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Realizada por: Elimar
Oliveira
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Respondida por: Paulo
Agressor
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Formada
no fim de 82 na cidade de Macaé/RJ,
o Agressor fez história no underground
nacional e infelizmente encerrou suas atividades
em 1992. Mas os deuses do Metal os fizeram
voltar e com Beco e Diego Massili (Guitarras),
Cláudio (Baixo) e Paulo (bateria e
vocal), temos aí uma ótima banda
pronta pra tocar e trazer novamente aquela
chama do Thrash Metal Oitenta, feito de forma
fiel e original! Pois é. Conversamos
com um dos fundadores da banda, o Paulo, que
nos contou um pouco da história do
Agressor, sobre a cena carioca, confiram abaixo:
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TGZ:
Parabéns Paulo e toda galera do Agressor!
O que ouvimos nesse cd-demo, que é
uma prévia do cd que está prestes
a sair, é um fudido Thrash Metal que
parece ter ficado esquecido por um bom tempo.
Em primeiro lugar eu acho que muitos leitores
gostariam de saber o porquê da banda
ter parado anos atrás? |
Paulo:
Primeiramente obrigado pelas palavras.
Sobre a inatividade do Agressor, os motivos
são quase sempre os mesmos para qualquer
banda: divergências entre integrantes.
Uns querem direcionar musicalmente a banda
pra um caminho que outros discordam. Muita
gente não sabe lidar com a contrariedade
e prefere desistir. Outro ponto considerável
é que como não há retorno
financeiro, qualquer situação
de trabalho, estudo ou com a família
já coloca a banda em último
plano. As coisas não andam, o desânimo
acaba tomando conta, sem esquecer também
que aqui em Macaé temos um agravante,
pois é uma cidade de interior difícil
de arrumar integrantes que se encaixem com
a proposta da banda. Se hoje ainda é
assim, por volta de 1990 nem se fala. Trabalho
em grupo não é uma relação
fácil para a natureza quase egoísta
do ser humano e fazer parte de uma banda requer
maleabilidade. Ora você abre mão
dos seus pontos de vista, ora os seus prevalecem.
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TGZ:
E sobre a volta, de quem foi a idéia?
E os outros membros que não voltaram,
vocês ainda tem contatos com eles? |
Paulo: Particularmente sempre pensei
nessa volta, mas ela ocorreu efetivamente
a partir do relançamento em vinil da
demo Kill Or Die (1988), que saiu em 2001
pelo selo Dies Irae. Já existia um
“facilitador” como a internet
e como sempre estava em contato com Beco (guitarra),
decidimos tocar novamente em 2002. Num primeiro
momento procuramos nos estruturar na questão
de equipamentos, lugar para ensaio e adequando
nossos outros afazeres com as necessidades
que uma banda exige. O foco seguinte passou
a ser as composições e nossa
home-page. Sobre os antigos integrantes, temos
contato com todos eles, mas chegamos a contatar
somente o Ivan (baixista) para voltarmos com
a mesma formação que gravou
o Kill Or Die, que era um trio. Infelizmente
ele está com outras prioridades: além
da questão profissional, ele tem uma
banda que toca rock nacional e está
se dedicando também na função
de pai de primeira viagem...rs.
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TGZ: Cara,
as músicas deste cd-promo são
ducaralho! Devemos esperar o álbum
nessa linha? E quando será lançado?
