» ENTREVISTA: INHERIT «

} Realizada por: Elimar Oliveira

} Respondida por: Igor Noblat (Vocal & Guitarra)

INHERIT

"Eu sou conservador e aprecio o Metal original, independente do estilo. Só não apoio coisas abomináveis como o New, White e ..."
TGZ: Hail Metal Brother Igor Noblat!!! Muito foda ter o Inherit em nossas páginas novamente, e muita coisa aconteceu com o Inherit desde a última entrevista!!! Pra começar nos fale mais sobre o lance de vocês, ou melhor, você ter ido morar em Portugal e está remontando a banda por aí.

Igor Noblat:
Hail Elimar, Cezar e Thundergod Zine!
É um prazer poder estar mais uma vez trocando idéia com vocês!!!! Eu prefiro dizer que vim pra Europa, porque a minha intenção não é me prender nem a Portugal, nem a qualquer outro país por enquanto. Todos sabem que a Europa é o lugar mais indicado pra quem quer seguir com banda, então decidi não perder tempo!


TGZ: Então a intenção de estar se estabelecendo em Portugal foi totalmente pensando no Inherit, mas porque só você embarcou pra Europa?

Igor:
Exatamente. Desde o início da banda eu sempre soube que iria chegar a hora de partir pro velho mundo. Existem alguns motivos pra eu ter vindo só e prefiro não entrar em detalhes, pois isso corresponde à vida pessoal dos outros ex-integrantes. Eles continuam ouvindo Metal até a morte e desejo o melhor do melhor pra eles!

TGZ: Na época o Inherit estava divulgando a primeira demo “...Of Sin, Suffering and Sorrow”, lançada em 2005 e teve uma boa repercussão na cena daqui da Bahia, a nível de Brasil e de mundo qual foi a repercussão deste trabalho? Com essa mudança você tem idéia de quando lançaram novo material?

Igor:
“Of Sin, Suffering & Sorrow” teve uma ótima repercussão na Bahia. Eu preferi não prensar muitas cópias da demo e entregá-las nas mãos das pessoas certas, Principalmente zines. O material teve excelentes críticas em zines da Alemanha, Holanda, Chile e outros lugares. Agora eu realmente não sei quando sai um novo material da banda. Não estou focado nisso por enquanto. Quem sabe em 1 ou 2 anos...


TGZ: Imagino que o caminho percorrido aqui no Brasil serviu de experiência para a banda e você, mas agora seria o caso de começar do zero e batalhar até conseguir o reconhecimento e o espaço que já havia conquistado por aqui?

Igor:
Com certeza! Mas é lógico que não é recomeçar totalmente do zero, Porque a banda já tem material gravado e uma história que este ano completa 5 anos! Na minha visão começar realmente do zero é diferente. Mas é fato que teremos que conquistar um outro reconhecimento e um outro espaço.


TGZ: Fazer e tocar Death Metal é uma tarefa árdua, pois os admiradores do estilo são conservadores e não assimilam muito o fato do estilo se “modernizar”, por outro lado isso é bom pois quando uma banda se mantém fiel a sua proposta seus admiradores a seguirão por toda a vida. Avaliando esses dois aspectos você acha que é possível uma banda de Death Metal evoluir sem perder sua essência e é possível manter seus admiradores do início até o fim quando se busca uma evolução dentro do estilo?

Igor:
Claro que é possível! Ao longo dos anos e com experiência os músicos vão amadurecendo suas técnicas e também seus pontos de vista. Uma coisa é a pessoa ser conservadora e outra totalmente diferente é ser bitolada. Se por exemplo eu gosto do Morbid Angel, Slayer e Death, mas também gosto de Grim Reaper, Saxon e Judas Priest, o que me impede de colocar todas estas influencias no som da banda? Não é tudo Metal?! Então qual o problema? Eu sou conservador e aprecio o Metal original, independente do estilo. Só não apoio coisas abomináveis como o New, White e essa coisa que dizem ser Death Metal Melódico.


