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ENTREVISTA: DAS REICH
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Realizada por: Cezar
Augusto
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Respondida por: Fabrício
Das
Reich
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TGZ:
Salute ! Logo falando do 1º registro,
“A Perfect Sign of God”, este
conta com uma excelente produção
no geral. Descreva os processos que o moldaram
com tamanha qualidade de um Debut Álbum,
apesar de ser Demo. |
Fabrício: Desde o princípio,
idealizamos o CD como algo dentro dos padrões
de qualidade e, claro, dentro dos limites
financeiros, da banda. Resolvemos gravar,
não tínhamos muito dinheiro
e parcelamos ao máximo as despesas,
arcando com todos os custos de produção
do material e da gravação. Mas
procuramos as pessoas certas, um estúdio
que grava por excelência apenas Metal,
o Brave Metal. Muito bom, com um cara que
curte o som e conhece o assunto. Toda a parte
gráfica foi montada pela própria
banda, que se encarrega de fazer este trabalho
para ter certeza de que tudo será como
planejado. Entramos em contato com o pessoal
das gráficas, escolhemos o material
no qual imprimiríamos, pedimos provas,
modificamos o que julgamos necessário
e mandamos fazer. Não houve nenhum
tipo de patrocínio ou ajuda externa,
fizemos por nós mesmos. O que interessa
é o seguinte: tanto faz se é
simples, ou sofisticado, o trabalho deve ser
sempre o melhor possível. Fale com
as pessoas certas e exija o resultado 100%,
não aceitando menos. Pague parcelado
se for o caso, mas faça tudo que for
possível, dando o máximo de
si. Banal, mas eis aí a fórmula.
Se você realmente se esforça
e quer ver bem feito, o trabalho será
bom. É claro que a música é
o mais importante, mas pensamos a Das Reich
como um todo, não só como som.
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TGZ:
Vocês trabalham com temas históricos
e mitológicos. Qual a importância
da coesão entre música e letra
para a transmissão conjugada nas composições?
E qual a razão do título “A
Perfect Sign of God”? |

Fabrício: Não entendemos
a música como algo dissociado das letras.
Barulho por barulho, qualquer um faz e, sem
sentido, mais fácil ainda. Acreditamos
que as coisas têm sempre mais de um
porquê, e no caso da banda, o todo é
muito mais do que a mera soma das partes,
isto é, a simples união de talentos
de cinco músicos ou de letra e música.
Trata-se quase de algo com vida própria,
que se constrói e cresce na música,
que tem algo a dizer de forma concreta. Normalmente,
o processo de criação das letras
fica a cargo do vocalista, que as elabora
sobre a base sonora previamente montada, ou
adapta letras já prontas para a linha
de base. Os temas são afins aos interesses
da banda, mas não se restringem aos
citados, invadindo a área da psicologia,
da antropologia e da sociologia, além
de temas fantásticos. Veja bem, muitos
não escutam o Heavy pelas letras, importando-se
quase que única e exclusivamente com
a massa sonora, ou porque gostam de curtir
assim o Metal, ou porque têm dificuldades
com o Inglês. Mas há os que também
se preocupam em acompanhá-las e entendê-las.
Respeitamos ambos os pontos de vista e temos
uma preocupação especial com
as letras, inclusive fornecendo traduções
e complementações para elas,
buscando respeitar o ouvinte. Se você
quiser, contudo, ouvir apenas o som, sem preocupar-se
com o que ele diz explicitamente, certamente
tirará algo implícito à
força dos intrumentos e da voz. Se
gostou, ouça. A finalidade última
é o prazer, e se lhe dá prazer
ouvir a Das Reich, aprecie a banda. Quanto
ao título, “O Sinal Perfeito
de Deus” é uma ironia às
pessoas que jogam todas as culpas e benesses
sobre as costas de um suposto ser etéreo.
Bom, se há sinal perfeito de Deus,
este é o homem (pelo menos é
o que a maioria acha, não é
mesmo?!) e basta olhar em volta para vermos
o quão “perfeitos” somos.