E por qual selo? |
Paulo: Uma preocupação
que temos é que as músicas sejam
distintas entre si, não se pareçam
umas com as outras. Manipulation of Masses,
por exemplo, foi feita com essa intenção:
de termos uma música com um andamento
mais cadenciado, uma outra sonoridade sem
perder o peso, uma vez que a maioria das músicas
são rápidas. Nosso Cd terá
10 músicas e já temos nove delas
prontas. Iniciaremos as gravações
ainda em 2004 e esperamos que saia no início
de 2005. O disco tem o título provisório
de No Hate, No Fear, No Pain. Um título
que reflete exatamente as letras que fazemos,
com essa abordagem social, que nos permite
colocar toda nossa indignação
contra várias situações
do nosso cotidiano. Falamos dessa valorização
exacerbada que as pessoas dão ao dinheiro
e ao poder que se transforma em soberba e
falta de humildade, onde passam por cima das
questões humanitárias e ambientais,
sem esquecer dos governos que existem para
defender os interesses da maioria, mas acabam
sendo defensores de segmentos minoritários
cada vez mais ricos, como os bancos e grandes
empresários. A questão das letras
é um ponto importantíssimo para
nós e no encarte do CD teremos a letra
em inglês e também a sua tradução
em português. Pelo menos por hora o
Cd sairá de forma independente e estamos
vendo a questão da distribuição.
Faremos também uma tiragem em vinil
e será em Picture Disc. Da mesma forma
do Kill Or Die, esses vinis sairão
pela Dies Irae e quase todos eles irão
para fora do Brasil, pois o vinil ainda é
muito valorizado fora daqui.
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TGZ: O
Agressor pretende fazer uma tour para divulgar
esse disco? Quais os planos futuros da banda? |
Paulo: Temos planos de tocar sim, mas
tudo precisa ser estudado antecipadamente,
principalmente quando falamos da nossa disponibilidade
de tempo, uma vez que temos nossas atividades
profissionais. Mas pensamos por etapas: Primeiro
temos que nos acertar com essa formação
que é nova, trabalhar na gravação
desse CD, nessa questão da distribuição
e divulgação.
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TGZ:
Nós percebemos que o RJ revela muitas
bandas de Metal com características
bem oitenta como é o caso do Farscape,
Apocalyptic Raids, Diabolic Force (infelizmente
essa última encerrou suas atividades)
entre outras. No passado havia bandas como
Dorsal Atlântica e vocês. Mas
também percebemos que a cena carioca
ficou um tempo meio que “fria”,
diferente de hoje e de tempos atrás.
A que você atribui tal acontecimento?
Outra pergunta é a seguinte, você
costuma freqüentar shows, bares onde
a galera Metal freqüenta por ai? E no
período que o Agressor levou parado
você continuou os contatos? |
Paulo: Acho que na questão da
linha de som, há de tudo um pouco:
metal tradicional, thrash, death, black, melódico,
só citando as bandas que têm
páginas na net e há ainda aquelas
que estão nas cidades do interior e
que não se mostraram.
Na questão dos shows, nos anos 80 viajávamos
até o Rio para irmos às lojas
de discos e ver shows no Caverna, que era
um colégio que nos fins de semana era
utilizado para as bandas tocarem. Dessa época,
guardo na lembrança shows da Dorsal
Atlântica, Azul Limão, Calibre
38, Taurus, etc. Logo depois veio o primeiro
Rock in Rio em 85 que foi histórico.
Ver Whitesnake, Scorpions e principalmente
AC/DC e Ozzy ao vivo foi inesquecível.
No ano seguinte, vimos um grande show no Maracanãzinho
com o Venom, Exciter e a Dorsal - que inclusive
fez um grande show. Enfim, a coisa realmente
caminhava no sentido da cena evoluir, mas
não foi o que ocorreu. Penso que houve
uma falha na engrenagem. Bandas – selos
– mídia - público, mas
não saberia identificar o problema.
Talvez cada segmento tenha falhado um pouco.
E sobre a última pergunta, no período
que paramos com a banda os contatos não
foram mantidos. Aliás, era uma doideira
ter que responder correspondências escrevendo
tudo na mão. Hoje com o computador
a coisa melhorou e muito.
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TGZ:
Creio que daquela época pra cá
houve muitas mudanças, mas no seu ponto
de vista qual a principal diferença
da cena daquela época pra cena de hoje?
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Paulo: Antigamente havia poucas bandas,
tudo era novo e por isso mais difícil.
