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ENTREVISTA: STOMACHALCORROSION
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Perguntas : Orleon
Machado (Colaborador)-
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- Respostas :
Charlie (Guitarra)
e Cleyrison (Vocal)-
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- Entrevista
realizada em Julho de 2007 -
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Palavras
corrosivas: "O
StomachalCorrosion é uma banda
que foi formada em uma época
em que o Grindcore estava começando
no Brasil e este estilo chegou bem desvirtuado
na cena nacional, influenciado por bandas
podres da época, como Pungent
Stench, Carcass, etc. e haviam as bandas
do esdrúxulo Satanic Grindcore...”.
Podes crer, confiram na íntegra
essa estomacal entrevista desta banda
que iniciou sua jornada no estado da
Paraíba e hoje é radicada
em Minas Gerais...
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TGZ:
Salve amigo Charlie, que no distante
ano de 1991 resolve dar vida a uma das mais
expressivas bandas de Grind do Brasil, hoje
a StomachalCorrosion se diferencia no que
e em que desde seu surgimento?
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Charlie
Hoje temos uma formação fixa,
temos certa experiência, sabemos melhor
o que fazer e com quem. Tivemos muitas decepções
no decorrer destes 16 anos de vida e isso
nos fez aprender muitas coisas. No início
também eu escrevia letras sobre temas
Splatter e Gore, mas logo passei a escrever
sobre temas mais reais e de maneira mais direta.
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TGZ:
Temáticas Gore/Splatter nas composições,
uma fase de “retaliações”
hein velho! Letras de abordagens mais atuais,
ou seja, próxima à realidade,
qual o porquê desta mudança e
já que relatam um cotidiano vivido
você acha que ainda pode se melhorar
um pouco, o nosso rumo de vida, com toda esta
politicagem no Brasil? |

Charlie
O StomachalCorrosion é uma banda que
foi formada em uma época em que o Grindcore
estava começando no Brasil e este estilo
chegou bem desvirtuado na cena nacional, influenciado
por bandas podres da época, como Pungent
Stench, Carcass, etc. e haviam as bandas do
esdrúxulo Satanic Grindcore. Mas, com
o tempo, as reais raízes do estilo
foram surgindo e sendo assumidos pelas bandas
que ficaram vivas. O Grindcore provém
do Hardcore, que por sua vez vem do Punk,
então a temática mais social
é algo natural. As mudanças
foram algo naturais, nada pra acompanhar este
ou aquele movimento, moda ou o quê quer
que seja. Apenas você não pode
fazer Black Metal falando que Jesus é
a salvação. Entendeu?
E se há como as coisas melhorarem?
Bem, isso é um processo que começa
de dentro pra fora. Se continuarmos fazendo
como muitas pessoas de religiões, que
vão à igreja e templo, mas se
prendem em fofocas, maus pensamentos, más
intenções, etc, nada muda. Devemos
de início viver bem conosco e com os
que nos rodeiam, sem falsidades e mentiras.
A palavra chave é “Respeito”.
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TGZ:
Cara, a StomachalCorrosion inicia sua
jornada no estado da Paraíba e hoje
é radicada em Minas Gerais, relate-nos
essa mudança de localidade. |
Charlie
Eu resolvi voltar a morar em Minas por motivos
pessoais, não teve nada a ver com a
banda. Mas como os antigos membros da banda
não se interessaram em continuar por
lá, eu trouxe a proposta comigo e reformulei
a StomachalCorrosion por aqui. O Cleyrison
é o que está há mais
tempo nesta nova trajetória, depois
de mim.
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TGZ:
A banda opta por expressar Grindcore, estilo
musical onde podemos notar ser um divisor
de águas aos que escutam Metal por
estarem assimilando o estilo ao Punk (que
não deixa de ter uma coerência).
Vocês olham isto como um problema para
divulgar a banda e o quê opinam sobre
estas pessoas que seguem este raciocínio,
de não acatarem o estilo? |

Cleyrison
Eu vejo que hoje a banda tem tocado em eventos
que se diferem, e até umas vezes se
distanciam muito do que deveria ser o público
a que o som é direcionado; isto porque
não conseguimos fechar com as “gigs”
e demais eventos que se realizam, principalmente
no eixo paulista. E a minha opinião
sobre isso é a seguinte: “dane-se!”.
Tocamos junto de bandas Black Metal, Death
Metal, Heavy tradicional e melódico
e demais estilos que diferem muito do Grind.