Espiritualidade é coisa séria
e não dá para transformá-la
em banco. Chega de discursos vazios a propósito,
visando lucro em torno da fé e dos
ignorantes. O homem pensa que é o umbigo
do universo, em torno do qual tudo gira, mas
é o maior erro da natureza. Ele é
um problema, um engano. É isso que
o título busca mostrar, através
da realidade da invasão da China pelos
japoneses (a capa, com uma criança
abandonada) e do retorno à Alemanha
ao findar a 2ª Guerra Mundial (contracapa).
Isso é o homem. Isso é o que
nós realmente somos, em nosso âmago.
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TGZ:
As faixas são articuladas com
conhecimento musical no peso, pesar típico
do estilo. Quais as influências comuns
entre todos, dentro do contexto do Heavy Metal
clássico? |
Fabrício: AC/DC é a influência
fundamental dos guitarristas, mais Judas Priest,
King Diamond e Mercyful Fate, além
de bandas como Black Sabbath, Iced Earth,
Exodus e tantas outras. Na verdade, ouvimos
de tudo, de Slayer a Rammstein, de Memory
Garden a Accept, sem muito preconceito. Nosso
baterista é um exemplo disso. Gostamos
do estilo, é o nosso estilo, mas a
cabeça tem que estar aberta para compreender
a intenção de cada músico.
Quanto mais conhecemos, e não apenas
no Heavy Metal, mais possibilidades criamos
em termos de desenvolvimento musical, mas
sempre com um olhar crítico, separando
o joio do trigo.
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TGZ:
A Demo traz dois covers: Para “Chariot”
(King Diamond) e “Beyond the Realms
of Death” (Judas Priest). Ambos executados
fielmente e com Fabrício encarnando
os vocalistas na alma. Quem teve e por que
a decisão de incluí-los? |
Fabrício: Foi consenso da banda.
A Das Reich toca esses covers nos shows e
o pessoal adora. Então, resolvemos
inserí-los, buscando execuções
características. A velha-guarda do
Heavy Metal, presente em nossos shows foi,
em especial, contemplada, porque você
nota um saudosismo do público, sobretudo
dos que já têm mais idade, do
bom e velho som tradicional, sem desmerecer
os sons mais atuais, que matam a pau com muitas
bandas. E Judas e Mercy vêm a calhar,
sobretudo porque gostamos muito das duas bandas
e executamos outras músicas delas.
Ah, o som é mesmo do cacete, e executar
essas músicas é muito massa!!!
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TGZ:
Como disseram: “...Somos do interior
do interior do interior...”. Fale das
problemáticas que vocês ‘fotografam’
por serem da cidade de Gramado/RS. |

Fabrício: Gramado é uma
cidade fechada para o estilo, como a maioria
delas. A imprensa não exerce nenhum
esforço no sentido de divulgar a banda,
nenhum festival na área é montado,
enfim, nada acontece. Quando muito, há
shows misturando estilos, com um público
que não é o nosso, exceto por
poucas exceções. Enfim, não
é lugar para se montar uma banda de
Heavy Metal, mas como somos teimosos... teimamos!
E vamos tocar fora da cidade, onde o público
não apenas conhece o som como respeita
a banda, o que consideramos fundamental. Se
você não for respeitado, não
chega a lugar nenhum. E é isso que
faz a Das Reich ser o que é: o público
que gosta e respeita a banda, viaja com ela,
vai vê-la onde estiver. Isso é
o que faz valer a pena, que faz a banda ser
como ela é, como está na capa
do folder da banda, numa frase do poeta romano
Albius Tibullus: Credula vitam spes fovet
et melius cras fore semper dicit (“a
esperança dos crédulos é
o suporte da nossa vida, eles sempre dizem
que o amanhã será melhor”).
Obviamente, à medida que a banda crescer,
e estamos lutando para isso, todos lembrarão
que saímos de Gramado... A história
é feita de inúmeras versões
e, certamente, haverá outra, no futuro,
para o apoio que a banda recebeu da cidade
e de muitas outras pessoas... Aproveitar o
que está pronto é muito mais
fácil do que ajudar a construir, como
todos sabemos.
