» ENTREVISTA: PETTALOM «

\. THUNDERGOD ZINE ./

Realizada por:
Cezar Augusto
Respondida por:
Marcos Riva

PETTALOM

Por intermédio dessa entrevista com Marcos Riva (vocal), você, leitor, saberá o porquê de a paulista Pettalom ter dado uma sumida na cena, após despontar como grande revelação do Metal nacional através do seu Debut Album "The Wine of the Night", e também se informará acerca da nova formação da banda e planos para o lançamento do 2° artefato de título "Ancient Sacraments", além de outros temas inter relacionados, os quais foram regados a mais vinho na ambiência noturna da visita virtual aos aposentos do morcego Riva, que de imediato se prontificou a explanar as questões...

TGZ: Salve irmão Marcos Riva. A Pettalom cravou seu nome no cenário nacional, após lançar seu Debut Álbum imerso no vinho da noite. No entanto, já faz um bom tempo que isto aconteceu, por que a banda deu uma sumida, chegando a quase acabar?

Marcos Riva: Enfrentamos de uma só vez a maior parte dos problemas que uma banda mais cedo ou mais tarde tem que se de parar: troca de integrantes por diferenças de objetivos, falta total de apoio financeiro, problemas de organização dos trabalhos com a gravadora, devido à dependência financeira com a mesma (problemas estes agora já bem amenizados por parte deles), morte trágica de um dos integrantes na época (Bruno Selmer, ex-Silent Cry), e inúmeros problemas pessoais e inter pessoais entre os integrantes que culminaram em algumas situações bastante traumáticas na época.
Tudo isso acarretou um longo período de exílio musical e afastamento da cena, esfriando o que havíamos conquistado com a excelente repercussão do “The Wine of the Night” e nos impulsionando a uma lenta recuperação das forças e da formação da banda.

TGZ: Tendo ocorrido as mudanças na formação da Pettalom, como se encontra o atual line-up? Seria coincidência ou destino o nome da atual vocalista ser igual ao da anterior; Kátia?

Marcos Riva:
A formação atual contém apenas três integrantes do time que gravou o the wine...que são eu , o Alan de Augustinis(guitarra e principal compositor) e o Fernando de Almeida(guitarra solo). Os novos componentes são Eduardo Cecconello(baixo), Márcio Cafundó(excelente baterista) e a nova promessa da banda Kátia Baroni(vocal feminino), que tem o árduo fardo de substituir o vocal da Kátia Santana, mas tem qualidade de sobra para isso.Creio que esse sortilégio da repetição do nome Kátia deve render grandes resultados e não deve ter sido gratuito.

TGZ: Vocês estão muito prestes a lançar a nova celebração em forma de álbum, diga-nos por qual selo sairá e a razão para a escolha deste.

Marcos Riva: O novo álbum deve sair mesmo pela Demise records e deve ser a nossa despedida do selo, pois, devido principalmente à crise do mercado fonográfico com o advento da pirataria e do Mp3 os investimentos em produção e gravação de álbuns estão ficando cada vez menores e mais escassos. È uma situação muito grave para as bandas, principalmente as que estão chegando agora.

TGZ: O título “Ancient Sacraments” é traçado aos nomes das faixas para a concepção de uma atmosfera ritualística a se imaginar como?

Marcos Riva:
“Ancient Sacraments” pretende induzir a uma atmosfera poética e teatral temas ligados a críticas a instituições religiosas, entremeados de reflexões obscuras sobre a existência das emoções e desejos humanos sempre em confronto e questionamentos com o encontro com esses temas. Os sacramentos devem ser sentidos então neste álbum como sacramentos, rituais religiosos institucionais, ou simbólicos, como sacramentos desejantes e devocionais de cada universo de cada pessoa, de cada simbolismo psíquico  referente a cada forma de olhar e sentir as forças do desejo e do universo.A faixa “By my Devotion”, por exemplo, faz a alquimia dessas duas possibilidades e as funde numa letra e atmosfera única. Mesmo assim, o álbum não tem pretensões de ser conceitual no sentido de amarrar esses temas logicamente entre si, criando alguma unidade conceitual.

