» ENTREVISTA: RENATO ROSATTI «

Por: Hioderman Zartan (Colaborador) 
Respostas: Renato Rosatti
Contatos:

Renato Rosatti é um batalhador da cena underground mais voltada à cultura do Horror Show, o k-ra conseguiu lançar a edição de nº 100 do fantástico Juvenatrix e a edição 50 do Astaroth e ainda ter uma vida ativa igual a qualquer humano, heheheh!! O k-ra tem que ser muito apaixonado pelo que faz, pois desde 1988 que este batalhador desenvolve este belo trabalho!!!
Conversando com Renato pude saber sobre os antigos e novos trabalhos, as colaborações em sites e edições impressas... Vale ressaltar que este k-ra é apaixonado por música extrema e a usa em seus trabalhos com maestria cultuando o Horror Show...


TGZ: Fala Renato, veio, antes de tudo te pergunto de onde veio este fascínio pelos filmes “B” e o Metal em geral?!

Renato:
A admiração pelo cinema fantástico em geral (Horror e Ficção Científica) produzido em todas as épocas, começou quando eu era bem jovem ainda, aproximadamente com dez anos de idade (final dos anos 70), quando eu acompanhava os filmes que passavam tarde da noite na televisão.
O fascínio foi aumentando progressivamente, a atração por filmes que passavam aquele sentimento de incômodo e medo foi tornando-se cada vez mais consistente e decidi colecionar tudo a respeito, desde os próprios filmes, passando por revistas, livros de referência, fotos, posters, matérias, etc.
Quanto ao Metal extremo, comecei ouvindo bandas mais tradicionais de Heavy Metal por volta de 1982 (com 14 anos de idade) como Iron Maiden, Accept e Judas Priest, e o próximo passo foi entrar em contato com Celtic Frost, Venom (tive o privilégio de testemunhar o show deles em 1986 em São Paulo, com abertura dos canadenses do “Exciter” e os paulistas do “Vulcano”), além de Sodom, Kreator, Destruction, Slayer, Possessed (a “Woodstock Discos” estava lançando um monte de LPs dessas bandas todas por aqui), sem contar as nacionais Sepultura, Sarcófago, Mutilator, e tantas outras.
Hoje, fazendo uma retrospectiva de tantos anos de Metal, cheguei à conclusão que apesar de respeitar todos os estilos e inevitáveis subdivisões existentes nesse gênero musical, eu realmente prefiro as bandas de Death, Black e Thrash Metal, pela brutalidade sonora e agressividade de propostas.

TGZ: Os seus zines sempre têm um cuidado especial nas capas, é algo primordial para ti que as artes das capas condizem com um sentimento sombrio ou de curiosidade?!

Renato:
Como já lancei 100 edições do “Juvenatrix” e 50 edições do “Astaroth”, foram 150 ilustrações de capa ao longo dos últimos 18 anos. Alguns desses desenhos são excepcionais, de qualidade profissional, outros nem tanto, e publiquei mais como uma forma de incentivo aos autores. Minha preferência é publicar capas com temáticas agressivas e sempre deixo o autor livre para criar sua arte, sem nenhum tipo de censura, tanto que já publiquei algumas capas que incomodaram as pessoas pelo seu conteúdo não convencional, como por exemplo a super edição 50 (que teve 202 páginas) e que trazia na capa uma freira crucificada e brutalmente mutilada, com as vísceras expostas da cintura para baixo.

TGZ: Criar um zine voltado à cultura de Horror Show é algo fácil para ti já que aprecias o estilo, mas te pergunto algumas das dificuldades enfrentadas (somos humanos, né!) já que a cultura underground hoje (e sempre foi) é marginalizada e poucos conseguem um apadrinhamento para continuar trampando...

Renato:
É necessário bem mais do que somente apreciar o estilo para se editar um fanzine na cena underground. É necessário idealismo, pois as dificuldades são imensas, desde a falta de material de colaboradores para ser publicado, passando pelos obstáculos de produção (digitar, imprimir, xerocar, montar, preparar as remessas pelo correio, etc), e culminando com o pior problema de todos que é o dinheiro para financiar tudo isso. Mas, no meu caso, decidi enfrentar da seguinte forma: se não tiver material, eu escrevo o que será publicado; e também financio a produção, sem me importar se o investimento retornará ou não (na verdade, em 18 anos de “fanzinagem”, nunca houve retorno financeiro, e prefiro considerar que os fanzines são uma espécie de hobby, que como tal, tem seus gastos).

