|
| »
ENTREVISTA: STATIK
MAJIK « |
|
|
|
| -
Perguntas : Elimar
Oliveira - |
- Respostas : Luis
Carlos, Rafael Tavares e Marlon Guedes
- |
- Entrevista
realizada em Setembro de 2007 -
|
| |
|

Após
um breve hiato de suas atividades, o
Statik Majik voltou a cena com o lançamento
do excelente Ep “Redemption”,
um título sugestivo, ou seja,
eis a “redenção”
da banda que após sérios
problemas internos chegou a encerrar
suas atividades.
Com esse Ep, os caras pretendem dar
continuidade ao trabalho iniciado com
os lançamentos dos materiais
“Be Magic!” (2003) e “Utopia
Sunrise” (2004), esse último
bastante elogiado pela crítica
especializada. Tudo bem que a formação
atual consta apenas com o baterista
Luis Carlos da formação
original, mas com os novos integrantes
Marlon Guedes (guitarra) e Rafael Tavares
(vocal) o Statik Majik promete mais
novidades em breve!
Confiram a conversa que tivemos com
os integrantes para ficar por dentro
da “Mágica Estática”
em constante movimento!
|
|
TGZ:
Saudações Metálicas
aos Mágicos Estáticos!! Vejo
que vocês passaram por sérias
turbulências nos últimos tempos!
Poderia resumir o que houve para que ocorresse
essas mudanças na formação
e o quase fim do Statik Majik?
|
Luis
Carlos Tivemos problemas
com alguns integrantes na época (2006)
e por conta disso encerramos as atividades
por um breve momento, mas logo retornamos
porque começamos a receber o “estímulo”
de fãs e amigos que perguntavam o porquê
do fim da banda assim como pediam para que
voltássemos a ativa, isso nos falando
pessoalmente, mandando e-mail´s, pelo
msn, etc., e daí resolvemos continuar,
e hoje, analisando tudo que aconteceu e a
decisão de retornar, vejo que foi uma
atitude certa da nossa parte, já estamos
até acostumados com as turbulências
(risos), e porque temos muito “lenha
pra queimar” ainda e não vão
esses problemas que vão acabar com
a Statik.
|
TGZ:
Mas agora vocês estão com
a formação quase fechada, estão
ainda sem baixista, já tem algum candidato
ao posto? |
Luis
Carlos Sim, estamos fazendo
testes e temos novos baixistas em vista, mas
nos manteremos como trio até o término
de divulgação do “Redemption”
(que vai até dezembro deste ano), e
o engraçado de tudo é que na
época que gravamos o Ep nós
ficamos sem baixista e arrumamos outro pra
fazer shows, mas naquela ocasião nós
pensávamos em não manter um
membro fixo e olhe só agora (risos).
|
TGZ:
Agora vocês estão divulgando
o Ep “Redemption” com cinco faixas,
seguindo basicamente a mesma proposta dos
trabalhos anteriores, a “redenção”
seria a continuação do trabalho
iniciado? |
Luis
Carlos Musicalmente eu
não acho que estamos seguindo a mesma
linha dos trabalhos anteriores, claro, continuamos
sendo uma banda pesada com forte influência
dos Anos 70, mas esse Ep é muito mais
pesado que as demos, as músicas estão
bem mais “sujas” em sua sonoridade
e procuramos manter uma linha mais direta
com músicas menos complexas. O “Redemption”
é uma continuação da
nossa proposta enquanto atitude, o título
do trabalho reflete bem isso, tanto é
que nós “aproveitamos e melhoramos”
as músicas que tínhamos numa
fitinha k7 na época, porque na origem
elas estavam horríveis e as músicas
que estavam sendo feitas antes da separação
da banda eram ruins, eu estava odiando aquilo
(risos).
|
TGZ:
A divulgação desse material,
como vem sendo feita? Vocês pretendem
licencia-lo para algum selo? Pretendem lançar
no exterior?
|
Luis
Carlos De início
até cogitamos essa possibilidade, mas
só rolaram propostas vazias e que só
atrasariam nosso trabalho e como tínhamos
muita coisa pra fazer, resolvemos lançar
por nossa conta. O que fizemos até
então foi divulgar pro Japão,
Peru, etc e o My Space (www.myspace.com/statikmajikbrazil)
da banda tem servido de divulgação,
já que nossa música tem chegado
a diversos países como Suécia,
México, Grécia, Estados Unidos
e o número de visitas e membros em
nossa comunidade têm crescido cada vez
mais, e pra ser sincero, nós procuramos
divulgar a banda mais por aqui mesmo, justamente
porque a gente precisava se organizar por
conta do término da banda, já
que tínhamos e estávamos perdendo
algumas oportunidades por conta disso e precisávamos
reconquistar nosso espaço e nossa dignidade.
