» ENTREVISTA: STATIK MAJIK «

- Perguntas : Elimar Oliveira -
- Respostas : Luis Carlos, Rafael Tavares e Marlon Guedes -
- Entrevista realizada em Setembro de 2007 -

A/c Luis Carlos
Rua Jackson Moreira, 55 - Bangu/RJ - 21.840 - 470
http://www.myspace.com/statikmajikbrazil
- www.statikmajik.net


A
pós um breve hiato de suas atividades, o Statik Majik voltou a cena com o lançamento do excelente Ep “Redemption”, um título sugestivo, ou seja, eis a “redenção” da banda que após sérios problemas internos chegou a encerrar suas atividades.
Com esse Ep, os caras pretendem dar continuidade ao trabalho iniciado com os lançamentos dos materiais “Be Magic!” (2003) e “Utopia Sunrise” (2004), esse último bastante elogiado pela crítica especializada. Tudo bem que a formação atual consta apenas com o baterista Luis Carlos da formação original, mas com os novos integrantes Marlon Guedes (guitarra) e Rafael Tavares (vocal) o Statik Majik promete mais novidades em breve!
Confiram a conversa que tivemos com os integrantes para ficar por dentro da “Mágica Estática” em constante movimento!

TGZ: Saudações Metálicas aos Mágicos Estáticos!! Vejo que vocês passaram por sérias turbulências nos últimos tempos! Poderia resumir o que houve para que ocorresse essas mudanças na formação e o quase fim do Statik Majik?
Luis Carlos Tivemos problemas com alguns integrantes na época (2006) e por conta disso encerramos as atividades por um breve momento, mas logo retornamos porque começamos a receber o “estímulo” de fãs e amigos que perguntavam o porquê do fim da banda assim como pediam para que voltássemos a ativa, isso nos falando pessoalmente, mandando e-mail´s, pelo msn, etc., e daí resolvemos continuar, e hoje, analisando tudo que aconteceu e a decisão de retornar, vejo que foi uma atitude certa da nossa parte, já estamos até acostumados com as turbulências (risos), e porque temos muito “lenha pra queimar” ainda e não vão esses problemas que vão acabar com a Statik.

TGZ: Mas agora vocês estão com a formação quase fechada, estão ainda sem baixista, já tem algum candidato ao posto?

Luis Carlos Sim, estamos fazendo testes e temos novos baixistas em vista, mas nos manteremos como trio até o término de divulgação do “Redemption” (que vai até dezembro deste ano), e o engraçado de tudo é que na época que gravamos o Ep nós ficamos sem baixista e arrumamos outro pra fazer shows, mas naquela ocasião nós pensávamos em não manter um membro fixo e olhe só agora (risos).

TGZ: Agora vocês estão divulgando o Ep “Redemption” com cinco faixas, seguindo basicamente a mesma proposta dos trabalhos anteriores, a “redenção” seria a continuação do trabalho iniciado?

Luis Carlos Musicalmente eu não acho que estamos seguindo a mesma linha dos trabalhos anteriores, claro, continuamos sendo uma banda pesada com forte influência dos Anos 70, mas esse Ep é muito mais pesado que as demos, as músicas estão bem mais “sujas” em sua sonoridade e procuramos manter uma linha mais direta com músicas menos complexas. O “Redemption” é uma continuação da nossa proposta enquanto atitude, o título do trabalho reflete bem isso, tanto é que nós “aproveitamos e melhoramos” as músicas que tínhamos numa fitinha k7 na época, porque na origem elas estavam horríveis e as músicas que estavam sendo feitas antes da separação da banda eram ruins, eu estava odiando aquilo (risos).

TGZ: A divulgação desse material, como vem sendo feita? Vocês pretendem licencia-lo para algum selo? Pretendem lançar no exterior?

