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ENTREVISTA: NOSFERATU
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Por : Cezar
Augusto- |
- Respostas :
Hussein Salim (Guitarra)
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- Contatos
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(Introdução
originalmente por Hussein Salim)
Sou o Guitarrista Hussein
Salim da banda Nosferatu de Campinas-SP. Nós
tocamos Heavy Metal Tradicional com influências
em bandas dos anos 80 como Judas Priest, Black
Sabbath (70’s), Mercyful Fate, Heavy
Load, principalmente de bandas da N.W.O.B.H.M
(New Wave of British Heavy Metal) como Iron
Maiden, Tysondog, Satan, Avenger...
É uma honra conceder essa entrevista
para você Cezar e para o amigo Elimar.
Abaixo os leitores poderão conhecer
mais sobre a banda que está na luta
desde 1999.
Obrigado e boa leitura!
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TGZ:
Saudações irmão
Hussein, ergamos os punhos e iniciemos esta
entrevista com você contando a relação
do nome vampiresco Nosferatu para com o estilo
musical da banda, ok? |
Hussein:SSaudações
Cezar e aos leitores do ThunderGod Zine. O
nome veio através do filme Drácula
de Bran Stocker, pois no filme citava muito
o nome Nosferatu e era um filme que eu gostava
muito, ao contrário do que muitas pessoas
pensam, pois não temos nada a ver com
bandas góticas, na época queríamos
um nome que fosse apenas uma palavra para
ficar fácil para as pessoas lembrarem,
então foi aí que surgiu o nome.
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TGZ:
Ahhh...eu pesquisando pela internet, descobri
que existem bandas com o nome Nosferatu na
Colômbia, Suécia, Indonésia,
Rússia e Holanda. Vocês já
sabiam das existências dessas bandas,
e será que isso um dia pode atrapalhar
vocês? |
Hussein:
Olha, na época eu não sabia,
pesquisamos para saber se não tinha
outra banda com esse nome para não
termos problemas no futuro, mas não
havíamos achado nada. Após um
bom tempo com o nome, é que ficamos
sabendo da existência de outras bandas
com esse nome em alguns países.
Já passou a idéia de mudarmos
de nome, mas como já fizemos muitos
shows com esse e o pessoal já associa
o nome com a banda, atualmente isso fica complicado.
Até hoje não tivemos nenhum
problema com isso, as outras bandas também
são underground e acredito que também
não tinham conhecimento da existência
de outras bandas com o mesmo nome e se ficaram
sabendo, foi depois. Se um dia alguém
chiar he,he a gente tenta entrar num acordo.
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TGZ:
E o estilo calcado no Heavy Metal tradicional
com muita veia da NWOBHM remete a um saudosismo
emocionante e a partir disso não poderia
deixar de lhe pedir para citar alguns nomes
que inspiram sempre. |
Hussein:
Olha, eu particularmente ouço
muita coisa, desde rock'n'roll até
algo de black metal, sou um headbanger em
primeiro lugar ao contrário do que
muitas pessoas pensam que só porque
você toca um tipo de Metal, não
pode ouvir outros, um dia eu tava com uma
camisa do Sarcófago (INRI) e um cara
veio falar (pô mas você não
é heavy metal) puta cretinisse isso
hehe. Mas voltando a pergunta, as minhas preferências
são o thrash metal e principalmente
o Metal tradicional 80's. Vou citar bandas
consagradas, pois apesar de hoje ter conhecimento
de muitas outras bandas, as principais que
nos influenciaram no início foram Iron
Maiden (antigo), hoje em dia não ouço
a fase nova, mas foi a primeira banda que
eu comecei a escutar quando tinha uns 6 anos
através de um tio meu e um vizinho,
a partir dali fiquei retardado por Heavy Metal
hehehe. Black Sabbath, Judas Priest e Mercyful
Fate também são as principais
influências.
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TGZ:
A formação da Demo "Returning
To The Slaughter" contou com Andherson
Némer - Vocal, Hussein Salim - Guitarra,
Anderson Frias - Guitarra, Gustavo Lúcio
- Baixo, Diego Xavier – Bateria; destes
foi somente o baterista que saiu ou mais alguém?
E como está a busca para atualizar
a formação? |
Hussein:
Cara, a gente teve
muitos problemas com formação
até hoje, da que gravou a demo só
está eu e o baixista Gustavo. Quando
participamos da coletânea "Valhalla
demo section vol.2", o vocal já
tinha saído e no lugar dele entrado
o Rogério Mercy (que está atualmente)
e o baterista mudou para Henrique Matos que,
não era um baterista fixo, estava apenas
quebrando um galho até acharmos um
baterista fixo.
