» ENTREVISTA: PESTIS «

\. THUNDERGOD ZINE ./

Realizada por:
Cezar Augusto
Respondida por:
Übermensch, Abaddon Geburah e Blasphemic Slaughter

PESTIS

Contatos:

A/c Abaddon Geburah
Av. Amaralina, 1.222, Sobradinho
Feira de Santana/BA, 44.022-160
@ : pestishorde@hotmail.com
Site : http://pestis.ubbihp.com.br


Ruína, praga, destruição, estas são as definições da palavra, em latim, Pestis, a qual surgiu em 2001, voltando-se para os lúgubres e gélidos caminhos do Black Metal por onde sopram influências de grupos, como por exemplo, as hordas da Les Legions Noires, que formam a primeira geração de Black Metal francês, dentre outras.
Acompanhe as palavras
esclarecedoras da tríade, Abaddon Geburah, Blasphemic Slaughter e Übermensch, com este a responder a maioria dos tópicos na tangência de abordagem abraçada pela banda, tanto musicalmente, como tematicamente no que tecem acerca do caos humano absoluto a fim de uma aurora dourada e a reminiscência de seres espiritualmente superiores à arruinada raça humana. Leia tudo...

TGZ: Saudações! A idéia de formar uma banda de Black Metal é antiga? Além do nome Pestis, surgiram outros? Quais?

Übermensch: Grande saudação em nome do alvorecer perpétuo proveniente do caos absoluto. A idéia de criar a horda veio em 2001, porém a essência e a disposição para criar uma horda foram anteriores a esta data, visto que carregamos o estigma negro em nós por longos anos. Houve sim outros nomes, incluindo Inverted Christ e Assembled in Blasphemy. Nome estes que foram substituídos por não serem totalmente coniventes com os ideais nobres da horda.

TGZ: Esclareça-nos a relação do nome Pestis para com os conceitos líricos e transmissões da horda.

Übermensch: Pestis em língua latina significa ruína, praga, caos. Nós abordamos principalmente o caos humano absoluto para que tenhamos uma aurora dourada e a reminiscência de seres espiritualmente superiores à arruinada raça humana. Cremos, portanto, que o nome da horda em tudo se relaciona com a nossa nobre proposta!


TGZ: Dentro de seu contexto, considera que foi árdua a busca para agregar os integrantes à mesma? Apresente-os.

Übermensch: Acredito que nada é penoso quando se tem vontade de potência. Os integrantes atuais ou futuros membros são agregados à horda por possuírem acima de tudo ideais nobres e postura. Os que não possuem similaridade são expulsos! Vontade acima de tudo! Os atuais membros são: Übermensch, Abaddon Geburah, Blasphemic Slaughter e talvez futuramente Vurmun.

TGZ: Comente se a carência de um baixista anda afetando o trabalho, visto que, ainda assim, vocês já fizeram shows.

Übermensch: Eu como não entendo patavina de composições ou gravações, acredito que não faz tanta falta. Mas andam a dizer que a sonoridade musical da horda está precisando dos graves. Para isso já tomamos providências e em breve estaremos com um baixista!


TGZ: Quais os sopros gélidos de bandas que a Pestis sente e se inspira para a concepção de seu Black Metal?

Abaddon Geburah: Les Legions Noires, que formam a primeira geração de Black Metal francês e hordas que iniciaram o movimento negro, tanto no Brasil como no resto do mundo.
Übermesch: O que criamos musicalmente tem sua fundação em hordas que transmitem o mesmo sentimento gélido e lúgubre, como por exemplo, as hordas da Les Legions Noires.

TGZ: Após quanto tempo de formação, vocês entraram em estúdio para a gravação do 1° registro demonstrativo, e como foi essa 1ª experiência com gravação?

Abaddon Geburah: As gravações para a nossa primeira demonstração se concretizaram em novembro de 2005, após quatro anos de formação da horda. A experiência adquirida tem sido em relação de como aprimorar nossos hinos e também de como masterizar ao nosso gosto o trabalho que criamos.

TGZ: E as críticas até então têm sido satisfatórias?

