» ENTREVISTA: DAS REICH «

} Realizada por: Cezar Augusto

} Respondida por: Fabrício

Das Reich

CONTATOS:

A/c Fabrício
Av. das Hortênsias, 1048 – Planalto
Gramado/RS – 95.670-000
Http://www.dasreichmetal.com

TGZ: Salute ! Logo falando do 1º registro, “A Perfect Sign of God”, este conta com uma excelente produção no geral. Descreva os processos que o moldaram com tamanha qualidade de um Debut Álbum, apesar de ser Demo.

Fabrício:
Desde o princípio, idealizamos o CD como algo dentro dos padrões de qualidade e, claro, dentro dos limites financeiros, da banda. Resolvemos gravar, não tínhamos muito dinheiro e parcelamos ao máximo as despesas, arcando com todos os custos de produção do material e da gravação. Mas procuramos as pessoas certas, um estúdio que grava por excelência apenas Metal, o Brave Metal. Muito bom, com um cara que curte o som e conhece o assunto. Toda a parte gráfica foi montada pela própria banda, que se encarrega de fazer este trabalho para ter certeza de que tudo será como planejado. Entramos em contato com o pessoal das gráficas, escolhemos o material no qual imprimiríamos, pedimos provas, modificamos o que julgamos necessário e mandamos fazer. Não houve nenhum tipo de patrocínio ou ajuda externa, fizemos por nós mesmos. O que interessa é o seguinte: tanto faz se é simples, ou sofisticado, o trabalho deve ser sempre o melhor possível. Fale com as pessoas certas e exija o resultado 100%, não aceitando menos. Pague parcelado se for o caso, mas faça tudo que for possível, dando o máximo de si. Banal, mas eis aí a fórmula. Se você realmente se esforça e quer ver bem feito, o trabalho será bom. É claro que a música é o mais importante, mas pensamos a Das Reich como um todo, não só como som.

TGZ: Vocês trabalham com temas históricos e mitológicos. Qual a importância da coesão entre música e letra para a transmissão conjugada nas composições? E qual a razão do título “A Perfect Sign of God”?

Fabrício:
Não entendemos a música como algo dissociado das letras. Barulho por barulho, qualquer um faz e, sem sentido, mais fácil ainda. Acreditamos que as coisas têm sempre mais de um porquê, e no caso da banda, o todo é muito mais do que a mera soma das partes, isto é, a simples união de talentos de cinco músicos ou de letra e música. Trata-se quase de algo com vida própria, que se constrói e cresce na música, que tem algo a dizer de forma concreta. Normalmente, o processo de criação das letras fica a cargo do vocalista, que as elabora sobre a base sonora previamente montada, ou adapta letras já prontas para a linha de base. Os temas são afins aos interesses da banda, mas não se restringem aos citados, invadindo a área da psicologia, da antropologia e da sociologia, além de temas fantásticos. Veja bem, muitos não escutam o Heavy pelas letras, importando-se quase que única e exclusivamente com a massa sonora, ou porque gostam de curtir assim o Metal, ou porque têm dificuldades com o Inglês. Mas há os que também se preocupam em acompanhá-las e entendê-las. Respeitamos ambos os pontos de vista e temos uma preocupação especial com as letras, inclusive fornecendo traduções e complementações para elas, buscando respeitar o ouvinte. Se você quiser, contudo, ouvir apenas o som, sem preocupar-se com o que ele diz explicitamente, certamente tirará algo implícito à força dos intrumentos e da voz. Se gostou, ouça. A finalidade última é o prazer, e se lhe dá prazer ouvir a Das Reich, aprecie a banda. Quanto ao título, “O Sinal Perfeito de Deus” é uma ironia às pessoas que jogam todas as culpas e benesses sobre as costas de um suposto ser etéreo. Bom, se há sinal perfeito de Deus, este é o homem (pelo menos é o que a maioria acha, não é mesmo?!) e basta olhar em volta para vermos o quão “perfeitos” somos. Espiritualidade é coisa séria e não dá para transformá-la em banco. Chega de discursos vazios a propósito, visando lucro em torno da fé e dos ignorantes. O homem pensa que é o umbigo do universo, em torno do qual tudo gira, mas é o maior erro da natureza. Ele é um problema, um engano. É isso que o título busca mostrar, através da realidade da invasão da China pelos japoneses (a capa, com uma criança abandonada) e do retorno à Alemanha ao findar a 2ª Guerra Mundial (contracapa). Isso é o homem. Isso é o que nós realmente somos, em nosso âmago.

