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ENTREVISTA: BARBARIAN
WARRIORS IN SEARCH OF WISDOM « |
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Realizada por: Cezar
Augusto
}
Respondida por: Crom
WW
Barbarian
Warriors In Search Of Wisdom
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Talvez
muitos nem tenham ouvido falar da Barbarian
Warriors In Search Of Wisdom; bárbaros
guerreiros em busca do conhecimento, onde
os primórdios do início da horda
remontam a 1992, em Belo Horizonte/MG, porém
fincando-se mesmo em Campinas/SP em 1996,
e em 1997 já lançando a 1º
demo (ensaio)... Crom Wisdom Warshipper (voicescreams,
sixchoirswords, symphonic key, pagan flute)
vos apresentará sua horda em meio a
muitos, muitos tópicos explorados de
ideologias, simbologias, conhecimentos e mistérios
que cercam muitas questões da nossa
vida terrena no enfoque humano e atmosférico
relativos aos aspectos traçados nessa
entrevista abençoada pelos deuses...
Logo, vos pedimos muita atenção
e reflexão nessa excursão que
fará a partir das próximas linhas..."Welcome
to the Hall”...
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TGZ:
Hail Crom! Vivifique os motivos que vos
inspirou para a evocação criatória
da Barbarian Warriors In Search Of Wisdom
(BWISOW)... |
Crom: Hail! Profundas e Ocultas Saudações
Pagãs a ti Cezar, ThunderGod Zine,
e aos bravos leitores!!! É uma honra
estar presente aqui em vossas escrituras!
O que me inspirou a criar a Horda, primeiramente
foi o grande interesse na busca por sabedoria,
pelas coisas ocultas, os tempos antigos e
a grande estima à música e ao
Metal.
Como esta é a nossa 1ª entrevista
desde a existência da Horda, e pouca
gente nos conhece, creio que vale a pena fazer
uma pequena cronologia.
Conheci o ex-baixista L. Iabrudi ainda no
colégio, em 1992. Começamos
a curtir som juntos. Em 1994 tive minha primeira
banda, o Dark Subconscious, junto com membros
do atual Tuatha de Danann. No ano seguinte
saí dessa banda, pois tive que mudar
de cidade. Então, em 1995 fundei esta
Horda junto com L. Iabrudi, e foi quando foram
compostos os primeiros sons. Em 1996 ambos
viemos morar em Campinas/SP. Em 2003 entrou
o baixista Schmied, e então continuo
firme por aqui na eterna batalha até
hoje, nesses 9 anos, levando em frente o Barbarian
Warriors in Search of Wisdom.
Nunca fomos muito de divulgar. Mas os tempos
passam, e somente agora que estamos saindo
do total e absoluto underground.
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TGZ:
Qual seria essa perpétua sabedoria
almejada, e essa busca é mananciada
sob a sombra de quais literaturas de conhecimento?
|
Crom: É bem isso que falaste.
A busca é perpétua, é
eterna, porque as coisas da Existência
são infinitas.
Essa Sabedoria a qual buscamos não
é um fim, mas o próprio caminho.
É o saber que não se sabe. Pois
você só pode começar a
procurar alguma coisa a partir do momento
em que você toma consciência que
não sabe de nada. Isso está
expresso no nome que leva nossa Horda.
E essa Sabedoria, na minha visão, pode
ser galgada por diversos caminhos, porque
tudo existe dentro de nós mesmos. Por
isso que um dos primeiros e grandes passos
é o que está escrito no Templo
em Delfos, onde a pitonisa comunicava seus
oráculos, na Grécia da época
do filósofo Sócrates: “Conheça-te
a ti mesmo...”. E continua, “Conheça-te
a ti mesmo e conhecerás o Universo
e os deuses”
Segundo Galileu (que quase foi queimado pela
igreja). “Você não consegue
ensinar nada a uma pessoa; você só
pode ajudá-la a encontrar o que está
dentro dela mesma.”
Por isso é preciso buscar a própria
essência e conhecer-se a si mesmo.
Já fui em busca de diferentes
correntes filosóficas, religiosas,
ocultistas, ufológicas, esotéricas,
bruxaria, paganismos, etc. Li livros de vários
caminhos, energias e vibrações
diferentes. Troquei idéias com bastante
gente, Seres ocultos e buscadores. Mas durante
meus anos de estudo, cheguei à conclusão
que mais relevante que qualquer livro, qualquer
mestre, entidade, bruxa, guru, ancião,
mago, deus, deusa, sábio ou profeta,
mais importante que tudo isso é buscar
a própria essência e as respostas
que estão dentro de nós mesmos.
