» ENTREVISTA: DENIM AND LEATHER «

} Realizada por: Cezar Augusto

} Respondida por: Sérgio & Marcelo

Denim And Leather

CONTATOS:

A/c Sérgio Turano
Rua Herculano de Freitas, 73/21
São Paulo/SP- 01.308-020
Http://www.denimandleather.cjb.net
TGZ: Foi interessante como se deu o início de tudo no encontro espontâneo entre vocês no Hollywood Rock 92 na conversa sobre a falta de boas bandas que fizessem o velho Heavy Metal. Conte para os nossos leitores tomarem conhecimento...

Sérgio:
Na verdade, eu não lembro o que nós estávamos fazendo lá! Por que a gente só ficava reclamando das bandas, hehe. Na entrada do show, tinha uns panfletos para preencher e escrever as bandas que você gostaria de ver na próxima edição do festival, me lembro de termos preenchido os quatro panfletos iguais, porque assim o Saxon teria 4 votos! Lá pelo final do show o Gustavo vira para nós e diz: “Você não toca guitarra? Você não toca bateria? E você não canta? Então porque não param de reclamar e montam uma banda!”. Foi simples assim.

TGZ: A motivação pelos 20 anos da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) em 1999 vos fizeram levar mais a sério a proposta com repertório inicial com “covers de grandes bandas (não de bandas grandes)”. Por que fizeram questão de frisar isto?

Sérgio:
As únicas duas bandas da NWOBHM que realmente fizeram grande sucesso foram o IRON MAIDEN e o DEF LEPPARD, então se formos tocar covers da NWOBHM já é óbvio que não terá nada de muito famoso e terão várias bandas obscuras. Mas o que quisermos dizer é que se você está a fim de ouvir aqueles velhos clássicos do Rock que toda banda cover toca, pode esquecer da gente.

Marcelo: E havia também muita coisa boa que não era conhecida pelo público brasileiro (na verdade, nem pelo público inglês, a não ser os headbangers da época!), muitas bandas que nem chegaram a gravar LPs, somente singles.

TGZ: Pois, naturalmente com composições próprias, eis que em 2000 lançaram seu 1º registro; a demo-tape intitulada “We Wear...” a qual contém duas composições próprias (“More You Sweat” e “Lot To Lose”) e ainda um cover da banda Witchfinder General. Sergio, na capa você está de costas vestindo uma jaqueta com o logotipo da banda, mas aquela foto parece ter outra interpretação engraçada, não? (risos)


Sérgio:
Pô, parece que eu estou mijando, hehehehe. A primeira idéia era tirar foto apenas da jaqueta, mas aí aproveitamos e resolvemos tirar algumas fotos nossas, aí, em uma das fotos, alguém falou, para ficar de costas para aparecer a jaqueta.
Na foto inteira, estão os 3 da banda olhando para frente e eu de costas. Não tem nada a ver! Mas aí demos um close na jaqueta e achamos que ficou legal!

TGZ: E como foi a motivação dos headbangers frente a esta debut demo?

Marcelo:
A repercussão foi muito melhor do que a gente imaginava, aparecendo em várias revistas, sempre muito elogiada!!! Na realidade, estamos ficando mal acostumados, pois ainda não recebemos críticas negativas sobre nossas músicas!

TGZ: Neste período a banda faz algumas apresentações sob o nome “Denim And Leather – NWOBHM Tribute Band”. Será que assim não deu a impressão de serem apenas uma banda de covers homenageadores de bandas da época?

Sérgio:
Sim, mas a intenção dos primeiros show era justamente essa. Era o ano de 1999 e queríamos homenagear os 20 anos da NWOBHM, e como tínhamos apenas 2 músicas próprias, o repertório era mais de covers mesmo. Mas isso foi em apenas uns 2 ou 3 shows. Foi bom, porque apareceram alguns contatos justamente por causa disso. Mas logo começamos a compor mais e quisemos nos desvincular do rótulo de banda cover. Quem sabe nos 30 anos da NWOBHM a gente faça uma turnê sob esse nome novamente

TGZ: Em setembro de 2001 a banda entra em estúdio novamente para gravar uma demo com título de “Too Damn Loud!”. O CD-demo conta com as músicas “Watch Out”, “Hatred”, “Fists In The Air” e ainda um cover para “Gangland”; música do Tygers Of Pan Tang. Esclareça o título e as letras interessantes dessas faixas, falando também da do cover?

Sérgio:
O título da demo foi idéia do Gustavo, ele falou “Too Damn Loud” porque “If it’s not Too Damn Loud, It’s not Heavy Metal at all!” e achamos muito legal. As letras nossas falam de assuntos diversos. A "Watch Out", foi baseada em um livro de suspense que eu li, a "Hatred" é sobre uma tentativa de suicídio e foi baseada em fatos reais e a "Fists In The Air" é uma pequena homenagem ao falecido festival Monsters Of Rock que rolava aqui em São Paulo.

TGZ: Inclusive, fora abordado no encarte: “Entre ataques terroristas, o assassinato do nosso prefeito e outras coisas, estas músicas foram gravadas em setembro de 2001 no estúdio Paulo B (SP/SP)”. Por que quiseram mencionar brevemente esses relatos?

