» ENTREVISTA: JUGGERNAUT «

- Perguntas : Cezar Augusto-
- Respostas : Celio Jr (Guitar) -
- Entrevista realizada em Janeiro de 2007 -

A/c Célio Jr
Rua Rio de Janeiro, 806 - Timbó/SC - 89.120-000
http://www.juggernaut.com.br



A
JUGGERNAUT alicerça seu som como o próprio nome significa, tal como um tanque militar da década de 40 por via um Thrash massivo e violento beirando o Death com inspirações em grupos como Kreator, Sadus, Destruction, Death.
Assim, trabalham as passagens que através do seu canhão foram explodidas em lançamento para o Debut Cd “Lines of the Edge”, lançado de forma independente.
Vamos saber mais acerca deste novo material destes catarinenses...

Formação:

Daniel Justen (Bass and Vocals);
Fabricio (Guitars);
Celio Jr (Guitars);
Edinho (Drums).
TGZ: Saudações !!! Vocês conseguiram lançar o Debut Cd e de forma independente. Quando tempo foi necessário para essa conquista e as razões para tê-lo lançado independentemente?

Célio Jr. Saudações grande Cezar!!! Metemos a cara para fazer o trampo independente, pois tínhamos pressa em lançá-lo e sabíamos que uma negociação com alguma gravadora poderia levar meses entre cavar os contatos, enviar os promos, cobrar recebimento, etc. Conseguimos colocar o álbum em circulação em 3 meses de forma independente, contando estúdio, arte, prensagem, o que, sem dúvida, é uma conquista ímpar visto a dificuldade financeira que você tem ao fazer um trabalho independente. Como estávamos nos preparando há tempos para essa gravação foi relativamente fácil de concluí-la.

TGZ: E vocês pretendem que o “Lines of the Edge” seja relançado por algum selo? Comente.

Célio Jr. Agora de fato temos propostas para relançamento do álbum com algum bônus e com uma nova masterização.
Esse disco está abrindo muitas portas, mesmo não fazendo nem dois meses que o lançamos. Já temos até um selo interessado em fechar um acordo para o segundo debut, que inicaremos no final de 2007.

TGZ: A “insanidade” artística da capa fora concebida pelo grego Andonis Dragassias, artista que já trabalhou com bandas como Sepultura e Death. Como foi o contato e negociação realizados?

Célio Jr. Eu estava procurando na internet por artistas ao qual eu já tinha visto o trabalho. Cogitei com vários como Andreas Marshall, Michael Schindler, por exemplo, mas senti que a linha deles não iria fechar 100% com a temática que eu tinha na mente. Foi aí que encontrei Andonis e vi que sua forma de desenho era bem o que eu pensava quando bolei o conceito: uma espécie de arte que lembrasse uma colagem de várias gravuras, algo desconexo e surreal.
Entrei em contato e ele prontamente me respondeu, mostrando ser uma pessoa bastante flexível e fácil de conversar. Mandei minhas idéias do conceito e pronto, o trabalho estava pronto. Fiquei impressionado com a habilidade dele.

TGZ: A temática das faixas circunda um tema conceitual ou são vários temas retratados ao longo das músicas? E quem escreve e como se inspira para as letras das composições?

Célio Jr. Desde que começamos a compor, as letras foram saindo com uma cara parecida, mas falando de temas diferentes.
Um dia pensamos “que nome vamos dar a esse álbum?”. Lendo as letras, elas são diferentes umas das outras, mas ao mesmo tempo não deixam de tratar de um tema comum, que é o lado obscuro e inaceitável da mente humana.
Foi daí que surgiu o nome “Lines of the Edge” que significa a linha do limite, a fina linha que separa dois opostos.
O paradoxo entre o bem e o mal, o amor e o ódio, o prazer e a dor. Dois extremos, mas que estão tão próximos um do outro.

TGZ: Muitas bandas no primeiro álbum escrevem uma faixa com o próprio nome da banda. Vocês chegaram a cogitar esta idéia, por quê?

Célio Jr. Pensar a gente pensou, mas o que iríamos escrever? Além de ser clichê, iria ficar muito oposto à temática do restante das letras...

TGZ: A faixa “Xenophobia” é retratada certeiramente com críticas ácidas por vocês: “...Xenophobia – Blinding people and killing nations – arrogance and prepotency – make people stupid...”. Vocês acham que no Brasil existem grupos com tal aversão a outras raças e culturas que caracterizam a Xenofobia?