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TGZ:
Muitos, muitos, costumam pré-julgar
temas que desconhecem a partir de pressupostos
formulados que até mesmo influenciam
outras mentes mais incultas. Concorda? E isso
já aconteceu com o nome Das Reich e
com o seu mascote? Poderia citar casos? |
Fabrício: Nossa, taí um
assunto cabeludo. A origem do nome deriva
do nascimento da banda, quando o letrista
sugeriu Das Reich. Quem melhor para falar
de preconceito do que quem gosta de Heavy
Metal? Pois bem, batizada a banda, começaram
as analogias com nazismo e coisas afins. As
pessoas pegam o material, lêem o que
não está escrito, ouvem o que
não foi dito e vão falando besteiras
que comprometem um trabalho de anos. É
a famosa ignorância comendo solta. Nunca
fomos nazistas (nem trabalhamos na NASA...!!!),
somos apolíticos, e odiamos as associações
com isso. O nome é em Alemão,
só isso. Mas temos que falar sempre,
evitar qualquer mal-entendido, porque a estupidez
corre solta. Se tivéssemos colocado
o mesmo nome em japonês (seríamos
kamikaze????), húngaro, russo (ops,
daí não, que iam dizer que somos
comunistas...!), ou espanhol, tudo seria mais
tranqüilo. O Rio Grande do Sul é
área de forte colonização
alemã e italiana, e por isso o idioma
é tão presente no nosso cotidiano.
Estudamos História bélica, sabemos
bem o que é o nazismo e suas conseqüências
e, por isso, sabemos bem o que separar. O
que mais desejamos é que a imprensa
e a massa também saibam, como os fãs
já têm consciência, de
que é um nome, e só isso. Não
podemos ver demônios onde eles não
existem. O mascote é alvo direto de
complicações, coitado. O símbolo
foi desenhado pela antiga McDonnell Douglas,
quando o caça Phantom II foi desenvolvido,
numa versão para a Força Aérea
Alemã (Luftwaffe), numa sátira
aos militares germânicos, muito bem
aceita, por sinal. Nós apenas inserimos
cor, e levamos tão na brincadeira que
o chamamos de “alemão ninja”,
devido ao sabre, que a maioria das pessoas
associa com espadas samurais japonesas (embora
não tenha absolutamente nada a ver,
mas como a nossa cultura é adquirida
de televisão...). Enfim, é uma
confusão atrás da outra. Como
faz falta uma boa aula de História
para a gurizada. Aliás, talvez seja
por isso que o país não ande
como deveria: trata-se de um país e
de um povo sem memória. Quem não
cultua suas tradições, suas
raízes, não pode ter identidade
forte. Qual é o futuro de um povo que
não conhece seu passado?
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TGZ:
Ainda sobre, qual a mensagem ácida
que podes deixar aos impulsivos críticos
que acham vocês terem conotação
racista ou simpatia com o tal nazismo? |
Fabrício:
Racista é a mãe!!!!!! Como dizemos
no folder, não é bom fazer papel
de ignorante por desconhecer o mínimo
do essencial. Aos que criticam o nome, a banda,
as letras: deixem de ser ignorantes e vão
estudar! Burrice dói! Não fazemos
apologia e nunca dissemos nada do que imputam
à banda. Além disso, alemão
não é raça, arianismo
não tem nada a ver com o que os livros
didáticos ensinam e a banda é
tão “pura” que temos mistura
de italiano, espanhol, alemão, “pêlo-duro”
e nosso baixista não é a pessoa
mais clara do mundo. Então, claro,
somos todos racialmente intocáveis!!!!
Como é que alguém pode dizer
isso? Ainda mais no Brasil, que é um
caldeirão de misturas culturais. Tem
que ser obtuso ao extremo.
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TGZ:
Sendo um tema de extrema polemica, Nazismo;
vocês sabiam que existem corjas sob
o rótulo de NSBM (National Socialist
Black Metal)? Há como entender a mente
dessas criaturas que inserem tais idéias
dentro do Metal? |

Fabrício: Falta de bom senso.
