Priestess: Nosso maior projeto sempre foi e será continuar na luta, na batalha incansável por ideais e atitudes que tornam o Black Metal vivo, obscuro e principalmente transgressor! Eis nosso grande objetivo, pois o que constatamos é que o Black Metal tem se tornado “pastiche” de si mesmo, mero produto mercadológico, vitrine de clichês... Virou certamente um produto consumível e digerível para uma massa a qual não interessa nenhum tipo de ideologia, conhecimento, filosofia, apenas a estética e o som, este muitas vezes repleto de uma mesmice e previsibilidade cansativas; Estão bastante longe os anos de ouro e prata deste estilo, após uma onda de modismos, o Black Metal, ainda bem, está sendo mais esquecido em detrimento do que hoje é “in”, então está ficando “out”!! Espero, portanto, que a reserva ideológica e pulsante do estilo se mantenha viva e continue criando, desta vez, no submundo e porões, lugares que realmente se faz pertencer, do chamado dito underground.


TGZ: Agradeço pela atenção em nos responder a entrevista e deixo que finalize deixando suas considerações finais.

Pagan Priestess: Eu agradeço sinceramente pela oportunidade de expressão! Desejo força a vossa luta em prol de teus ideais e aos leitores desta entrevista, o melhor que poderia dizer é: Mantenham–se fiéis a si mesmos!!


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