» ENTREVISTA: BARBARIAN WARRIORS IN SEARCH OF WISDOM «
} Realizada por: Cezar Augusto
} Respondida por: Crom WW

Barbarian Warriors In Search Of Wisdom

CONTATOS:

A/c Crom
P.O Box 3834
Campinas/SP - 13.070-973
http://barbarian.v10.com.br


T
alvez muitos nem tenham ouvido falar da Barbarian Warriors In Search Of Wisdom; bárbaros guerreiros em busca do conhecimento, onde os primórdios do início da horda remontam a 1992, em Belo Horizonte/MG, porém fincando-se mesmo em Campinas/SP em 1996, e em 1997 já lançando a 1º demo (ensaio)... Crom Wisdom Warshipper (voicescreams, sixchoirswords, symphonic key, pagan flute) vos apresentará sua horda em meio a muitos, muitos tópicos explorados de ideologias, simbologias, conhecimentos e mistérios que cercam muitas questões da nossa vida terrena no enfoque humano e atmosférico relativos aos aspectos traçados nessa entrevista abençoada pelos deuses... Logo, vos pedimos muita atenção e reflexão nessa excursão que fará a partir das próximas linhas..."Welcome to the Hall”...

TGZ: Hail Crom! Vivifique os motivos que vos inspirou para a evocação criatória da Barbarian Warriors In Search Of Wisdom (BWISOW)...

Crom:
Hail! Profundas e Ocultas Saudações Pagãs a ti Cezar, ThunderGod Zine, e aos bravos leitores!!! É uma honra estar presente aqui em vossas escrituras!
O que me inspirou a criar a Horda, primeiramente foi o grande interesse na busca por sabedoria, pelas coisas ocultas, os tempos antigos e a grande estima à música e ao Metal.
Como esta é a nossa 1ª entrevista desde a existência da Horda, e pouca gente nos conhece, creio que vale a pena fazer uma pequena cronologia.
Conheci o ex-baixista L. Iabrudi ainda no colégio, em 1992. Começamos a curtir som juntos. Em 1994 tive minha primeira banda, o Dark Subconscious, junto com membros do atual Tuatha de Danann. No ano seguinte saí dessa banda, pois tive que mudar de cidade. Então, em 1995 fundei esta Horda junto com L. Iabrudi, e foi quando foram compostos os primeiros sons. Em 1996 ambos viemos morar em Campinas/SP. Em 2003 entrou o baixista Schmied, e então continuo firme por aqui na eterna batalha até hoje, nesses 9 anos, levando em frente o Barbarian Warriors in Search of Wisdom.
Nunca fomos muito de divulgar. Mas os tempos passam, e somente agora que estamos saindo do total e absoluto underground.

TGZ: Qual seria essa perpétua sabedoria almejada, e essa busca é mananciada sob a sombra de quais literaturas de conhecimento?

Crom:
É bem isso que falaste. A busca é perpétua, é eterna, porque as coisas da Existência são infinitas.
Essa Sabedoria a qual buscamos não é um fim, mas o próprio caminho. É o saber que não se sabe. Pois você só pode começar a procurar alguma coisa a partir do momento em que você toma consciência que não sabe de nada. Isso está expresso no nome que leva nossa Horda.
E essa Sabedoria, na minha visão, pode ser galgada por diversos caminhos, porque tudo existe dentro de nós mesmos. Por isso que um dos primeiros e grandes passos é o que está escrito no Templo em Delfos, onde a pitonisa comunicava seus oráculos, na Grécia da época do filósofo Sócrates: “Conheça-te a ti mesmo...”. E continua, “Conheça-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses”
Segundo Galileu (que quase foi queimado pela igreja). “Você não consegue ensinar nada a uma pessoa; você só pode ajudá-la a encontrar o que está dentro dela mesma.”
Por isso é preciso buscar a própria essência e conhecer-se a si mesmo.
Já fui em busca de diferentes correntes filosóficas, religiosas, ocultistas, ufológicas, esotéricas, bruxaria, paganismos, etc. Li livros de vários caminhos, energias e vibrações diferentes. Troquei idéias com bastante gente, Seres ocultos e buscadores. Mas durante meus anos de estudo, cheguei à conclusão que mais relevante que qualquer livro, qualquer mestre, entidade, bruxa, guru, ancião, mago, deus, deusa, sábio ou profeta, mais importante que tudo isso é buscar a própria essência e as respostas que estão dentro de nós mesmos. É acreditar na nossa própria força.
Todos ainda temos muito que aprender. A Humanidade e a Ciência se gabam de seu conhecimento, mas não somos quase nada comparados à grandeza da Natureza, ao poder do Universo e à imensidão do vasto Cosmo.
E é uma busca contínua, que não pára nunca, por isso é infinita, porque o conhecimento é infinito, e a essência do espírito, imortal.

