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Perguntas : Elimar
Oliveira - |
- Respostas :
Sérgio Bezz, Cláudio
Bezz e Beto de Gasperis-
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- Entrevista
realizada em Abril de 2007 -
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São
vinte e seis anos de história,
resumidos em três álbuns
e duas demos, infelizmente a história
foi interrompida nos anos noventa, mas
os deuses do Metal sem encarregaram
de ressuscitar um dos maiores nomes
da história do Metal Nacional...
E para saber mais da história
dessa lenda, agora viva, conversamos
com os dois fundadores os irmãos
Claudio e Sérgio Bezz e o novo
integrante Beto de Gasperis (baixo).
Com vocês: Taurus!
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TGZ:
É uma honra ter o Taurus em nossas
páginas, sejam bem vindos!!! Bem, pra
começar, fale como foi formar uma banda
de Metal no início dos anos oitenta
no Brasil?
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Sérgio
Bezz - Para nós
foi muito natural, já que éramos
amigos e escutávamos juntos o que havia
na época de Metal. Os ensaios foram
em grande freqüência, o que acho,
nos deu uma pegada forte para época,
e nos levou rapidamente ao circuito de shows
e gravações. Sabemos que não
havia divulgação ampla do estilo
como hoje, mas o pouco que havia nos apoiava
bastante, e nos deu chance de circular pelo
país.
Cláudio
Bezz - Aliás, quero
dizer que a força que sempre tivemos
dos "fanzines" da época,
foi fator primordial para que tivéssemos
alguma divulgação... Hoje, os
webzines fazem esse papel... Espero sempre
tê-los ao nosso lado
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TGZ:
Vocês lançaram duas demos
uma em 85 e outra em 86, para no mesmo ano
lançar o clássico debut full-length
“Signo de Taurus”, qual foi a
repercussão na época aqui no
Brasil e fora com esse lançamento?
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Sérgio Bezz - Foi
grande, inesperada. O impacto no Brasil foi
evidente para nós, recebíamos
de todos os cantos notícias disso.
No exterior foi mais tímida. A língua
certamente dificultava a entrada. Ainda assim
em alguns países era bem recebido.
Beto
de Gasperis - Qualquer
um que gostasse de Metal naquela época
ficaria sabendo da existência do Taurus
a partir do lançamento do "Signo".
Até hoje é possível encontrar
referências a ele em sites de países
como Alemanha, Holanda, Colômbia, Estados
Unidos e Itália. Pena eu não
fazer parte da construção deste
disco.
Cláudio
Bezz - Deixamos de lançar
o disco na Alemanha por causa da língua.
Hoje, tenho certeza que seria ao contrário.
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TGZ:
Na época havia uma resistência
em se lançar na Europa e Estados Unidos
bandas de Metal que não cantassem em
inglês, esse foi o motivo para o segundo
álbum “Trapped in Lies”
adotasse o inglês para suas letras? |
Sérgio
Bezz - Foi. Queríamos
experimentar compor em inglês, e tínhamos
muita expectativa de ter o disco lançado
fora do país, o que acabou não
se concretizando. Na época as oportunidades
eram bem escassas para isso. Mesmo assim valeu
a pena.
Cláudio
Bezz - Como já falei,
não conseguimos lançar o "Signo"
no exterior por causa da língua. Acho
natural que nós mudássemos as
letras para o inglês. O "domínio"
da língua inglesa, no Rock, se dava
em todo o planeta. Hoje não é
bem assim, mas realmente, a sonoridade original
é o inglês, apesar de reconhecer
o "sotaque" no rock (em geral) brasileiro!
A nossa intenção era poder chegar
a muitos lugares onde não tínhamos
como chegar, a não ser com a ajuda
do Inglês!
Beto
de Gasperis - Vide várias
bandas do Brasil e de outros países
também que conseguiram "furar"
o bloqueio que os países de língua
inglesa impõem.
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TGZ:
Fora o idioma não vejo lá tanta
diferença do segundo álbum “Trapped...”
pro debut, claro que a pegada está
mais coesa, mas enfim, o segundo disco agradou
a banda e aos admiradores do Taurus na época?
Há um cover pra “Communication
Breakdown” do Led Zeppelin, qual foi
a idéia de incluir esse cover no álbum? |
Sérgio
Bezz - Da mesma forma que
no primeiro disco as críticas foram
muito boas. Acho que havia no “Trapped...”
a marca de uma evolução musical
da banda. Estávamos tocando melhor,
os instrumentos eram melhores, e queríamos
trabalhar variações rítmicas
que englobassem levadas mais lentas, e letras
mais trabalhadas, com mensagens mais globais
e menos ideológicas como no primeiro.
Cláudio
Bezz - Vejo diferenças
sim... O "Signo" é o resultado
de toda a nossa estória, nossas referências,
instintos, etc... Já o "Trapped"
vem de uma vivência totalmente inédita
pra nós, que foram as viagens, shows,
e a maneira como compusemos o álbum.
