| |
| »
ENTREVISTA: CORPSE
GRINDER « |
|
|
|
}
Realizada por: Cezar
Augusto
} Respondida
por: Júnior
Corpse Grinder
|
CONTATOS:
A/c
Júnior
Rua Santos Silva, 338
Machado/MG - 37.750-000
|
Alcançando
17 anos de existência, a Corpse Grinder
consegue provar o quanto sua fidelidade consegue
destruir muralhas ao longo desses tempos para
perdurar solidificando suas bases no Death
Metal, servindo de exemplo para muitos, pois
sua humildade, naturalidade e persistência
devem ser admiradas por todos os conscientes
dessa verdade.
Esta entrevista era para ter saído
no ThunderGod Zine #01, mas a mesma foi extraviada
e demorou um tempo para ser reenviada por
falhas dos Correios, período em que
não foi mais possível incluir
na edição do zine (que consta
de uma entrevista com o Corpse Grinder extraída
de uma compilação de perguntas
de outros fanzines, interessante!). No entanto
esta ótima entrevista não se
perdeu, pois eis aqui divulgada e sem estar
desatualizada dentre as perguntas e respostas...
|
TGZ:
Celebrando 17 anos de atividades ininterruptas
, algo nada fácil de se alcançar;
aborde as dificuldades entre o ontem e o hoje
no que achar necessário, hein? |
Júnior: Nossas dificuldades, eu
acho que são as mesmas da maioria das
bandas undergrounds nacionais, mas para mim
uma das principais dificuldades é a
falta de apoio, pois a maioria dos headbangers
brasileiros não dão valor às
bandas nacionais e os organizadores de shows
sempre acham um absurdo uma banda underground
cobrar as despesas de viagem e acham normal
pagar altos preços em aluguel de aparelhagens
para shows, em aluguel de lugares para realizar
o evento e as bandas que deveriam receber
mais atenção, na verdade são
tratadas como coadjuvantes. Ainda existe muita
falta de respeito com quem batalha pra fazer
música, ensaiam pra caramba, juntam
seu dinheirinho aos poucos para poder ir para
um estúdio decente para gravar algo
nada compensador. A única coisa que
compensa passar por tudo isso é nossa
força de vontade e o nosso amor pelo
Death Metal. Nós já passamos
por muitas dificuldades, que já superamos,
mas a que eu citei ainda existe para nós
e para a maioria das bandas nacionais, e eu
não sei se vou viver para ver isto
mudar um dia.
|
TGZ:
Ao longo das demo-tapes lançadas,
a Corpse grinder trilhou por linhas como o
Death/Core e o Death/Grind. Quando o som da
banda veio se definir como Death Metal tradicional
e quais os pontos relevantes para ter chegado
a esta? |
Júnior: O som se definiu Death
Metal tradicional na demo de 92 “Sick
entrails of humanity”, já o som
Death/core, Death/grind foi nas duas primeiras
demos, mas desde o início nós
queríamos formar uma banda Death Metal
tradicional, mas a falta de técnica
nos levava a fazer bases muito simples e isto
aliado a quantidade de bandas Hardcore e Grind
que ouvíamos naquela época levava-nos
a fazer tal som, mas a medida que fomos adquirindo
um pouco mais de técnica e habilidade
para tocar, o som foi ficando mais próximo
do que queríamos. Eu ainda tenho muito
o que aprender em termos de guitarra, mas
o som da banda sempre será Old School
Death Metal. A intenção é
sempre evoluir, mas sem trair o estilo que
amamos e carregamos a bandeira!
|
TGZ:
(Black Sabbath, Bolt Trower, Celtic Frost
'old', Death, Benediction, Massacre e Autopsy),
o que cada uma destas bandas representa para
você? |
Júnior: Para mim essas bandas
são a verdadeira essência do
Metal e a fonte de inspiração
para todas as bandas que se dizem Metal e
se orgulham se ser underground! O Black Sabbath
é o início de tudo, foi a primeira
banda realmente pesada a pisar na terra que
influencia nós e todas essas bandas
que você citou, enão nem precisa
de mais comentários. O Bolt Thrower
é uma banda que gosto muito, nos influencia
e
o que mais admiro neles é a firmeza
no som, eles sempre manteram a mesma linha
e o som cadenciado meio lento com vocais meio
falados é a marca registrada da banda.
O Celtic Frost gravou dois dos maiores clássicos
do Metal, que são os dois primeiros
álbuns e são esses que nos influenciam.
Eu admiro esta banda só até
aí, o resto é resto e nem quero
comentar. O Death é o Death, mas infelizmente
teve que acabar com a morte de Chuck Schuldiner,
que foi uma das maiores figuras do mundo Metal.
O Benediction é uma das bandas que
mais nos influenciam, e eu sou fanático
por esta banda. O Massacre eu digo a mesma
coisa, só que infelizmente lançou
somente um álbum decente, porque no
segundo os caras forma se misturar com os
caras do Pantera e aquele baterista gordo
do Pantera produziu o disco e transformou
a banda numa cópia mal feita do Pantera.