É acreditar na nossa própria
força.
Todos ainda temos muito que aprender. A Humanidade
e a Ciência se gabam de seu conhecimento,
mas não somos quase nada comparados
à grandeza da Natureza, ao poder do
Universo e à imensidão do vasto
Cosmo.
E é uma busca contínua, que
não pára nunca, por isso é
infinita, porque o conhecimento é infinito,
e a essência do espírito, imortal.
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TGZ:
A materialização sonora
arraiga como influências as grandiosas
hordas de Black, Pagan & Folk Metal em
aliança a atmosferas de óperas
clássicas e obras épico-hiborianas.
Fique livre para citar os nomes de todos esses
influenciadores... |
Crom: Primeiramente, temos
como objetivo buscar, criar e executar um
som próprio, com personalidade. Porém,
leva-se tempo para conseguir uma atmosfera
e um som único, característico.
Ainda assim, sempre procuramos colocar sentimentos
fortes nas nossas composições.
Temos muitas influências sonoras. As
principais estão dentro do Metal Extremo.
Aprecio muito Bathory, Emperor, Enslaved,
Desaster, Immortal, Venom, Mayhem, Burzum,
Himinbjørg, Helheim, Odroerir, Menhir,
Storm, Vintersorg, Otyg, Cruachan, fora outras
várias Hordas que são muitas
para citar aqui, sem contar as excelentes
Hordas brasileiras, que são muitas
também.
Dentro do Metal, eu curto quase todos os estilos,
como Death, Thrash, Doom (menos a escória
desprezível e contraditória
do white metal). Gosto muito de Heavy Metal,
rock, e rock clássico também.
De sons atmosféricos e folk, curto
bastante Loreena Mackennitt, Wild Sylk, os
primeiros álbuns do Mortiis, e a música
medieval, celta, viking, e alguns sons andinos.
A Loreena tem umas influências de som
oriental e árabe que ficam muito interessantes.
Das grandes obras hiborianas, não poderia
deixar de citar o majéstico Basil Poledouris,
criador da monumental trilha sonora dos 2
longas-metragens de Conan, o Bárbaro.
Da música clássica erudita eu
aprecio Beethoven, Franz Liszt, Wagner, Heitor
Villa Lobos, Carlos Gomes, Edvard Grieg, um
pouco de Tchaikowsky, óperas como Carmina
Burana, de Carl Orff, entre outros.
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TGZ: Comente
as 2 Demo-tapes de ensaio (rehearsal) existentes
em prisma geral de contextos absorvidos e
também o proquê do lançamento
do Cd/Demo/Rehearsal: 2004 chamado “A
day in a medieval storm”, abordando
o seu conteúdo... |
Crom: Na verdade as 2 DTs –“Belial,
in Memory of a Brave”, e “Ancient
Times”- não eram para ter sido
lançadas. Eram apenas gravações
de ensaios para nós mesmos, e poucos
amigos. O fato é que com muitas mudanças
de formação, e fatalidades como
a do Belial, só restaram esses materiais
do passado. Tipo, ou eu lançava isso
ou nada. Então tudo me levou a lançar
essas demos-ensaio com anos de atraso, mas
o resultado final compensou. A gravação
está razoável, em termos de
Metal Extremo. Foram gravadas em mesa de som.
Porém, mesmo após todos esses
anos, são artefatos dos quais eu me
orgulho, porque foram forjados na mais pura
espontaneidade, e mesmo assim são agressivos,
densos, profundos, rápidos e brutais.
Já o “A Day in a Medieval Storm”
é uma coletânea, passando por
várias fases da Horda. Foi lançado
em 1º lugar para nós mesmos, pois
queria ter um artefato nosso com aqueles sons,
incluindo as longas faixas atmosféricas.
Além disso, tem gravações
de ensaios e 2 sons ao vivo, do nosso 1º
show, em 1999. Seu conteúdo principal
reúne as 3 partes do som “A Day
in a Medieval Storm”, sendo uma em latim,
com a letra reproduzida no encarte. Todas
as 3 descrevem e discorrem sobre a cena da
capa, que me apareceu como uma visão,
em 1996.