Estávamos mais maduros e conseguimos
fazer isso transparecer. A inclusão
da versão do Led veio, justamente,
para marcar essa nova fase... Sem amadorismos.
Pensamos numa banda que tivesse o espírito
que procurávamos como "guia",
e o Led Zep é tudo isso...
Beto
de Gasperis - Acho que
o "Trapped" mostra um amadurecimento
da banda. O disco foi mais bem gravado do
que o "Signo" e apresentam arranjos
mais sofisticados e executados com perfeição
pelos integrantes, todos excelentes músicos.
Só lamento mais uma vez não
fazer deste processo. Tô ficando meio
deprimido...
Sérgio
Bezz - A idéia do
cover veio na esteira do que estávamos
ouvindo e ligados na época. Led Zepellin
é até hoje uma referência
preciosa para nós.
Cláudio
Bezz - Estávamos
a "mil", pois acabávamos
de sair da tour do "Signo", e estávamos
muito, muito empolgados com o novo disco,
“Trapped in Lies”.
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TGZ:
Aí no finalzinho dos anos
oitenta, mais precisamente em 1989 veio o
último álbum “Pornography”,
após esse lançamento houve uma
“parada”, certo? O que houve na
época? O álbum na agradou a
vocês? |
Sérgio
Bezz - Algum tempo depois
do lançamento, após alguns shows,
houve uma desmobilização da
banda. Havia muita expectativa após
o lançamento do disco. Esperávamos
coisas que não aconteceram, e isso
naturalmente nos levou a outros interesses,
até o ponto em que não nos reuníamos
mais. Curioso que em nenhum momento decretamos
o final da banda. Simplesmente paramos de
tocar juntos.
Cláudio
Bezz - Não foi isso.
O “Pornography” é o nosso
álbum mais introspectivo (em todos
os sentidos). Letras e sonoridade! Acho um
disco razoável, pois sou muito perfeccionista.
Lembro de tudo que rolou (coisas boas e ruins)
na gravação do disco. Mas a
cena Metal de então estava se deteriorando.
Os espaços pra shows eram cada vez
mais escassos, a economia do país era
uma catástrofe, as lojas especializadas
fechando (vide a Point Rock)... E tudo isso
não poderia deixar de nos influenciar.
A quantidade de "roubadas" eram
cada vez maiores... Foi um caminho natural
nos separarmos. Cada um seguiu seu caminho
e sempre estivemos próximos!
Sérgio
Bezz - Em
relação ao disco. Sim, ele refletiu
o caminho que escolhemos trilhar naquele momento.
Um som com elementos do punk e hardcore, mantendo
a característica anterior.
Cláudio
Bezz - Como meu irmão
disse, nunca decretamos o fim da banda! Simplesmente
paramos de ensaiar...
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TGZ:
É, mas os deuses do Metal não
deixariam uma lenda simplesmente sair de cena!
E vocês estão de volta! Como
foi a volta? De quem partiu a idéia?
E aproveite para nos apresentar a formação
atual do Taurus: |
Sérgio
Bezz - A volta está
sendo. Estamos nos primeiros passos, e não
sabemos como vamos caminhar. Inicialmente
a idéia era de nos reunirmos para um
show, que ainda não aconteceu. O que
está havendo é que ao souberem
disso, estão nos fazendo propostas
para apresentações em algumas
cidades. O que estamos recebendo com a maior
atenção e interesse.
Cláudio
Bezz - A formação
atual é: Jeziel (guitarra/voz), Sérgio
Bezz (bateria), eu mesmo (Cláudio Bezz
- Guitarra) e o Beto de Gásperis no
Baixo. O Beto chegou para fazer muita diferença!
Ele tem o clima e o espírito que procurávamos,
além de ser um super baixista! Acabamos
de relançar o "Signo" em
versão re-masterizada e começamos
a receber muitas mensagens nos parabenizando
pelo relançamento. Ficamos muito felizes
com isso. Pensamos em fazer um único
show, para comemorarmos esses 20 anos, mas
as coisas acabaram nos levando a uma estória
que não sabemos como vai ser... Estamos
vivendo uma coisa de cada vez... Primeiro
os shows que virão depois os outros
relançamentos, e ai veremos o que vai
ser... Acho que a estrada que iremos percorrer
será ótima, e faremos tudo para
que tenhamos uma continuação
de "responsa"... É o que
penso!
Beto
de Gasperis - Acho que
o "renascimento" do Taurus se deu
através do lançamento da edição
comemorativa de 20 anos do "Signo".
De uma hora para outra a gente se deu conta
da importância da banda para as nossas
vidas. E ainda bem que eu estava por perto
quando eles decidiram retomar as atividades...