TGZ: Então, você diria que o álbum não é todo conceitual, correto?

Marcos Riva: Neste caso eu diria que ele é semi-conceitual, se é que isso existe.

TGZ: Sim, e em quais parâmetros musicais, nos quais esse novo trabalho se assemelha e se distingue do “The Wine of the Night”?

Marcos Riva:
Em termos de semelhança com o  “The Wine...” está o espírito da concepção lírica poética e obscura, a idéia de sempre compor músicas que nos agradem e que não saiam da linha escolhida pela banda. As diferenças residem no fato de que as guitarras estão mais concentradas como linha de frente no álbum, com mais atenção às palhetadas e sincronia com a excelente bateria do Márcio, ficando os teclados mais como apoio e não unicamente a linha principal do arranjo. As músicas estão mais velozes e mais bem encadeadas, embora haja faixas também bastante lentas e atmosféricas. Enfim, os dois lados da banda, o gothic e o heavy metal estão mais à tona e evidenciados por todo o próximo álbum. O som está mais forte, porém sem perder as nossas características principais.

TGZ: A produção gráfica será ilustrada por quais imagens, fotos e adornos, enfim? Acha essa parte da arte algo fundamental para com a ambiência de transmissão do disco?

Marcos Riva: A produção gráfica dependerá do investimento que a Demise records estiver disposta a fazer. Já temos algumas idéias que apontam para um trabalho gráfico de acordo com a atmosfera das temáticas do álbum. A capa está praticamente concebida, faltando apenas os retoques necessários, e será mais bonita do que a do primeiro álbum.

TGZ: Mas, vocês lançaram o Demo-Cd “Ancient Sacraments” e o colocaram para download completo no site oficial da banda. Por que usar o mesmo nome, tal qual será o do 2° álbum, e por que a decisão para pô-lo para ser “baixado” de forma integral pela net?

Marcos Riva: A Demo "Ancient Sacraments" foi disponibilizada para download porque  estávamos fora da cena a muito tempo e precisávamos produzir algum material para mostrarmos que estávamos vivos apesar dos problemas e que tínhamos idéias para o álbum que deveria surgir. Ela é só um rascunho experimental de idéias que serão desenvolvidas no álbum Ancient Sacraments. É como se fosse um ensaio do que virá. A idéia do nome foi criada pensando no álbum, e não na Demo, daí o porque de terem o mesmo nome.
TGZ: Comente acerca dos projetos paralelos que você e alguns dos membros da Pettalom possuem?

Marcos Riva: Eu resolvi parar no momento com qualquer projeto paralelo para concentrar minha força e atenção só no Pettalom... Projetos paralelos são bons, divertidos e interessantes, mas consomem muito tempo e em geral não levam a grandes resultados... Então cortei isso por enquanto... Minha última banda nesse  esquema chamou-se Soturnia, e era uma banda de covers de heavy metal tradicional e gothic metal, com poucas músicas próprias. Já o Fernando de Almeida (guitarrista) tem o Witchlust, o Márcio (baterista) toca no Menacer (próxima promessa do metal nacional, isto eu garanto!) e a Kátia Baroni tem projetos ligados à música medieval.
TGZ: Quais são os maiores e verdadeiros representantes do Gothic Metal e as falsas bandas do estilo, a seu ver?

Marcos Riva:
Prefiro não avaliar bandas de gothic metal em termos de falsas e verdadeiras, mas sim em termos de qualidade e importância para o estilo. Então, quando se fala em gothic metal, que é metade da influência do som do Pettalom, eu penso em Theatre of Tragedy do início, Paradise Lost e Type'o Negative, por exemplo. São bandas muito marcantes e originais, e são ícones de todo o gothic metal que se produz hoje. O som do Pettalom cruza essas influências com o heavy metal tradicional, pois o metal dos anos oitenta é a escola de pelo menos metade dos integrantes da banda. Por isso soamos tão originais apesar de repetirmos algumas fórmulas como dois vocais, corais, etc. Essa é química diferencial do Pettalom, não somos uma banda de gothic metal, mas uma banda de heavy metal mesclado com gothic metal. 

