» ENTREVISTA: KORIZA «

Realizada por: Elimar Oliveira

Respondida por:
Murilo & Maurício

Koriza

Contatos:
C/o
Murilo Costa
Rua Carneiro da Rocha, 87
Ilhéus/BA -45.653-560

TGZ: Porque logo após gravar um material, a banda resolveu “parar”?

Murilo Costa -
Pois então, justamente quando finalizamos a gravação desse nosso primeiro cd-demo e iniciamos o processo de divulgação do mesmo tivemos essa baixa de dois integrantes na formação, encontrar um novo músico que estivesse compartilhando das nossas mesmas idéias talvez tenha sido o maior motivo para darmos um tempo, precisávamos de uma formação segura e estável e acho que agora conseguimos. Infelizmente a instabilidade de músicos, sobretudo na cena do Metal, ainda é um tipo problema que afeta uma grande parte das bandas nacionais.

TGZ: O Koriza hoje encontra-se mais madura em relação a época em que começaram? As influências agora são mais voltadas ao Death Metal, fale mais a respeito.

Murilo Costa -
Com certeza, esse período em que estivemos parados não nos foi totalmente negativo visto que as novas músicas já vinham sendo moldadas e o som em meio a isso, já estava caminhando cada vez mais para onde queríamos, a “áurea” Thrashcore da banda foi desenvolvendo-se de maneira natural para um “coquetel mais pesado” no qual o Death Metal sem dúvida se faz presente a essas influências. As referências básicas da banda de maneira geral são as clássicas bandas de Thrash Metal (Kreator, Slayer e Destruction por exemplo), Death Metal (Vader, Cannibal Corpse...). Isso para resumir o que procuramos fundir em nossa música, tentar fazer um caldeirão Thrash-Death dos infernos disso tudo aí.

TGZ: O Koriza participou da ThunderGod Compilation Vol. II com a faixa “Religion = Death”, o que estão achando desse material, gostaram? E as novas composições como estão?

Murilo Costa - Sem dúvida, achamos que o momento é de trabalhar na divulgação do nosso nome através de shows e mídia especializada. Poder estar incluso na Compilation Vol.II e ter o apoio de um Zine já respeitado no underground como se encontra o ThunderGod nos ajuda bastante. Com relação às novas composições, estamos confiantes na boa resposta que podem alcançar, tanto em estúdio quanto ao vivo. Além de estarem mais maduras, as novas músicas estão também mais trabalhadas, com mais peso e velocidade, as passagens mais Thrash e as intervenções Death estão bem visíveis, e o melhor é que está soando natural, sem forçar a barra.

TGZ: E a cena aí em Ilhéus, acontecem shows? O público prestigia? Há outras bandas de Metal, quais?

Murilo Costa - Aí é que o bicho pega, em Ilhéus especificamente temos pouquíssimas bandas de Metal e dessas que estão na ativa todas passam pelas mesmas dificuldades, falta de apoio, poucos shows, não conseguem gravar, o público não prestigia porque esse estilo musical não faz parte da própria cultura da cidade. Ultimamente o lance tem melhorado em cidades circunvizinhas, onde atualmente têm acontecido bons eventos, o público está crescendo, enfim, temos que continuar a tentar fazer por melhorar, em nosso caso, acreditamos que o fato de estarmos radicados em uma cidade sem praticamente nenhuma tradição no Metal nos desafia e ao mesmo tempo nos motiva a transpor todas as barreiras que por ventura nos possam ser impostas.

TGZ: Uma curiosidade, por que o nome Koriza?

Murilo Costa -
Por que Koriza?... bem, vamos responder essa através de mensagens subliminares... digamos que por coincidência, nos primeiros ensaios estávamos todos gripados rs... no mais, casou também de encontrarmos um significado para o nosso tipo de som, veloz, energético, nervoso... Acho que foi isso e, “quem entendeu, entendeu, quem não entendeu, não entendeu” rs...

TGZ: Pela letra da música “Religion = Death” percebe-se o descontentamento do Koriza em relação à religião em geral, qual a opinião direta de cada membro da banda acerca desse polêmico tema?

