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Perguntas : Elimar
Oliveira (EO)-
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- Respostas :
Luciano Aguiar, Eddie Moreira e Raquel
Serruya
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- Entrevista
realizada em Agosto de 2008-
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Há
exatos dez anos surgiu na capital paraense
a banda Mystic Seminary que
após algumas mudanças
na formação passou a chamar-se
Tenebrys e o line-up
atual conta com: Ederson “Eddie”
Moreira (Voz), Luciano Aguiar (Guitarras),
Denys Ferreira (Baixo), Raquel Serruya
(Teclados) e Wagner Nugoli (Bateria).
Executando Doom/Death Metal com influências
Góticas o Tenebrys acaba de ter
seu primeiro material oficial lançado,
o excelente ep “Mundano”.
Para saber mais detalhes sobre a trajetória
do Tenebrys e esse material lançado
conversamos com Luciano Aguiar, Eddie
Moreira e Raquel Serruya, resultando
na entrevista abaixo:
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TGZ:
Melancólicas saudações
Tenebrys! A principio gostaria de parabenizar
vocês pelo excelente ep “Mundano”,
muito bom o trabalho que vocês fizeram
com as composições (excelentes)
e gravação acima da média,
mas gostaria que vocês falassem mais
como surgiu o Tenebrys e como foi a trajetória
da banda até esse material de estréia.
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Luciano
Aguiar: Muito
obrigado mesmo por nos conceder essa entrevista!
O material fonográfico oficial da banda
é resultado de muita perseverança
por parte de todos os seus membros e de muitas
pessoas que nos apoiaram. O Tenebrys existe
desde 1998, mas somente agora pôde fazer
seu primeiro lançamento. Quando fundei
a banda, ela se chamava Mystic Seminary, passando
por diversas formações, e inúmeros
contratempos também, o que impediu
o lançamento de algum material nesse
longo período de 10 anos em que tentamos
nos estabilizar. Com a maturidade do projeto,
ele passou a se chamar Tenebrys. Agora, com
uma formação mais sólida,
finalmente conseguimos lançar o nosso
primeiro registro fonográfico.
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TGZ:
Também não posso deixar
de mencionar a misteriosa arte da capa, tem
haver com o título do ep (Mundano)?
Afinal não há nenhum som presente
no trabalho com o título do mesmo,
fale mais a respeito. |
Luciano Aguiar: Sim. Embora
não haja nenhuma música como
faixa título no ep, a palavra “mundano”
representa um consenso das letras, as quais
tangem as incoerências e deficiências
humanas no mundo. Tratam de uma sociedade
onde certos atos se tornam banais, comuns,
mas que não deveriam ser considerados
dessa maneira. A capa tenta externar a imagem
da humanidade como ela realmente se constitui,
por dentro, não a imagem estereotipada
que nós estamos acostumados a imaginar.
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TGZ:
O EP foi recém lançado, mas
imagino que já se tenha uma noção
da aceitação e crítica
do público e mídia especializada,
o que já se ouve falar do material? |
Luciano Aguiar:
Realmente, o lançamento
do EP “Mundano” superou as nossas
expectativas em um intervalo de tempo relativamente
curto. Pois recebemos mais críticas
positivas do que imaginávamos e continuamos
a receber a credibilidade do público
e da imprensa. Perguntam sempre quando será
o próximo show, quando sairá
mais um álbum da banda, quais as surpresas,
sobre que temática iremos abordar nas
novas composições, etc.
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TGZ:
As apresentações do Tenebrys
devem ser num clima próximo do que
passam com os sons tocados, há algo
de especial no arranjo de palco?
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Luciano Aguiar:
N ossa performance depende muito da propagação
do som dentro do palco e para quem está
nos assistindo também na hora do show.
Por isso nos preocupamos muito principalmente
com a qualidade do som, que deve ser satisfatória
para todos, dentro ou fora do palco! Portanto
tentamos organizar o equipamento de som da
melhor forma possível.
Raquel Serruya:
Temos nos preocupado também com a cenografia
e com o aspecto visual da apresentação,
como um todo. Estamos desenvolvendo um formato
de show para teatros, onde podemos explorar
mais elementos cênicos. Tudo isso contribui
para que possamos passar uma imagem por vezes
pesada e agressiva, por vezes suave e melancólica,
dependendo do momento em que a música
se encontra.
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TGZ:
Por estarem no norte do país é
mais difícil fazer uma 'Tour' pelo
Brasil, mas vocês pensam ou já
planejam fazer uma excursão para divulgar
o excelente trabalho de vocês? |
Luciano Aguiar:
Claro! Obviamente, uma turnê pelo Brasil
é um dos nossos grandes objetivos.
Mas isto é algo muito complicado para
gente, porque somos profissionais de outras
áreas, além de músicos.
O Tenebrys tem um mestre em biologia, um administrador
de empresas, um produtor de eventos culturais,
uma futura contabilista e um professor de
física (eu). Portanto, é realmente
muito difícil ajustar uma agenda para
uma turnê em qualquer época do
ano. É preciso se articular com bastante
antecedência para conseguir uma data
compatível para o grupo. Contudo, somos
apaixonados pelo trabalho que fazemos na banda
e certamente tão logo tocaremos em
várias cidades brasileiras.