E finalmente o Autopsy, que é sem dúvida
a banda mais pesada e grotesca do mundo e
é das que mais curtimos, tanto até
que gravamos um cover em nosso recente álbum
“Celebration of Hate”.
|
TGZ:
Foi interessante terem lançado uma
demo ao vivo - "Live Tape 99-, obtendo
uma surpreendente receptividade ! Informe
sobre o conteúdo da mesma e se a banda
já pensou em repetir a dose em forma
de demo ou de álbum posteriormente?
|
Júnior: Esta demos ao vivo é
composta em sua maioria por músicas
da demo “Necrorealism” de 98,
algumas músicas antigas que saíram
na demo 92 e no “3 Way cd ‘ Death
or Glory vol. II’ de 96 e um cover de
“Against the world” do Unleashed.
Esta demo foi gravada meio ao acaso, porque
quando estávamos em cima do palco,
nem sabíamos que o show estava sendo
gravado, e só depois que ficamos sabendo;
aí ouvimos, gostamos e resolvemos lançar.
Se rolar outra oportunidade de gravarmos um
ao vivo que saia com uma boa qualidade de
gravação, talvez resolveremos
lançá-lo como demo ou até
como álbum.
|
TGZ:
O 1° álbum, "Persistence",
atingiu uma grande aceitação
no cenário, tanto que até hoje
vocês continuam vendendo muitos desses
cd's. Teria como descrever essa sensação
inerente a vocês? |
Júnior: É legal saber que
as pessoas se interessam ainda pelo nosso
1° álbum, mesmo agora que lançamos
um novo álbum, mais técnico
e mais bem produzido. Muitas pessoas querem
comprar o “Persistence” depois
de adquirirem o “Celebration of Hate”
para poderem ter os dois álbuns da
banda. As pessoas estão gostando bastante
do novo, tanto que se interessam em comprar
o mais antigo também, e isso é
muito gratificante.
|
TGZ: A
capa desse cd é uma ilustração
de uma batalha onde os vikings estão
invadindo o norte escocês . Exponha
o significado dentro da situação
da banda. |
Júnior: O lance de colocarmos
esta batalha na capa de nosso 1° cd, é
que na batalha mostra os vikings atacando
debaixo pra cima em total desvantagem, mas
mesmo assim não desistem do objetivo,
que é conquistar a fortaleza e a persistência
deles é como a nossa, que lutamos muito
para chegar nesse primeiro álbum e
nós também vindo atacando de
baixo para cima no decorrer de nossa história,
porque as coisas são bem mais difíceis
para as bandas undergrounds do interior em
relação às bandas das
capitais. Este é o motivo de escolhermos
esta capa para o disco.
|
TGZ:
O selo francês ' Moon Soon Recs.,' remasterizou
e editou em cd as demos "Necrorealism"
e "Live Tape 99". Como foi o contato
de acordo e você sabe como anda esta
divulgação por lá ? |
Júnior: Já faz um bom tempo
que tenho contato com este selo e quando eu
mandei estas duas demos para o Marc, prprietário
do selo, ele me propôs em fazer a remasterização
dessas demos e divulgar por lá através
da distro que ele tem e logicamente eu aceitei,
porque para nós todo tipo de divulgação
é muito bom e ainda mais no exterior,
e eu não me preocupo se ele está
vendendo muito ou pouco e ganhando em cima,
porque o importante é a divulgação
e na época que lê começou
a divulgar, disse que estava tendo uma boa
aceitação lá.
|
TGZ: "Saiu
do forno" o 2° álbum , "Celebration
of Hate"; a capa do cd traz outro significado
em especial? |
Júnior: A capa deste cd mostra
umas estátuas de igrejas medievais,
e nós achamos essas estátuas
com as maiores caras de loucos e fanáticos
religiosos muito estranhos e vimos que combinaria
com o título do álbum e com
as letras da maioria das músicas do
álbum, que falam sobre fanatismo religioso
e as desgraças que nos causam.
|
TGZ: Por
que resolveram lançá-lo pela
Kill Again Recs.(DF) já que o álbum
anterior saiu pela Destroyer Recs.(SP)? |
Júnior: A Destroyer não
está dando apoio as bandas do selo,
tanto que a maioria saiu deste selo, inclusive
bandas de caras que trabalham nas lojas da
Destroyer como o Torture Squad e o Oligarquia
e se eles são lá de dentro e
saíram, não iría ser
nós de fora que iríamos ficar.