TGZ: Qual literatura mais te atrai?! Falo também além de filmes/livros outros tipos de cultura seja underground ou outra, ok?!

Renato:
Eu particularmente prefiro literatura de Horror e Ficção Científica, e aprecio as obras de autores consagrados e cultuados como Clive Barker, Stephen King, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft. E no Brasil tenho grande admiração pelo trabalho de ótimos autores de Horror como Carlos Orsi Martinho e Giulia Moon.

TGZ: Particularmente adorei “O Poço e o Pêndulo”, de Edgar Allan Poe, mas achei a versão para o filme um pouco tosco e com um humor desnecessário para a época, qual seu ponto de vista sobre este e outros filmes que desmerecem o original escrito (certo que não podem colocar todo o livro em um filme, mas ter bom senso é primordial)?

Renato:
Realmente é muito difícil adaptar uma obra literária para o cinema, e poucas vezes isso aconteceu satisfatoriamente. Mas, sobretudo, a análise crítica dos filmes é muito subjetiva, pois todas as adaptações possuem seus defensores e detratores e nunca haverá unanimidade. Um exemplo é a famosa trilogia de “O Senhor dos Anéis”, baseada na obra literária de J. R. R. Tolkien, e que tem fãs que gostaram da adaptação para as telas e outros acharam que não houve tanta fidelidade como deveria entre o roteiro dos filmes e a história dos livros.

TGZ: Sei que você começou a “zinear” desde 1988 (veio, eu tinha 10 anos, hehehe!!) e aproveito pra te perguntar o que você acha da evolução da imprensa underground em si desde livros, fanzines, webs e etc..., o que mais te agrada ver e que te fez sentir náuseas?!

Renato: Houve uma evolução natural e inevitável na imprensa underground, principalmente com a popularização da internet como meio de comunicação e divulgação de seus trabalhos. Muitos fanzines e livros independentes não sobreviveram perante as dificuldades que surgiram no caminho (como falta de dinheiro para a produção, ou a falta de apoio dos leitores e colaboradores), e outros decidiram migrar para uma mídia eletrônica, criando sites e e-zines na internet, que tem custos bem menores e atinge um número maior de pessoas.
No meu caso, estou tentando me adaptar a esses novos tempos, produzindo na internet e na medida do possível, continuar os fanzines impressos também (apesar do custo alto de produção e pouca visibilidade).

TGZ: Juvenatrix e Astaroth estão fazendo história certo?! Meu, tu tens todos os zines catalogados?! Se alguém desejar pegar todos tu terias como fornecer os exemplares?! Quem sabe um dia tu não faz uma edição especial com todas as edições dos zines, o que acha da idéia?!

Renato:
Eu tenho todos os originais e também uma cópia extra em xerox de todas as edições. Tudo está devidamente catalogado e arquivado. Porém, não tenho condições (disponibilidade de tempo) para reproduzir cópias extras. As tiragens estão esgotadas e pelo menos por enquanto não existirão outras. Outro motivo que me impede de fazer isso é que eu não quero desgastar os originais submetendo-os a todo o processo de reprodução numa copiadora (quero tentar mantê-los nas melhores condições possíveis pelo máximo de tempo que puder).
Não é possível fazer uma edição especial com todas as outras reunidas num único volume, porque o fanzine teria quase 3.000 páginas.

TGZ: Que tal apresentar os números mais recentes do Juvenatrix e do Astaroth aos leitores?!

Renato:
* O fanzine de Horror e Ficção Científica Juvenatrix # 100 (Março de 2006) está disponível com 20 páginas em formato A4, completando a histórica marca de 2.728 páginas de publicação desde sua origem em Janeiro de 1991. A capa é colorida e ilustrada por Eduardo Manzano, e a contra capa é de autoria de Márcio Rogério Silva. A edição traz comentários sobre os filmes “O Coronel e o Lobisomem”, por Marcello Simão Branco, e “Plano de Vôo”, por Marcelo Milici, uma seção de notícias e divulgação, artigos sobre a trilogia “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson, e “O Homem de Palha” (1973), com Christopher Lee, além de um texto de Marcello Simão Branco sobre “Os 50 Melhores Filmes de Horror do Século XX”. Completa esse histórico número 100 do fanzine (é raro uma publicação amadora chegar à centésima edição), o último capítulo da novela de Ficção Científica e Aventura “A Face Oculta da Galáxia”, de autoria de Miguel Carqueija (“Epílogo – E A Vida Continua”). O preço do exemplar é R$ 5,00.
* O fanzine de Horror e Ficção Científica Astaroth # 50 (Março de 2006) está disponível com 6 páginas em formato A4, com ilustração de capa de autoria de E. R. Corrêa, trazendo contatos, divulgação de produção alternativa e notícias. Em circulação desde Janeiro de 1995, a edição # 50 traz também um artigo sobre o filme “A Noite dos Mortos-Vivos” (Night of the Living Dead, 1990), dirigido por Tom Savini, e o conto “A Dimensão do Terror”, de autoria de Michael Kiss. Envie um selo de primeiro porte não comercial (R$ 0,55) para as despesas postais. (Vide meus contatos no topo desta entrevista).