Todos estes artefatos foram lançados
em datas especiais, escolhidas cuidadosamente.
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TGZ: Sendo
a dt “Belial: In a memory os a brave”
(2003) uma homenagem ao ex-baterista assassinado
de pseudônimo Belial. Poderia nos relatar
esse fatídico acontecimento? |
Crom: Uma série de fatos estranhos
aconteceu nessa época, mas está
quase tudo descrito no encarte da DT, onde
aborda também a história do
baterista na Horda.
Belial sempre foi muito misterioso, bastante
guerreiro e batalhador. Foi uma grande perda
para a Cena do estado de São Paulo
e de Goiás, de onde nasceu. Deixou
esposa e 3 filhos, sendo que o caçula
se chama Belial de registro. Só para
citar algumas coisas estranhas, cerca de 6
meses antes, Belial tinha dito para mim e
vários amigos próximos que ia
sumir da Cena, e não mais voltar. Segundo
sua viúva, o Pai de Belial morreu com
31 anos, quando ele tinha 3 anos. Belial morreu
com 31 anos, quando seu filho Belial tinha
3 anos. E por aí vai... Ele sempre
foi um Ser muito buscador da Sabedoria, um
grande questionador das coisas. Ensinou muita
coisa para muita gente. Existem várias
versões de sua morte. Mas resumindo,
um bandido imbecil e ignorante mexeu com ele
num bar, chutou a moto do Belial, e então
ele se envolveu numa briga, e mais tarde levou
um tiro em cima de sua moto. Morreu lutando.
Estranho é que no show de lançamento
da DT em homenagem ao Belial, e o primeiro
depois de sua morte, tinha tudo para rolar
numa boa, a grande maioria dos que estavam
no evento eram conhecidos. Aí saiu
o maior quebra-pau no meio do nosso show,
e um colega nosso levou uma facada, indo parar
no hospital. Ou seja, havia toda uma atmosfera
soturna em torno disso tudo.
Outra coisa, é que Campinas é
uma cidade violenta. Eu mesmo tive uma arma
apontada para minha cabeça há
apenas 13 dias atrás, durante um assalto
à casa de um amigo meu. Tem coisas
estranhas que acontecem por aqui, como o episódio
de um casal que teve um surto repentino de
loucura e atirou seu bebê contra um
carro em movimento. Tiveram boatos que eles
foram “possuídos”, outros
dizem que apresentaram um “surto coletivo
de estresse agudo”, enfim falaram de
tudo. Isso foi noticiado em rede nacional
e aconteceu há uns 2 anos num lindo
e obscuro bosque na rua onde eu trabalhava.
Adoro aquele lugar, e já o freqüentava
antes desse fato. Então aqui é
complicado mesmo, eu curto a cidade, mas ela
tem seu lado funesto e sombrio. Mas, é
nessas horas que testamos nossa coragem e
valor, e “aquilo que não nos
mata, nos deixa mais fortes”.
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TGZ: E
por tocar no assunto ‘Morte’,
esta é a consciente verdade de certeza,
mas a possível “vida além”
é encarada de vários modos no
enfoque dos círculos místicos,
ideológicos, filosóficos e espirituais
da humanidade. Como você encara a certeza
da morte material, e observa sua crença
na possibilidade de ‘Vida além”? |
Crom: Bem observado: “morte material”.
Muitos e muitos povos acreditam e defendem
uma forma de ‘vida’ após
a morte, desde Egípcios, Celtas, Vikings,
Índios, Espíritas, Islâmicos
e mesmo os Kristãos de alguma forma,
que acreditam que vão para o paraíso
ou inferno.
Eu encaro a morte como uma coisa natural.
Não é um fim, mas apenas uma
passagem, uma transformação.
É preciso que acabe o Dia para que
venha a Noite, assim como a aurora traz o
Dia novamente, num ciclo. É um processo
natural. Faz parte da Natureza, e muitos seres
humanos ainda não aprenderam a lidar
com isso. Não tenho medo da morte,
pois já passei bem perto dela várias
vezes, e pelo menos três delas totalmente
isolado no meio da floresta.