TGZ: A materialização sonora arraiga como influências as grandiosas hordas de Black, Pagan & Folk Metal em aliança a atmosferas de óperas clássicas e obras épico-hiborianas. Fique livre para citar os nomes de todos esses influenciadores...

Crom:
Primeiramente, temos como objetivo buscar, criar e executar um som próprio, com personalidade. Porém, leva-se tempo para conseguir uma atmosfera e um som único, característico. Ainda assim, sempre procuramos colocar sentimentos fortes nas nossas composições.
Temos muitas influências sonoras. As principais estão dentro do Metal Extremo. Aprecio muito Bathory, Emperor, Enslaved, Desaster, Immortal, Venom, Mayhem, Burzum, Himinbjørg, Helheim, Odroerir, Menhir, Storm, Vintersorg, Otyg, Cruachan, fora outras várias Hordas que são muitas para citar aqui, sem contar as excelentes Hordas brasileiras, que são muitas também.
Dentro do Metal, eu curto quase todos os estilos, como Death, Thrash, Doom (menos a escória desprezível e contraditória do white metal). Gosto muito de Heavy Metal, rock, e rock clássico também.
De sons atmosféricos e folk, curto bastante Loreena Mackennitt, Wild Sylk, os primeiros álbuns do Mortiis, e a música medieval, celta, viking, e alguns sons andinos. A Loreena tem umas influências de som oriental e árabe que ficam muito interessantes.
Das grandes obras hiborianas, não poderia deixar de citar o majéstico Basil Poledouris, criador da monumental trilha sonora dos 2 longas-metragens de Conan, o Bárbaro.
Da música clássica erudita eu aprecio Beethoven, Franz Liszt, Wagner, Heitor Villa Lobos, Carlos Gomes, Edvard Grieg, um pouco de Tchaikowsky, óperas como Carmina Burana, de Carl Orff, entre outros.

TGZ: Comente as 2 Demo-tapes de ensaio (rehearsal) existentes em prisma geral de contextos absorvidos e também o proquê do lançamento do Cd/Demo/Rehearsal: 2004 chamado “A day in a medieval storm”, abordando o seu conteúdo...

Crom:
Na verdade as 2 DTs –“Belial, in Memory of a Brave”, e “Ancient Times”- não eram para ter sido lançadas. Eram apenas gravações de ensaios para nós mesmos, e poucos amigos. O fato é que com muitas mudanças de formação, e fatalidades como a do Belial, só restaram esses materiais do passado. Tipo, ou eu lançava isso ou nada. Então tudo me levou a lançar essas demos-ensaio com anos de atraso, mas o resultado final compensou. A gravação está razoável, em termos de Metal Extremo. Foram gravadas em mesa de som. Porém, mesmo após todos esses anos, são artefatos dos quais eu me orgulho, porque foram forjados na mais pura espontaneidade, e mesmo assim são agressivos, densos, profundos, rápidos e brutais.
Já o “A Day in a Medieval Storm” é uma coletânea, passando por várias fases da Horda. Foi lançado em 1º lugar para nós mesmos, pois queria ter um artefato nosso com aqueles sons, incluindo as longas faixas atmosféricas. Além disso, tem gravações de ensaios e 2 sons ao vivo, do nosso 1º show, em 1999. Seu conteúdo principal reúne as 3 partes do som “A Day in a Medieval Storm”, sendo uma em latim, com a letra reproduzida no encarte. Todas as 3 descrevem e discorrem sobre a cena da capa, que me apareceu como uma visão, em 1996.
Todos estes artefatos foram lançados em datas especiais, escolhidas cuidadosamente.