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TGZ:
Algo que você deve ouvir muito é
sobre influências, principalmente de
você Eddie, pois sua voz parece muito
com a do vocalista Fernando Ribeiro (Moonspel),
essa comparação o incomoda?
E além do Moonspel quais são
as principais influências do Tenebrys
(lírica e musicalmente)? |

Eddie Moreira:
De forma alguma essas comparações
me incomodam, muito pelo contrario, sinto-me
honrado em ser comparado ao Fernando Ribeiro,
assim como também já compararam
meu vocal ao do Peter Stele do Type o Negative,
e até mesmo ao Aaron Stainthorpe do
My Dying Bride, porém para mim, são
influências, e procuro não imitá-los,
pois são vocalistas únicos,
e timbres de voz completamente diferentes.
Das bandas que citei acima, podemos considerar
as principais influencias da banda, e ainda,
Novembers Doom, Paradise Lost, etc.
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TGZ:
Faça um breve comentário
de cada uma das cinco faixas do ep “Mundano”. |
Raquel
Serruya: O
EP inicia com a “Intro”,
que é um prelúdio para a segunda
faixa, mas que também tem sua intenção
própria. Tentamos passar um clima de
tensão e reflexão para que pudéssemos,
na realidade, iniciar uma sucessão de
idéias (e fatos) que serão desenvolvidas
nas próximas faixas.
“Absolute Evil”
relembra o triste episódio em que um
garoto, de seis anos de idade, chamado João
Hélio, é arrastado por longos
trechos de uma rua, preso a um carro. Tomamos
esse acontecimento como um exemplo do quão
degradada a humanidade se encontra, a ponto
de gerar indivíduos capazes de criar
uma situação desprezível
como essa.
A terceira faixa, “Acclaiming
For My Death”, mostra um homem
que lamenta por seus pecados, enquanto que a
própria entidade da Morte aclama por
sua alma. O próprio homem busca essa
morte, porque não encontra outra solução
para se libertar de sua efêmera vida.
É uma pequena história, que demonstra
a obscuridade do homem em relação
a sua existência e a sua capacidade de
negligenciá-la, sua única propriedade
não material.
Em “The Murderous”,
visualizamos a mentalidade psicótica
que envolve o assassinato e o prazer por matar.
Não é um estímulo á
matança, mas sim um aviso de que isso
existe. É uma deficiência da humanidade
em si, traduzida na patologia mental de uma
(ou mais) pessoas. O Eu-lírico da letra
varia entre a mente do próprio assassino,
e sua parcela ainda humana, solidária
aos outros, que deseja parar.
Na última faixa, “Buried
Alive”, mencionamos uma situação
irreparável, no qual um ser humano foi
enterrado vivo, e chega à conclusão
de que "aqui embaixo é bem melhor".
O que pode ser pior do que estar preso a um
túmulo, condenado a morte dessa maneira?
Viver entre os homens, em uma sociedade dissimulada,
cheia de contradições e amargas
decepções.
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TGZ:
Conheço excelentes bandas de
Metal do seu estado Pará, fale mais
sobre a cena paraense, se rolam muitos shows,
se a galera é unida, etc. |
Eddie Moreira:
Cara, a cena do estado do Pará
é magnífica, os headbangers
aqui são alucinados por metal, e insanos
nos shows, moshes a cada segundo nos palcos,
é realmente incrível, e temos
muito orgulho do cenário paraense.
Geralmente os shows reúnem todos os
estilos do metal, Thrash, Black, Death, Doom,
Heavy, enfim todos as vertentes juntas e convivendo
em harmonia e respeito, portanto achamos que
a cena aqui é bastante unida. Claro
que sempre tem os que avacalham e sujam a
imagem do underground local, mais é
uma minoria que o melhor é ignorar
e continuar a batalha, sabemos que esses imundos
estão por toda parte em qualquer cidade
do mundo.
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TGZ:
Vocês já têm algo
planejado para um futuro próximo, tipo
um long-play, etc. |

Raquel
Serruya: Nós
pretendemos lançar um álbum
talvez em 2009, mas a banda está em
fase de composição no momento,
e não sabemos quando essa “fase”
irá terminar. Portanto, essa não
é uma certeza, além do longo
período direcionado á gravações
em estúdio e divulgação,
antes do lançamento. Também
pretendemos gravar um vídeo-clipe de
uma das músicas do álbum, mas
no momento, essa é só uma idéia.
Os planos para o futuro são vários,
mas temos de ter o tempo e o trabalho necessário
para que essas idéias se concretizem.
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TGZ:
Estamos chegando ao fim de nossa conversa,
agradeço a atenção e
espero que consigam alcançar os objetivos
traçados... O espaço abaixo
é para que deixe suas considerações
finais. |
Eddie Moreira:
Esse apoio é fundamental
para o conhecimento do Tenebrys e da cena
Paraense a todo o Brasil, e o trabalho de
vocês é imprescindível
nesse processo, agradecemos imensamente ao
TGZ e aos leitores!
Raquel
Serruya: Só
posso agradecer pela oportunidade de nos expressarmos
e contarmos um pouco mais sobre nós
e nossas inspirações e aspirações.
Um grande abraço para todos os amigos,
fãs e familiares que nos acompanham
nessa jornada!!!
Luciano Aguiar:
Valeu, TGZ, pela entrevista!
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