É lógico que eu não quero
morrer agora, e luto pela minha vida até
a última gota de sangue, pois ainda
tenho muita coisa para fazer, e várias
batalhas para travar e conquistar. Mas eu
não temo o dia em que meus olhos físicos
se fecharão para sempre. É natural
e inevitável. Sei que meu espírito
continuará sua jornada por outros mundos,
independente do que aconteça neste
planeta. “Corra para a morte, antes
que outro tome seu lugar”, pois "Julga
o covarde que a vida não acaba; Se
longe das guerras ficar; Mas os anos não
lhe darão tréguas; Mesmo se
a guerra o poupar."
|
TGZ: E
qual seu parecer no caso do conflito de idéias
que permeia as correntes crentes e descrentes,
tanto no mais antigo legado cultural histórico,
quantas nas posteriores filosofias dogmáticas
dos ‘mundos’ orientais, ocidentais...Enfim,
reflita e expresse-se... |
Crom: Que perguntas profundas! Realmente
você inspirou-se nas questões,
muito bárbaro!
Mas você diz isso de crentes e descrentes
ainda em relação ao conceito
de morte?(Cezar: -É!). Para
isso não há uma regra, porque
tanto certas correntes ocidentais, quanto
correntes orientais acreditam na vida após
a morte, de alguma forma. Ainda sobre a questão
Ocidente x Oriente, é interessante
que na mitologia nórdica, os xamãs
e magos mais sábios e poderosos vinham
do Oriente. Do próprio Odin existem
teorias de que teria vindo da Ásia.
Mas isso são teses e antíteses.
Sobre o conflito de idéias, o Ocidente
sempre brigou com o Oriente. É uma
coisa muito antiga. Na Era Medieval tínhamos
as Cruzadas. Hoje temos a Guerra no Iraque,
e o Terrorismo. Na antiguidade, havia o Império
Romano. Atualmente temos o Imperialismo Norte-Americano.
Em termos mais filosóficos, de um modo
geral creio que o caminho poderia ser um equilíbrio
entre a Razão metódica, empírica
e cartesiana do Ocidente, mesclada à
Emoção instintiva, intuitiva,
espiritual e religiosa do Oriente. Seria como
o Arquiteto e a Oráculo no final da
grandiosa trilogia Matrix. O equilíbrio
entre Masculino e Feminino, Razão e
Emoção. Conhecimento e Intuição.
A Razão precisa da Emoção,
e vice-versa, assim como a Vida precisa da
Morte para existir e ter sentido.
|
TGZ: Os
fenômenos naturais sempre vão
inspirar o fluxo sentimental e latente do
ser humano na comunhão profunda de
si mesmo com a natureza percebida em sua extrema
beleza misteriosamente fluente e influente...Crom!
Concordas com essa minha consideração
espontânea? E tu achas que o cíclico
e eterno movimento da atmosfera, reverencia
a nossa existência em quais âmbitos
a saber? |

Crom: -Sim! É bem por aí!
“In deep communion with the elements
of Nature” (Paganheart). Os maravilhosos
fenômenos da natureza nos inspiram desde
que o ser humano era um primata e vivia em
cavernas. E nos inspiram até hoje,
mesmo rodeados de tanta tecnologia.
Sobre o Cíclico e Eterno movimento,
humm... o fim dos tempos... aí já
é uma concepção bem mais
complexa a meu ver. Vejamos;
O conceito poderia ser explanado assim: Existe
o 1, ou o Uno (O que seria isso eu ainda estou
tentando saber mais), que contém todas
as coisas que existem e que não existem.
Esse 1 se divide entre o Tudo e o Nada, que
poderiam consistir representados também
no Ser e o Não-ser, a Existência
e a Não-existência, Fogo e Gelo,
etc. Essas duas forças ficam se interagindo
eternamente, ora em Harmonia, ora no Caos
num cíclico e eterno movimento, porque
o Tudo e o Nada são infinitos. (E uma
coisa que é infinita sempre existiu,
por isso não tem um começo.
É o início, o fim e o meio).
O que se alterna seriam as predominâncias
de um e de outro, do Tudo e do Nada. Seria
um infinito movimento cíclico, talvez
em espiral. Mas essas coisas levam Eons de
tempo para acontecer, tipo, incontáveis
unidades de tempo. Seria como se cada volta
no Ciclo gerasse um novo Big Bang da ciência,
que é a teoria mais aceita sobre a
origem do Universo.
Existem várias teorias da criação
e destruição, seja na ciência,
filosofia, ocultismo, esoterismo, magia ou
religião.
Sobre sua afirmação de reverenciar
a nossa existência, isso pode ocorrer
necessariamente porque estamos inseridos no
processo.
