Realizada
por: Elimar
Oliveira
Respondida por: Edu
Scars
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TGZ:
O
quê aconteceu para a banda ter parado
quase onze anos?
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Edu: A época que resolvemos encerrar
nossas atividades era outra, tínhamos
mudado algumas vezes de formação
e a cena não era mais a mesma coisa,
além do que as poucas casas de shows
estavam se fechando e não havia tanto
espaço e apoio para nosso som naquele
momento, sabíamos que era questão
de tempo pararmos. Ainda bem que não
renegamos nosso passado, ou seja, continuamos
adorando e escutando Thrash Metal, pois estamos
de volta com um pique muito maior do que naquela
época.
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TGZ:
Com toda essa desilusão na época,
alguém de vocês continuou no
meio musical? Rolou convites para tocar em
outras bandas?
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Edu: Eu
continuei tocando, nunca parei. Tocava juntamente
com meu irmão e alguns grandes amigos
(Danilo Freitas e Anderson di França)
numa banda chamada Sickmind que hoje chama-se
ChaosFear, porrada na cabeça. Eu também
tive, e ainda tenho, alguns projetos de banda
cover, um deles e o oficial é o Damage
Inc. (Metallica), mas também já
toquei Testament, Anthrax, Sepultura e etc.
O Alex fazia uns trampos de guitarra numa
banda de bar.
Já os outros nunca deixaram de curtir
o Heavy Metal, mas haviam dado uma sumida
da parada.
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TGZ:
Como rolou a volta? Apresente-nos a formação
atual da banda. |
Edu: A volta foi bem inusitada, pois
eu e o Alex nos encontramos no show do Destruction
(Blackmore) no ano passado e ao ver a banda
que tanto nos influenciou logo ali, na nossa
cara, e tocando Thrash Metal de verdade, chegamos
a conclusão que estava na hora de voltarmos
com o Scars e voltar a tocar Thrash Metal
pra molecada. Nossa formação
é: Edu Boccomino (guitarra solo), Régis
F. (vocal), Alex Zeraib (guitarra), André
Sterzza (baixo) e nosso novo batera, Patrick
Leung.
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TGZ:
É nem bem a banda voltou e já
houve um baixa, ou melhor, uma mudança
no line-up... Conte-nos o que houve.
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Edu: Bom, havíamos terminado
de gravar as bateras do “The Nether
Hell” quando o Fabrício (Ravelli)
veio e nos avisou que tinha uma proposta irrecusável
para deixar o país e tentar a sorte
como músico nos EUA. Dissemos “tudo
bem, vai em frente”, pois este é
o sonho de qualquer músico brasileiro.
Depois disso, recrutamos o Nasser para os
shows com o Anthrax e início da tour
do cd. Agora, temos um novo batera, o Patrick
Leung.
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TGZ:
Logo após a volta vocês
soltaram “The Nether Hell” um
puta disco, porém curto, apenas seis
faixas, porque tão poucas faixas? E
o público como vem recebendo esse material? |
Edu: Quando voltamos, tínhamos
em mente colocar algo de boa qualidade no
mercado, tanto na parte gráfica quanto
na música, então nada melhor
que colocar um álbum com poucas músicas
pra você sentir a receptividade da galera
e se colocar na cena underground novamente.
Quanto à receptividade, cara, não
poderia ser melhor, estamos felizes, pois
o público que gosta de Metal está
aceitando muito bem o “The Neter Hell”
e isso pra nós é maravilhoso.
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TGZ:
As letras desse álbum são interessantes,
relatam a obra de Dante Alighieri, o que mais
chamou a atenção nesse poeta
para basear a letras do Scars na obra dele? |
Edu: A Obra de Dante é muito rica.
Você consegue visualizar algumas situações
que Dante descreve no livro com aquilo que
acontece nos dias de hoje. Como a Obra trata
de três aspectos diferentes: Inferno,
Purgatório e Paraíso, decidimos
nos aprofundar no Inferno, pois tínhamos
mais campo para escrever sobre o tema, além
do que o Inferno é Metal pra caralho!
(rsrs)
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TGZ:
“The Nether Hell” foi lançado
de forma independente por que a banda não
procurou um selo para lança-lo, nenhum
selo demonstrou interesse ou vocês acham
melhor lançar nesse formato? |

Edu:
O “The Nether Hell” foi lançado
totalmente de forma independente, pois queríamos
ter total liberdade para fazer aquilo que
bem entendessemos com nosso material.
Alguns selos fizeram contato conosco, porém
toda nossa estratégia de divulgação
e trabalho já tinha sido desenvolvida
para este formato independente.
Lançaremos nosso próximo cd
por uma gravadora, mas até lá,
as coisas serão independentes, ou seja,
no formato Scars.
