» ENTREVISTA: MÁQUINA DO METAL ZINE «

} Realizada por: Cezar Augusto e Elimar Oliveira

} Respondida por: Valterlir

Máquina do Metal Zine

CONTATOS:

A/c Valterlir Mendes
R. Governador Paulo Guerra, 215 - Centro Macaparana/PE - 55.865-000 valterlirbanger@yahoo.com.br
TGZ: Hail Grande Irmão Valterlir, é com enorme prazer que fazemos essas perguntas pra você, que é um grande apoiador da cena Metal Underground! Nos conte como surgiu a idéia de montar o zine Máquina do Metal e sobre este fudido nome?

Valterlir:
De logo quero agradecer a vocês (Cezar e Elimar) pelas palavras iniciais, e podem ficar certos de que a honra é toda minha em poder participar do grandioso trabalho que é o ThunderGod. Minha parcela de contribuição para o Metal Underground é muito pequena, mas me orgulho de poder, de alguma forma, apoiar a nossa cena, bem como contribuir para o seu fortalecimento. A idéia de montar o Zine surgiu no ano passado (2004), e foi meio que por acaso, pois nunca me imaginei como editor de um Zine. Antes, no ano de 2002, na ocasião do show com Destruction/Kreator em Recife, o Ítalo Leite, um dos editores do Metal Force Zine, me deu a idéia de montar um Zine, mas eu não levei muito a sério essa idéia, pois eu ainda não tinha segurança para fazer um Zine, nem muita experiência... O nome é uma espécie de homenagem a banda Attro e ao seu idealizador Marivan Ugoski, um grande guerreiro, que luta bastante em nome do Metal Underground. A música “Máquina do Metal” está presente no segundo álbum da banda ("Making Up For The Wasted Time"), e sua letra me inspirou no nome do meu Zine.

TGZ: Comente as dificuldades encontradas na edição geral.

Valterlir:
Pra falar a verdade as dificuldades não foram tantas. O meu maior desafio foi apenas na parte da diagramação, a qual fiz toda no programa “Word”, o que não foi fácil, porém eu não tinha a disposição outros tipos de programas, como o “Corel” ou o “Pagemaker”, nem tampouco sei lidar com os mesmos, então trabalhar com o “Word” foi à solução.

TGZ: De quem foi a ótima idéia de fazer a capa do Máquina do Metal com uma montagem da bandeira de Pernambuco com uma cruz de ponta-de-cabeça? Você recebeu alguma crítica por essa idéia (de inverter o símbolo)?

Valterlir:
A idéia da capa surgiu em conjunto. Eu, de alguma forma, queria mostrar que em todos os lugares do nosso imenso Brasil há espaço para o Heavy Metal, e Pernambuco não fica para trás. Então dei a idéia das bandeiras “Metalizadas”, dessa forma eu, Antônio “Kinho” Marques, e Cléber “Binho” Nascimento, começamos a trabalhar em cima dessa idéia e fomos adicionando mais idéias até chegarmos a arte final. Até o presente momento eu não recebi nenhuma crítica por ter invertido o símbolo da bandeira Pernambucana, e de forma alguma quis desrespeitar a bandeira do meu Estado. É apenas uma forma de mostrar que o Heavy Metal também é forte por esses lados.

TGZ: Você já colabora pra vários outros, entre eles zines, web zines, até pra nós (ThunderGod Zine) você dá uma puta força! Como faz pra organizar tudo sem deixar nada pendente? E agora com seu zine Máquina do Metal você vai poder continuar colaborando com todos os outros?