TGZ: On-line...o que os internautas poderão encontrar no site oficial, comunidade do orkut e fotolog do Pettalom?

Marcos Riva: O fotolog no momento está em reconstrução, o site contêm  todos os arquivos da história da banda, fotos, fatos, letras e últimas novidades e a comunidade no orkut nos proporciona, além das últimas notícias, o contato direto com nossos amigos e fãs... Confiram tudo isso em www.pettalom.tk e comunidade Pettalom no orkut.

TGZ: Amigo, tem rolado novos fatos curiosos com a vida junto ao Pettalom? Conte-nos.

Marcos Riva: Só fatos rotineiros ultimamente, curiosidades engraçadas do dia a dia, que, pela alta freqüência acabam sendo meio que esquecidas e não teriam muito interesse para os fãs...bom, pelo menos os fatos meio sobrenaturais e semi-paranormais se encerraram, o que já é um grande alívio...rs....

TGZ: Veio agora à mente uma curiosidade: você já chegou a pensar em compor uma música com o nome “Angels of Disease” (antigo nome da banda)?

Marcos Riva: Não, pois já existe uma música do Morbid Angel com este título, e o nome Angels of Disease não se encaixa mais com a atmosfera do que é o Pettalom dentro de nosso estilo de hoje em dia e sempre.

TGZ: Exponha sua admiração a um dos seus maiores inspiradores, Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), abordando as leituras e fascínio pelas obras desse escritor americano de horror do século XX. Empolga falar dele, né? (risos)

Marcos Riva: Lovecraft é um dos maiores escritores de horror e literatura fantástica em todos os tempos, sua obra é extensa, e, neste próximo segundo álbum nosso, que está à beira de ser finalizado, a minha criação em cima de algo dele foi baseada em uma edição lançada em Portugal há algumas décadas atrás, contendo quatro contos interligados. Esse volume tem o nome de “Os demônios de Randolph Carter" (O depoimento de Randolph Carter, Em sonhos em busca da antiga Kadath, A Chave de Prata e Através das Portas da chave de Prata) e é uma obra prima absoluta, quem já leu sabe do que estou dizendo... Fiz a letra da música Mr. Lovecraft em cima desses contos. Fiz algo meio impossível: sintetizar no espaço reduzido de uma letra quatro contos riquíssimos e abissais... Acho que o resultado ficou muito bom, um cartão de visita para quem quiser ir atrás dessa obra, pois vale a pena. E Mr. Lovecraft será uma das grandes músicas do CD...


TGZ: Então, a Pettalom pensa em fazer uma tour pelo país, assim que lançar o “Ancient Sacraments”, ou ainda é cedo para estruturar isto?


Marcos Riva:
Tour pelo país seria ótimo, mas ainda temos que organizar nosso lado empresarial, e isso só ocorrerá após o lançamento do Ancient Sacraments. Mas quem quiser conferir a nossa volta aos palcos, saibam que temos um show de retorno marcado para 5 de Agosto em Belo Horizonte, ao lado de Tribuzy, Kiko Loureiro, Cristal Eyes, Eterna e outras grandes atrações deste festival organizado pela Avernus e que promete muito. Confiram também no orkut e na Internet. Esperamos por todos vocês!!!

TGZ: Bem, vampiro, sabe-se que os contatos são “ancestrais” e o império de Roma foi uma de minhas passagens outrora (r...s..), foi um prazer mais uma vez te entrevistar, agora junto ao TGZ. Valeu irmão, continue perseverante com a Pettalom e na vida...!!!

Marcos Riva:
Salve Cézar! Ave Cézar! Este humilde morcego da noite do Metal e do gothic metal te saúda!!!...rs...

 
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