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TGZ:
E os shows, vocês tem feito vários,
mas quando a banda tocará em outras
regiões, ou melhor, por todo o Brasil? |

Edu:
Muitos
fãs da banda nos mandam e-mails pra
tocar em vários lugares do Brasil,
porém estamos nos estruturando muito
bem par que isso possa acontecer. Temos diversos
contatos com o pessoal do Nordeste.
Sabemos que a galera do Nordeste é
“insana’.
Não vejo a hora de armarmos um mini
tournée pra poder levar o” Inferno
“a todos (rs).
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TGZ:
A cena paulista é gigantesca,
acontecem shows direto, tem muitas bandas,
etc, mas percebe-se uma certa “panelinha”
onde poucas bandas (algumas por merecimento,
outras nem tanto) participam de vários
shows, festivais, aparece nas “grandes”
revistas, enquanto a grande maioria das bandas
fica restrita apenas aos que acompanham o
underground através de zines e web
zines, shows undergrounds, e o Scars como
está no meio disso tudo? |
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Edu: Cara, nós fazemos parte do
underground brasileiro. Voltamos a tocar depois
de quase sete anos, ou seja, o Scars já
existia antes mesmo de muita coisa que rola
na cena brasileira.
A cena paulista é considerada grande
por causa das inúmeras bandas que temos
aqui e por causa das revistas, selos e etc
que estão instalados na cidade.
Creio que isso possa ser um fato que venha
a facilitar na hora de fechar shows ou mesmo
de mandar material pra algum veículo
de comunicação, porém
o Brasil tem ótimas bandas, principalmente
fora de Sampa.
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TGZ:
O público brasileiro, exceto um número
reduzido de verdadeiros bangers, valorizam
muito as bandas gringas, pagam uma grana para
ir a shows gringos enquanto não comparecem
aos shows undergrounds, compram cd´s
importados caríssimos e ficam reclamando
do preço do cd de bandas nacionais
que custam à metade do preço,
na sua opinião o que falta para o publico
valorizar mais as excelentes bandas de Metal
que temos em nosso país? |
Edu:
Isso não é de hoje, infelizmente
ainda temos que lutar contra isso. O brasileiro
em geral é assim, é só
você ligar a tv!
Não quero aqui polemizar e dizer pra
galera dê um NÃO ao que é
gringo, pois eu também adoro muitas
bandas de fora, mas falta ainda um pouco de
compreensão e conscientização
do público em geral para com o Metal
Nacional.
As coisas já foram muito piores no
passado, creio que hoje essa mentalidade está
um pouco mudada, porém nunca vamos
baixar a guarda e sempre lutaremos pelo Heavy
Metal Nacional.
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TGZ:
Em sua opinião é possível
viver de Metal no Brasil? |
Edu:
Viver de música no geral já
é difícil.
Acho que poucos músicos vivem apenas
de tocar, principalmente os que tocam Metal.
Nós do Scars temos nossos empregos
e conciliamos a banda com o trampo, pois hoje
um não anda sem o outro.
Gostaria muito de viver de música,
este ainda é um de meus sonhos e estou
batalhando pra isso.
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TGZ:
Quais as principais diferenças da cena
brasileira de hoje com a de quinze anos atrás?
Em sua opinião está melhor hoje
ou era melhor antigamente? |
Edu:
A cena hoje mudou bastante, está
mais profissional, melhor estruturada e temos
toda a tecnologia a nossa disposição.
Antigamente as coisas eram mais difíceis
para acontecer. Imagina como era foda tocar
fora de sua cidade ou estado. Uma das coisas
que sinto falta daquela saudosa época
dos anos 80 e início do 90 é
que o público ia aos shows pra valer,
fazíamos shows lotados e ficava gente
de fora.
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TGZ:
O que está nos planos do Scars daqui
pra frente? |
Edu:
Estamos dando seqüência à
“The Nether Hell Tour” e ainda
queremos tocar o máximo possível
para a galera de todos os cantos do Brasil,
por isso que estamos tentando agendar umas
mini tours. Quem sabe também colocamos
um clipe no site pra galera, temos alguns
planos pra isso. Já iniciamos o processo
de composição do próximo
álbum que deverá sair em 2006.
É só vocês aguardarem
que o Thrash Metal voltará a imperar.
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TGZ:
Ok, obrigado Edu, um abraço a todos
do Scars, tomara que a banda consiga cravar
seu nome definitivamente na cena, pelo menos
estão trabalhando para que isso aconteça,
deixe no espaço abaixo uma mensagem
final para os leitores do ThunderGod Zine
a aos admiradores do Scars. |
Edu: Agradeço à todos pelo
apoio que estamos tendo desde nosso retorno
ao undergroud nacional nossos fãs,
amigos e parceiros vem nos ajudando diariamente
nessa luta. Valeu galera do ThunderGod pela
oportunidade de poder mostrar um pouco do
Scars aos seus leitores e admiradores de Heavy
Metal em geral. É isso aí, galera
procurem o “The Nether Hell” que
é um puta trampo que fizemos com muita
garra e amor ao Metal. Stay Heavy !
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