TGZ: Creio que além dos zines citados anteriormente você é colaborador do maior site de horror da net no Brasil, o Boca do Inferno, tu tens colaboração em outros sites ou zines?!

Renato:
Tenho contato com o webmaster do www.bocadoinferno.com (Marcelo Milici) desde meados de 2002 e de lá para cá tornei-me sócio do site, participando de sua história o mais ativamente possível (dentro de minhas limitações e disponibilidade de tempo), escrevendo resenhas e artigos sobre cinema de Horror (principalmente) e Ficção Científica, sendo que tenho quase 400 textos publicados por lá.
Há alguns anos atrás, eu participei de vários outros sites, e atualmente estou concentrando todos os esforços exclusivamente no “Boca do Inferno”. É possível encontrar meus textos de cinema no “Cinema em Cena”, “Adoro Cinema”, “E-Pipoca”, “Usina de Letras”, “Scarium”, “Ligazine”, “Bancazine”, “Alterfannativo”, “Hum Eletrônico”, “Clube de Leitores de Ficção Científica”, “Scriptonauta”, e ainda tinham outros que nem estão mais no ar.
Quanto aos fanzines impressos, tenho também vários materiais espalhados por aí, mas como esse tipo de mídia está se extinguindo aos poucos por causa (entre outros fatores) da popularização da internet, também me afastei inevitavelmente deles.

TGZ: Falemos agora sobre o editor Renato Rosatti, veio, que tipo de som tu tem ouvido ultimamente? Como concilia família e vida pessoal junto aos teus afazeres com a imprensa underground?!

Renato:
Sempre que posso estou ouvindo Death Metal, tanto bandas de fora quanto as nacionais, tanto as mais conhecidas como as que batalham no underground. Definitivamente, é o estilo que mais aprecio, quanto mais brutal for o som e mais agressivas foram as letras, melhor. Já tenho 38 anos e vou ouvir Death Metal até o fim de meus dias.
É muito difícil conciliar a vida pessoal (sou casado há mais de 10 anos e tenho uma filha pequena) com as atividades na imprensa underground (os fanzines, os sites, os contatos, as divulgações, etc), mas sempre tento encontrar algum tempo livre (por menor que seja) para conseguir efetivar meus projetos e idéias, e apesar de minha esposa não ser fã nem de Metal nem de Horror, pelo menos ela me apóia em meu trabalho.

TGZ: Essa eu não poderia deixar de perguntar, hehehe! Meu, Steve Seagal colocou o nome do filho dele de “Kal-El” em homenagem ao personagem de Superman, o que tu achas desta atitude e se colocaria o nome de um personagem em um ente seu?!

Renato:
É um direito do Steven Seagal colocar o nome que ele quiser no filho, e eu logicamente tenho que respeitar essa decisão. Mas, no meu caso eu não faria isso, pois acho que devemos separar as coisas (o mundo da ficção e entretenimento com o nosso mundo real), e não acho que estaria sendo correto com um filho colocar o nome de um personagem do cinema, pois dependendo do caso isso até poderia trazer conseqüências desfavoráveis para a vida pessoal e profissional dele no futuro.

TGZ: Amigo, é isto, agradeço o tempo e a amizade..., se houver algo mais a ser relatado estejas à vontade, ok!!! Stay...!

Renato:
Eu é que agradeço a oportunidade de poder expor algumas idéias e divulgar minha discreta atuação na área do Horror e Metal Extremo na cena underground (fanzines impressos e sites). E faço questão de enaltecer o seu trabalho com a “Anaites ZDP”, numa atitude admirável de idealismo autêntico, que, aliás, é uma qualidade reservada para poucos. Continue na batalha...

 
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