Estamos muito satisfeitos com a receptividade
desses públicos e isso para nós
é de extrema satisfação.
Charlie
Realmente, não podemos nos limitar
“a este ou aquele pessoal”. Se
recebemos um forte apoio de determinada galera,
então estamos junto. Se nos fecham
as portas em outro lugar, partimos para outros
meios. Acho que em São Paulo muita
gente pensa que moramos muito longe de lá,
o que não é verdade. E estamos
satisfeitos com os resultados que temos conseguido.
Veja nossa participação no “Roça’n’roll”
em 2006, em Varginha, o que nos rendeu uma
participação gratuita no DVD
do festival. E ainda o chamado da revista
Roadie Crew para que participássemos,
em 2007 da seletiva de bandas para o Wacken
Open Air. Vejo que o Grindcore está
entre o Metal e o Hardcore, pois isso pode
agradar a muitas pessoas que às vezes
gostam de um e não do outro estilo.
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TGZ:
As trocas de formações sempre
foi um fator relevante na trajetória
da banda, sendo você a base fixa de
todas estas formações. No que
isto implicou na carreira do StomachalCorrosion,
sonoramente, pessoalmente e de conjunto? Já
pensou em desistir por motivos de não
encontrar alguém para suprir vagas
deixadas.
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Charlie
O fato de eu sempre estar presente faz com
que a cara inicial da banda ainda seja praticamente
a mesma. Mas claro que cada pessoa que entra
no lugar de alguém que saiu traz consigo
suas influências e vontades para a banda.
Só que o StomachalCorrosion é
uma banda que já existe há um
bom tempo e não é permitido
que alguém que entre agora, mude tudo.
O principal é o respeito pelo trabalho
a que se propõe a banda. Eu mesmo que
fundei a banda, respeito isso! Já tive
vontade de sair da banda sim, mas por motivos
pessoais. O engraçado é que
quando fiquei um tempo sozinho, continuei
com muita gana para que a banda não
morresse no meio e que as pessoas continuasse
lembrando do nome “StomachalCorrosion”.
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TGZ:
O Cd “Transtorno Obsceno
Repulsivo” com certeza é mais
um dos marcos na carreira do StomachalCorrosion,
por que uma demora considerável para
lançar este debut? |

Charlie
Sim, é nosso primeiro CD só
nosso, depois de dois Splits e um monte de
compilações pelo mundo afora.
A demora se deu por vários e vários
motivos. Não convém ficar aqui
os enumerando ou “dando nomes aos bois”,
você sabe, achando os culpados para
isso ou aquilo. O que importa é que
o CD taí e agora é ouvir a bagaceira
até os ouvidos sangrarem, ou corroerem;
né?!
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TGZ:
São dezenove sons cantados entre
a língua portuguesa e inglesa, e como
vocês já tem um certo conhecimento
fora do território nacional, foi proposital
essa intercalação nas composições
dos sons? |
Charlie
Na realidade tem um som com a letra em ‘Esperanto’
também, “Homo Sufero”,
(Sofrimento Humano). Não fazemos música
pra agradar a este ou aquele povo. Não
temos a pretensão de atingir o mercado
exterior e esses papos. Escrevemos no idioma
em que nos dá vontade. O novo material
está sendo escrito todo em português,
mas não é proposital. Se pensar
bem, veremos que quem incutiu a idéia
de letras em inglês foi o Sepultura,
mesmo sem nem saber o idioma. Lembre das bandas
mais antigas (Dorsal, Extermínio, RDP,
Cólera, Centúrias, Korzuz, Harppia,
Salário Mínimo, Overdose, etc)
todas cantavam em português. Até
o RDP cantou em inglês depois que o
Sepultura ganhou o mundo.
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TGZ:
Um álbum que com certeza servirá
como cartão de visita da banda a estar
dando passos mais largos no meio underground.
Há algo planejado para melhor estar
elevando o nome do StomachalCorrosion na mídia
especializada? |
Charlie
Somos uma banda que corre atrás sim,
mas sem a paranóia de planos futuros
e as metas para o próximo ano e estas
coisas. Recebemos uma proposta para gravarmos
um DVD e vamos fazê-lo num show em Pouso
Alegre/MG no dia 28 de julho. Também
um amigo nosso se mostrou interessado em produzir
um clip nosso. E estamos abraçando
a idéia, vamos fazer, divulgar e tal,
mas sabemos que muitas portas podem se abrir
ou não. De qualquer forma a banda existirá
com DVD e vídeo clip ou não.