Valterlir:
Sim, eu colaboro para os Zines Hell Underground e RebateRNR, ambos editados pelo grande irmão Luiz Teixeira, e agora estou dando uma força para o Hioderman “Zartan” na segunda edição do seu Guerreiros Zineiros, que é um Zine voltado apenas para entrevistar/resenhar Zines. Colaboro também para o Metal Attack Web Zine, além do ThunderGod Web Zine. Nem sempre dá para organizar tudo, e às vezes fica alguma pendência, uma vez que além dos Zines tem vida particular, trabalho, filhas, etc., e às vezes fica difícil conciliar tudo. Com o meu Zine o trabalho aumentou, mas na medida do possível e com muito amor ao Heavy Metal eu continuarei colaborando com todos, pois antes de tudo, os envolvidos com os trabalhos mencionados são reais Headbangers e grandes irmãos, os quais merecem todo tipo de apoio possível.

TGZ: Inclusive, o Máquina do Metal tem uma qualidade muito, mas muito ducaralho; o pessoal tem apoiado o trabalho? Acompanha, inclusive, uma demo da banda mineira Symbollic (e o leitor pode escolher em adquirir com ou sem a demo com custos diferentes claro), de quem foi a idéia de lançá-lo assim?

Valterlir:
Mais uma vez eu lhes agradeço pelas elogiosas palavras. Vocês sabem que a procura pelos Zines impressos nunca foi grande, e diminuiu bastante com o advento dos Web Zines, porém eu sou profundamente grato àqueles que entraram em contato comigo para adquirir o Máquina do Metal Zine. As palavras destes, com certeza, fez com que eu continuasse minha saga em editar o Zine, pois recebi uma grande força de todos, os quais disseram gostar muito do meu trabalho. Inicialmente seria divulgado apenas o Zine, mas antes do lançamento tive o prazer de entrar em contato com o Daniel Nery (baixista/vocalista do Symbollic), onde ele se dispôs a me enviar algumas capinhas da Demo “Seasons of Fear”, para assim eu fazer a divulgação da banda juntamente com o Zine. Acho que foi uma ótima idéia, pois o Symbollic é uma ótima banda, e quem conhece o seu som sabe do que eu estou falando.

TGZ: E a cena de Macaparana como é? Rola muitos shows, tem muitos bangers?

Valterlir:
Aqui não existe uma cena, infelizmente. Macaparana é um lugar infestado de “patys” e “boys”, onde o “barato” pra eles é a “música do momento”, empurrada goela abaixo pela grande mídia alienadora. Nunca rolou um show por aqui, mas há a idéia de que isso possa ocorrer. Estamos vendo a possibilidade e vamos enviar um projeto para a Prefeitura do município pra ver se conseguimos realizar esse sonho. Headbangers de verdade, que eu saiba, só eu! (risos). Mas tem uma garotada aqui que se mostra interessada pelo Heavy Metal, porém falta um pouco mais de recursos ($$$) pra galera, mas se continuarem com a mesma vontade de apoiar o Underground em breve Macaparana poderá ser considerada uma “Metal City”! Vamos ver o que acontece.

TGZ: Conhecemos poucas pessoas de Pernambuco, mas sabe-se que a cena é muito forte pela região; existe união? Os bangers curtem o som sem problemas ou há as terríveis intrigas e panelinhas?

Valterlir: Há vários adeptos do Metal em Pernambuco, mas acho que falta um pouco mais de conscientização por parte daqueles que se dizem Bangers; falta à galera apoiar mais a cena como um todo. Noto que há uma divisão entre aqueles que curtem Heavy Metal Tradicional/Melódico e aqueles que curtem Metal Extremo, algo que só faz enfraquecer a cena. Não acho que haja desunião, mas sim falta de apoio. Também não vejo formação das terríveis “panelinhas”, porém intrigas existem, disso não tenho dúvidas. Alguns vermes de uns tempos para cá, ao invés de dar força para o crescimento da cena, ocupam seu tempo para fazer intrigas, fofocas, falar pelas costas, como porcos covardes. Vermes estes que se acham “lendas do metal pernambucano”, mas nada de produtivo fizerem até hoje para a cena. Porém o tempo se encarregará de colocar essa escória no devido lugar, ou seja, em meio a boates, shows de axé e pagode, onde é o devido lugar dos vermes. Mas mesmo assim nada poderá ofuscar o brilho do Metal Pernambucano, pois aqueles que fazem sem se preocupar em falar terão sempre o apoio dos verdadeiros Headbangers.