TGZ: Sendo a dt “Belial: In a memory os a brave” (2003) uma homenagem ao ex-baterista assassinado de pseudônimo Belial. Poderia nos relatar esse fatídico acontecimento?

Crom:
Uma série de fatos estranhos aconteceu nessa época, mas está quase tudo descrito no encarte da DT, onde aborda também a história do baterista na Horda.
Belial sempre foi muito misterioso, bastante guerreiro e batalhador. Foi uma grande perda para a Cena do estado de São Paulo e de Goiás, de onde nasceu. Deixou esposa e 3 filhos, sendo que o caçula se chama Belial de registro. Só para citar algumas coisas estranhas, cerca de 6 meses antes, Belial tinha dito para mim e vários amigos próximos que ia sumir da Cena, e não mais voltar. Segundo sua viúva, o Pai de Belial morreu com 31 anos, quando ele tinha 3 anos. Belial morreu com 31 anos, quando seu filho Belial tinha 3 anos. E por aí vai... Ele sempre foi um Ser muito buscador da Sabedoria, um grande questionador das coisas. Ensinou muita coisa para muita gente. Existem várias versões de sua morte. Mas resumindo, um bandido imbecil e ignorante mexeu com ele num bar, chutou a moto do Belial, e então ele se envolveu numa briga, e mais tarde levou um tiro em cima de sua moto. Morreu lutando. Estranho é que no show de lançamento da DT em homenagem ao Belial, e o primeiro depois de sua morte, tinha tudo para rolar numa boa, a grande maioria dos que estavam no evento eram conhecidos. Aí saiu o maior quebra-pau no meio do nosso show, e um colega nosso levou uma facada, indo parar no hospital. Ou seja, havia toda uma atmosfera soturna em torno disso tudo.
Outra coisa, é que Campinas é uma cidade violenta. Eu mesmo tive uma arma apontada para minha cabeça há apenas 13 dias atrás, durante um assalto à casa de um amigo meu. Tem coisas estranhas que acontecem por aqui, como o episódio de um casal que teve um surto repentino de loucura e atirou seu bebê contra um carro em movimento. Tiveram boatos que eles foram “possuídos”, outros dizem que apresentaram um “surto coletivo de estresse agudo”, enfim falaram de tudo. Isso foi noticiado em rede nacional e aconteceu há uns 2 anos num lindo e obscuro bosque na rua onde eu trabalhava. Adoro aquele lugar, e já o freqüentava antes desse fato. Então aqui é complicado mesmo, eu curto a cidade, mas ela tem seu lado funesto e sombrio. Mas, é nessas horas que testamos nossa coragem e valor, e “aquilo que não nos mata, nos deixa mais fortes”.

TGZ: E por tocar no assunto ‘Morte’, esta é a consciente verdade de certeza, mas a possível “vida além” é encarada de vários modos no enfoque dos círculos místicos, ideológicos, filosóficos e espirituais da humanidade. Como você encara a certeza da morte material, e observa sua crença na possibilidade de ‘Vida além”?

Crom:
Bem observado: “morte material”. Muitos e muitos povos acreditam e defendem uma forma de ‘vida’ após a morte, desde Egípcios, Celtas, Vikings, Índios, Espíritas, Islâmicos e mesmo os Kristãos de alguma forma, que acreditam que vão para o paraíso ou inferno.
Eu encaro a morte como uma coisa natural. Não é um fim, mas apenas uma passagem, uma transformação. É preciso que acabe o Dia para que venha a Noite, assim como a aurora traz o Dia novamente, num ciclo. É um processo natural. Faz parte da Natureza, e muitos seres humanos ainda não aprenderam a lidar com isso. Não tenho medo da morte, pois já passei bem perto dela várias vezes, e pelo menos três delas totalmente isolado no meio da floresta.
É lógico que eu não quero morrer agora, e luto pela minha vida até a última gota de sangue, pois ainda tenho muita coisa para fazer, e várias batalhas para travar e conquistar. Mas eu não temo o dia em que meus olhos físicos se fecharão para sempre. É natural e inevitável. Sei que meu espírito continuará sua jornada por outros mundos, independente do que aconteça neste planeta. “Corra para a morte, antes que outro tome seu lugar”, pois "Julga o covarde que a vida não acaba; Se longe das guerras ficar; Mas os anos não lhe darão tréguas; Mesmo se a guerra o poupar."