TGZ: As faixas são articuladas com conhecimento musical no peso, pesar típico do estilo. Quais as influências comuns entre todos, dentro do contexto do Heavy Metal clássico?

Fabrício:
AC/DC é a influência fundamental dos guitarristas, mais Judas Priest, King Diamond e Mercyful Fate, além de bandas como Black Sabbath, Iced Earth, Exodus e tantas outras. Na verdade, ouvimos de tudo, de Slayer a Rammstein, de Memory Garden a Accept, sem muito preconceito. Nosso baterista é um exemplo disso. Gostamos do estilo, é o nosso estilo, mas a cabeça tem que estar aberta para compreender a intenção de cada músico. Quanto mais conhecemos, e não apenas no Heavy Metal, mais possibilidades criamos em termos de desenvolvimento musical, mas sempre com um olhar crítico, separando o joio do trigo.

TGZ: A Demo traz dois covers: Para “Chariot” (King Diamond) e “Beyond the Realms of Death” (Judas Priest). Ambos executados fielmente e com Fabrício encarnando os vocalistas na alma. Quem teve e por que a decisão de incluí-los?

Fabrício:
Foi consenso da banda. A Das Reich toca esses covers nos shows e o pessoal adora. Então, resolvemos inserí-los, buscando execuções características. A velha-guarda do Heavy Metal, presente em nossos shows foi, em especial, contemplada, porque você nota um saudosismo do público, sobretudo dos que já têm mais idade, do bom e velho som tradicional, sem desmerecer os sons mais atuais, que matam a pau com muitas bandas. E Judas e Mercy vêm a calhar, sobretudo porque gostamos muito das duas bandas e executamos outras músicas delas. Ah, o som é mesmo do cacete, e executar essas músicas é muito massa!!!

TGZ: Como disseram: “...Somos do interior do interior do interior...”. Fale das problemáticas que vocês ‘fotografam’ por serem da cidade de Gramado/RS.

Fabrício:
Gramado é uma cidade fechada para o estilo, como a maioria delas. A imprensa não exerce nenhum esforço no sentido de divulgar a banda, nenhum festival na área é montado, enfim, nada acontece. Quando muito, há shows misturando estilos, com um público que não é o nosso, exceto por poucas exceções. Enfim, não é lugar para se montar uma banda de Heavy Metal, mas como somos teimosos... teimamos! E vamos tocar fora da cidade, onde o público não apenas conhece o som como respeita a banda, o que consideramos fundamental. Se você não for respeitado, não chega a lugar nenhum. E é isso que faz a Das Reich ser o que é: o público que gosta e respeita a banda, viaja com ela, vai vê-la onde estiver. Isso é o que faz valer a pena, que faz a banda ser como ela é, como está na capa do folder da banda, numa frase do poeta romano Albius Tibullus: Credula vitam spes fovet et melius cras fore semper dicit (“a esperança dos crédulos é o suporte da nossa vida, eles sempre dizem que o amanhã será melhor”). Obviamente, à medida que a banda crescer, e estamos lutando para isso, todos lembrarão que saímos de Gramado... A história é feita de inúmeras versões e, certamente, haverá outra, no futuro, para o apoio que a banda recebeu da cidade e de muitas outras pessoas... Aproveitar o que está pronto é muito mais fácil do que ajudar a construir, como todos sabemos.

TGZ: Muitos, muitos, costumam pré-julgar temas que desconhecem a partir de pressupostos formulados que até mesmo influenciam outras mentes mais incultas. Concorda? E isso já aconteceu com o nome Das Reich e com o seu mascote? Poderia citar casos?

