» ENTREVISTA: INFEKTUS «

Realizada por: Elimar Oliveira

Respondida por:
Boris Girardi

Infektus

A/c Boris Girardi
Rua Aristiliano Ramos, 1051
Timbó/SC - 89120–000
boris@infektus.com.br

TGZ: O Infektus foi formado a pouco mais de dois anos e já solta esse cd-demo “Devastation” com uma qualidade fudida! Como foi o processo de composição/gravação desse material, num prazo relativamente curto se levado em conta à qualidade do mesmo?

Boris:
O processo de composição começou ainda em 2003. Fomos melhorando as músicas, executando elas ao vivo, pra ver qual seria a reação do público também. O pessoal gostou muito, foram aparecendo vários shows, e fomos apontados pela crítica e pelo público como banda revelação/promessa do underground catarinense.
A respeito da gravação foi um ambiente muito descontraído, criamos logo uma amizade com o produtor e isso foi um fator que ajudou muito. Tínhamos ensaiado bem as músicas e isso facilitou muito também para que a Demo ficasse logo pronta.

TGZ: E a cena local de Timbó/SC, cidade de vocês, como é, tem um público fudido, acontecem shows?

Boris:
Boa pergunta. Timbó é uma cidade pequena, tem cerca de 30 mil habitantes, acontecem poucos shows aqui, apesar de que muita gente curte Metal. Nas antigas rolava muitos shows em Blumenau que é a cidade com maior população aqui da região e fica a 30 km daqui, mas também diminuíram muito com o passar dos anos. Por sorte, alguns bangers insatisfeitos com pouca opção de divertimento na região, começaram a organizar shows novamente.

TGZ: Por falar em shows, como vem sendo os shows do Infektus?

Boris:
Fizemos apenas dois shows após o lançamento da Demo ‘Devastation’, porque ficamos
sem baterista, um na capital de SC, Florianópolis e outro no River Rock VII(www.riverrock.com.br) em Indaial/SC, um dos maiores festivais com bandas underground do país. Tocamos para um público estimado de 1500 pessoas, foi simplesmente devastador!


TGZ: A banda tem em sua formação o posto de baterista vago, pelo menos tinha, já encontraram um pra assumir o posto em definitivo na banda? E porque o antigo baterista deixou a banda?

Boris:
Infelizmente não encontramos ainda. Estamos tocando com um baterista convidado, Culver Yu, que é baterista fixo da banda de Heavy Metal, Steel Warrior, mas ele tocará só até acharmos um baterista definitivo. O antigo baterista saiu porque não se adaptou ao estilo, o negócio dele é tocar um som mais cru, mais simples que não tem nada a ver com Death Metal.

TGZ: Não sei se é cedo falar, mas e o Debut? Tem previsão de lançamento?

Boris: Não sei se seria cedo falar, mas várias idéias já estão sendo elaboradas dentro de nossas cabeças, como por exemplo, o nome do álbum e toda a arte. Vamos nos concentrar primeiro em divulgar a Demo ‘Devastation’; mas, alheio a isso, já estamos compondo material novo, não temos data definida ainda para entrarmos novamente em estúdio, mas acredito que no máximo no final de 2006 já estaremos gravando nosso Debut.

TGZ: O que achas do momento da cena Metal no Brasil atualmente?

Boris:
Com certeza analisar a cena num todo fica muito difícil ainda mais num país tão imenso como o nosso, mas pela minha visão o Metal em geral ganha cada vez mais espaço. Temos centenas de web zines, fanzines, revistas, programas de rádio, que apóiam muito a cena Metal e mais especificamente o underground. Bandas de qualidade também não faltam em nosso país, em todo estado tem banda boa em qualquer estilo de Metal. Infelizmente ainda vemos muitos charlatões querendo se dar bem em cima das bandas, que por sua vez se desvalorizam pagando pra abrir shows de bandas gringas ou ainda que esquecem da verdadeira essência do Metal e apenas se preocupam em fazer teatro em cima do palco ou soar como alguma banda consagrada.

TGZ: Muitos bangers reclamam das grandes revistas que monopolizam suas matérias, e raramente abrem espaços pra bandas do underground e quando abrem é o mínimo possível, mas por outro lado quase ninguém apóia mesmo os zines, como entender tal situação, em que uma boa parte dos mesmos que reclamam de um veículo que não apóia o underground são os mesmos que não apóiam os zines que tem 90% do seu espaço destinado às bandas do underground. Qual sua opinião sobre esse lamentável descaso e curiosa situação?

