}
Realizada por: Cezar
Augusto
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Respondida por: Sérgio
& Marcelo
Denim
And Leather
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TGZ:
Foi interessante como se deu o início
de tudo no encontro espontâneo entre
vocês no Hollywood Rock 92 na conversa
sobre a falta de boas bandas que fizessem
o velho Heavy Metal. Conte para os nossos
leitores tomarem conhecimento... |
Sérgio: Na verdade, eu não
lembro o que nós estávamos fazendo
lá! Por que a gente só ficava
reclamando das bandas, hehe. Na entrada do
show, tinha uns panfletos para preencher e
escrever as bandas que você gostaria
de ver na próxima edição
do festival, me lembro de termos preenchido
os quatro panfletos iguais, porque assim o
Saxon teria 4 votos! Lá pelo final
do show o Gustavo vira para nós e diz:
“Você não toca guitarra?
Você não toca bateria? E você
não canta? Então porque não
param de reclamar e montam uma banda!”.
Foi simples assim.
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TGZ:
A motivação pelos 20 anos
da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal)
em 1999 vos fizeram levar mais a sério
a proposta com repertório inicial com
“covers de grandes bandas (não
de bandas grandes)”. Por que fizeram
questão de frisar isto? |

Sérgio: As únicas duas
bandas da NWOBHM que realmente fizeram grande
sucesso foram o IRON MAIDEN e o DEF LEPPARD,
então se formos tocar covers da NWOBHM
já é óbvio que não
terá nada de muito famoso e terão
várias bandas obscuras. Mas o que quisermos
dizer é que se você está
a fim de ouvir aqueles velhos clássicos
do Rock que toda banda cover toca, pode esquecer
da gente.
Marcelo: E havia também muita
coisa boa que não era conhecida pelo
público brasileiro (na verdade, nem
pelo público inglês, a não
ser os headbangers da época!), muitas
bandas que nem chegaram a gravar LPs, somente
singles.
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TGZ:
Pois, naturalmente com composições
próprias, eis que em 2000 lançaram
seu 1º registro; a demo-tape intitulada
“We Wear...” a qual contém
duas composições próprias
(“More You Sweat” e “Lot
To Lose”) e ainda um cover da banda
Witchfinder General. Sergio, na capa você
está de costas vestindo uma jaqueta
com o logotipo da banda, mas aquela foto parece
ter outra interpretação engraçada,
não? (risos) |

Sérgio: Pô, parece que eu
estou mijando, hehehehe. A primeira idéia
era tirar foto apenas da jaqueta, mas aí
aproveitamos e resolvemos tirar algumas fotos
nossas, aí, em uma das fotos, alguém
falou, para ficar de costas para aparecer
a jaqueta.
Na foto inteira, estão os 3 da banda
olhando para frente e eu de costas. Não
tem nada a ver! Mas aí demos um close
na jaqueta e achamos que ficou legal!
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TGZ:
E como foi a motivação
dos headbangers frente a esta debut demo? |
Marcelo: A repercussão foi muito
melhor do que a gente imaginava, aparecendo
em várias revistas, sempre muito elogiada!!!
Na realidade, estamos ficando mal acostumados,
pois ainda não recebemos críticas
negativas sobre nossas músicas!
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TGZ:
Neste período a banda faz algumas apresentações
sob o nome “Denim And Leather –
NWOBHM Tribute Band”. Será que
assim não deu a impressão de
serem apenas uma banda de covers homenageadores
de bandas da época? |
Sérgio: Sim, mas a intenção
dos primeiros show era justamente essa. Era
o ano de 1999 e queríamos homenagear
os 20 anos da NWOBHM, e como tínhamos
apenas 2 músicas próprias, o
repertório era mais de covers mesmo.
Mas isso foi em apenas uns 2 ou 3 shows. Foi
bom, porque apareceram alguns contatos justamente
por causa disso. Mas logo começamos
a compor mais e quisemos nos desvincular do
rótulo de banda cover. Quem sabe nos
30 anos da NWOBHM a gente faça uma
turnê sob esse nome novamente
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TGZ:
Em setembro de 2001 a banda entra em
estúdio novamente para gravar uma demo
com título de “Too Damn Loud!”.