Fabrício:
Nossa, taí um assunto cabeludo. A origem do nome deriva do nascimento da banda, quando o letrista sugeriu Das Reich. Quem melhor para falar de preconceito do que quem gosta de Heavy Metal? Pois bem, batizada a banda, começaram as analogias com nazismo e coisas afins. As pessoas pegam o material, lêem o que não está escrito, ouvem o que não foi dito e vão falando besteiras que comprometem um trabalho de anos. É a famosa ignorância comendo solta. Nunca fomos nazistas (nem trabalhamos na NASA...!!!), somos apolíticos, e odiamos as associações com isso. O nome é em Alemão, só isso. Mas temos que falar sempre, evitar qualquer mal-entendido, porque a estupidez corre solta. Se tivéssemos colocado o mesmo nome em japonês (seríamos kamikaze????), húngaro, russo (ops, daí não, que iam dizer que somos comunistas...!), ou espanhol, tudo seria mais tranqüilo. O Rio Grande do Sul é área de forte colonização alemã e italiana, e por isso o idioma é tão presente no nosso cotidiano. Estudamos História bélica, sabemos bem o que é o nazismo e suas conseqüências e, por isso, sabemos bem o que separar. O que mais desejamos é que a imprensa e a massa também saibam, como os fãs já têm consciência, de que é um nome, e só isso. Não podemos ver demônios onde eles não existem. O mascote é alvo direto de complicações, coitado. O símbolo foi desenhado pela antiga McDonnell Douglas, quando o caça Phantom II foi desenvolvido, numa versão para a Força Aérea Alemã (Luftwaffe), numa sátira aos militares germânicos, muito bem aceita, por sinal. Nós apenas inserimos cor, e levamos tão na brincadeira que o chamamos de “alemão ninja”, devido ao sabre, que a maioria das pessoas associa com espadas samurais japonesas (embora não tenha absolutamente nada a ver, mas como a nossa cultura é adquirida de televisão...). Enfim, é uma confusão atrás da outra. Como faz falta uma boa aula de História para a gurizada. Aliás, talvez seja por isso que o país não ande como deveria: trata-se de um país e de um povo sem memória. Quem não cultua suas tradições, suas raízes, não pode ter identidade forte. Qual é o futuro de um povo que não conhece seu passado?

TGZ: Ainda sobre, qual a mensagem ácida que podes deixar aos impulsivos críticos que acham vocês terem conotação racista ou simpatia com o tal nazismo?

Fabrício: Racista é a mãe!!!!!! Como dizemos no folder, não é bom fazer papel de ignorante por desconhecer o mínimo do essencial. Aos que criticam o nome, a banda, as letras: deixem de ser ignorantes e vão estudar! Burrice dói! Não fazemos apologia e nunca dissemos nada do que imputam à banda. Além disso, alemão não é raça, arianismo não tem nada a ver com o que os livros didáticos ensinam e a banda é tão “pura” que temos mistura de italiano, espanhol, alemão, “pêlo-duro” e nosso baixista não é a pessoa mais clara do mundo. Então, claro, somos todos racialmente intocáveis!!!! Como é que alguém pode dizer isso? Ainda mais no Brasil, que é um caldeirão de misturas culturais. Tem que ser obtuso ao extremo.

TGZ: Sendo um tema de extrema polemica, Nazismo; vocês sabiam que existem corjas sob o rótulo de NSBM (National Socialist Black Metal)? Há como entender a mente dessas criaturas que inserem tais idéias dentro do Metal?

Fabrício:
Falta de bom senso. Pura cabeça oca. É uma pena que associem o Metal a essas manifestações. Mas devemos dizer uma coisa de forma bem clara: se os caras gostam, seja lá do que for, e não atrapalha a vida de ninguém, que sejam deixados em paz. Somos absolutamente a favor da liberdade de expressão. Seja opção sexual, seja intelectual, seja política, cada um tem o direito de viver sua própria vida e ninguém tem nada a ver com isso. Você começa criticando, depois, proíbe e depois tenta converter para sua própria ideologia. É padrão. Ninguém deveria proibir ninguém de fazer coisa alguma, desde que isso não invadisse a vida de outrem. É como não vender vodca porque pode incitar ao comunismo, entende? Além de ser estúpido, os que apreciam vodca não mais poderiam bebê-la. O nacional socialismo, enquanto conceito político (veja bem, nação + social, conceitos de caráter tão antigo quanto a própria humanidade), é muito interessante, mas não da forma moderna, como se deu sob os regimes ditatoriais do século XX. Trata-se de uma utopia, mas o problema é quando um gosta de azul e todos têm que gostar do azul, ou ficam azucrinando para que todos se convertam ao azul. Quem é pior? Idiotas que ficam falando merda ou os que seguem os idiotas, por serem ainda mais idiotas? Demência e fanatismo existem em todos os níveis da sociedade e não seria o Heavy Metal o diferente. Trata-se de uma forma de chamar a atenção, mas é imbecil defender a idéia de raça, sobretudo porque os últimos estudos genéticos demonstram que tudo isso é balela. Somos todos uma coisa só.

TGZ: O profissionalismo da Das Reich é claro não só no som, mas também na organização completa de seu material. Como observam essa importância e de que forma é feita a seleção para divulgá-lo?