Hoje em dia já mudou de novo hehe,
arrumamos um baterista fixo chamado Vinícius
Kemp, e o outro guitarrista (Anderson Frias)
saiu e no lugar dele entrou Kléber
Padovan.
A formação hoje conta com Rogério
Mercy (Vocals), Hussein Salim (Lead Guitar/backing
vocals), Kléber Padovan (Lead Guitar),
Gustavo de Lúcio (Bass/backing vocals)
e Vinícius Kemp (Drums).
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TGZ:
Inclusive a demo citada foi lançada
em 2004, certo? Esses problemas de formação
devem ter afetado bastante para não
terem lançado já outro trabalho,
né? |
Hussein:
Afetaram muito, pra falar a verdade,
a demo foi gravada em 2003, mas só
conseguimos arrumar toda a grana pra lançá-la
um ano depois no fim de 2004.
A banda estava tendo muitos problemas, pois
alguns dos membros antigos estavam atrasando
o lado da banda, foi por isso que saíram,
não estavam se dedicando como deviam,
isso gerava muitas discussões internas.
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TGZ:
Hussein, a capa da Demo foi extraída
de algum desenho artístico ou foi alguém
que vocês conhecem que a fez mesmo?
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Hussein:
A capa foi feita pelo meu amigo
Fábio da banda Tempestilence, a gente
sempre quis fazer uma capa desenhada como
a maioria das bandas faziam, após procurarmos
várias pessoas para fazê-la eu
fiquei sabendo que ele desenhava, aí
ele fez o desenho.
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TGZ:
Os temas das músicas versam sobre
quais assuntos e quem as compõe? |

Hussein:
Como os primeiros
álbuns do Mercyful Fate são
uma influência nossa, tínhamos
a idéia de fazer letras com temáticas
de terror, mas conforme foram saindo as letras,
os temas também foram variando, por
exemplo:
“Night Walker” fala sobre uns
assassinatos que estão acontecendo
em um determinado local e tem uma pessoa sonâmbula
que não sabe se é ela que comete
os crimes enquanto está vagando por
aí.
“Execution” fala sobre um cara
que foi acusado injustamente e está
no corredor da morte esperando sua execução.
”Full moon night” fala sobre lobisomen.
Na época que lançamos a Demo,
algumas letras foram feitas em parceria minha
com o antigo vocal Andherson Némer.
Outras letras, eu fiz sozinho e “Metal
Genocide” (coletânea) foi feita
quase inteira por ele, eu só ajudei
em algumas partes.
Atualmente compomos uma música com
quase todos os integrantes da banda, ela ainda
não tem um título, mas fala
sobre brigas de gangue, influência do
filme "Warriors - Os selvagens da noite".
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TGZ:
Porraaaaaaaaaaa, eu adoro esse filme,
minha mente costuma se lembrar de “Warriors...”,
excelente saber dessa homenagem hehe, de quem
foi a idéia? |
Hussein:
hehehe, a gente associou a letra
um pouco com a gente e com o cotidiano da
maioria dos headbangers que, quando voltam
pra casa de madrugada, sempre trombam algum
“vacilão” na rua que quer
arrumar encrenca com a gente ou ficam tirando
sarro.
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TGZ:
Acontece mesmo, a sociedade é muito
preconceituosa, mas o pior mesmo é
quando o preconceito vem de dentro, tipo se
esbarrar com os “trues radicais extremos”,
chamados de “policiais da cena”
(como li num texto dum fanzine). Hein, já
rolou com vocês? |
Hussein:
Até
hoje não exatamente, acho que isso
rola mais mesmo quando envolve metal extremo,
principalmente black metal, o que aconteceu
comigo foi o lance da camiseta do Sarcófago
que o cara veio com interrogatórios
porque falou que se eu era heavy, porque que
eu estava usando camisa do Sarcófago,
aí eu já falei com o cara que
eu não curtia só heavy e tal,
no fim das fiquei trocando idéia com
o cara numa boa.