TGZ: E qual seu parecer no caso do conflito de idéias que permeia as correntes crentes e descrentes, tanto no mais antigo legado cultural histórico, quantas nas posteriores filosofias dogmáticas dos ‘mundos’ orientais, ocidentais...Enfim, reflita e expresse-se...

Crom:
Que perguntas profundas! Realmente você inspirou-se nas questões, muito bárbaro!
Mas você diz isso de crentes e descrentes ainda em relação ao conceito de morte?(Cezar: -É!). Para isso não há uma regra, porque tanto certas correntes ocidentais, quanto correntes orientais acreditam na vida após a morte, de alguma forma. Ainda sobre a questão Ocidente x Oriente, é interessante que na mitologia nórdica, os xamãs e magos mais sábios e poderosos vinham do Oriente. Do próprio Odin existem teorias de que teria vindo da Ásia. Mas isso são teses e antíteses.
Sobre o conflito de idéias, o Ocidente sempre brigou com o Oriente. É uma coisa muito antiga. Na Era Medieval tínhamos as Cruzadas. Hoje temos a Guerra no Iraque, e o Terrorismo. Na antiguidade, havia o Império Romano. Atualmente temos o Imperialismo Norte-Americano.
Em termos mais filosóficos, de um modo geral creio que o caminho poderia ser um equilíbrio entre a Razão metódica, empírica e cartesiana do Ocidente, mesclada à Emoção instintiva, intuitiva, espiritual e religiosa do Oriente. Seria como o Arquiteto e a Oráculo no final da grandiosa trilogia Matrix. O equilíbrio entre Masculino e Feminino, Razão e Emoção. Conhecimento e Intuição. A Razão precisa da Emoção, e vice-versa, assim como a Vida precisa da Morte para existir e ter sentido.

TGZ: Os fenômenos naturais sempre vão inspirar o fluxo sentimental e latente do ser humano na comunhão profunda de si mesmo com a natureza percebida em sua extrema beleza misteriosamente fluente e influente...Crom! Concordas com essa minha consideração espontânea? E tu achas que o cíclico e eterno movimento da atmosfera, reverencia a nossa existência em quais âmbitos a saber?

Crom: -
Sim! É bem por aí! “In deep communion with the elements of Nature” (Paganheart). Os maravilhosos fenômenos da natureza nos inspiram desde que o ser humano era um primata e vivia em cavernas. E nos inspiram até hoje, mesmo rodeados de tanta tecnologia.
Sobre o Cíclico e Eterno movimento, humm... o fim dos tempos... aí já é uma concepção bem mais complexa a meu ver. Vejamos;
O conceito poderia ser explanado assim: Existe o 1, ou o Uno (O que seria isso eu ainda estou tentando saber mais), que contém todas as coisas que existem e que não existem. Esse 1 se divide entre o Tudo e o Nada, que poderiam consistir representados também no Ser e o Não-ser, a Existência e a Não-existência, Fogo e Gelo, etc. Essas duas forças ficam se interagindo eternamente, ora em Harmonia, ora no Caos num cíclico e eterno movimento, porque o Tudo e o Nada são infinitos. (E uma coisa que é infinita sempre existiu, por isso não tem um começo. É o início, o fim e o meio). O que se alterna seriam as predominâncias de um e de outro, do Tudo e do Nada. Seria um infinito movimento cíclico, talvez em espiral. Mas essas coisas levam Eons de tempo para acontecer, tipo, incontáveis unidades de tempo. Seria como se cada volta no Ciclo gerasse um novo Big Bang da ciência, que é a teoria mais aceita sobre a origem do Universo.
Existem várias teorias da criação e destruição, seja na ciência, filosofia, ocultismo, esoterismo, magia ou religião.
Sobre sua afirmação de reverenciar a nossa existência, isso pode ocorrer necessariamente porque estamos inseridos no processo.
Cada coisa existente e não-existente faz parte do todo, como uma gota no vasto oceano.

