» ENTREVISTA: STOMACHALCORROSION «

- Perguntas : Orleon Machado (Colaborador)-
- Respostas : Charlie (Guitarra) e Cleyrison (Vocal)-
- Entrevista realizada em Julho de 2007 -

A/c Charlie F. Curcio
Rua Capitão Soares, 438 – Cambuí/MG – 37600-000 - Brasil
E-mail: charlie.sxcx@ig.com.br - MSN: charlie.sc@hotmail.com
Site: www.stomachalcorrosion.com.br - My Space: www.myspace.com/stomachalcorrosion


Palavras corrosivas: "O StomachalCorrosion é uma banda que foi formada em uma época em que o Grindcore estava começando no Brasil e este estilo chegou bem desvirtuado na cena nacional, influenciado por bandas podres da época, como Pungent Stench, Carcass, etc. e haviam as bandas do esdrúxulo Satanic Grindcore...”. Podes crer, confiram na íntegra essa estomacal entrevista desta banda que iniciou sua jornada no estado da Paraíba e hoje é radicada em Minas Gerais...

TGZ: Salve amigo Charlie, que no distante ano de 1991 resolve dar vida a uma das mais expressivas bandas de Grind do Brasil, hoje a StomachalCorrosion se diferencia no que e em que desde seu surgimento?

Charlie Hoje temos uma formação fixa, temos certa experiência, sabemos melhor o que fazer e com quem. Tivemos muitas decepções no decorrer destes 16 anos de vida e isso nos fez aprender muitas coisas. No início também eu escrevia letras sobre temas Splatter e Gore, mas logo passei a escrever sobre temas mais reais e de maneira mais direta.

TGZ: Temáticas Gore/Splatter nas composições, uma fase de “retaliações” hein velho! Letras de abordagens mais atuais, ou seja, próxima à realidade, qual o porquê desta mudança e já que relatam um cotidiano vivido você acha que ainda pode se melhorar um pouco, o nosso rumo de vida, com toda esta politicagem no Brasil?

Charlie O StomachalCorrosion é uma banda que foi formada em uma época em que o Grindcore estava começando no Brasil e este estilo chegou bem desvirtuado na cena nacional, influenciado por bandas podres da época, como Pungent Stench, Carcass, etc. e haviam as bandas do esdrúxulo Satanic Grindcore. Mas, com o tempo, as reais raízes do estilo foram surgindo e sendo assumidos pelas bandas que ficaram vivas. O Grindcore provém do Hardcore, que por sua vez vem do Punk, então a temática mais social é algo natural. As mudanças foram algo naturais, nada pra acompanhar este ou aquele movimento, moda ou o quê quer que seja. Apenas você não pode fazer Black Metal falando que Jesus é a salvação. Entendeu?
E se há como as coisas melhorarem? Bem, isso é um processo que começa de dentro pra fora. Se continuarmos fazendo como muitas pessoas de religiões, que vão à igreja e templo, mas se prendem em fofocas, maus pensamentos, más intenções, etc, nada muda. Devemos de início viver bem conosco e com os que nos rodeiam, sem falsidades e mentiras. A palavra chave é “Respeito”.


TGZ: Cara, a StomachalCorrosion inicia sua jornada no estado da Paraíba e hoje é radicada em Minas Gerais, relate-nos essa mudança de localidade.

Charlie Eu resolvi voltar a morar em Minas por motivos pessoais, não teve nada a ver com a banda. Mas como os antigos membros da banda não se interessaram em continuar por lá, eu trouxe a proposta comigo e reformulei a StomachalCorrosion por aqui. O Cleyrison é o que está há mais tempo nesta nova trajetória, depois de mim.


TGZ: A banda opta por expressar Grindcore, estilo musical onde podemos notar ser um divisor de águas aos que escutam Metal por estarem assimilando o estilo ao Punk (que não deixa de ter uma coerência). Vocês olham isto como um problema para divulgar a banda e o quê opinam sobre estas pessoas que seguem este raciocínio, de não acatarem o estilo?

Cleyrison Eu vejo que hoje a banda tem tocado em eventos que se diferem, e até umas vezes se distanciam muito do que deveria ser o público a que o som é direcionado; isto porque não conseguimos fechar com as “gigs” e demais eventos que se realizam, principalmente no eixo paulista. E a minha opinião sobre isso é a seguinte: “dane-se!”. Tocamos junto de bandas Black Metal, Death Metal, Heavy tradicional e melódico e demais estilos que diferem muito do Grind. Estamos muito satisfeitos com a receptividade desses públicos e isso para nós é de extrema satisfação.