Übermensch: Desde nossa primeira apresentação ao vivo, que foi quando nosso trabalho foi desvelado ao um público maior, que estamos recebendo boas respostas em relação aos nossos hinos. Alguns, no entanto, puramente por invídia nos criticam sem base ou fundamento, apenas por não serem espiritual ou sabiamente evoluídos e por não entenderem a nossa evolução a respeito desses dois aspectos.

TGZ: Os membros da Pestis usam corpse paint e se personificam através de pseudônimos. Desmistifique os significados e funções destes que compartilham dessa ambiência funesta.

Übermensch: O significado por trás desta palavra é proveniente da filosofia de Nietzsche, que através de seus livros, principalmente “Assim Falou Zaratustra”, abordou o homem de vontade ou de desejo como um ser superior. Para mim o termo tem o mesmo significado e justamente por isso eu o uso como pseudônimo. Considero-me, portanto, um ser de vanguarda que está à frente da sociedade atual. Considero-me espiritual e intelectualmente evoluído, mesmo que essa evolução seja continua e que ainda seja a evolução de um neófito.
Abaddon Geburah: Abaddon é um vocábulo Hebraico referente ao apollyon do grego, que se significa o causador da destruição. Geburah, como sabem os conhecedores da Cabala, é um Sephiroth, que simboliza força e o deus Marte (a guerra). Unindo-os, então, forma-se um ser que utiliza sabiamente a força causando o caos e a desgraça.
Blasphemic Slaughter: Reflexo de toda a insanidade de um ser que está entre a blasfêmia contra as religiões de lacaios e a carnificina desta raça de falsos adoradores.
TGZ: Há três temas de conhecimentos que gostaríamos que opinasse, traçando pontos divergentes e/ou comuns entre eles. Eis:

1 – Niilismo
Übermensch: Niilismo é a negação ou a inversão de valores que estão perdidos. A humanidade atual está totalmente corrompida e os valores supremos que o ser humano poderia carregar estão desaparecendo. No âmbito político tem-se ideais totalitários, que cada vez mais tendem a afastar a sociedade da vontade de escolha e de decisão, e que aparecem como doutrinas de salvação que se propõe a libertar a sociedade de sua condição imperfeita, porém tudo isso leva ao cidadão o modo de aceitação mútua e não como modo de reflexão, assemelhando-se assim a religiões lacaias. No campo econômico tem-se uma política totalmente materialista e com valores invertidos, que visa apenas meios de alcançar o enriquecimento excessivo e que põe o ser humano a serviço da economia, quando essa economia deveria ser colocada a serviço do ser humano. Quanto a ciência e a tecnologia, ambas se tornaram como as religiões materialistas que só acreditam no que enxergam, ambas estão fora de sua razão e até clonagem já tiveram a astúcia de criar. Ou seja, toda a moral na terra está em decadência, todos os âmbitos de relação terrena estão decadentes e por isso somos Niilistas e buscamos espiritual e misticamente mudanças nesses planos citados para que uma nova era de seres no molde do Übermensch preencham o vazio deixado e que sejam patronos de uma nora era de justiça e glória.
2 – Paganismo
Übermensch: Para simplesmente traçar um ponto em comum entre o Niilismo mencionado acima e o Paganismo, do qual não devo aqui comentar ou revelar meus pensamentos sobre eu diria que o modo pagão de vida seria o ideal para a sociedade corrompida que citei acima. Deste modo, estaríamos vivendo em harmonia com o natural, com o deus e com todas as suas manifestações. Finalmente, a raça humana chegaria ou voltaria a ser tão evoluída quanto a Lêmure ou a raça Atlântida, essas que foram as raças anteriores à nossa raça ária. Lembrando que os povos ou civilizações que viveram muito antes de nós pareciam ser muito mais evoluídos que nós, tanto espiritual como intelectualmente. Basta ver seus legados...
3 – Satanismo
Übermensch: A Magia, o Ocultismo, o Misticismo ou qualquer outro nome que queiramos usar para atribuir o lado espiritual divino tende a um equilíbrio perfeito. Satanismo, no entanto, é o outro lado da Magia. É como nadar contra a correnteza de um grande rio. Nada mais há de ser dito!