TGZ: A BWISOW funde suas idéias no épico-hiboriano, no ocultismo e no misticismo de líricas e simbologias nórdicas e aztecas. Conte alguns detalhes de histórias preferidas dentro disso tudo, enfocando os deuses e o que mais queiras...

Crom:
Nossas influências filosóficas e ideológicas são muitas. Não se limitam somente a isso. Porém todas elas se encontram e se convergem no Paganismo. Por sermos uma Horda de Pagan Folk Metal, procuro abordar certas faces do Paganismo independente dos povos, respeitando as particularidades de cada um. Até porque existem muitos traços em comum entre diversas culturas pagãs espalhadas pelo mundo em lugares distantes e diferentes.
O Paganismo é mais antigo ainda, o xamanismo é algo universal. Seus elementos podem ser rastreados até os primórdios da raça humana e encontrados em índios brasileiros, até tribos do outro lado do planeta, e em civilizações e culturas extintas há milhares de anos.
Com relação a deuses, seres e entidades, interesso-me bastante pela figura mítica e misteriosa do deus Maia Quetzlcoátl, que em nosso release é demonstrado pilotando uma espécie de “máquina”.
Simpatizo-me também com a filosofia da Grécia antiga, do alemão Nietzsche, e um pouco de Descartes.
Igualmente aprecio muito o deus, xamã, guerreiro, mago, poeta... Odin, em sua incessante busca por conhecimento, é considerado deus da Sabedoria, entre tantos outros predicados e atributos. Ele deu um olho para ver melhor. É contraditório, mas faz sentido! Isso que é o mais interessante.
Dentre os povos, admiro as culturas Maias, Astecas, Incas, Indígenas, os Celtas, a Grécia Antiga, Vikings, Teutões, Saxões, Japão antigo, Visigodos, Ostrogodos, Hunos, entre outros.
Quase tudo pode ser aproveitado de alguma forma se houver uma reflexão e senso crítico em cima.
O interesse pela Era Medieval e pelos Tempos Antigos é algo dentro de mim que vem desde quando eu era criança, é muito anterior até mesmo ao fato de eu curtir som, Rock ou Metal. Vi no seu zine que você curte games. Um jogo que me inspirou bastante durante a infância, foi o Golden Axe, que por sua vez foi inspirado no Conan. Eu até já gravei a trilha sonora do jogo numa fita-cassete, para poder escutar no som de vez em quando.
Em relação à Era Hiboriana é algo que me inspira demais. Quando vi o filme do Conan, o Bárbaro pela primeira vez, eu devia ter uns 6 anos de idade quando passou na TV. Mas aquilo me marcou de tal maneira, que mesmo sem entender direito naquela época, jamais esqueci suas mensagens. A compreensão mais refinada só veio muito tempo depois, na adolescência. É considerado um dos filmes mais violentos de toda a história do Cinema. E é um reflexo dos povos Bárbaros, dos povos Pagãos. E tem muitas mensagens secretas de sabedoria, ocultas no ‘sub-texto’ dos diálogos, e nas simbologias dos objetos e das cenas.
Por exemplo, quando o Cristo foi crucificado, ele simplesmente se entrega à morte e ainda pede perdão pelos que lhe mataram. É o famoso “dar a outra face”.
Quando Conan foi crucificado, ele luta até as últimas conseqüências para viver. Ao ter um abutre comendo sua carne, ele usa a única arma que tem: os dentes. E ataca a ave, matando-a com mordidas. O recado ali é que ele ainda está vivo, e não vai se entregar facilmente para o outro mundo. Ou seja, ele não desiste, luta até o fim. Isso é força de vontade, força de espírito.
O cristianismo prega que você tem que se conformar com sua situação, por que vivem repetindo igual papagaios “foi deus que quis” “se deus quiser” “juro por deus”, e assim se entregam à “vontade de ‘Deus’”.
Para os Bárbaros e Pagãos se você quer alguma coisa você tem que ir atrás e lutar para conseguir, ao invés de simplesmente aceitar sua condição imposta por “deus”. Se seu deus não lhe atende, foda-se, você vai e faz assim mesmo, com ou sem a ajuda divina, mas principalmente pela sua própria força de vontade. Não fica esperando cair do céu. “A sorte pode ajudar um homem se ele tiver suficiente valor”.