Cada coisa existente e não-existente
faz parte do todo, como uma gota no vasto
oceano.
|
TGZ: A
BWISOW funde suas idéias no épico-hiboriano,
no ocultismo e no misticismo de líricas
e simbologias nórdicas e aztecas. Conte
alguns detalhes de histórias preferidas
dentro disso tudo, enfocando os deuses e o
que mais queiras... |
Crom: Nossas influências filosóficas
e ideológicas são muitas. Não
se limitam somente a isso. Porém todas
elas se encontram e se convergem no Paganismo.
Por sermos uma Horda de Pagan Folk Metal,
procuro abordar certas faces do Paganismo
independente dos povos, respeitando as particularidades
de cada um. Até porque existem muitos
traços em comum entre diversas culturas
pagãs espalhadas pelo mundo em lugares
distantes e diferentes.
O Paganismo é mais antigo ainda, o
xamanismo é algo universal. Seus elementos
podem ser rastreados até os primórdios
da raça humana e encontrados em índios
brasileiros, até tribos do outro lado
do planeta, e em civilizações
e culturas extintas há milhares de
anos.
Com relação a deuses, seres
e entidades, interesso-me bastante pela figura
mítica e misteriosa do deus Maia Quetzlcoátl,
que em nosso release é demonstrado
pilotando uma espécie de “máquina”.
Simpatizo-me também com a filosofia
da Grécia antiga, do alemão
Nietzsche, e um pouco de Descartes.
Igualmente aprecio muito o deus, xamã,
guerreiro, mago, poeta... Odin, em sua incessante
busca por conhecimento, é considerado
deus da Sabedoria, entre tantos outros predicados
e atributos. Ele deu um olho para ver melhor.
É contraditório, mas faz sentido!
Isso que é o mais interessante.
Dentre os povos, admiro as culturas Maias,
Astecas, Incas, Indígenas, os Celtas,
a Grécia Antiga, Vikings, Teutões,
Saxões, Japão antigo, Visigodos,
Ostrogodos, Hunos, entre outros.
Quase tudo pode ser aproveitado de alguma
forma se houver uma reflexão e senso
crítico em cima.
O interesse pela Era Medieval e pelos Tempos
Antigos é algo dentro de mim que vem
desde quando eu era criança, é
muito anterior até mesmo ao fato de
eu curtir som, Rock ou Metal. Vi no seu zine
que você curte games. Um jogo que me
inspirou bastante durante a infância,
foi o Golden Axe, que por sua vez foi inspirado
no Conan. Eu até já gravei a
trilha sonora do jogo numa fita-cassete, para
poder escutar no som de vez em quando.
Em relação à Era Hiboriana
é algo que me inspira demais. Quando
vi o filme do Conan, o Bárbaro pela
primeira vez, eu devia ter uns 6 anos de idade
quando passou na TV. Mas aquilo me marcou
de tal maneira, que mesmo sem entender direito
naquela época, jamais esqueci suas
mensagens. A compreensão mais refinada
só veio muito tempo depois, na adolescência.
É considerado um dos filmes mais violentos
de toda a história do Cinema. E é
um reflexo dos povos Bárbaros, dos
povos Pagãos. E tem muitas mensagens
secretas de sabedoria, ocultas no ‘sub-texto’
dos diálogos, e nas simbologias dos
objetos e das cenas.
Por exemplo, quando o Cristo foi crucificado,
ele simplesmente se entrega à morte
e ainda pede perdão pelos que lhe mataram.
É o famoso “dar a outra face”.
Quando Conan foi crucificado, ele luta até
as últimas conseqüências
para viver. Ao ter um abutre comendo sua carne,
ele usa a única arma que tem: os dentes.
E ataca a ave, matando-a com mordidas. O recado
ali é que ele ainda está vivo,
e não vai se entregar facilmente para
o outro mundo. Ou seja, ele não desiste,
luta até o fim. Isso é força
de vontade, força de espírito.
O cristianismo prega que você tem que
se conformar com sua situação,
por que vivem repetindo igual papagaios “foi
deus que quis” “se deus quiser”
“juro por deus”, e assim se entregam
à “vontade de ‘Deus’”.
Para os Bárbaros e Pagãos se
você quer alguma coisa você tem
que ir atrás e lutar para conseguir,
ao invés de simplesmente aceitar sua
condição imposta por “deus”.