Pura cabeça oca. É uma pena
que associem o Metal a essas manifestações.
Mas devemos dizer uma coisa de forma bem clara:
se os caras gostam, seja lá do que
for, e não atrapalha a vida de ninguém,
que sejam deixados em paz. Somos absolutamente
a favor da liberdade de expressão.
Seja opção sexual, seja intelectual,
seja política, cada um tem o direito
de viver sua própria vida e ninguém
tem nada a ver com isso. Você começa
criticando, depois, proíbe e depois
tenta converter para sua própria ideologia.
É padrão. Ninguém deveria
proibir ninguém de fazer coisa alguma,
desde que isso não invadisse a vida
de outrem. É como não vender
vodca porque pode incitar ao comunismo, entende?
Além de ser estúpido, os que
apreciam vodca não mais poderiam bebê-la.
O nacional socialismo, enquanto conceito político
(veja bem, nação + social, conceitos
de caráter tão antigo quanto
a própria humanidade), é muito
interessante, mas não da forma moderna,
como se deu sob os regimes ditatoriais do
século XX. Trata-se de uma utopia,
mas o problema é quando um gosta de
azul e todos têm que gostar do azul,
ou ficam azucrinando para que todos se convertam
ao azul. Quem é pior? Idiotas que ficam
falando merda ou os que seguem os idiotas,
por serem ainda mais idiotas? Demência
e fanatismo existem em todos os níveis
da sociedade e não seria o Heavy Metal
o diferente. Trata-se de uma forma de chamar
a atenção, mas é imbecil
defender a idéia de raça, sobretudo
porque os últimos estudos genéticos
demonstram que tudo isso é balela.
Somos todos uma coisa só.
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TGZ:
O profissionalismo da Das Reich é
claro não só no som, mas também
na organização completa de seu
material. Como observam essa importância
e de que forma é feita a seleção
para divulgá-lo? |
Fabrício: O que diz respeito à
parte impressa recebe muita atenção
da banda. Trata-se da porta de entrada para
muitos que não conhecem o nosso som.
A Das Reich seleciona o material internamente,
por sua relevância, escolhendo apenas
mídia relacionada ao estilo para divulgá-lo.
Não perdemos tempo enviando material
para locais sem sentido, como rádios
e revistas que não lutam pelo metal.
Em 99% dos casos, é desperdício.
Ou você é do ramo, ou não
é. Se for, vamos trabalhar juntos e
fazer o cenário crescer. Se não
é, parabéns pelo seu trabalho,
mas nós vamos seguir nosso caminho.
Lutar pelo Metal é fundamental, pois
quem gosta de Heavy não gosta de uma
só banda, o que abre a possibilidade
de ajudar não apenas a Das Reich, mas
muitas outras que estão buscando seu
lugar ao sol. O mais interessante é
que muitas mídias e gravadoras nem
sequer se dão ao trabalho de responder.
Acho que pensam que são grandes demais
ou boas demais para a banda... Gostaríamos
de receber críticas, positivas ou negativas,
e elogios, claro, quando condizentes, mas
é impressionante o número de
locais que simplesmente são desorganizados
ou displicentes com as bandas. Parece que
não se dão conta que, se não
fossem as bandas e os seus fãs, elas
seriam absolutamente NADA!!! Ou será
que estamos errados?
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TGZ:
Há algumas bandas no Brasil que preferem
se divulgar mais fora de seu país a
que primeiramente dentro da cena nacional.
Como avalia as intenções da
preferência dessas bandas dentro de
sua imaginação crítica? |
Fabrício: Podemos avaliar bandas
como Krisiun, Angra ou Sepultura. Todos conhecemos
o ditado “casa de ferreiro, espeto de
pau”. Parece-nos que lá fora
ainda se dá muito mais valor aos talentos
nacionais do que aqui, dentro do país.