Luis Carlos De início até cogitamos essa possibilidade, mas só rolaram propostas vazias e que só atrasariam nosso trabalho e como tínhamos muita coisa pra fazer, resolvemos lançar por nossa conta. O que fizemos até então foi divulgar pro Japão, Peru, etc e o My Space (www.myspace.com/statikmajikbrazil) da banda tem servido de divulgação, já que nossa música tem chegado a diversos países como Suécia, México, Grécia, Estados Unidos e o número de visitas e membros em nossa comunidade têm crescido cada vez mais, e pra ser sincero, nós procuramos divulgar a banda mais por aqui mesmo, justamente porque a gente precisava se organizar por conta do término da banda, já que tínhamos e estávamos perdendo algumas oportunidades por conta disso e precisávamos reconquistar nosso espaço e nossa dignidade. Mas surpreendente mesmo foram os shows de divulgação que superaram nossas expectativas, tocamos em Macaé, Minas Gerais (num evento que contou com sepultura e público de 5 mil pessoas), em eventos no RJ com público legal, agitando muito e adquirindo nosso material, ou seja, acima das expectativas pra uma banda que tinha acabado recentemente, vindo de brigas internas e fazendo pouquíssimos shows e produzindo pouco.

TGZ: Com a formação incompleta fica complicado fazer shows, certo? Se bem que podem convidar amigos para dar uma força, mas vocês tem tocado para divulgar esse novo material?

Luis Carlos Nada pode parar a Statik Majik (risos)... Falando sério, o que fica é a música não as pessoas, a Statik já provou que pode superar qualquer problema e isso não vai nos atrapalhar em nada, tudo ao seu tempo e estamos fazendo tudo certo, e como disse na resposta anterior, ta tudo ok e é vida que segue, não vai ser uma mudança de formação que vai parar a Statik.
Rafael Tavares: Acho que conseguimos fazer uma divulgação legal do material... A sorte, digamos assim, é que a formação ficou incompleta num momento onde a banda não tinha nenhum plano de shows pela frente, atualmente estamos nos concentrando apenas na composição das músicas novas. Claro que o desenvolvimento acaba ficando um pouco prejudicado pela falta de um elemento importante como o baixo, ainda mais pra uma banda de um guitarrista só. Mas se o White Stripes se vira asim, porque não poderíamos também? (risos) Mas já temos alguns baixistas interessados em tocar conosco, em breve começaremos os testes e, assim que tudo estiver certo, iremos anunciar o nome do baixista que irá tocar conosco e voltaremos a nos focar no material novo, que está ficando ótimo!

TGZ: A proposta sonora feita pelo Statik Majik é embasada no Stoner Rock com influências de bandas setentistas e oitentistas, mas as letras trazem o mesmo clima das mesmas?

Rafael Tavares Letra de música é algo meio complicado... Você pode falar sobre o que você quiser, mas o mais importante é o conceito e a relevância daquilo que está sendo cantado. Eu gosto de escrever letras sobre experiências as quais passei, coisas que eu vejo ao meu redor, expectativas que tenho para o futuro, enfim, coisas pessoais, palpáveis, fácil de serem compreendidas e que possam fazer com que o ouvinte se identifique. Eu posso fazer uma letra super foda, falando sobre coisas super legais e tudo mais, mas se eu não vivi aquilo, a coisa acaba ganhando um clima meio clichê, o que faz perder toda sua credibilidade. A não ser, é claro, que a letra seja baseada em algum filme ou livro, mas de qualquer forma estará sendo baseada em algo que mexeu comigo, então terá sua relevância. Eu pelo menos não me preocupo em fazer letras que se enquadrem à determinado clima, o que interessa no final das contas é que a letra tenha a cara da Statik Majik e que todos fiquem de acordo com tal. E no fim das contas acaba dando certo.

TGZ: Eu acho legal quando uma banda procura resgatar as raízes do Metal, mas quando feito com naturalidade sem forçar a barra! Vocês devem ser questionados quanto à musicalidade que se propõe a tocar, mas qual a opinião de vocês como músicos e como fãs sobre essa proposta, digamos que datada de fazer som?

Luis Carlos Já fomos questionados por utilizar um vocal mais Heavy em som Stoner, por usar pedal duplo, mas e daí? Nós fazemos primeiro o que nos agrada, pra depois agradar os outros, não vamos aceitar tais regras pra se enquadrar num estilo... Resgatar as raízes de um estilo não significa copiar o que foi feito na época, nós temos influências dos anos 70, mas não vamos nos limitar porque temos influências de sons da época e pra ser sincero, eu acho saudosismo uma chatice, quem vive de passado é museu (risos)... Passamos o passado, vivemos o presente e queremos o futuro, a Statik tem influências dos anos 70, mas a Statik nasceu em 2002. Se essas pessoas vivem seu presente do passado, o que elas serão amanhã? Eu estou com 35 anos, curto som pesado desde 1983, mas não vou deixar de ouvir coisas novas, no meu som toca naturalmente um Grand Funk, Black Sabbath, mas também toca Black Label Society e System of a Down. Essas pessoas que percam seu tempo com questionamentos, eu não peço dinheiro a elas pra compra meus vinis e cd´s (risos).