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TGZ:
Este show será no final desse mês
de abril com o Testament no Rio de Janeiro,
certo? Como está a expectativa pra
esse show? |
Beto de Gasperis - A melhor
possível. Os ensaios têm sido
ótimos, cheios de energia e com um
volume beirando o insuportável.
Cláudio
Bezz - A maior possível.
É uma honra e um prazer poder dividir
o palco com uma banda que respeitamos tanto!
Além de ser a nossa volta oficial aos
palcos!
Beto
de Gasperis - Vai ser um
batismo de fogo pisar no Canecão e
abrir para uma banda mundialmente conhecida.
Cláudio
Bezz - a data é
27/04... O Taurus está de volta !!!!
Beto
de Gasperis - We´re
Taurus and we´re back!!!
Cláudio
Bezz - Yeah!!!
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TGZ:
Vejo que vocês estão ansiosos,
mas não poderia ser pra menos, afinal
são 20 anos hein? E tocando ao lado
de uma banda ducaralho que é o Testament,
mas de agora em diante vocês pretendem
viajar novamente pelo Brasil, lançar
álbum novo, quais planos estão
traçando de imediato? |
Cláudio
Bezz - Como disse, estamos
andando passo a passo. Primeiro os relançamentos
de toda nossa discografia (o “Trapped
in Lies” deverá estar pronto
em Julho), talvez um dvd no final do ano,
e disco novo (...) só ano que vem!
Isso se agüentarmos ficar sem gravar
alguma coisa! (risos)
Beto
de Gasperis - Acho que
vamos fazer coisas por partes. Queremos muito
fazer shows pelo país, testar o público
antigo e novo, testar novas músicas
e preparar um novo disco para 2008. Precisamos
saber se ainda nos amam...
Cláudio
Bezz - E os shows estão
começando a pintar. Estamos recebendo
muitas propostas e, se tudo der certo, estaremos
tocando por todo o Brasil em breve.
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TGZ:
Vocês já estão com
composições novas? Estão
na linha do “Trapped Lies”? |
Cláudio
Bezz - Isso vem com o tempo,
com as novas experiências, e as viagens!
Vamos abrir a caixa de surpresas mais tarde!
Beto
de Gasperis - Confidencial,
por enquanto...
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TGZ:
Ok, na época em que vocês
começaram o Metal brasileiro vivia
uma época de descobertas, com uma cena
em formação, mas muitos dizem
ter sido a melhor época, como vocês
viveram ambas as épocas o que tem de
melhor e pior em cada uma? Se vocês
pudessem viajar no tempo que trariam de volta
pra atualidade dos anos oitenta e o que levariam
pros anos oitenta de agora? |

Beto de Gasperis - Acho
que foi uma época boa, pois tudo era
novo para nós que éramos adolescentes
e fãs de Heavy Metal. A principal diferença
para hoje é que existe uma massificação
não só do Heavy, como de qualquer
outro gênero musical. Existem zilhões
de bandas e, separar os trabalhos legais e
criativos dos nem tanto é um pouco
cansativo. Mas sempre existiram ótimas
bandas em qualquer época e sempre vão
existir.
Cláudio
Bezz - Difícil...
Não gosto de brincar com o tempo. Cada
coisa foi boa e ruim, no seu próprio
tempo! Acho que uma característica
dos anos 80 era a lentidão em que as
coisas aconteciam. Hoje, com certeza, a internet
é a maior diferença e maior
catalisadora de novidades, informações,
A lentidão é um pouco "romântica",
e tendemos a nos lembrar somente dos bons
momentos. Agora estamos em busca de novos
espaços virtuais, que trazem coisas
boas e ruins também. O importante é
estarmos sempre ligado e com as antenas bem
apontadas... E isso nunca nos faltou! (rindo)
É meio que viver na selva, mas com
um computador e banda larga...
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TGZ:
Eeehehehe, concerteza!! Bem o papo está
ótimo, mas infelizmente está
chegando ao fim! Agradeço pela atenção
e aproveito para desejar muita sorte ao Taurus
pela extraordinária banda que é!
O espaço abaixo é de vocês,
finalizem deixando uma mensagem para os leitores
do ThunderGod Zine e pros apreciadores e seguidores
do Taurus: |

Cláudio
Bezz - Em primeiro lugar,
muito obrigado a você Elimar e ao ThunderGod
Zine (o site é ótimo). Não
vemos a hora de voltar a fazer shows pelo
país e deixarmos todo mundo surdo.
Taurus 2007 - melhor, mais forte e mais rápido!
Beto
de Gasperis - E em segundo
lugar, obrigado aos fãs, os verdadeiros
culpados por esse renascimento do Taurus!
Cláudio
Bezz - Agradeço
a todos pela força que tem nos dado,
e especialmente a você, Elimar, por
sua atenção e apoio! Muita força
para o Zine ThunderGod e que possamos nos
encontrar em breve em um de nossos shows!
O Taurus está de volta de verdade!
A todos que enviaram mensagens... Isso é
pra vocês!
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