Célio Jr. Sempre tem.
No sul, são extremamente bairistas, mesmo não admitindo. No norte também não é muito diferente.
Isso existe em todo lugar, simplesmente porque faz parte da natureza e não é apenas da natureza humana.
Quando Darwin foi estudar o comportamento das aves endêmicas na Ilha de Galápagos, ele percebeu que um grupo de atobás matava os filhotes que nasciam diferentes dos demais, simplesmente por acharem que, por nascerem assim, poderiam comprometer toda a raça da ilha.
Isso é muito complexo, muito mesmo. E não é só no Brasil, existem países onde a Xenofobia é muito maior.
Ano passado, por exemplo, quando eu estava na Bolívia, eu vi que lá também existe preconceito entre a tribo dos índios Aymaras e dos Incaicos do norte. Pensei “se eles são todos índios, como podem se descriminar?”. Mas eu vi que apesar da fisionomia parecida, eles eram muito diferentes culturalmente.
Eu não falo apenas de raças...você já viu algo mais imbecil que torcidas se matarem por causa de futebol? (*N.E.: Verdade!)
São as guerras pelas diferenças, que sempre existirão, porque não pensamos todos da mesma maneira, não somos criados da mesma maneira e o ser humano não está evoluído para aceitar isso. Triste, mas é realidade.

TGZ: Quando será o show de lançamento do álbum? Informem-nos...

Célio Jr. Dia 9 de fevereiro em Blumenau/SC no Dona D Rock Bar e contará com as bandas dos amigos do Jailor, Arsenal e Shadow of Sadness. Estamos trabalhando muito para que seja uma noite inesquecível.

TGZ: Para quando vocês pretendem fazer uma turnê de divulgação do “Lines of the Edge”, por quais regiões almejam passar e quais as principais exigências para tocar?

Célio Jr. Temos datas já confirmadas na capital e interior de SP, capital e interior de MG, capital e interior do PR, uma data para o RS e algumas para o SC. Estamos em negociação para Assunção no Paraguai e 3 datas na Argentina, mas por enquanto é especulação.
Acredito que a primeira grande tour será na Alemanha, Áustria, Bélgica e Holanda, em 2 semanas e meia, que já estamos em negociação, mas não sabemos o melhor mês ainda, pois temos compromissos pessoais e conciliar a agenda de todo mundo não é tão simples. Produtores que estiverem lendo essa entrevista e se interessarem, entrem em contato, pois estamos pedindo apenas as despesas de transporte e uma pequena ajuda de custo. Como geralmente fazemos mais de um show em uma região, as despesas são divididas o que acaba se tornando barato aos produtores e lucrativo para nós. Esta é uma fórmula que vem dando certo, principalmente em locais de público pequeno, que não teriam condições de arcar com as despesas sozinhos.

TGZ: Ainda falando sobre shows, quais seriam as bandas nacionais às quais vocês gostariam de dividir o palco algum dia, e que não tiveram o prazer?

Célio Jr. Gostaria de tocar com uma banda que não existe mais, mas que sou um grande fã, que é o Taurus, do Rio. Para mim eles foram uma das melhores bandas nacionais dos anos 80, dividir o palco com eles e vê-los tocando músicas do “Signo de Taurus” seria uma honra. Mas infelizmente é um sonho que nunca poderá se concretizar.

TGZ: Sabendo-se das principais influências do Juggernaut, gostaríamos que vocês mesmo atribuíssem as qualidades de forma resumida das próprias: Kreator, Destruction, Sadus, Death.

Célio Jr. Muitos riffs, muita técnica e velocidade.

TGZ: Ok, até agora, como está a divulgação do álbum no Brasil e exterior?

Célio Jr. Estamos oficialmente trabalhando com uma assessoria de imprensa agora, coisa que não tínhamos no passado. Em menos de um mês vemos os resultados aparecendo. A divulgação está ficando cada dia mais forte no Brasil, principalmente com os contratos de distribuição que fechamos. No exterior ainda é modesta, com exceção da Argentina, onde alguns loucos nos escrevem com freqüência para falar da banda.

TGZ: Amigo Célio Jr & Juggernaut, valeu pela entrevista e desejamos um 2007 glorioso para os planos trilhados pela banda...Deixem-nos seus recados...

Célio Jr. Valeu grande César por ceder novamente espaço para nós. Desejamos também a você um excelente 2007, e vamos combinar aquela churrasqueada por aqui. (*N.E.: Valeu, assim que possível, sei que as carnes estarão bem temperadas!)
Não deixem de conferir nosso site e baixar as mp3 do novo disco em www.juggernaut.com.br Participem também do nosso fórum enviando críticas e sugestões para www.juggernaut.com.br/Forum
Nosso cd está sendo vendido a R$ 15,00 quem tiver interesse pode entrar em contato que sempre será bem vindo.
Um grande abraço e nos vemos na estrada!!!!

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