TGZ: O termo underground sintetiza tudo que está a margem da sociedade, não segue padrões disso ou daquilo... Há um tempo atrás era exatamente assim que as bandas de Metal em geral se comportavam, inclusive as bandas consideradas “grandes”, não seguiam padrão nenhum e não estavam nem ai pra mídia, hoje parece que a história é outra, a mídia tem inserido o Metal em suas pautas e algumas bandas tendem a seguir uma tendência e usam de forma banal a mídia tendenciosa para divulgar seus trabalhos. Na sua opinião, qual o malefício que essa postura de algumas bandas levará a ao verdadeiro Metal Underground ou na sua visão nós estamos imunes a qualquer fator negativo que venha deste triste “fenômeno”?

Igor:
Realmente é uma boa pergunta. Na minha opinião isso se deve ao fato das bandas no Brasil terem tão poucas oportunidades para crescerem e desenvolverem suas carreiras. Quais são as bandas que realmente vivem do som que fazem no Brasil? Que eu lembre só Krisiun, Sepultura e Angra. Então com o tempo as pessoas vão cansando e muitas acabam recorrendo a outros meios fora do underground com a esperança de conseguirem algo concreto. É claro que eu não apoio isso e acho que quem está na chuva é pra se molhar. 99% das pessoas que estão envolvidas com o undergound têm empregos convencionais e outras fontes de renda não relacionadas ao Metal. Porém não acho que estas bandas que recorrem à midia convencional possam atrapalhar o cenário undergound. Elas acabam se queimando e são logo eliminadas!

TGZ: Antes de ir pra Europa você fez uma tournée tocando guitarra com o Headhunter DC pelo sul e sudeste daqui do Brasil e alguns países daqui da América do Sul. Como foi essa experiência? Já houve algum convite para fazer o mesmo por aí?

Igor:
O guitarrista Fábio Nosferatus não pôde entrar em tour com a banda por motivos pessoais. Então o Sérgio Baloff me ligou e me convidou pra tocar com eles na tournée. Fizemos alguns ensaios em Salvador e caímos na estrada por um mês inteiro, passando pelo Sudeste e Sul do Brasil e ainda Chile, Peru e Bolívia. Foi fantástico! Me diverti muito com aqueles caras e foi um sonho que se realizou! Long Live The Death Cult!


TGZ: E as bebidas? Nós sabemos que o pessoal daí bebe pra caralho! E você tem estado em êxtase alcoólico constantemente?

Igor:
Cerveja é tão barato aqui cara que é difícil de acreditar! Elas são mais encorpadas e mais fortes que as do Brasil. Ela acaba fazendo parte do dia-a-dia das pessoas aqui... E é claro que fazendo parte da minha geladeira também!!!


TGZ: Em breve vai ser lançado o terceiro volume da compilação ThunderGod a qual você vão fazer parte, ou seja, já tem um material do Inherit pra ser lançado em breve! O que levou o Inherit a aceitar o convite para participar da ThunderGod Compilation Vol III e na sua opinião qual a importância desse material (coletaneas) para as bandas de Metal doUnderground?

Igor:
O motivo pelo qual o Inherit estará no material é simples... O ThunderGod é foda! Esse tipo de coletânea é fundamental para todo o cenário, pois além de divulgar as bandas para o público em geral, une as que estão inseridas no material. Então todos acabam conhecendo uns aos outros e criando fortes laços, cujo cenário só tem a ganhar!


TGZ: Eu sou um grande admirador do som do Inherit e você sabe disso, torço para que logo, logo vocês estejam com a formação em cima, tocando, lançando material e mostrando o peso do Death Metal brasileiro nas terras européias! Agradeço pela atenção e deixo o espaço abaixo que conclua nosso breve bate-papo com suas considerações finais:

Igor:
Obrigado a vocês pelo grande apoio que vem prestando ao Inherit desde o inicio da banda até hoje. Em breve a banda estará na ativa outra vez e rasgando os céus como o martelo do deus do trovão! Thundergod Zine rules! Vida longa ao verdadeiro Metal!

 
 
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