O som do clip com certeza será um do
“Transtorno...”.
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TGZ:
E como está o processo de organização,
produção...para gravação
desde o DVD e do clip, se der nos adiante
algo sobre este clip, que música será
e como vai ser? |
Charlie
O DVD será adiado para o momento, devido
a uma mudança na nossa formação
recentemente, bem na época dos preparativos
para a gravação do show em Pouso
Alegre-MG. E o clip também será
adiado para uma próxima gravação,
pois não dá pra gravar um clip
tendo outra pessoa que não tenha sido
a mesma da gravação, concorda?
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TGZ:
Enfim, a pós-produção
do CD agradou a vocês ou depois notaram
que poderiam ter melhorado algo aqui ou ali,
esta forma de avaliação serve
para estar mais bem preparado para um próximo
trabalho; concordam? |
Charlie
Sinceramente, não fico procurando defeitos
ou falhas neste novo CD, o “Transtorno
Obsceno Repulsivo”, pois passamos todo
tipo de aborrecimentos, decepções,
pressões e dificuldades para que este
CD saísse e estivesse agora disponível.
Se o próximo sair melhor, será
algo natural, algo que faremos se contarmos
com profissionais da qualidade dos que trabalharam
conosco no “Transtorno...”. Já
temos uns sons novos, que estão mais
“trampados” do que os que apresentamos
neste último CD, o que é um
processo natural de uma estabilidade na formação
como um todo. Hoje sabemos os limites de um
de outro e isso facilita muito nas composições.
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TGZ:
Muitos splits com outros nomes do cenário
nacional e mundial, de que forma toda esta
atmosfera de apoio influenciou para formar
o caráter musical da banda? |
Charlie
Nunca gostei de perder as oportunidades, se
tenho o material sonoro em mãos, mando
e entramos no projeto de quem nos convidou,
se não corro atrás e na maioria
das vezes entramos. Nossos splits sempre foram
com bandas de estilos bem próximos
ao nosso, como Agathocles, Jan Agx, Genital
Tumour, Violenta Dizimação,
Los Suppositos, IMDL, etc... Isso prova que
sempre trabalhamos no Underground.
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TGZ:
Os splits com certeza são uma ótima
forma de divulgação tanto financeiramente
como de exposição das bandas,
afinal, podemos tomar conhecimento de duas
ou até três bandas em um só
trabalho. E com este formato de divulgação
é que a camaradagem se torna um fator
primordial. Em meio a anos de splits lançados
com outras bandas, algum trabalho que marcou,
descontentou, foi complicado de realizar e
quais outros projetos futuros nesta linha? |
Charlie
Com toda certeza o split que mais me marcou,
pessoalmente, foi o com o Agathocles. Apesar
de termos sido a primeira banda a lançar
um split com eles, que foi nossa split K7,
antes até do que o split EP com o Rot.
Não temos nenhum split que renegamos,
muito pelo contrário, todos me dão
satisfação e honra. Sobre projetos
futuros, é como falei acima, temos
o DVD em julho e o clip sem previsão,
mas deve ser feito ainda neste ano de 2007.
Vale salientar que este nosso DVD será
gravado com várias câmeras, som
digital, capa em papel couchê e mídia
silkada.
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TGZ:
O CD “Transtorno...” foi lançado
pela gravadora Nosferátus Recs. Como
rolou este contato estão satisfeitos
com o trabalho desenvolvido pelo selo e a
divulgação e aceitação
do trabalho está sendo o esperado por
vocês. |
Charlie
Já é o segundo lançamento
nosso pela Nosferatu Rec., do nosso amigo
Rodrigo J. Lucas. Acredito que ele faz o que
pode pela banda. Não podemos esperar
que ele faça muito e a nós fique
o encargo só de tocar, ele não
é nosso empresário. Nós
dividimos a parte de divulgação
e distribuição dos nossos lançamentos.
Cara, o CD tem recebido muitos elogios. Isso
é bom, passamos muitos perrengues para
que ele saísse e os comentários
positivos nos dão a sensação
de que não foi em vão.
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TGZ:
Logo é isto amigos, agradecemos a atenção
e o tempo cedido para realização
desta entrevista, sorte em vossas jornadas
tanto pessoal como profissional. |
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