Sérgio: Não tinha como não citar! As gravações iniciaram no dia 11 de setembro de 2001, nós não conseguíamos falar em outra coisa. O prefeito de Campinas foi assassinado no dia 10 de madrugada e no dia 11 rolou todo aquele lance nos EUA. A inspiração veio do disco “Antes do Fim” do DORSAL ATLÂNTICA, onde está escrito algo parecido. Uma história engraçada, foi que antes das gravações nós já estávamos tendo algumas idéias para o nome e a capa da demo, e uma das idéias era que o nome seria “Attack ‘79” e na capa era uma avião de guerra.

Marcelo: Mudamos de idéia porque poderiam consideram ofensivo, embora, eu, particularmente, adore humor-negro, rs...

TGZ: "Too Damn Loud!”, contém como bônus a demo “We Wear...”, de quem foi a idéia e como foi a satisfação de incluí-la?

Sérgio:
Nós divulgamos muito pouco a demo “We Wear...”, foram menos de 100 cópias, então como lançamos a demo “Too Damn Loud!” em Cd, achamos uma boa incluir os 3 sons da primeira demo como bônus.

TGZ: Vocês que já tiveram o prazer de tocar no Paraguai, como perceberam a cena de lá em meio aos bangers, bandas, zines, enfim...

Sérgio:
A cena é ótima e muito unida, é claro que não dá para comparar a quantidade de bandas/bangers/zines, etc. com São Paulo, mas eu achei muito parecida com de outras cidades brasileiras. Infelizmente não tive a oportunidade de conheçer nenhum zine de lá. No show, tocamos com as bandas OVERLORD (que é a maior banda atualmente do Paraguai), WARSEEDS, INFERNAL COMMAND e SACRO. Uma coisa que nós gostamos muito do show foi que mesmo o SACRO sendo mais Heavy Metal tradicional, o OVERLORD e o INFERNAL COMMAND sendo de Thrash e o WARSEEDS de Death/Thrash o público agitou muito em todas as bandas e também nos recebeu muito bem. Conheciam nossas músicas, pediam alguns covers. Foi uma noite maravilhosa. E a cerveja era de 1 litro!

TGZ: Comente o que tu acha do termo “Revival” tão utilizado no que concerne a bandas antigas que estão retornando com a velha sonoridade, etc?

Sérgio:
Tenho o caso de banda de amigo meu que nos final dos anos 80 tocavam Thrash e depois segundo eles mesmos: “Aí apareceu o Faith No More e nós começamos a misturar algumas coisas e depois a banda acabou, mas agora voltamos para tocar aquilo que a gente gosta mesmo, que é Thrash”. Acho isso muito bom! Porque sei que eles estão fazendo o que gostam e não tem coisa melhor. Se isso é 'Revival' ou tem outro termo melhor eu não sei, mas eles estão revivendo uma época que eles passaram e gostaram muito. Eu adoro ouvir as bandas dos anos 80, mas também acho que as bandas novas tem um papel muito importante no movimento, não deixando a cena morrer. Quando pararem de aparecerem bandas novas de Metal, o movimento estará morto. Não gosto de imaginar que no futuro o Metal venha a ser como é o Rock-a-billy hoje, apenas com bandas tocando covers e um pessoal tentando viver no passado.

TGZ: Você sabe as razões ocorridas para o adiamento do Cd Tributo à banda Motorhead que a Tumba Recs ficou de lançar?

Sérgio:
Infelizmente não. Sei que os primeiros adiamentos foram por causa das próprias bandas, que não entregaram as gravações nas datas marcadas, que era janeiro de 2002. Pelo que se, nós fomos a única banda a entregar no prazo e um ano depois ainda tinha banda gravando. Depois deu rolo com quem ia lançar. Primeiro era um projeto do fan clube Motorheadbangers SP, do fan clube do Sepultura e da Revista Roadie Crew. Depois a revista saiu fora e foram atrás de uma gravadora, aí entrou a Tumba, que é uma excelente gravadora e a última notícia que tivemos foi que eles estavam atrás dos direitos autorais para o lançamento, mas não tenho mais nehuma informação, mas esperamos que esse lançamento ainda ocorra.

TGZ: Quais as exigências e solicitações da revista Valhalla (SP) para a inclusão da Denim And Leather na coletânea “Demo-Section” Vol. I lançada no final de 2003?