Se seu deus não lhe atende, foda-se,
você vai e faz assim mesmo, com ou sem
a ajuda divina, mas principalmente pela sua
própria força de vontade. Não
fica esperando cair do céu. “A
sorte pode ajudar um homem se ele tiver suficiente
valor”.
|
TGZ:
O release da horda nas partes superior,
inferior, lateral direita e esquerda; é
simbolizado por essa densa e culta atmosfera
agregada. Teria como descrever brevemente
os significados ali retratados? |
Crom: Brevemente não. Tem muita
simbologia ali. Vou citar as mais relevantes.
Estão alinhados os 4 pontos cardeais
escritos em Latim, junto aos 4 Elementos -
Fogo, Água, Terra e Ar - cada qual
em seu quadrante, representado pelo estilo
e traço da linha de borda. Nas laterais
há inscrições rúnicas,
relacionando-se com alguns elementos. Também
estão alinhados, escritos em Latim,
cada parte do Ser - Spiritus, Animus, Corpus
e Mentis - com o elemento e ponto cardeal
correspondente. Tem algumas coisas mais, porém
resumindo, é isto. Gosto de usar algumas
palavras em Latim por ser a língua
universal dos tempos antigos. Era como o idioma
inglês hoje. Foi em Latim que Ibn Fadlan
se comunicou com os nórdicos. E isso
é fato histórico.
|
TGZ: Sobre
a ilustração gráfica
dos artefatos, parabéns pela originalidade
das fotos com vocês dois vestidos tal
como guerreiros nas florestas e montanhas
da região de Campinas! Quais os sentimentos
nutridos por essas belas paisagens naturais?
|
Crom: Nossa, muitos sentimentos!!! Obrigado
pelas observações! Mas uma coisa
que quero passar nessas fotos de lindas paisagens,
é que é possível viver
um sentimento pagão mesmo nos dias
de hoje. Não importa o quão
avançado esteja a tecnologia, e o quão
deturpada e materialista esteja a humanidade.
Ainda é possível ver um pôr-do-sol
entre as árvores em meio à floresta
envolta pela neblina do crepúsculo.
Todas as fotos que utilizamos foram tiradas
por mim, ou por meus grandes irmãos,
amigos e companheiros de batalhas! Por isso
são momentos únicos, que foram
por nós vividos, e que agora podemos
compartilhar com outros Seres ocultos que
também se interessam por esses sentimentos,
através dos encartes de nossos artefatos.
A gente canta o que vive, o paganismo faz
parte de nós, e ainda pode ser vivido
e sentido nos dias de hoje.
Eu sempre digo que a realidade é muito
mais interessante do que a ficção,
por que a ficção é apenas
um reflexo da realidade. Por isso eu prefiro
usar fotos de lugares e coisas reais, ao invés
de desenhos, por mais exuberantes e brutais
que sejam. É para mostrar que a Natureza
oculta e obscura existe, e ainda está
forte ao nosso redor, e até mesmo próxima
aos lugares onde vivemos.
|
TGZ:
Por que existem bandas que relacionam
o paganismo nórdico com um tema tão
polemizado como o nazismo, no que parecem
querer usar a simbologia de força e
poder da antiga crença pagã
com ideais políticos de pseudo-supremacia
racial. Que que tem a ver uma coisa com a
outra? E qual a sua análise critica
diante a esse ponto. |
Crom: Que ótimo que você
tocou neste assunto tão delicado e
polêmico! Pois assim, em primeiro lugar
eu, Crom, gostaria de deixar bem claro que:
O Barbarian Warriors in Search of Wisdom NÃO
É UMA HORDA NAZISTA. Muitos leigos
relacionam paganismo diretamente com nazismo,
mas uma coisa não está necessariamente
ligada à outra.
Isso começou com Hitler, que deturpou
o significado de vários símbolos
pagãos, dentre runas, cruzes e a famosa
Swastika. A palavra suástica vem do
sânscrito, e este símbolo era
e ainda é utilizado até mesmo
pelos budistas, e pode ser encontrado também
nas religiões azteca, chinesa, japonesa,
nativo-americanas, hindu, tibetana, dinamarquesa,
escandinavas, germânicas e saxônicas.
Estes símbolos são muito, muito
antigos. Remontam aos primórdios da
humanidade, milhares de anos anteriores ao
surgimento do nazismo. Então quem você
acha que têm mais poder sobre eles?(Cezar:
Os antigos, os demais como sabemos foram só
um pseudo-poder; claro!)