O CD-demo conta com as músicas “Watch
Out”, “Hatred”, “Fists
In The Air” e ainda um cover para “Gangland”;
música do Tygers Of Pan Tang. Esclareça
o título e as letras interessantes
dessas faixas, falando também da do
cover? |
Sérgio: O título da demo
foi idéia do Gustavo, ele falou “Too
Damn Loud” porque “If it’s
not Too Damn Loud, It’s not Heavy Metal
at all!” e achamos muito legal. As letras
nossas falam de assuntos diversos. A "Watch
Out", foi baseada em um livro de suspense
que eu li, a "Hatred" é sobre
uma tentativa de suicídio e foi baseada
em fatos reais e a "Fists In The Air"
é uma pequena homenagem ao falecido
festival Monsters Of Rock que rolava aqui
em São Paulo.
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TGZ:
Inclusive, fora abordado no encarte: “Entre
ataques terroristas, o assassinato do nosso
prefeito e outras coisas, estas músicas
foram gravadas em setembro de 2001 no estúdio
Paulo B (SP/SP)”. Por que quiseram mencionar
brevemente esses relatos? |
Sérgio:
Não tinha como não citar! As
gravações iniciaram no dia 11
de setembro de 2001, nós não
conseguíamos falar em outra coisa.
O prefeito de Campinas foi assassinado no
dia 10 de madrugada e no dia 11 rolou todo
aquele lance nos EUA. A inspiração
veio do disco “Antes do Fim” do
DORSAL ATLÂNTICA, onde está escrito
algo parecido. Uma história engraçada,
foi que antes das gravações
nós já estávamos tendo
algumas idéias para o nome e a capa
da demo, e uma das idéias era que o
nome seria “Attack ‘79”
e na capa era uma avião de guerra.
Marcelo: Mudamos de idéia
porque poderiam consideram ofensivo, embora,
eu, particularmente, adore humor-negro, rs...
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TGZ:
"Too Damn Loud!”, contém
como bônus a demo “We Wear...”,
de quem foi a idéia e como foi a satisfação
de incluí-la? |
Sérgio: Nós divulgamos
muito pouco a demo “We Wear...”,
foram menos de 100 cópias, então
como lançamos a demo “Too Damn
Loud!” em Cd, achamos uma boa incluir
os 3 sons da primeira demo como bônus.
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TGZ:
Vocês que já tiveram o prazer
de tocar no Paraguai, como perceberam a cena
de lá em meio aos bangers, bandas,
zines, enfim... |
Sérgio: A cena é ótima
e muito unida, é claro que não
dá para comparar a quantidade de bandas/bangers/zines,
etc. com São Paulo, mas eu achei muito
parecida com de outras cidades brasileiras.
Infelizmente não tive a oportunidade
de conheçer nenhum zine de lá.
No show, tocamos com as bandas OVERLORD (que
é a maior banda atualmente do Paraguai),
WARSEEDS, INFERNAL COMMAND e SACRO. Uma coisa
que nós gostamos muito do show foi
que mesmo o SACRO sendo mais Heavy Metal tradicional,
o OVERLORD e o INFERNAL COMMAND sendo de Thrash
e o WARSEEDS de Death/Thrash o público
agitou muito em todas as bandas e também
nos recebeu muito bem. Conheciam nossas músicas,
pediam alguns covers. Foi uma noite maravilhosa.
E a cerveja era de 1 litro!
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TGZ:
Comente o que tu acha do termo “Revival”
tão utilizado no que concerne a bandas
antigas que estão retornando com a
velha sonoridade, etc? |
Sérgio:
Tenho o caso de banda de amigo meu que nos
final dos anos 80 tocavam Thrash e depois
segundo eles mesmos: “Aí apareceu
o Faith No More e nós começamos
a misturar algumas coisas e depois a banda
acabou, mas agora voltamos para tocar aquilo
que a gente gosta mesmo, que é Thrash”.