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TGZ:
Hussein Salim é o seu nome original,
como já conversamos outras vezes e
você disse que já rolou uns fatos
curiosos contigo, não foi? Fala aí
sobre esse “terrorismo”, será
que a sua feiúra foi confundida com
a de Sadam Hussein? Brincadeira, hehehe... |
Hussein:
Acho
que sou mais feio, hehe, um fato engraçado
que aconteceu:
Foi uma vez que eu tava no centro com a minha
mãe e a gente tava com fome, aí
eu tava com uma camiseta com um desenho metade
Bin Laden, metade demônio, e isso foi
mais ou menos no mesmo mês dos atentados
de 11 de setembro, aí resolvemos passar
no macdonalds pra comer algo porque não
ia ter rango em casa (macdonalds é
caro pra caralho hehe); inclusive tinham explodido
um macdonalds não lembro onde por causa
de atentados, então todo mundo tava
com medo, aí minha mãe fala
não sei o quê pra mim e fala
meu nome Hussein, você precisava ver
a cena cara, até os faxineiros pararam
de fazer o que estavam fazendo pra olhar pra
mim assustados, todo mundo que tava comendo
ficou com o cú na mão hehehe
e ainda com aquela camisa hehehe
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TGZ:
hehehe que viagem...Aproveitando pra falar
acerca do terrorismo, qual a sua opinião
sobre este assunto, visto que o terrorismo
que o U.S.A. prega contra os países
do Oriente Médio é visto de
forma contrária por estes, que acusam
os U.S.A. de serem os verdadeiros terroristas
da humanidade, enfim... |
Hussein:
Isso é uma coisa muito
complicada "os meus parentes terroristas"
hehehe sofrem uma lavagem cerebral com aquele
monte de merdas que são colocadas em
suas cabeças, como por exemplo, os
homens bomba, mas o governo dos USA é
pior.
Eles têm todo o monopólio das
mídias e querem passar a imagem de
heróis, usam os filmes pra passarem
a sua imagem "subliminar". Querem
ser os donos do mundo.
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TGZ:
Todo filme tem bandeirinha ou algo dos USA
mesmo, é foda... |
Hussein:
...Mas
pega “Independence Day”, por exemplo,
os aliens atacam o mundo inteiro, vários
exércitos de vários países
tentam destruí-los etc, mas são
os americanos que vencem, a imagem deles de
superpoderosos se abalou quando todo mundo
viu que o próprio pentágono
deles era vulnerável... |
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TGZ:
...Pois é, todo grande império
já caiu e o povo nos USA anda assustado
por saber disso. Mas nos diga: Como anda a
cena underground campineira, quais bandas
e zines, você enfatizaria? |
Hussein:
Aqui temos boas bandas de várias
vertentes, Mortage (Death/thrash), Hellish
War (Power Metal), Allzheimer (Death Metal),
Tempestilence (Death/Black), zine daqui eu
conheço apenas o Mosh zine.
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TGZ:
Sobrevoando ainda em SP, você conhece
a cena metálica da capital paulista
a ponto de nos dizer se lá rola muita
“panelinha” de bandas, como já
ouvimos boatos? Qual sua opinião sobre
isso? |
Hussein:
Isso eu não sei te dizer,
porque moro um pouco longe da capital, então
não freqüento a cena de lá,
já fui pra lá ver bandas, mas
quando é em show de bandas grandes,
tipo quando vem alguma banda de fora tocar
no Brasil porque as bandas vão sempre
tocar na capital em suas turnês. Já
ouvi umas histórias sobre isso, tipo
lance de bairrismo, mas não sei te
dizer porque não freqüento a cena
da capital.
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TGZ:
Certo. Para quando, podemos esperar pelo novo
trabalho do Nosferatu? Virá em que
formato? |
Hussein:
O próximo trabalho da banda
será o relançamento da Demo
"Returning to the Slaughter" em
vinil em edição limitada (500
cópias) que virá com a música
“Metal Genocide” de bônus.
Já estamos com muitas músicas
novas, algumas prontas e algumas em fase de
produção, pretendemos que o
próximo trabalho (após o vinil)
seja um cd prensado oficial ao invés
de mais uma Demo, pretendemos lançar
o Debut até o final de 2007 ou começo
de 2008.
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TGZ:
Valeu grande Hussein, “comedor de cadáver”
(alguma história pra esse nick?), desejamos
forças e que a banda fique logo estabilizada
e a todo o vapor para sua caminhada metálica
pelos trilhos do grandioso heavy tradicional
(por falar no estilo, tava assistindo o velho
clip “The Number of the Beast”
agorinha hehe), abraços e até
!!! |
Hussein:
“Comedor de cadáver”
é o nome de uma música de um
projeto meu e do outro guitarrista da banda
chamado Esbórnia (thrash metal em português),
essa letra fala de uma história verídica
que acontece, fala de um cara que come cadáver,
quem me contou a história foi um cara
que fez isso, um ex-porteiro que trabalhava
no condomínio onde eu moro que trampava
de limpar cadáver e lá os caras
mandavam ver nos cadáveres e ele sempre
dizia que não iria fazer aquilo, aí
teve um dia que ele não resistiu porque
chegou o cadáver de uma mina gostosa
e ele seguiu o instinto hehehe.
Obrigado pela força e que o zine continue
assim apoiando o trabalho principalmente das
bandas nacionais. O clipe da “The number...”
é engraçado, aquele casal dançando
com o 666 nas costas hehehe. Um Abraço!
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