Particularmente eu considero uma pessoa pelo
seu caráter, personalidade, honra e
força de espírito, e não
pela cor de sua pele, posição
ou classe social. (Cezar: Idem, irmão!).
Por exemplo, nosso ex-baterista Belial era
pobre e mestiço, e era um grande Ser.
Foi um importante membro que passou pelo Barbarian,
e contribuiu bastante.
|
TGZ:
Para qual estação, podemos aguardar
pelo lançamento do Debut da horda,
“Paganheart”; fale também
da ‘Nemus Cinebeus Productions’.
E onde pretendem divulgá-lo? |
Crom: Para nós, o Paganheart por
si só já é uma grande
batalha mesmo antes de ser lançado.
Estamos gravando esse álbum desde 2002,
e indo para o terceiro ano de gravações!
Nesse período o Barbarian já
passou por diversas formações,
mas continuamos firmes e fortes. Tudo está
dando muito trabalho porque é um artefato
totalmente artesanal, tudo é feito
por nós mesmos, estamos gravando no
nosso estúdio em casa, no Ben Morgh
Home Studio. Temos que pensar e fazer tudo,
desde o mau-contato nos cabos até a
execução dos instrumentos, layout
dos encartes, gravação, mixagem,
produção, etc. Não temos
gravadora, somos totalmente independentes.
Por isso tudo está demorando muito
mais do que prevíamos. A Nemus Cinereus,
assim como a MoonForest Productions, são
apenas nomes que eu dei às minhas próprias
produções, como os artefatos
do Barbarian, eventos e excursões que
organizo por aqui. Eu tinha um parceiro, mas
precisou se afastar por falta de tempo. Por
isso estou sozinho agora, e é tudo
bem modesto, não existe verba nem nada.
Mas eu espero que consiga organizar mais eventos
no próximo ano, principalmente o show
de lançamento do Paganheart. Vou batalhar
para que esteja tudo pronto pelo menos até
o próximo inverno.
Sobre o conteúdo do artefato, a faixa
título Paganheart é nossa maior
obra até agora, nosso grande épico.
Só ela tem 30 minutos de duração.
Além dos instrumentos tradicionais
–guitarra, vocal, baixo e bateria- usamos
várias linhas de teclados, flautas,
percussões, vocais femininos, épicos,
é uma verdadeira jornada, que começou
a ser composta em 1998, ou seja, faz 6 anos
que eu estou compondo essa música.
A letra dela tem umas 4 páginas. E
está dando muito trabalho para finalizar
isso tudo. Serão mais de 76 minutos
de um rápido e brutal Pagan Folk Metal,
num total de 9 faixas, sendo 2 totalmente
acústicas, evidenciando mais um pouco
do nosso lado Folk.
Tudo é longo na nossa Horda, tem hora
que enche a paciência! (risos) O nome
é grande, as músicas são
grandes, as letras são extensas, o
tempo para fazer e lançar as coisas
é enorme... eu espero que isso comece
a acelerar nos próximos anos. Eu não
vejo mais a hora de lançar este artefato
e poder tocar em várias regiões
do Brasil, e conhecer melhor os Seres ocultos
espalhados por este vasto lindo país
que a gente possui, com uma Natureza bela
e inigualável.
No momento, nossa Horda está sofrendo
uma baixa, pois estamos trocando de baterista.
Até encontrar e preparar um novo guerreiro
para a batalha nos palcos, vai demorar um
pouco. Ainda temos que terminar de gravar
e lançar o Paganheart. Mas eu espero
poder voltar às apresentações
e celebrações o mais rápido
possível.
|
TGZ:
Wisdom Warshipper, ficamos honrados pela
presença da BWISOW no TGZ, pois congrega
de muitas influencias semelhantes nesse ciclo
energético atemporal. Guerreiros, sigam
adiante livres e a bradar ... !!! |

Crom: A Honra é minha também!
Podes ter certeza! Foram muito inteligentes
as suas perguntas, bastante aprofundadas e
inspiradas.
Agradeço de Coração Pagão
a força e o apoio que tem dado ao Barbarian
Warriors in Search of Wisdom.
Um grande abraço a ti guerreiro, e
aos valorosos leitores das escrituras do ThunderGod
Zine.
Saudações a todos, em cornucópias
transbordantes em vinho, cerveja e hidromel!
!!! Forças !!!
!!! Hail !!!
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