TGZ: O release da horda nas partes superior, inferior, lateral direita e esquerda; é simbolizado por essa densa e culta atmosfera agregada. Teria como descrever brevemente os significados ali retratados?

Crom:
Brevemente não. Tem muita simbologia ali. Vou citar as mais relevantes. Estão alinhados os 4 pontos cardeais escritos em Latim, junto aos 4 Elementos - Fogo, Água, Terra e Ar - cada qual em seu quadrante, representado pelo estilo e traço da linha de borda. Nas laterais há inscrições rúnicas, relacionando-se com alguns elementos. Também estão alinhados, escritos em Latim, cada parte do Ser - Spiritus, Animus, Corpus e Mentis - com o elemento e ponto cardeal correspondente. Tem algumas coisas mais, porém resumindo, é isto. Gosto de usar algumas palavras em Latim por ser a língua universal dos tempos antigos. Era como o idioma inglês hoje. Foi em Latim que Ibn Fadlan se comunicou com os nórdicos. E isso é fato histórico.

TGZ: Sobre a ilustração gráfica dos artefatos, parabéns pela originalidade das fotos com vocês dois vestidos tal como guerreiros nas florestas e montanhas da região de Campinas! Quais os sentimentos nutridos por essas belas paisagens naturais?

Crom:
Nossa, muitos sentimentos!!! Obrigado pelas observações! Mas uma coisa que quero passar nessas fotos de lindas paisagens, é que é possível viver um sentimento pagão mesmo nos dias de hoje. Não importa o quão avançado esteja a tecnologia, e o quão deturpada e materialista esteja a humanidade. Ainda é possível ver um pôr-do-sol entre as árvores em meio à floresta envolta pela neblina do crepúsculo. Todas as fotos que utilizamos foram tiradas por mim, ou por meus grandes irmãos, amigos e companheiros de batalhas! Por isso são momentos únicos, que foram por nós vividos, e que agora podemos compartilhar com outros Seres ocultos que também se interessam por esses sentimentos, através dos encartes de nossos artefatos. A gente canta o que vive, o paganismo faz parte de nós, e ainda pode ser vivido e sentido nos dias de hoje.
Eu sempre digo que a realidade é muito mais interessante do que a ficção, por que a ficção é apenas um reflexo da realidade. Por isso eu prefiro usar fotos de lugares e coisas reais, ao invés de desenhos, por mais exuberantes e brutais que sejam. É para mostrar que a Natureza oculta e obscura existe, e ainda está forte ao nosso redor, e até mesmo próxima aos lugares onde vivemos.

TGZ: Por que existem bandas que relacionam o paganismo nórdico com um tema tão polemizado como o nazismo, no que parecem querer usar a simbologia de força e poder da antiga crença pagã com ideais políticos de pseudo-supremacia racial. Que que tem a ver uma coisa com a outra? E qual a sua análise critica diante a esse ponto.

Crom:
Que ótimo que você tocou neste assunto tão delicado e polêmico! Pois assim, em primeiro lugar eu, Crom, gostaria de deixar bem claro que:
O Barbarian Warriors in Search of Wisdom NÃO É UMA HORDA NAZISTA. Muitos leigos relacionam paganismo diretamente com nazismo, mas uma coisa não está necessariamente ligada à outra.
Isso começou com Hitler, que deturpou o significado de vários símbolos pagãos, dentre runas, cruzes e a famosa Swastika. A palavra suástica vem do sânscrito, e este símbolo era e ainda é utilizado até mesmo pelos budistas, e pode ser encontrado também nas religiões azteca, chinesa, japonesa, nativo-americanas, hindu, tibetana, dinamarquesa, escandinavas, germânicas e saxônicas.
Estes símbolos são muito, muito antigos. Remontam aos primórdios da humanidade, milhares de anos anteriores ao surgimento do nazismo. Então quem você acha que têm mais poder sobre eles?(Cezar: Os antigos, os demais como sabemos foram só um pseudo-poder; claro!)
Particularmente eu considero uma pessoa pelo seu caráter, personalidade, honra e força de espírito, e não pela cor de sua pele, posição ou classe social. (Cezar: Idem, irmão!). Por exemplo, nosso ex-baterista Belial era pobre e mestiço, e era um grande Ser. Foi um importante membro que passou pelo Barbarian, e contribuiu bastante.