Acho isso muito bom! Porque sei que eles estão
fazendo o que gostam e não tem coisa
melhor. Se isso é 'Revival' ou tem
outro termo melhor eu não sei, mas
eles estão revivendo uma época
que eles passaram e gostaram muito. Eu adoro
ouvir as bandas dos anos 80, mas também
acho que as bandas novas tem um papel muito
importante no movimento, não deixando
a cena morrer. Quando pararem de aparecerem
bandas novas de Metal, o movimento estará
morto. Não gosto de imaginar que no
futuro o Metal venha a ser como é o
Rock-a-billy hoje, apenas com bandas tocando
covers e um pessoal tentando viver no passado.
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TGZ:
Você sabe as razões ocorridas
para o adiamento do Cd Tributo à banda
Motorhead que a Tumba Recs ficou de lançar? |
Sérgio: Infelizmente não.
Sei que os primeiros adiamentos foram por
causa das próprias bandas, que não
entregaram as gravações nas
datas marcadas, que era janeiro de 2002. Pelo
que se, nós fomos a única banda
a entregar no prazo e um ano depois ainda
tinha banda gravando. Depois deu rolo com
quem ia lançar. Primeiro era um projeto
do fan clube Motorheadbangers SP, do fan clube
do Sepultura e da Revista Roadie Crew. Depois
a revista saiu fora e foram atrás de
uma gravadora, aí entrou a Tumba, que
é uma excelente gravadora e a última
notícia que tivemos foi que eles estavam
atrás dos direitos autorais para o
lançamento, mas não tenho mais
nehuma informação, mas esperamos
que esse lançamento ainda ocorra.
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TGZ:
Quais as exigências e solicitações
da revista Valhalla (SP) para a inclusão
da Denim And Leather na coletânea “Demo-Section”
Vol. I lançada no final de 2003? |
Sérgio: Bom, primeiro queria dizer
que nós não obedecemos a maioria
das exigências, hehehe. A idéia
da Valhalla, foi excelente! Juntar as melhores
bandas que haviam passado na seção
de demos da revista e juntar para gravar uma
coletânea. Outro diferencial seria que
esta coletânea seria com gravações
novas que foram feitas em um estúdio
muito bom em Salto/SP e não um apunhado
de demos. Mas não foi fácil
juntar as bandas porque elas precisavam rachar
com a revista a gravação e a
prensagem e ainda deveraim se deslocar até
Salto. Por fatores monetários várias
bandas saíram fora do projeto. Mas
quanto às exigências e solicitações,
não sei se eu podia contar, mas aí
vai: eles pediram para ouvir a música
antes de nós gravarmos, mas nós
não mandamos e gravamos uma música
nova; outra coisa foi que as bandas iriam
para Salto, gravavam em um dia e iam embora,
só ouvindo o resultado final com o
CD pronto, e nós demos um jeito e passamos
no estúdio para dar uma ouvida de como
a mixagem estava indo, hehe, era segredo.
Mas estamos muito orgulhosos de ter participado
deste projeto. E aproveitando, gostaria de
dizer para quem se interessar, que todas as
bandas tem cópias do CD para vender,
é só entrar em contato com qualquer
uma delas.