A porcentagem que tínhamos direito
era baixa no primeiro álbum e para
o segundo eles queriam fazer uma parceria,
só que do jeito que eles propuseram,nós
iríamos ter que desembolsar mais grana,
coisa que não tínhamos mais,
porque acabávamos de sair de um estúdio,
coisa que fica bem caro, então resolvemos
largar a Destroyer e logo em seguida mandei
uma cópia da gravação
para o Rolldão da Kill Again, ele curtiu
e propôs para lançarmos por seu
selo e sem contar que a maioria da porcentagem
que temos direito é bem maior agora
e estamos trabalhando com um amigo de longa
data e que se interessa realmente em divulgar
o Corpse Grinder.
|
TGZ:
Relate toda a temática deste novo disco,
e se quiser falar também da letra "Ridden
with disease" do Autopsy, sinta-se à
vontade...
|
Júnior: A temática deste
novo álbum é sobre fanatismos
religioso, como já disse anteriormente,
e as músicas que fogem da temática
principal é a do Autopsy por ser um
over e ‘Village of the Damned’,
que foi escrita por um amigo nosso e ofereceu
a letra para nós e resolvemos colocá-la
em uma música nossa. Essas letras falam
sobre epidemia e de acidente nuclear, respectivamente.
|
TGZ:
Realmente a sonoridade continua fudida
aos moldes mortíferos tradicionais,
como foi o processo de desenvolvimento dos
explosivos musicais? |
Júnior: Eu sempre faço
as músicas e o Flávio e o Rômulo
fazem as letras. Depois de um instrumental
pronta, nós vamos encaixando uma letra,
aumentando ou diminuindo o tamanho de uma
base de acordo com o tamanho da estrofe da
letra que será cantada na base em questão,
depois de encaixadas as letras, Humberto coloca
os solos. Este é o jeito que construímos
as músicas desde 97, antes eu também
fazia algumas letras, depois parei e deixei
esta parte para eles.
|
TGZ:
Tenho me referido muito a um certo tema
polêmico, e gostaria de saber a sua
opinião também sobre a pirataria
de cd's que certos indivíduos fazem
de bandas underground e o reflexo causado
por este ato? |

Júnior: Eu sempre gostei de ter
minha coleção somente de cd’s
oficiais, mas não nego que tenho um
estojo
cheio de cdr’s, porque é muito
difícil e muito caro ter tudo quanto
é cd que a gente curte, mas os cdr’s
que tenho gravados são de coisas quase
impossíveis de se achar oficial e quando
se acah o preço é um absurdo,
então nesse ponto aí eu acho
válido. Agora reproduzir cdr’s
de bandas nacionais, que os cd’s oficiais
já são baratos em relação
aos importados, eu acho foda, mas fazer o
quê? Mas mesmo assim eu acho que não
atrapalha tanto, a pirataria é mais
forte em discos de músicas populares,
onde a pirataria é feita em série
e os cd’s são vendidos até
a R$ 2,00. No underground, grava-se um cd-r
do jeito que antigamente se gravava uma fita
k7 e é pouco. Pelo que eu saiba, eu
nunca ouvi falar de uma apreensão de
mais de 1000 ou 10000 cd’s piratas de
Metal prontos para serem comercializados,
agora se chegasse a tal ponto, aí seria
prejudicial pra as bandas e selos que investem
nas bandas undergrounds.
|
TGZ:
Um fato bastante comentado e discutido de
uns tempos pra cá no cenário
Death Metal, tem sido sobre a enxurrada de
bandas que seguem a linha mais extrema com
o modo 'blast beat' de tocar bateria. E você,
o que pensa? |
Júnior: Isto é devido ao
Death brutal estar mais em evidência,
principalmente por causa do Krisiun, que é
uma banda que eu curto muito e vem se destacando
na cena há um bom tempo, e isto faz
com que novas bandas que vão surgindo
seguir essa linha. Nós não seguimos
essa linha, devido ao tempo de estrada que
temos e também nunca nos preocupamos
com qual estilo está mais em evidência,
porque somos e sempre seremos Death Metal
tradicional !
|
TGZ:
Antes de finalizar, qual seu ponto de
vista crítico perante a 2 assuntos
que de certa maneira se ligam : 1°) Desrespeito
entre ramificações do Metal.
2°) Radicalismos. |
Júnior: Esses dois assuntos, que
estão realmente ligados entre si, se
fundem em uma só palavra : ‘Ignorância’;
e você pode ver que isto parte na maioria
de caras que estão começando
a curtir som pesado, mas querem dar uma de
entendidos, organizando turminhas para arrumar
briguinhas em shows, para se dizerem radicais
e darem uma de fodões, achando que
isto é ser underground e na verdade
estão promovendo desunião e
enfraquecendo o movimento.
|
TGZ:
Júnior, valeu pelas idéias conscientes
e por esta força ao ThunderGod ; saiba
que você certa vez disse uma frase marcante
no zine que eu trabalhava (MIZ), onde você
expôs que não liga para o que
a sociedade pense ou deixe de pensar sobre
o som de vocês e sim com os que estão
realmente infiltrados no meio underground,
sentindo-se bem em meio aos verdadeiros headbangers.
É isso aí !!! |
Júnior: Fico muito agradecido
pela oportunidade desta entrevista e espero
que minhas respostas sejam satisfatórias
aos leitores, termino desejando muita força
e prosperidade ao ThunderGod Zine e torço
para que se transforme logo em mais uma grande
força do underground nacional ! Valeu
!!!
|
| |
|
| |
| |
|
|
|
|