Fabrício:
O que diz respeito à parte impressa recebe muita atenção da banda. Trata-se da porta de entrada para muitos que não conhecem o nosso som. A Das Reich seleciona o material internamente, por sua relevância, escolhendo apenas mídia relacionada ao estilo para divulgá-lo. Não perdemos tempo enviando material para locais sem sentido, como rádios e revistas que não lutam pelo metal. Em 99% dos casos, é desperdício. Ou você é do ramo, ou não é. Se for, vamos trabalhar juntos e fazer o cenário crescer. Se não é, parabéns pelo seu trabalho, mas nós vamos seguir nosso caminho. Lutar pelo Metal é fundamental, pois quem gosta de Heavy não gosta de uma só banda, o que abre a possibilidade de ajudar não apenas a Das Reich, mas muitas outras que estão buscando seu lugar ao sol. O mais interessante é que muitas mídias e gravadoras nem sequer se dão ao trabalho de responder. Acho que pensam que são grandes demais ou boas demais para a banda... Gostaríamos de receber críticas, positivas ou negativas, e elogios, claro, quando condizentes, mas é impressionante o número de locais que simplesmente são desorganizados ou displicentes com as bandas. Parece que não se dão conta que, se não fossem as bandas e os seus fãs, elas seriam absolutamente NADA!!! Ou será que estamos errados?

TGZ: Há algumas bandas no Brasil que preferem se divulgar mais fora de seu país a que primeiramente dentro da cena nacional. Como avalia as intenções da preferência dessas bandas dentro de sua imaginação crítica?

Fabrício:
Podemos avaliar bandas como Krisiun, Angra ou Sepultura. Todos conhecemos o ditado “casa de ferreiro, espeto de pau”. Parece-nos que lá fora ainda se dá muito mais valor aos talentos nacionais do que aqui, dentro do país. Quantas vezes vemos a mesma cena: vem um gringo, dá três pauladas numa lata e todo mundo fica babando, dizendo que é o máximo. Enquanto isso, os brasileiros que tocam muito, como tantas bandas por aí, algumas até que já acabaram, ficam se matando para conseguir um show aqui, implorando outro acolá. Creio que a banda deve buscar um cenário adequado. Se quem deve lhe dar valor não o reconhece, busque outro espaço. Seja lá qual for. Isso é muito válido, e achamos extremamente positivo uma banda obter reconhecimento lá fora. Respeito. Isso é tudo.

TGZ: A letra “the Wish” inicia falando de pedaços que caem, movendo sombras (que representa os homens) em uma mesmice cotidiana (está chovendo sobre os mares). Todavia, são mares de escuridão, e os deuses sentem vergonha por terem criado seres tão ínfimos, mesquinhos e incapazes. Como percebe os instintos mais infames do ser humano na natureza egoística latente?

Fabrício:
Há uma ladainha permanente de que o homem é altruísta. Quem disse que o ser humano é um ser bom? Em sua essência, ele é mal. É dominador, conquistador, fratricida, hipócrita, demagogo. Homens como Nietzsche e Hobbes exalam clareza em seus pensamentos e derivam em conclusões bastante uniformes a propósito. Por outro lado, basta ler um jornal ou assistir o lixo da programação de televisão para perceber o quanto isso é fato. Os instintos humanos são cruéis, básicos ao extremo. Gostaríamos de perceber maior bondade no homem, mas a superficialidade das pessoas é muito grande. Talvez essa não seja a opinião absoluta de todos na banda, mas é enfática no que diz respeito às letras. A humanidade não tem jeito. E só tende a ficar pior. Olhem em torno e vejam a miséria, a guerra, o desespero, a ignorância. Alguém ainda pode acreditar que o homem busca algo diferente do prazer e do lucro? Seja a que custo for?

TGZ: Qual a sua reação diante do antagonismo entre materialismo e espiritualismo?

Fabrício:
A relação dual é tipicamente cartesiana, um conceito que, hoje, encontra-se fazendo água. Toda a estrutura humana é composta por fenômenos químico-físicos e, seja como for que chamamos isso, alma, desejo, amor, espírito, o fato é que há muito mais do que apenas corpo material (sem incluir aqui qualquer alusão à religião, que fique bem claro). A mente é um conjunto de elementos derivados das tempestades bio-elétricas do corpo e não há como dissociá-la do contexto em que se insere. Na verdade, não há antagonismo, mas complementaridade, como a relação física onda-partícula do fóton. Brigar por um ou por outro não faz sentido do ponto de vista filosófico, uma vez que ambos os conceitos são idéias perfeitamente defensáveis em seus múltiplos aspectos. Por decorrência, não há um superior/melhor ou um inferior/pior. Ambos estão no mesmo patamar nesse sentido, mas não esqueçamos que ciência é fato comprovável, enquanto crença é pura fé. Essa é a diferença. Isso deve ser levado em conta.

TGZ: Partindo para outro tópico: “Bandas que supostamente pagam jabá$ a revistas e selos para terem um maior destaque dentre as demais”. Enfim, acha que realmente boatos do tipo são reais? Por quê?

