» ENTREVISTA: NOSFERATU «

- Por : Cezar Augusto-
- Respostas : Hussein Salim (Guitarra) -
- Contatos :-

A/c Hussein Salim
Rua Paulo Vianna de Souza, 1316 - Vila União
Campinas/SP - Cep: 13060 -726
http://www.nosferatumetal.cjb.net - nosferatublood@bol.com.br - husseinevildead@hotmail.com

 

(Introdução originalmente por Hussein Salim)

S
ou o Guitarrista Hussein Salim da banda Nosferatu de Campinas-SP. Nós tocamos Heavy Metal Tradicional com influências em bandas dos anos 80 como Judas Priest, Black Sabbath (70’s), Mercyful Fate, Heavy Load, principalmente de bandas da N.W.O.B.H.M (New Wave of British Heavy Metal) como Iron Maiden, Tysondog, Satan, Avenger...
É uma honra conceder essa entrevista para você Cezar e para o amigo Elimar.
Abaixo os leitores poderão conhecer mais sobre a banda que está na luta desde 1999.
Obrigado e boa leitura!

TGZ: Saudações irmão Hussein, ergamos os punhos e iniciemos esta entrevista com você contando a relação do nome vampiresco Nosferatu para com o estilo musical da banda, ok?

Hussein:
SSaudações Cezar e aos leitores do ThunderGod Zine. O nome veio através do filme Drácula de Bran Stocker, pois no filme citava muito o nome Nosferatu e era um filme que eu gostava muito, ao contrário do que muitas pessoas pensam, pois não temos nada a ver com bandas góticas, na época queríamos um nome que fosse apenas uma palavra para ficar fácil para as pessoas lembrarem, então foi aí que surgiu o nome.

TGZ: Ahhh...eu pesquisando pela internet, descobri que existem bandas com o nome Nosferatu na Colômbia, Suécia, Indonésia, Rússia e Holanda. Vocês já sabiam das existências dessas bandas, e será que isso um dia pode atrapalhar vocês?

Hussein:
Olha, na época eu não sabia, pesquisamos para saber se não tinha outra banda com esse nome para não termos problemas no futuro, mas não havíamos achado nada. Após um bom tempo com o nome, é que ficamos sabendo da existência de outras bandas com esse nome em alguns países.
Já passou a idéia de mudarmos de nome, mas como já fizemos muitos shows com esse e o pessoal já associa o nome com a banda, atualmente isso fica complicado.
Até hoje não tivemos nenhum problema com isso, as outras bandas também são underground e acredito que também não tinham conhecimento da existência de outras bandas com o mesmo nome e se ficaram sabendo, foi depois. Se um dia alguém chiar he,he a gente tenta entrar num acordo.

TGZ: E o estilo calcado no Heavy Metal tradicional com muita veia da NWOBHM remete a um saudosismo emocionante e a partir disso não poderia deixar de lhe pedir para citar alguns nomes que inspiram sempre.

Hussein:
Olha, eu particularmente ouço muita coisa, desde rock'n'roll até algo de black metal, sou um headbanger em primeiro lugar ao contrário do que muitas pessoas pensam que só porque você toca um tipo de Metal, não pode ouvir outros, um dia eu tava com uma camisa do Sarcófago (INRI) e um cara veio falar (pô mas você não é heavy metal) puta cretinisse isso hehe. Mas voltando a pergunta, as minhas preferências são o thrash metal e principalmente o Metal tradicional 80's. Vou citar bandas consagradas, pois apesar de hoje ter conhecimento de muitas outras bandas, as principais que nos influenciaram no início foram Iron Maiden (antigo), hoje em dia não ouço a fase nova, mas foi a primeira banda que eu comecei a escutar quando tinha uns 6 anos através de um tio meu e um vizinho, a partir dali fiquei retardado por Heavy Metal hehehe. Black Sabbath, Judas Priest e Mercyful Fate também são as principais influências.

TGZ: A formação da Demo "Returning To The Slaughter" contou com Andherson Némer - Vocal, Hussein Salim - Guitarra, Anderson Frias - Guitarra, Gustavo Lúcio - Baixo, Diego Xavier – Bateria; destes foi somente o baterista que saiu ou mais alguém? E como está a busca para atualizar a formação?