Murilo Costa -
Nós particularmente não somos adeptos de nenhuma religião e acreditamos que as pessoas em inúmeros casos extrapolam os limites da racionalidade e acabam perdendo o senso de compreensão por estarem “presas” a algum tipo de religião ou qualquer uma dessas zilhões de instituições. O problema está no conflito existente entre essas doutrinas, pessoas que chegam até a se matarem em nome de uma suposta verdade que está fora do alcance de todos nós. Dessa maneira, achamos que não vale a pena.
Maurício Fernando - E esse “não valer a pena” é que alimenta as letras do Koriza. Crer em Deus não está em questão, mas sim a forma como está imposta essa crença em Deus, criando dogmas que como foi dito levam os homens à loucura, à morte, à guerra, à insanidade, e o pior, usam esta fé do povo para promoções pessoais, gerar lucro e etc... Crer em Deus hoje em dia é dispendioso, hoje somente não, a história mostra bem isso, há anos, décadas, séculos, os homens são explorados, torturados, mortos em nome de Deus. A religião usada como artifício para se alcançar um “bem maior”, agora em nome de quem? Este é o problema, do povo nunca é!!!

TGZ: E as demais letras abordam esse mesmo tema (religião)?

Maurício Fernando - Das músicas da Demo (Defluxo), somente Religion=Death trata desse tema, duas outras (P.H.F.C. e Burn Inside) tratam do descontentamento que as pessoas passam com relação a si próprio, com essa ideologia dominante imposta pela sociedade, que nos fomenta e nos leva a um dia de fúria expressa de maneiras diferentes, através da agressão física, blasfemando Deus e suas instituições, e alimentando a raiva interna que nos queima e nos consome por ficarmos nos policiando constantemente para poder nos enquadrarmos na sociedade e não sermos tarjados como “loucos” ou excluídos sociais, e a outra (Defluxo) fala sobre uma amizade que está se deteriorando pelo uso excessivo de drogas.
As músicas novas estão no mesmo rumo de Religion=Death, como já foi dito na questão anterior, não seguimos nenhuma religião, nem mesmo o Satanismo, pois algumas pessoas podem achar isso, por nas letras conterem criticas a Deus, mas não somos, o que tentamos através das nossas músicas é criticar esta bitolação ao qual os homens se entregam, quebrar os dogmas impostos pelas instituições religiosas, no popular “cutucar a ferida”.

TGZ: Para vocês em uma composição a letra é tão importante quanto a música?

Murilo Costa -
Tudo tem que estar interligado, a parte instrumental para um tipo de letra ácida não poderia ser outro senão a música pesada, o instrumental é a trilha sonora da letra por isso é bom estar atento às duas partes. Para nós essas duas estruturas precisam caminhar juntas.


TGZ: Quando sai um novo material do Koriza?

Murilo Costa - O nosso planejamento inclui para o primeiro semestre de 2006 um novo registro. Estamos ansiosos para mostrar a nova cara da banda e temos consciência de que esse novo material será indispensável para darmos mais esse passo adiante. Nossa pretensão no momento é de lançar um mcd com poucas músicas, e buscar acima de tudo um bom nível de produção tanto musical quanto na parte gráfica também. Já estamos com uns bons contatos para todas as etapas deste trabalho. Antes disso, deveremos estar disponibilizando o nosso site e atualizaremos algumas informações com relação a esse lançamento.
TGZ: Valeu ... Foi muito foda saber que a cena baiana está bem representada aí em Ilhéus! Um grande abraço do ThunderGod Zine a vocês e aos bangers daí...!

Murilo Costa -
Gostaríamos de agradecer imensamente a vocês do Thundergod Zine, grande Cezar e grande Elimar, pela oportunidade da coletânea e desta entrevista, e queria avisar também que já voltamos a nos apresentar ao vivo, estamos prontos novamente e com o novo show em ponto de bala. Esperamos o mais breve possível poder ter a oportunidade de tocar para o público daí de Feira de Santana, será um grande prazer para nós!!!



 
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