Mas surpreendente mesmo foram os shows de
divulgação que superaram nossas
expectativas, tocamos em Macaé, Minas
Gerais (num evento que contou com sepultura
e público de 5 mil pessoas), em eventos
no RJ com público legal, agitando muito
e adquirindo nosso material, ou seja, acima
das expectativas pra uma banda que tinha acabado
recentemente, vindo de brigas internas e fazendo
pouquíssimos shows e produzindo pouco.
|
TGZ:
Com a formação incompleta
fica complicado fazer shows, certo? Se bem
que podem convidar amigos para dar uma força,
mas vocês tem tocado para divulgar esse
novo material? |

Luis
Carlos Nada pode parar
a Statik Majik (risos)... Falando sério,
o que fica é a música não
as pessoas, a Statik já provou que
pode superar qualquer problema e isso não
vai nos atrapalhar em nada, tudo ao seu tempo
e estamos fazendo tudo certo, e como disse
na resposta anterior, ta tudo ok e é
vida que segue, não vai ser uma mudança
de formação que vai parar a
Statik.
Rafael Tavares: Acho que conseguimos fazer
uma divulgação legal do material...
A sorte, digamos assim, é que a formação
ficou incompleta num momento onde a banda
não tinha nenhum plano de shows pela
frente, atualmente estamos nos concentrando
apenas na composição das músicas
novas. Claro que o desenvolvimento acaba ficando
um pouco prejudicado pela falta de um elemento
importante como o baixo, ainda mais pra uma
banda de um guitarrista só. Mas se
o White Stripes se vira asim, porque não
poderíamos também? (risos) Mas
já temos alguns baixistas interessados
em tocar conosco, em breve começaremos
os testes e, assim que tudo estiver certo,
iremos anunciar o nome do baixista que irá
tocar conosco e voltaremos a nos focar no
material novo, que está ficando ótimo!
|
TGZ:
A proposta sonora feita pelo Statik
Majik é embasada no Stoner Rock com
influências de bandas setentistas e
oitentistas, mas as letras trazem o mesmo
clima das mesmas? |
Rafael
Tavares Letra de música
é algo meio complicado... Você
pode falar sobre o que você quiser,
mas o mais importante é o conceito
e a relevância daquilo que está
sendo cantado. Eu gosto de escrever letras
sobre experiências as quais passei,
coisas que eu vejo ao meu redor, expectativas
que tenho para o futuro, enfim, coisas pessoais,
palpáveis, fácil de serem compreendidas
e que possam fazer com que o ouvinte se identifique.
Eu posso fazer uma letra super foda, falando
sobre coisas super legais e tudo mais, mas
se eu não vivi aquilo, a coisa acaba
ganhando um clima meio clichê, o que
faz perder toda sua credibilidade. A não
ser, é claro, que a letra seja baseada
em algum filme ou livro, mas de qualquer forma
estará sendo baseada em algo que mexeu
comigo, então terá sua relevância.
Eu pelo menos não me preocupo em fazer
letras que se enquadrem à determinado
clima, o que interessa no final das contas
é que a letra tenha a cara da Statik
Majik e que todos fiquem de acordo com tal.
E no fim das contas acaba dando certo.
|
TGZ:
Eu acho legal quando uma banda procura
resgatar as raízes do Metal, mas quando
feito com naturalidade sem forçar a
barra! Vocês devem ser questionados
quanto à musicalidade que se propõe
a tocar, mas qual a opinião de vocês
como músicos e como fãs sobre
essa proposta, digamos que datada de fazer
som? |
Luis
Carlos Já fomos
questionados por utilizar um vocal mais Heavy
em som Stoner, por usar pedal duplo, mas e
daí? Nós fazemos primeiro o
que nos agrada, pra depois agradar os outros,
não vamos aceitar tais regras pra se
enquadrar num estilo... Resgatar as raízes
de um estilo não significa copiar o
que foi feito na época, nós
temos influências dos anos 70, mas não
vamos nos limitar porque temos influências
de sons da época e pra ser sincero,
eu acho saudosismo uma chatice, quem vive
de passado é museu (risos)... Passamos
o passado, vivemos o presente e queremos o
futuro, a Statik tem influências dos
anos 70, mas a Statik nasceu em 2002. Se essas
pessoas vivem seu presente do passado, o que
elas serão amanhã? Eu estou
com 35 anos, curto som pesado desde 1983,
mas não vou deixar de ouvir coisas
novas, no meu som toca naturalmente um Grand
Funk, Black Sabbath, mas também toca
Black Label Society e System of a Down. Essas
pessoas que percam seu tempo com questionamentos,
eu não peço dinheiro a elas
pra compra meus vinis e cd´s (risos).
|
TGZ:
Na opinião de vocês, o radicalismo
na cena Metal underground é algo prejudicial
ou necessário? |
Marlon
Guedes Tudo em demasia
é prejudicial, mas mostrar atitude
através disso pode ser muito legal.