TGZ: Na opinião de vocês, o radicalismo na cena Metal underground é algo prejudicial ou necessário?

Marlon Guedes Tudo em demasia é prejudicial, mas mostrar atitude através disso pode ser muito legal.
Rafael Tavares Uma vez um amigo meu me falou uma coisa muito certa: “Os músicos mais humildes, mais legais e mais cabeças são em sua grande maioria, os músicos de bandas grandes.”, sempre achei isso meio sem noção, pois ouvimos tantas histórias sobre músicos temperamentais, mas tive a oportunidade de trabalhar com a banda do Sebastian Bach (ex-Skid Row) em 2005 e comprovei o que este meu amigo me falou. Os caras têm anos de estrada, todos já tocaram com grandes artistas antes e todos eles foram super legais, acessíveis, humildes... E no show do Bach em Porto Alegre eu conheci o Edu Falaschi (Angra), outro cara super legal e humilde. Aí eu chego pra bater um papo com uns babacas de uma banda de merda (não vou citar nomes, eles não merecem), que só tocam em lugar pé sujo, e eles se portam como se fossem os Rolling Stones, intocáveis, superiores... Eu não vou nem entrar no mérito musical, pois quando a índole da pessoa já é duvidosa, eu não quero nem saber da capacidade artística deles, aliás, 90% das bandas de Metal do underground não têm uma identidade artística, eles só repetem, de forma mal feita, algo que já foi feito, re-feito, e feito mais uma vez há 10, 20 anos atrás. Nada contra Iron Maiden ou Judas Priest, mas porra, estou de saco cheio de ver covers do Bruce Dickinson e Rob Halford por aí, que tal deixar de copiar seu ídolo e tentar fazer algo que tem a sua cara? As vezes isso dá certo. A graça de ser músico é a oportunidade de se destacar, e não ser apenas mais um na multidão. Radicalismo, seja ele qual for, nunca é algo bom, é sempre um câncer que corrói a todos ao seu redor.
Luis Carlos (risos) Mas esse é o grande problema, infelizmente o radicalismo vem de mão dada com a intolerância e a prepotência, se ele viesse pra somar, mas não, sempre acaba desunindo e pra ser sincero eu acho que a gente deve cobrar é de si mesmo e não ficar de fiscal da vida alheia (risos). Acontece que o radicalismo vem embasado mais no visual do que na atitude e pessoas assim nem duram muito tempo, logo elas estarão dançando calypso ou freqüentando uma igreja evangélica (risos).

TGZ: Quando teremos a honra de assistir a um show do Statik Majik, ou seja, quando vocês tocaram aqui pelo Nordeste?

Marlon Guedes Pô, quando surgir o convite! (risos) eu adoraria tocar por aí, sem contar que o Nordeste tem lugares maravilhosos.
Rafael Tavares É só nos chamar que iremos!! Ei, promotores de shows do Nordeste, entrem em contato conosco!! Queremos muito fazer shows por aí!!!
Luis Carlos Seria uma honra pra nós tocarmos pro povão do nordeste, um povo que ama muito o rock pesado e o Marlon disse bem, tem muitos lugares lindos aí e quem sabe no ano que vem com o cd lançado e propostas legais aí de vocês.

TGZ: Obrigado pela atenção, desejo que vocês dêem continuidade a saga promissora do Statik Majik, estejam à vontade para deixar suas considerações finais.

Marlon Guedes Obrigado você! Fico feliz por saber que o pessoal do nordeste gostou do nosso som e por terem se preocupado com a banda, obrigado mesmo, valeu!!! E a mágica vai começar!! (risos)
Luis Carlos Com tanta empolgação assim, eu fico sem palavras (risos)... Bem, Elimar, valeu mesmo pela força mais uma vez, uma honra pra Statik figurar em seu grande Zine, desejo pra ti todo sucesso do mundo!
Rafael Tavares Muito obrigado pelo espaço cedido para a Statik Majik! Fiquem de olho no nosso site (www.statikmajik.net) para informações da banda, estou louco para que vocês ouçam as músicas novas!! Muito sucesso pra vocês e, usando as palavras de um outro amigo meu: “Keep on rocking mutherfucker!!”

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