Quantas vezes vemos a mesma cena: vem um gringo,
dá três pauladas numa lata e
todo mundo fica babando, dizendo que é
o máximo. Enquanto isso, os brasileiros
que tocam muito, como tantas bandas por aí,
algumas até que já acabaram,
ficam se matando para conseguir um show aqui,
implorando outro acolá. Creio que a
banda deve buscar um cenário adequado.
Se quem deve lhe dar valor não o reconhece,
busque outro espaço. Seja lá
qual for. Isso é muito válido,
e achamos extremamente positivo uma banda
obter reconhecimento lá fora. Respeito.
Isso é tudo.
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TGZ:
A letra “the Wish” inicia
falando de pedaços que caem, movendo
sombras (que representa os homens) em uma
mesmice cotidiana (está chovendo sobre
os mares). Todavia, são mares de escuridão,
e os deuses sentem vergonha por terem criado
seres tão ínfimos, mesquinhos
e incapazes. Como percebe os instintos mais
infames do ser humano na natureza egoística
latente? |
Fabrício: Há uma ladainha
permanente de que o homem é altruísta.
Quem disse que o ser humano é um ser
bom? Em sua essência, ele é mal.
É dominador, conquistador, fratricida,
hipócrita, demagogo. Homens como Nietzsche
e Hobbes exalam clareza em seus pensamentos
e derivam em conclusões bastante uniformes
a propósito. Por outro lado, basta
ler um jornal ou assistir o lixo da programação
de televisão para perceber o quanto
isso é fato. Os instintos humanos são
cruéis, básicos ao extremo.
Gostaríamos de perceber maior bondade
no homem, mas a superficialidade das pessoas
é muito grande. Talvez essa não
seja a opinião absoluta de todos na
banda, mas é enfática no que
diz respeito às letras. A humanidade
não tem jeito. E só tende a
ficar pior. Olhem em torno e vejam a miséria,
a guerra, o desespero, a ignorância.
Alguém ainda pode acreditar que o homem
busca algo diferente do prazer e do lucro?
Seja a que custo for?
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TGZ:
Qual a sua reação diante do
antagonismo entre materialismo e espiritualismo?
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Fabrício: A relação
dual é tipicamente cartesiana, um conceito
que, hoje, encontra-se fazendo água.
Toda a
estrutura humana é composta por fenômenos
químico-físicos e, seja como
for que chamamos isso, alma, desejo, amor,
espírito, o fato é que há
muito mais do que apenas corpo material (sem
incluir aqui qualquer alusão à
religião, que fique bem claro). A mente
é um conjunto de elementos derivados
das tempestades bio-elétricas do corpo
e não há como dissociá-la
do contexto em que se insere. Na verdade,
não há antagonismo, mas complementaridade,
como a relação física
onda-partícula do fóton. Brigar
por um ou por outro não faz sentido
do ponto de vista filosófico, uma vez
que ambos os conceitos são idéias
perfeitamente defensáveis em seus múltiplos
aspectos. Por decorrência, não
há um superior/melhor ou um inferior/pior.
Ambos estão no mesmo patamar nesse
sentido, mas não esqueçamos
que ciência é fato comprovável,
enquanto crença é pura fé.
Essa é a diferença. Isso deve
ser levado em conta.
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TGZ:
Partindo para outro tópico: “Bandas
que supostamente pagam jabá$ a revistas
e selos para terem um maior destaque dentre
as demais”. Enfim, acha que realmente
boatos do tipo são reais? Por quê? |
Fabrício: Sim, achamos. Aliás,
temos provas disso. As pessoas não
tiram a roupa por dinheiro? Não matam
por riqueza? Para alguns, o que seria pagar
alguns trocados para chegar aonde querem?
O dinheiro compra qualquer coisa, inclusive
opiniões. É impressionante o
que se pode fazer com um maço de notas
na mão. Achamos isso desprezível,
mas infelizmente, é assim que funciona
com muitas mídias por aí. Não
é o certo, não compactuamos
com isso. Mas o dinheiro faz milagres, acreditem.
Se tivéssemos mais grana, certamente
teríamos um suporte melhor para tocar
em muitos outros locais. Quanto mais tocamos,
mais ficamos conhecidos e por aí vai...