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TGZ:
A Dark Sun Recs (RJ) está com
um projeto exemplar de lançar um vinil
em muito breve com Denim And Leather, Statik
Majik, Kremate e Alcoholicoma, cada banda
com duas músicas. Como foi esse contato
e vocês conhecem as outras bandas? |
Sérgio: O Ader da Dark Sun entrou
em contato conosco porque tinha interesse
em lançar nosso CD-demo em vinil. Nós
ficamos muito empolgados, mas achamos que
se fosse para lançar um vinil, queríamos
gravar algumas músicas novas e regravar
as da demo. Não que a demo esteja ruim,
mas já que é para um vinil queríamos
caprichar mais. Só que nós teríamos
que gravar tudo e não tínhamos
condição financeira para isso,
então o Ader surgiu com a idéia
da coletânea. E caiu perfeito! Nós
gravamos uma música nova intitulada
“The Voice” e a outra será
uma versão remixada e com vocais regravados
da “Evil Wheels”, que saiu na
colatêna da Valhalla. Nós já
tocamos uma vez com o ALCOHOLICOMA. O KREMATE
também faz parte da coletânea
da Valhalla e temos um show agendado juntos
em janeiro de 2005. Apenas o STATIK MAJIK
que é do Rio de Janeiro, nós
não conhecemos, mas já ouvi
falar muito bem e que faz um som na linha
Sabbath/Cathedral.
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TGZ:
Explique o lance da agência polonesa
Dragonight que a Denim and Leather está
tendo como suporte? |
Sérgio: O Bart da Dragonight é
um batalhador do underground polonês,
ele ajuda a divulgar algumas bandas na Polônia
e na Europa, a nossa demo caiu na mão
dele e ele entrou em contato. É uma
emoção sem tamanho entrar no
site dele e ver o DENIM ao lado de bandas
como CIRITH UNGOL, SOLDIER, METALUCIFER, TYGERS
OF PAN TANG, PAUL DIANNO e VIRGIN STEELE.
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TGZ:
E para meados de 2005, vocês foram
convidados para participar junto a bandas
do mundo inteiro de um LP tributo à
banda japonesa Gorgon. Teça sua admiração
à Gorgon, comente o andamento e por
onde sairá este artefato? |
Sérgio: O GORGON infelizmente
ainda é pouco conhecido aqui no Brasil.
É uma excelente banda japonesa que
já lançou uns 10 compactos (
http://www.truemetal.org/gorgon/
) e faz um som bem na linha da NWOBHM e inclusive
toca vários covers de bandas da época,
assim como nós, e foi assim que nós
nos conhecemos. O projeto do disco tributo
é uma parceria entre o Tobi do Zine
Metalcoven da Alemanha e do Agostinho da Live
Recordings Attack e que também toca
na banda WYTCHKRAFT daqui do Brasil. A primeira
idéia era um lançamento conjunto,
mas agora me parece que serão dois
lançamentos separados. Assim que eu
tiver mais informações eu te
passo.
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TGZ:
Se não me falha a memória,
vocês quatro são do ramo da física,
né? E aí como fluem as inspirações
de ‘Newton’ nessas mentes para
o processo dos cálculos de como virá
o próximo registro da Denim And Leather?
Será o 1º álbum completo? |
Marcelo:
Eu acho que Newton, física clássica
é muito organizado para nos definir,
prefiro física moderna, Caos (Não
Kaos, com o agente 86, é claro! rs).
Sérgio: Heheh. Na verdade
3 de nós somos da áera de Física,
o Hamilton é o mais esperto de todos
e saiu fora dessa. Os cálculos do próximo
lançamento ainda estão em aberto,
ou seja, não temos a mínima
idéia do que vai acontecer! Nós
temos algumas músicas novas prontas
e queremos muito gravar, o que provavelmente
será mais um CD-demo. Também
temos que gravar a música para o tributo
ao Gorgon e quando tivermos essas gravações
prontas vamos mandar nosso material para algumas
gravadoras, para ver se alguma se interessa.
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TGZ:
Sérgião! Valeu e vamos
fechar os punhos para socar o ar, bater cabeças,
beber cervejas com o volume alto do Heavy
Metal e de preferência em Jeans (Denim)
& Couro (Leather) nesse feeling incompreensível
por muitos “reais” de hoje em
dia, ok?! |
Sérgio: Valeu Cezar! Muito obrigado
pelo apoio que você tem nos dado e a
muitas bandas do undergound brasileiro. Você
definiu muito bem o que é o Heavy Metal
para nós, é som alto, batendo
cabeça, bebendo cerveja e vestindo
jeans e couro! Valeu!
Que o Deus do Trovão nos proteja!
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