Rafael
Tavares Uma vez um amigo
meu me falou uma coisa muito certa: “Os
músicos mais humildes, mais legais
e mais cabeças são em sua grande
maioria, os músicos de bandas grandes.”,
sempre achei isso meio sem noção,
pois ouvimos tantas histórias sobre
músicos temperamentais, mas tive a
oportunidade de trabalhar com a banda do Sebastian
Bach (ex-Skid Row) em 2005 e comprovei o que
este meu amigo me falou. Os caras têm
anos de estrada, todos já tocaram com
grandes artistas antes e todos eles foram
super legais, acessíveis, humildes...
E no show do Bach em Porto Alegre eu conheci
o Edu Falaschi (Angra), outro cara super legal
e humilde. Aí eu chego pra bater um
papo com uns babacas de uma banda de merda
(não vou citar nomes, eles não
merecem), que só tocam em lugar pé
sujo, e eles se portam como se fossem os Rolling
Stones, intocáveis, superiores... Eu
não vou nem entrar no mérito
musical, pois quando a índole da pessoa
já é duvidosa, eu não
quero nem saber da capacidade artística
deles, aliás, 90% das bandas de Metal
do underground não têm uma identidade
artística, eles só repetem,
de forma mal feita, algo que já foi
feito, re-feito, e feito mais uma vez há
10, 20 anos atrás. Nada contra Iron
Maiden ou Judas Priest, mas porra, estou de
saco cheio de ver covers do Bruce Dickinson
e Rob Halford por aí, que tal deixar
de copiar seu ídolo e tentar fazer
algo que tem a sua cara? As vezes isso dá
certo. A graça de ser músico
é a oportunidade de se destacar, e
não ser apenas mais um na multidão.
Radicalismo, seja ele qual for, nunca é
algo bom, é sempre um câncer
que corrói a todos ao seu redor.
Luis
Carlos (risos) Mas esse
é o grande problema, infelizmente o
radicalismo vem de mão dada com a intolerância
e a prepotência, se ele viesse pra somar,
mas não, sempre acaba desunindo e pra
ser sincero eu acho que a gente deve cobrar
é de si mesmo e não ficar de
fiscal da vida alheia (risos). Acontece que
o radicalismo vem embasado mais no visual
do que na atitude e pessoas assim nem duram
muito tempo, logo elas estarão dançando
calypso ou freqüentando uma igreja evangélica
(risos).
|
TGZ:
Quando teremos a honra de assistir a
um show do Statik Majik, ou seja, quando vocês
tocaram aqui pelo Nordeste? |
Marlon
Guedes Pô, quando
surgir o convite! (risos) eu adoraria tocar
por aí, sem contar que o Nordeste tem
lugares maravilhosos.
Rafael
Tavares É só
nos chamar que iremos!! Ei, promotores de
shows do Nordeste, entrem em contato conosco!!
Queremos muito fazer shows por aí!!!
Luis
Carlos Seria uma honra
pra nós tocarmos pro povão do
nordeste, um povo que ama muito o rock pesado
e o Marlon disse bem, tem muitos lugares lindos
aí e quem sabe no ano que vem com o
cd lançado e propostas legais aí
de vocês.
|
TGZ:
Obrigado pela atenção, desejo
que vocês dêem continuidade a
saga promissora do Statik Majik, estejam à
vontade para deixar suas considerações
finais. |
Marlon
Guedes Obrigado você!
Fico feliz por saber que o pessoal do nordeste
gostou do nosso som e por terem se preocupado
com a banda, obrigado mesmo, valeu!!! E a
mágica vai começar!! (risos)
Luis
Carlos Com tanta empolgação
assim, eu fico sem palavras (risos)... Bem,
Elimar, valeu mesmo pela força mais
uma vez, uma honra pra Statik figurar em seu
grande Zine, desejo pra ti todo sucesso do
mundo!
Rafael
Tavares Muito obrigado
pelo espaço cedido para a Statik Majik!
Fiquem de olho no nosso site (www.statikmajik.net)
para informações da banda, estou
louco para que vocês ouçam as
músicas novas!! Muito sucesso pra vocês
e, usando as palavras de um outro amigo meu:
“Keep on rocking mutherfucker!!”
|
| |
|
| |
| |
|
|