Infelizmente, as pessoas costumam medir o
valor do ser humano pela sua quantidade de
dinheiro.
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TGZ:
“Heavy Metal é, acima de
tudo, postura e consistência de pensamento”.
Por outro lado, quais atitudes de imposturas
e inconsistências de pensar, denunciam
os falsos? |
Fabrício: O Heavy Metal, enquanto
postura, não é, diferente do
que muitos pensam, inconseqüente. Sempre
defendemos que o Metal é, em sua essência,
culto, e por isso, revela sabedoria. Quando
um indivíduo critica um jeito de vestir,
por exemplo, ou passa a ser extremado em suas
opiniões, está em total desacordo
com a linha de pensamento metálica.
Heavy Metal é postura no sentido de
firmeza, de certeza de que aquilo que se ouve
é bom, independente das opiniões.
Quem já não se arrepiou ao ouvir
aquele riff de guitarra matador, aquele vocal
rasgado, aquele refrão clássico?
Isso é Heavy Metal!!! Sentir na pele
e ter tesão em escutar e tocar o som
da alma. Heavy Metal não é ser
metaleiro (metaleiro achamos que é
quem trabalha em metalúrgica...), estar
na moda, usar roupas ou pulseiras. O verdadeiro
headbanger é aquele que sabe agir de
acordo com seus princípios, é
independente em seus conceitos e sabe do que
está falando, esteja vestindo o que
estiver, fazendo o que estiver. Segue a escola
clássica do homem, de fazer-se por
si mesmo. Ouve Heavy e vive Heavy. Não
dá importância a picuínhas,
a rótulos, a brigar por um estilo ser
melhor que outro, mas debate e luta por ideais
universais. O próprio Heavy Metal é
universal, seja Heavy, seja Black, seja Thrash,
seja Speed, seja que diabo for!!! Se não
fosse, não teria conquistado o mundo.
Metal Über Alles!!!!!
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| TGZ:
Ok! Quais as metas da Das Reich para este
2005? |
Fabrício: Reconhecimento, acima
de tudo. Ah, e dinheiro também ajuda.
Ouvimos dizer que é muito bom... Falando
sério, gostaríamos de ter mais
espaço para divulgar nosso trabalho.
Não apenas o nosso, mas de outras bandas
que são muito boas e que lutam, como
a Das Reich por sua sobrevivência, para
crescer. Queremos tocar mais e, no final do
ano, preparar nosso novo CD, pois estamos
trabalhando pesado em nossas novas músicas.
Esperamos arregimentar mais uma legião
de fãs, que gostem de Metal de fato
e saibam que a Das Reich veio para ficar.
Queremos que o cenário cresça
e faremos de tudo para ajudar. Unidos, só
podemos crescer.
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TGZ:
É transpondo a emoção
do TGZ, que vos congratulamos, pois é
como dizem: “Trabalhar em prol do Metal
no Brasil é algo heróico”.
Que o Das Reich (O Império) continue
com esse forte alicerce sólido ...
!!! |
Fabrício: O Heavy Metal é
a essência do guerreiro. Ele está
no sangue dos que sabem o que querem e reconhecem
o valor do bom trabalho. Ouçam seus
instintos, mas não só eles,
ponderem sobre o que está acima do
homem comum, definam seus valores e sigam-nos
à risca. Em meio à turbulência
que a nossa vida se tornou, somente um embasamento
extremamente conciso pode sustentar o homem,
afastando-o da loucura e da intransigência
que nos cercam.
Sejamos mais, façamos mais, lutemos
mais pelo que julgamos certo, porque isso
faz parte do homem verdadeiro, no mais profundo
sentido do seu conceito. Não sejamos
arremedos, mas os exemplos, tolerantes e capazes
de conhecer e criticar com veemência
e sabedoria. Não sejamos ovelhas; sejamos
os pastores quando possível e, se necessário,
os lobos, caçando a ignorância.
Sejamos todos uma unidade. Sejamos Metal.
Acima de tudo. Sempre. Um grande abraço!
Mantenha contato.
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