Sérgio:
Bom, primeiro queria dizer que nós não obedecemos a maioria das exigências, hehehe. A idéia da Valhalla, foi excelente! Juntar as melhores bandas que haviam passado na seção de demos da revista e juntar para gravar uma coletânea. Outro diferencial seria que esta coletânea seria com gravações novas que foram feitas em um estúdio muito bom em Salto/SP e não um apunhado de demos. Mas não foi fácil juntar as bandas porque elas precisavam rachar com a revista a gravação e a prensagem e ainda deveraim se deslocar até Salto. Por fatores monetários várias bandas saíram fora do projeto. Mas quanto às exigências e solicitações, não sei se eu podia contar, mas aí vai: eles pediram para ouvir a música antes de nós gravarmos, mas nós não mandamos e gravamos uma música nova; outra coisa foi que as bandas iriam para Salto, gravavam em um dia e iam embora, só ouvindo o resultado final com o CD pronto, e nós demos um jeito e passamos no estúdio para dar uma ouvida de como a mixagem estava indo, hehe, era segredo. Mas estamos muito orgulhosos de ter participado deste projeto. E aproveitando, gostaria de dizer para quem se interessar, que todas as bandas tem cópias do CD para vender, é só entrar em contato com qualquer uma delas.

TGZ: A Dark Sun Recs (RJ) está com um projeto exemplar de lançar um vinil em muito breve com Denim And Leather, Statik Majik, Kremate e Alcoholicoma, cada banda com duas músicas. Como foi esse contato e vocês conhecem as outras bandas?

Sérgio:
O Ader da Dark Sun entrou em contato conosco porque tinha interesse em lançar nosso CD-demo em vinil. Nós ficamos muito empolgados, mas achamos que se fosse para lançar um vinil, queríamos gravar algumas músicas novas e regravar as da demo. Não que a demo esteja ruim, mas já que é para um vinil queríamos caprichar mais. Só que nós teríamos que gravar tudo e não tínhamos condição financeira para isso, então o Ader surgiu com a idéia da coletânea. E caiu perfeito! Nós gravamos uma música nova intitulada “The Voice” e a outra será uma versão remixada e com vocais regravados da “Evil Wheels”, que saiu na colatêna da Valhalla. Nós já tocamos uma vez com o ALCOHOLICOMA. O KREMATE também faz parte da coletânea da Valhalla e temos um show agendado juntos em janeiro de 2005. Apenas o STATIK MAJIK que é do Rio de Janeiro, nós não conhecemos, mas já ouvi falar muito bem e que faz um som na linha Sabbath/Cathedral.

TGZ: Explique o lance da agência polonesa Dragonight que a Denim and Leather está tendo como suporte?

Sérgio:
O Bart da Dragonight é um batalhador do underground polonês, ele ajuda a divulgar algumas bandas na Polônia e na Europa, a nossa demo caiu na mão dele e ele entrou em contato. É uma emoção sem tamanho entrar no site dele e ver o DENIM ao lado de bandas como CIRITH UNGOL, SOLDIER, METALUCIFER, TYGERS OF PAN TANG, PAUL DIANNO e VIRGIN STEELE.

TGZ: E para meados de 2005, vocês foram convidados para participar junto a bandas do mundo inteiro de um LP tributo à banda japonesa Gorgon. Teça sua admiração à Gorgon, comente o andamento e por onde sairá este artefato?

Sérgio:
O GORGON infelizmente ainda é pouco conhecido aqui no Brasil. É uma excelente banda japonesa que já lançou uns 10 compactos ( http://www.truemetal.org/gorgon/ ) e faz um som bem na linha da NWOBHM e inclusive toca vários covers de bandas da época, assim como nós, e foi assim que nós nos conhecemos. O projeto do disco tributo é uma parceria entre o Tobi do Zine Metalcoven da Alemanha e do Agostinho da Live Recordings Attack e que também toca na banda WYTCHKRAFT daqui do Brasil. A primeira idéia era um lançamento conjunto, mas agora me parece que serão dois lançamentos separados. Assim que eu tiver mais informações eu te passo.

TGZ: Se não me falha a memória, vocês quatro são do ramo da física, né? E aí como fluem as inspirações de ‘Newton’ nessas mentes para o processo dos cálculos de como virá o próximo registro da Denim And Leather? Será o 1º álbum completo?

Marcelo:
Eu acho que Newton, física clássica é muito organizado para nos definir, prefiro física moderna, Caos (Não Kaos, com o agente 86, é claro! rs).

Sérgio: Heheh. Na verdade 3 de nós somos da áera de Física, o Hamilton é o mais esperto de todos e saiu fora dessa. Os cálculos do próximo lançamento ainda estão em aberto, ou seja, não temos a mínima idéia do que vai acontecer! Nós temos algumas músicas novas prontas e queremos muito gravar, o que provavelmente será mais um CD-demo. Também temos que gravar a música para o tributo ao Gorgon e quando tivermos essas gravações prontas vamos mandar nosso material para algumas gravadoras, para ver se alguma se interessa.

TGZ: Sérgião! Valeu e vamos fechar os punhos para socar o ar, bater cabeças, beber cervejas com o volume alto do Heavy Metal e de preferência em Jeans (Denim) & Couro (Leather) nesse feeling incompreensível por muitos “reais” de hoje em dia, ok?!

Sérgio:
Valeu Cezar! Muito obrigado pelo apoio que você tem nos dado e a muitas bandas do undergound brasileiro. Você definiu muito bem o que é o Heavy Metal para nós, é som alto, batendo cabeça, bebendo cerveja e vestindo jeans e couro! Valeu!
Que o Deus do Trovão nos proteja!

 
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