TGZ: Tangendo ao atual cenário baiano, diga-nos o que acha da parte mais polêmica, tal qual envolve algumas rixas que resultam em confusões e brigas... Diga também se você vê muitos motivos para isto?

Übermensch: Veja bem, este é um assunto que me irrita bastante quando é evocado em lugares onde estou presente. Porém, vou aqui expressar minha opinião sobre este cenário baiano.
Atualmente o que causa mais status no cenário metálico é ser extremo e escutar música extrema. Para algumas pessoas, no entanto, ser extremo é louvar ao diabo, a satanás ou qualquer outra coisa que agrida o cristianismo; é ter o visual o mais carregado possível; ter músculos definidos; ter respeito através de brigas e afins. Por um outro lado, o lado mental, o lado ideológico, o lado espiritual é deixado de lado ou as vezes taxado como fazendo parte de um segundo plano. Hoje todos querem ser superiores uns aos outros, não há a irmandade definida como outrora havia. E esses com a vontade de serem superiores saem por aí agredindo fisicamente, alarmando seus ideais para porcos e afins. Porém o verdadeiro ser superior, o verdadeiro Übermensch se mantêm calado em seu reduto, pois para ele o tolo impreca e o sábio permanece intocável. Sábios são aqueles que sabem o que estou dizendo ou que conhecem a si mesmo profundamente, assim como estava em Delfos: “Homem, conhece a ti mesmo”! Os outros: os tolos que andam a se enaltecer, a barbárie, os embrutecidos, os que estão fora do entendimento triangular, os seres comandados por seu próprio instinto ou ego são os seres mais hipócritas ou fadados a se desintegrar, os que fazem com que o Metal Negro extremo baiano seja mal visto e um dos mais falsos. É isso, os que se encaixam neste meu breve comentário que desapareçam daqui!

TGZ: Recentemente, vocês lançaram o site da banda na web. Qual a importância dada à divulgação na internet, e o quê achas das hordas que se excluem dessa forma de divulgação?

Übermensch: O sítio é bem simples, assim como foi a nossa idéia de criá-lo. Não esperamos nada ou tudo do nosso pequeno artefato que está na rede virtual, fizemos apenas porque sentimos a vontade de fazer.
Uma das leis que encerram qualquer verdade ou discussão é a Lei do Livro Arbítrio. Pois, cada horda tem seu arbítrio de querer ou não ter informações na rede virtual. Para mim é simples assim...


TGZ: Se você pudesse viajar uma única vez no tempo, qual o período histórico que você almejaria desfrutar? Por quê?

Übermensch: Século XIX na Europa seria de grande valor para minha pessoa, pois foi durante esse período que os grandes ocultistas do ocidente desvelaram as artes ocultas para o nosso hemisfério. Por esse motivo gostaria de estar lado a lado com estes grandes mestres do nosso tempo e talvez ter deixado também um importante legado para esta geração moderna e materialista.

TGZ: A Pestis planeja lançar seu 2° trabalho para quando? Tem alguma coisa a adiantar sobre a próxima praga?

Abaddon Geburah: Por hora não temos previsão para o lançamento de um novo trabalho, mas estamos preparando novos hinos para se juntarem aos que já existem. Contudo houve o convite para participarmos de um tributo ao Amen Corner, do qual faremos parte com a música “Crowley, Master of Masters”. Esse tributo tem previsão de lançamento para o final deste ano ou o início de 2007.

TGZ: Logo, agradeço-lhes pelas respostas e participação no ThunderGod Zine. Assinem as últimas linhas desta...

Übermensch: Gostaria sinceramente de agradecer ao meu amigo Cezar e ao Elimar pela oportunidade de estar nas páginas de seu artefato e poder gastar horas respondendo esta bela e esclarecedora entrevista.
É por caminhos tortuosos que se chega ao triunfo. Quando lâminas flamejantes erradicarem o reino terreno para sempre, será a era para um novo indivíduo preencher o vazio, do molde do Übermensch, para destruir a luz infectada e vangloriar uma força original e um novo Aeon de sabedoria e justiça. Se quereres paz, prepara-te para a guerra.


 
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