Fabrício:
Sim, achamos. Aliás, temos provas disso. As pessoas não tiram a roupa por dinheiro? Não matam por riqueza? Para alguns, o que seria pagar alguns trocados para chegar aonde querem? O dinheiro compra qualquer coisa, inclusive opiniões. É impressionante o que se pode fazer com um maço de notas na mão. Achamos isso desprezível, mas infelizmente, é assim que funciona com muitas mídias por aí. Não é o certo, não compactuamos com isso. Mas o dinheiro faz milagres, acreditem. Se tivéssemos mais grana, certamente teríamos um suporte melhor para tocar em muitos outros locais. Quanto mais tocamos, mais ficamos conhecidos e por aí vai... Infelizmente, as pessoas costumam medir o valor do ser humano pela sua quantidade de dinheiro.

TGZ: “Heavy Metal é, acima de tudo, postura e consistência de pensamento”. Por outro lado, quais atitudes de imposturas e inconsistências de pensar, denunciam os falsos?

Fabrício:
O Heavy Metal, enquanto postura, não é, diferente do que muitos pensam, inconseqüente. Sempre defendemos que o Metal é, em sua essência, culto, e por isso, revela sabedoria. Quando um indivíduo critica um jeito de vestir, por exemplo, ou passa a ser extremado em suas opiniões, está em total desacordo com a linha de pensamento metálica. Heavy Metal é postura no sentido de firmeza, de certeza de que aquilo que se ouve é bom, independente das opiniões. Quem já não se arrepiou ao ouvir aquele riff de guitarra matador, aquele vocal rasgado, aquele refrão clássico? Isso é Heavy Metal!!! Sentir na pele e ter tesão em escutar e tocar o som da alma. Heavy Metal não é ser metaleiro (metaleiro achamos que é quem trabalha em metalúrgica...), estar na moda, usar roupas ou pulseiras. O verdadeiro headbanger é aquele que sabe agir de acordo com seus princípios, é independente em seus conceitos e sabe do que está falando, esteja vestindo o que estiver, fazendo o que estiver. Segue a escola clássica do homem, de fazer-se por si mesmo. Ouve Heavy e vive Heavy. Não dá importância a picuínhas, a rótulos, a brigar por um estilo ser melhor que outro, mas debate e luta por ideais universais. O próprio Heavy Metal é universal, seja Heavy, seja Black, seja Thrash, seja Speed, seja que diabo for!!! Se não fosse, não teria conquistado o mundo. Metal Über Alles!!!!!

TGZ: Ok! Quais as metas da Das Reich para este 2005?

Fabrício:
Reconhecimento, acima de tudo. Ah, e dinheiro também ajuda. Ouvimos dizer que é muito bom... Falando sério, gostaríamos de ter mais espaço para divulgar nosso trabalho. Não apenas o nosso, mas de outras bandas que são muito boas e que lutam, como a Das Reich por sua sobrevivência, para crescer. Queremos tocar mais e, no final do ano, preparar nosso novo CD, pois estamos trabalhando pesado em nossas novas músicas. Esperamos arregimentar mais uma legião de fãs, que gostem de Metal de fato e saibam que a Das Reich veio para ficar. Queremos que o cenário cresça e faremos de tudo para ajudar. Unidos, só podemos crescer.

TGZ: É transpondo a emoção do TGZ, que vos congratulamos, pois é como dizem: “Trabalhar em prol do Metal no Brasil é algo heróico”. Que o Das Reich (O Império) continue com esse forte alicerce sólido ... !!!

Fabrício:
O Heavy Metal é a essência do guerreiro. Ele está no sangue dos que sabem o que querem e reconhecem o valor do bom trabalho. Ouçam seus instintos, mas não só eles, ponderem sobre o que está acima do homem comum, definam seus valores e sigam-nos à risca. Em meio à turbulência que a nossa vida se tornou, somente um embasamento extremamente conciso pode sustentar o homem, afastando-o da loucura e da intransigência que nos cercam. Sejamos mais, façamos mais, lutemos mais pelo que julgamos certo, porque isso faz parte do homem verdadeiro, no mais profundo sentido do seu conceito. Não sejamos arremedos, mas os exemplos, tolerantes e capazes de conhecer e criticar com veemência e sabedoria. Não sejamos ovelhas; sejamos os pastores quando possível e, se necessário, os lobos, caçando a ignorância. Sejamos todos uma unidade. Sejamos Metal. Acima de tudo. Sempre. Um grande abraço! Mantenha contato.
 
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