Hussein:
Cara, a gente teve muitos problemas com formação até hoje, da que gravou a demo só está eu e o baixista Gustavo. Quando participamos da coletânea "Valhalla demo section vol.2", o vocal já tinha saído e no lugar dele entrado o Rogério Mercy (que está atualmente) e o baterista mudou para Henrique Matos que, não era um baterista fixo, estava apenas quebrando um galho até acharmos um baterista fixo.
Hoje em dia já mudou de novo hehe, arrumamos um baterista fixo chamado Vinícius Kemp, e o outro guitarrista (Anderson Frias) saiu e no lugar dele entrou Kléber Padovan.
A formação hoje conta com Rogério Mercy (Vocals), Hussein Salim (Lead Guitar/backing vocals), Kléber Padovan (Lead Guitar), Gustavo de Lúcio (Bass/backing vocals) e Vinícius Kemp (Drums).

TGZ: Inclusive a demo citada foi lançada em 2004, certo? Esses problemas de formação devem ter afetado bastante para não terem lançado já outro trabalho, né?

Hussein:
Afetaram muito, pra falar a verdade, a demo foi gravada em 2003, mas só conseguimos arrumar toda a grana pra lançá-la um ano depois no fim de 2004.
A banda estava tendo muitos problemas, pois alguns dos membros antigos estavam atrasando o lado da banda, foi por isso que saíram, não estavam se dedicando como deviam, isso gerava muitas discussões internas.

TGZ: Hussein, a capa da Demo foi extraída de algum desenho artístico ou foi alguém que vocês conhecem que a fez mesmo?

Hussein: A capa foi feita pelo meu amigo Fábio da banda Tempestilence, a gente sempre quis fazer uma capa desenhada como a maioria das bandas faziam, após procurarmos várias pessoas para fazê-la eu fiquei sabendo que ele desenhava, aí ele fez o desenho.

TGZ: Os temas das músicas versam sobre quais assuntos e quem as compõe?

Hussein:
Como os primeiros álbuns do Mercyful Fate são uma influência nossa, tínhamos a idéia de fazer letras com temáticas de terror, mas conforme foram saindo as letras, os temas também foram variando, por exemplo:
“Night Walker” fala sobre uns assassinatos que estão acontecendo em um determinado local e tem uma pessoa sonâmbula que não sabe se é ela que comete os crimes enquanto está vagando por aí.
“Execution” fala sobre um cara que foi acusado injustamente e está no corredor da morte esperando sua execução.
”Full moon night” fala sobre lobisomen.
Na época que lançamos a Demo, algumas letras foram feitas em parceria minha com o antigo vocal Andherson Némer. Outras letras, eu fiz sozinho e “Metal Genocide” (coletânea) foi feita quase inteira por ele, eu só ajudei em algumas partes.
Atualmente compomos uma música com quase todos os integrantes da banda, ela ainda não tem um título, mas fala sobre brigas de gangue, influência do filme "Warriors - Os selvagens da noite".

TGZ: Porraaaaaaaaaaa, eu adoro esse filme, minha mente costuma se lembrar de “Warriors...”, excelente saber dessa homenagem hehe, de quem foi a idéia?

Hussein:
hehehe, a gente associou a letra um pouco com a gente e com o cotidiano da maioria dos headbangers que, quando voltam pra casa de madrugada, sempre trombam algum “vacilão” na rua que quer arrumar encrenca com a gente ou ficam tirando sarro.

TGZ: Acontece mesmo, a sociedade é muito preconceituosa, mas o pior mesmo é quando o preconceito vem de dentro, tipo se esbarrar com os “trues radicais extremos”, chamados de “policiais da cena” (como li num texto dum fanzine). Hein, já rolou com vocês?

Hussein:
Até hoje não exatamente, acho que isso rola mais mesmo quando envolve metal extremo, principalmente black metal, o que aconteceu comigo foi o lance da camiseta do Sarcófago que o cara veio com interrogatórios porque falou que se eu era heavy, porque que eu estava usando camisa do Sarcófago, aí eu já falei com o cara que eu não curtia só heavy e tal, no fim das fiquei trocando idéia com o cara numa boa.

TGZ: Hussein Salim é o seu nome original, como já conversamos outras vezes e você disse que já rolou uns fatos curiosos contigo, não foi? Fala aí sobre esse “terrorismo”, será que a sua feiúra foi confundida com a de Sadam Hussein? Brincadeira, hehehe...