Boris:
Talvez muitos “bangers” achem que zines não são meios sérios de divulgação, coisa que realmente não acontece, ou por descaso mesmo. Preferem pagar caro numa revista que só dá bola pra moda, o estilo que mais o pessoal ouve do que dar importância pra um zine que dá espaço pra todas as bandas, de diversos estilos. Pior que daí o cara fica xingando tais revistas e não apóia os zines, ou o underground em geral. A hipocrisia impera em muitas pessoas.

TGZ: Outra polêmica questão, o que vocês acham de radicalismo e racismo?

Boris: Nossa você quer me comprometer com esse tipo de pergunta (risos). Radicalismo é uma coisa que não te leva a lugar nenhum. Eu por exemplo toco numa banda de Death Metal e curto pra caramba Hard Rock ou Rock farofa e não é por isso que sou traidor ou algo do gênero, sei que meu coração é Metal. Outra coisa que é ridícula e ultrapassada é esse negócio de ser true, true... metal, true não sei o que, isso é só pra aparecer, dizer que curte só banda extrema, e na verdade o cara curte Cradle of Filth porque tá na moda e eles são “maus”.
Em relação ao racismo é muito complicado abordar esse assunto, mas com certeza é muito difícil você julgar alguém pela raça, ou pela sua descendência, existem vários requisitos pra você poder “julgar” uma pessoa se ela presta ou não, mas na verdade acho que todo ser humano tem um pouco de racismo dentro de si. Se você analisar a História, por exemplo, vai ver que americanos e ingleses sempre começavam as guerras, eles sempre estavam metidos em qualquer guerra que foste, como a guerra do Paraguai. Isso é uma coisa que me deixa furioso, mas é como falei antes, você não pode generalizar e achar que determinada raça não presta pelo seu passado, ou seja, pelo o que seu povo fez na antiguidade e sim analisar cada pessoa individualmente.

TGZ: Na sua opinião existem duas cenas undergrounds no Brasil? Uma em que bandas se dizem underground, mas agem como “rockstars” e outra onde realmente estão inseridos os verdadeiros guerreiros dispostos a levantar a bandeira do Metal, fale a respeito:

Boris:
Existe com toda certeza. Tem banda aí que toca em uns pubs lá fora pra 20 pessoas, volta para o Brasil com o nariz em pé, ou paga altas granas pra abrir show de uma banda gringa e acha que é um marco histórico pra banda. Não tenho nada contra, tem dinheiro e quer gastar nisso, tudo bem; só sei que a INFEKTUS nunca participará dessa bobagem. Mas felizmente existem muitas bandas e bangers que realmente lutam pelo underground, para torná-lo mais unido, mais profissional, pessoas que realmente tem o Metal no sangue, que amam o que fazem, sempre com muita humildade.

TGZ: Estamos falando de assuntos alheios ao Infektus, mas assuntos importantes que em alguns casos devem ser combatidos, mas voltando a falar do Infektus, vocês planejam sair em turnê pelo Brasil assim que resolver o problema de formação da banda, isso irá ocorrer antes do lançamento do primeiro álbum?

Boris:
Não saberia te responder com exatidão, mas acho que quase com certeza que tour pelo Brasil mesmo, apenas depois de gravar o nosso primeiro álbum. Somos uma banda muito nova ainda, acabamos de lançar nosso primeiro Cd-Demo e o foco principal é fazermos uma divulgação violenta pelo Brasil e exterior, através de sites, rádios, revistas etc, para que o pessoal conheça nosso som e num futuro próximo fazer uma tour brasileira. Mas ninguém garante que a gente comece alguma tour brasileira ano que vem, por exemplo, tudo depende de oportunidades.

TGZ: Obrigado por nos ter cedido a entrevista, desejamos sorte e que o Infektus logo “devaste” o Brasil e porque não o mundo com seu fudido Death Metal, deixe suas considerações finais no espaço abaixo:

Boris:
Nós da banda INFEKTUS que agradecemos a você Elimar, ao Cezar e a toda equipe da TGZ. Continuem com esse excelente zine, é uma satisfação ver ainda verdadeiros bangers como vocês que lutam pelo fortalecimento da cena underground nacional. Pra quem quiser conhecer um pouco da banda INFEKTUS entre em nosso site www.infektus.com.br e vá até a seção mídia/mp3 e baixe nossa mp3 que leva também o titulo de nossa demo chamada DEVASTATION. Fiquem a vontade pra comentar no nosso guestbook ou também se estiverem afim e adquirir a Demo, mande-nos um e-mail na seção contato.
Obrigado a todos, espero que não demore muito para que a INFEKTUS faça uma tour ai pela região Nordeste e mais precisamente na Bahia pra curtirmos um Death Metal furioso e muitas pingas artesanais (risos). INFEKTUS DEVASTATION!

 
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