TGZ: Para qual estação, podemos aguardar pelo lançamento do Debut da horda, “Paganheart”; fale também da ‘Nemus Cinebeus Productions’. E onde pretendem divulgá-lo?

Crom:
Para nós, o Paganheart por si só já é uma grande batalha mesmo antes de ser lançado. Estamos gravando esse álbum desde 2002, e indo para o terceiro ano de gravações! Nesse período o Barbarian já passou por diversas formações, mas continuamos firmes e fortes. Tudo está dando muito trabalho porque é um artefato totalmente artesanal, tudo é feito por nós mesmos, estamos gravando no nosso estúdio em casa, no Ben Morgh Home Studio. Temos que pensar e fazer tudo, desde o mau-contato nos cabos até a execução dos instrumentos, layout dos encartes, gravação, mixagem, produção, etc. Não temos gravadora, somos totalmente independentes. Por isso tudo está demorando muito mais do que prevíamos. A Nemus Cinereus, assim como a MoonForest Productions, são apenas nomes que eu dei às minhas próprias produções, como os artefatos do Barbarian, eventos e excursões que organizo por aqui. Eu tinha um parceiro, mas precisou se afastar por falta de tempo. Por isso estou sozinho agora, e é tudo bem modesto, não existe verba nem nada. Mas eu espero que consiga organizar mais eventos no próximo ano, principalmente o show de lançamento do Paganheart. Vou batalhar para que esteja tudo pronto pelo menos até o próximo inverno.
Sobre o conteúdo do artefato, a faixa título Paganheart é nossa maior obra até agora, nosso grande épico. Só ela tem 30 minutos de duração. Além dos instrumentos tradicionais –guitarra, vocal, baixo e bateria- usamos várias linhas de teclados, flautas, percussões, vocais femininos, épicos, é uma verdadeira jornada, que começou a ser composta em 1998, ou seja, faz 6 anos que eu estou compondo essa música. A letra dela tem umas 4 páginas. E está dando muito trabalho para finalizar isso tudo. Serão mais de 76 minutos de um rápido e brutal Pagan Folk Metal, num total de 9 faixas, sendo 2 totalmente acústicas, evidenciando mais um pouco do nosso lado Folk.
Tudo é longo na nossa Horda, tem hora que enche a paciência! (risos) O nome é grande, as músicas são grandes, as letras são extensas, o tempo para fazer e lançar as coisas é enorme... eu espero que isso comece a acelerar nos próximos anos. Eu não vejo mais a hora de lançar este artefato e poder tocar em várias regiões do Brasil, e conhecer melhor os Seres ocultos espalhados por este vasto lindo país que a gente possui, com uma Natureza bela e inigualável.
No momento, nossa Horda está sofrendo uma baixa, pois estamos trocando de baterista. Até encontrar e preparar um novo guerreiro para a batalha nos palcos, vai demorar um pouco. Ainda temos que terminar de gravar e lançar o Paganheart. Mas eu espero poder voltar às apresentações e celebrações o mais rápido possível.

TGZ: Wisdom Warshipper, ficamos honrados pela presença da BWISOW no TGZ, pois congrega de muitas influencias semelhantes nesse ciclo energético atemporal. Guerreiros, sigam adiante livres e a bradar ... !!!

Crom:
A Honra é minha também! Podes ter certeza! Foram muito inteligentes as suas perguntas, bastante aprofundadas e inspiradas.
Agradeço de Coração Pagão a força e o apoio que tem dado ao Barbarian Warriors in Search of Wisdom.
Um grande abraço a ti guerreiro, e aos valorosos leitores das escrituras do ThunderGod Zine.
Saudações a todos, em cornucópias transbordantes em vinho, cerveja e hidromel!
!!! Forças !!!
!!! Hail !!!
 
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