Charlie Realmente, não podemos nos limitar “a este ou aquele pessoal”. Se recebemos um forte apoio de determinada galera, então estamos junto. Se nos fecham as portas em outro lugar, partimos para outros meios. Acho que em São Paulo muita gente pensa que moramos muito longe de lá, o que não é verdade. E estamos satisfeitos com os resultados que temos conseguido. Veja nossa participação no “Roça’n’roll” em 2006, em Varginha, o que nos rendeu uma participação gratuita no DVD do festival. E ainda o chamado da revista Roadie Crew para que participássemos, em 2007 da seletiva de bandas para o Wacken Open Air. Vejo que o Grindcore está entre o Metal e o Hardcore, pois isso pode agradar a muitas pessoas que às vezes gostam de um e não do outro estilo.

TGZ: As trocas de formações sempre foi um fator relevante na trajetória da banda, sendo você a base fixa de todas estas formações. No que isto implicou na carreira do StomachalCorrosion, sonoramente, pessoalmente e de conjunto? Já pensou em desistir por motivos de não encontrar alguém para suprir vagas deixadas.

Charlie O fato de eu sempre estar presente faz com que a cara inicial da banda ainda seja praticamente a mesma. Mas claro que cada pessoa que entra no lugar de alguém que saiu traz consigo suas influências e vontades para a banda. Só que o StomachalCorrosion é uma banda que já existe há um bom tempo e não é permitido que alguém que entre agora, mude tudo. O principal é o respeito pelo trabalho a que se propõe a banda. Eu mesmo que fundei a banda, respeito isso! Já tive vontade de sair da banda sim, mas por motivos pessoais. O engraçado é que quando fiquei um tempo sozinho, continuei com muita gana para que a banda não morresse no meio e que as pessoas continuasse lembrando do nome “StomachalCorrosion”.

TGZ: O Cd “Transtorno Obsceno Repulsivo” com certeza é mais um dos marcos na carreira do StomachalCorrosion, por que uma demora considerável para lançar este debut?

Charlie Sim, é nosso primeiro CD só nosso, depois de dois Splits e um monte de compilações pelo mundo afora. A demora se deu por vários e vários motivos. Não convém ficar aqui os enumerando ou “dando nomes aos bois”, você sabe, achando os culpados para isso ou aquilo. O que importa é que o CD taí e agora é ouvir a bagaceira até os ouvidos sangrarem, ou corroerem; né?!

TGZ: São dezenove sons cantados entre a língua portuguesa e inglesa, e como vocês já tem um certo conhecimento fora do território nacional, foi proposital essa intercalação nas composições dos sons?

Charlie Na realidade tem um som com a letra em ‘Esperanto’ também, “Homo Sufero”, (Sofrimento Humano). Não fazemos música pra agradar a este ou aquele povo. Não temos a pretensão de atingir o mercado exterior e esses papos. Escrevemos no idioma em que nos dá vontade. O novo material está sendo escrito todo em português, mas não é proposital. Se pensar bem, veremos que quem incutiu a idéia de letras em inglês foi o Sepultura, mesmo sem nem saber o idioma. Lembre das bandas mais antigas (Dorsal, Extermínio, RDP, Cólera, Centúrias, Korzuz, Harppia, Salário Mínimo, Overdose, etc) todas cantavam em português. Até o RDP cantou em inglês depois que o Sepultura ganhou o mundo.

TGZ: Um álbum que com certeza servirá como cartão de visita da banda a estar dando passos mais largos no meio underground. Há algo planejado para melhor estar elevando o nome do StomachalCorrosion na mídia especializada?

Charlie Somos uma banda que corre atrás sim, mas sem a paranóia de planos futuros e as metas para o próximo ano e estas coisas. Recebemos uma proposta para gravarmos um DVD e vamos fazê-lo num show em Pouso Alegre/MG no dia 28 de julho. Também um amigo nosso se mostrou interessado em produzir um clip nosso. E estamos abraçando a idéia, vamos fazer, divulgar e tal, mas sabemos que muitas portas podem se abrir ou não. De qualquer forma a banda existirá com DVD e vídeo clip ou não. O som do clip com certeza será um do “Transtorno...”.