Hussein:
Acho que sou mais feio, hehe, um fato engraçado que aconteceu:
Foi uma vez que eu tava no centro com a minha mãe e a gente tava com fome, aí eu tava com uma camiseta com um desenho metade Bin Laden, metade demônio, e isso foi mais ou menos no mesmo mês dos atentados de 11 de setembro, aí resolvemos passar no macdonalds pra comer algo porque não ia ter rango em casa (macdonalds é caro pra caralho hehe); inclusive tinham explodido um macdonalds não lembro onde por causa de atentados, então todo mundo tava com medo, aí minha mãe fala não sei o quê pra mim e fala meu nome Hussein, você precisava ver a cena cara, até os faxineiros pararam de fazer o que estavam fazendo pra olhar pra mim assustados, todo mundo que tava comendo ficou com o cú na mão hehehe e ainda com aquela camisa hehehe

TGZ: hehehe que viagem...Aproveitando pra falar acerca do terrorismo, qual a sua opinião sobre este assunto, visto que o terrorismo que o U.S.A. prega contra os países do Oriente Médio é visto de forma contrária por estes, que acusam os U.S.A. de serem os verdadeiros terroristas da humanidade, enfim...

Hussein:
Isso é uma coisa muito complicada "os meus parentes terroristas" hehehe sofrem uma lavagem cerebral com aquele monte de merdas que são colocadas em suas cabeças, como por exemplo, os homens bomba, mas o governo dos USA é pior.
Eles têm todo o monopólio das mídias e querem passar a imagem de heróis, usam os filmes pra passarem a sua imagem "subliminar". Querem ser os donos do mundo.

TGZ: Todo filme tem bandeirinha ou algo dos USA mesmo, é foda...

Hussein:
...Mas pega “Independence Day”, por exemplo, os aliens atacam o mundo inteiro, vários exércitos de vários países tentam destruí-los etc, mas são os americanos que vencem, a imagem deles de superpoderosos se abalou quando todo mundo viu que o próprio pentágono deles era vulnerável...
TGZ: ...Pois é, todo grande império já caiu e o povo nos USA anda assustado por saber disso. Mas nos diga: Como anda a cena underground campineira, quais bandas e zines, você enfatizaria?

Hussein: Aqui temos boas bandas de várias vertentes, Mortage (Death/thrash), Hellish War (Power Metal), Allzheimer (Death Metal), Tempestilence (Death/Black), zine daqui eu conheço apenas o Mosh zine.

TGZ: Sobrevoando ainda em SP, você conhece a cena metálica da capital paulista a ponto de nos dizer se lá rola muita “panelinha” de bandas, como já ouvimos boatos? Qual sua opinião sobre isso?

Hussein: Isso eu não sei te dizer, porque moro um pouco longe da capital, então não freqüento a cena de lá, já fui pra lá ver bandas, mas quando é em show de bandas grandes, tipo quando vem alguma banda de fora tocar no Brasil porque as bandas vão sempre tocar na capital em suas turnês. Já ouvi umas histórias sobre isso, tipo lance de bairrismo, mas não sei te dizer porque não freqüento a cena da capital.

TGZ: Certo. Para quando, podemos esperar pelo novo trabalho do Nosferatu? Virá em que formato?

Hussein: O próximo trabalho da banda será o relançamento da Demo "Returning to the Slaughter" em vinil em edição limitada (500 cópias) que virá com a música “Metal Genocide” de bônus. Já estamos com muitas músicas novas, algumas prontas e algumas em fase de produção, pretendemos que o próximo trabalho (após o vinil) seja um cd prensado oficial ao invés de mais uma Demo, pretendemos lançar o Debut até o final de 2007 ou começo de 2008.

TGZ: Valeu grande Hussein, “comedor de cadáver” (alguma história pra esse nick?), desejamos forças e que a banda fique logo estabilizada e a todo o vapor para sua caminhada metálica pelos trilhos do grandioso heavy tradicional (por falar no estilo, tava assistindo o velho clip “The Number of the Beast” agorinha hehe), abraços e até !!!

Hussein: “Comedor de cadáver” é o nome de uma música de um projeto meu e do outro guitarrista da banda chamado Esbórnia (thrash metal em português), essa letra fala de uma história verídica que acontece, fala de um cara que come cadáver, quem me contou a história foi um cara que fez isso, um ex-porteiro que trabalhava no condomínio onde eu moro que trampava de limpar cadáver e lá os caras mandavam ver nos cadáveres e ele sempre dizia que não iria fazer aquilo, aí teve um dia que ele não resistiu porque chegou o cadáver de uma mina gostosa e ele seguiu o instinto hehehe.
Obrigado pela força e que o zine continue assim apoiando o trabalho principalmente das bandas nacionais. O clipe da “The number...” é engraçado, aquele casal dançando com o 666 nas costas hehehe. Um Abraço!

 
 
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