De uns tempos pra cá as coisas evoluíram
muito. Hoje se o cara resolve montar uma banda
ele tem acesso às lojas de instrumentos,
professores, vídeo aulas, estúdios
e como referência escuta bandas de todo
canto do mundo. Com o surgimento da internet
ele coloca o som dele numa página e
o divulga em “N” sites no Brasil
e no mundo. Em contrapartida esse mesmo cara
tem que se mostrar num universo onde há
um enorme número de boas bandas que
também estão divulgando o seu
trabalho, para um público que tem mais
opções e está mais exigente
com o que vai ouvir.
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TGZ: Qual
sua opinião sobre bandas de Metal popularizar
o estilo, tipo, bandas de Metal aparecerem
em programas de Tv de grande audiência? |
Paulo: Desde que essas bandas sejam autênticas
e apareçam mostrando o que realmente
são não vejo problema. Não
concordaria se elas forjassem algo que não
são.
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TGZ: E
sobre uma palhaçada armada por desocupados
chamada Massacration, você concorda
que os bangers devam apoiar tal idiotice? |
Paulo: Apesar de nunca tê-los visto
ou mesmo ouvido o som que fazem, sei que é
uma banda criada por um programa da MTV, portanto
uma brincadeira que vai de encontro ao que
coloquei na última resposta. Mas esse
ponto de vista é particular. As pessoas
são livres e cada uma delas gasta seu
dinheiro e seu tempo no que quiser. Esse é
mais um exemplo de como a mídia manipula
a cabeça das pessoas, como dita regras
e comportamentos. Posso estar errado, mas
sinceramente não acredito que o banger
que ouve Slayer, Exodus ou Testament iria
ouvir o Massacration. Vendo por um outro lado,
de repente esse pessoal que gosta deles são
pessoas que estão ouvindo metal há
pouco tempo, os acham engraçados e
pode ser que essas mesmas pessoas passem a
ouvir o verdadeiro metal, o que acabaria sendo
bom. Se acontecesse isso já seria algo
positivo a presença deles, sem esquecer
que um dos seus integrantes toca numa banda
cover do Death. Quem sabe se através
de um estereótipo ele consiga abrir
portas para uma banda séria surgir
num futuro próximo?
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TGZ: Agora
falando sobre zines, todos nós sabemos
da importância dos mesmos principalmente
para as bandas undergrounds, mas hoje com
a evolução da tecnologia existem
também os Web Zines que ao meu ver
junto com os Zines e Revistas ajudam a divulgar
o Metal Underground, mas há quem diga
que tal formato (web-zine) não é
underground. Qual sua opinião acerca
dessa polemica? |
Paulo: Com o advento da internet, realmente
os zines perderam um pouco da sua força
na medida que as pessoas
começaram a ter essas mesmas informações
pela tela do computador. Muitos zines migraram
para este outro tipo de mídia, mas
ainda vejo os zines como ferramenta importante
para o banger conhecer novas bandas e desse
modo, isso se torna interessante para essas
bandas também. Num país como
o nosso em que a democratização
do computador ainda é ilusão,
onde uma minoria tem computador e um número
ainda inferior tem acesso à internet,
eles têm um veículo democrático
para utilizarem. São abnegados, pois
no Brasil hoje, zines, webzines e bandas (90
% delas) vivem do entusiasmo e da paixão
pela música.
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TGZ: Cara
muito obrigado por nos ceder essa entrevista,
um forte abraço e fica aqui a torcida
do ThunderGod Zine para que o Agressor consiga
se firmar na cena pela qualidade que a banda
tem !!! |
Paulo: Nós é que agradecemos
o espaço cedido e não falando
em causa própria - pois antes de tudo
sou um fã de música pesada -
gostaria que as pessoas dessem mais atenção
às bandas brasileiras. Em todos os
cantos do país temos inúmeras
boas bandas em vários estilos. Vamos
valorizar mais nossas coisas. Visitem nosso
site ( www.agressor.com.br
) para nos conhecer melhor e/ou trocar uma
idéia.
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