TGZ: E como está o processo de organização, produção...para gravação desde o DVD e do clip, se der nos adiante algo sobre este clip, que música será e como vai ser?

Charlie O DVD será adiado para o momento, devido a uma mudança na nossa formação recentemente, bem na época dos preparativos para a gravação do show em Pouso Alegre-MG. E o clip também será adiado para uma próxima gravação, pois não dá pra gravar um clip tendo outra pessoa que não tenha sido a mesma da gravação, concorda?

TGZ: Enfim, a pós-produção do CD agradou a vocês ou depois notaram que poderiam ter melhorado algo aqui ou ali, esta forma de avaliação serve para estar mais bem preparado para um próximo trabalho; concordam?

Charlie Sinceramente, não fico procurando defeitos ou falhas neste novo CD, o “Transtorno Obsceno Repulsivo”, pois passamos todo tipo de aborrecimentos, decepções, pressões e dificuldades para que este CD saísse e estivesse agora disponível. Se o próximo sair melhor, será algo natural, algo que faremos se contarmos com profissionais da qualidade dos que trabalharam conosco no “Transtorno...”. Já temos uns sons novos, que estão mais “trampados” do que os que apresentamos neste último CD, o que é um processo natural de uma estabilidade na formação como um todo. Hoje sabemos os limites de um de outro e isso facilita muito nas composições.

TGZ: Muitos splits com outros nomes do cenário nacional e mundial, de que forma toda esta atmosfera de apoio influenciou para formar o caráter musical da banda?

Charlie Nunca gostei de perder as oportunidades, se tenho o material sonoro em mãos, mando e entramos no projeto de quem nos convidou, se não corro atrás e na maioria das vezes entramos. Nossos splits sempre foram com bandas de estilos bem próximos ao nosso, como Agathocles, Jan Agx, Genital Tumour, Violenta Dizimação, Los Suppositos, IMDL, etc... Isso prova que sempre trabalhamos no Underground.

TGZ: Os splits com certeza são uma ótima forma de divulgação tanto financeiramente como de exposição das bandas, afinal, podemos tomar conhecimento de duas ou até três bandas em um só trabalho. E com este formato de divulgação é que a camaradagem se torna um fator primordial. Em meio a anos de splits lançados com outras bandas, algum trabalho que marcou, descontentou, foi complicado de realizar e quais outros projetos futuros nesta linha?

Charlie Com toda certeza o split que mais me marcou, pessoalmente, foi o com o Agathocles. Apesar de termos sido a primeira banda a lançar um split com eles, que foi nossa split K7, antes até do que o split EP com o Rot. Não temos nenhum split que renegamos, muito pelo contrário, todos me dão satisfação e honra. Sobre projetos futuros, é como falei acima, temos o DVD em julho e o clip sem previsão, mas deve ser feito ainda neste ano de 2007. Vale salientar que este nosso DVD será gravado com várias câmeras, som digital, capa em papel couchê e mídia silkada.

TGZ: O CD “Transtorno...” foi lançado pela gravadora Nosferátus Recs. Como rolou este contato estão satisfeitos com o trabalho desenvolvido pelo selo e a divulgação e aceitação do trabalho está sendo o esperado por vocês.

Charlie Já é o segundo lançamento nosso pela Nosferatu Rec., do nosso amigo Rodrigo J. Lucas. Acredito que ele faz o que pode pela banda. Não podemos esperar que ele faça muito e a nós fique o encargo só de tocar, ele não é nosso empresário. Nós dividimos a parte de divulgação e distribuição dos nossos lançamentos. Cara, o CD tem recebido muitos elogios. Isso é bom, passamos muitos perrengues para que ele saísse e os comentários positivos nos dão a sensação de que não foi em vão.


TGZ: Logo é isto amigos, agradecemos a atenção e o tempo cedido para realização desta entrevista, sorte em vossas jornadas tanto pessoal como profissional.

Charlie Nós que agradecemos pelo espaço e apoio. É sempre bom termos oportunidade de falarmos sobre a banda. Às pessoas que se interessarem, entrem em contato. O nosso CD está disponível pelo valor de R$20,00 via correio, já com a postagem inclusa. E acredite em você mesmo!
Escreva-nos nos seguintes endereços: Charlie F. Curcio – Rua Capitão Soares, 438 – Cambuí/MG – 37600-000 - Brasil
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