TGZ: Sabemos que você curte também som mais antigo; então, como está recebendo as noticias da volta de bandas brasileiras que fizeram história no passado como Anthares, Stress, Atômica, Centúrias...?

Valterlir:
Faltou acrescentar a lista o grande Executer! É muito bom poder ver/ouvir essas bandas voltando novamente à ativa. É até relevante para aqueles que só conheciam as bandas apenas de nome e agora estão tendo a oportunidade de poder ver os shows de retorno. Nesse exato momento eu estou ao som da “SP Metal I”, e é maravilhoso poder ouvir o Avenger e o Vírus, duas ótimas bandas, que também poderiam volta a ativa, principalmente o Vírus, que era uma das bandas mais “pesadas” dessa coletânea. Uma volta da Dorsal Atlântica também seria excelente, não acha Cezar “Dorsal”? (risos) (N.E. Cezar: -Claro !!! r...s..)

TGZ: Fale um pouco mais sobre o seu gosto dentro do vasto Heavy Metal e suas vertentes.

Valterlir:
Eu curto todos os estilos dentro do Heavy Metal, excetuando-se pregações “White” e modinha “New”. Não tenho nenhum tipo de preconceito, mas curto desde que eu sinta nesses estilos o verdadeiro “feeling” Metálico. Apesar de eu curtir vários estilos eu adoro Thrash Metal, principalmente o “Old School”, mas no meu som sempre rola muito Heavy Metal, do Tradicional ao Black. Há espaço para todos!

TGZ: Qual o seu conhecimento em relação ao Metal baiano, comente sobre seus contatos e a sua visão no geral?

Valterlir:
Headhunter D.C. e Mystifier! Esses são dois nomes que vem de imediato a minha mente. Eu conheço outras ótimas bandas provenientes do teu Estado, como a Malefactor, Ungodly, Geminicarios, Insaintification, entre várias outras, isso sem esquecer a Deformity BR e a Martyrdom, essa última está nos devendo o lançamento de uma Demo (estou certo Elimar? Hehehe) (N.E. Elimar: -Sim! Estamos agilizando, hehe). Os contatos são vários, principalmente aí em Feira de Santana, e quero muito um dia poder conhecer todos vocês pessoalmente. Sobre a minha visão, eu sempre sei o que vem acontecendo na cena Baiana graças aos já citados contatos. Infelizmente eu já tive conhecimento de alguns lances que ocorrem na Bahia, tipo briga entre “apreciadores” de determinados estilos, mas isso ocorre mais na capital (Salvador), porém a cena daí é bem mais forte que essas “picuinhas”.

TGZ: Mesmo preferindo os zines impressos, tu não menospreza o trabalho dos webzines, até mesmo colabora. Qual a tua opinião sobre aqueles que repudiam essa forma de divulgação virtual? Positivo? Negativo? Compare e exponha sua linha de pensamento.

Valterlir:
Quem será que realmente repudia os Web Zines? Muitos dizem que os Web Zines não são um meio de comunicação Underground. Até certo ponto isso é verdade, pois qualquer pessoa pode acessar um Web Zine, esteja ela envolvida ou não com o Underground. Por outro lado há aqueles que trabalham de forma séria e honesta, com o único intuito de fortalecer a cena. Desde que o cara repudie o Web Zines, com o intuito de não divulgar seu material nessa mídia, não vejo nada de negativo ou positivo nisso. Negativo será se esse mesmo cara não apóia e não gosta, e pelas costas fica difamando o trabalho dos envolvidos com os Web Zines. Sempre serei um amante do formato impresso, mas para isso não é preciso que eu abomine a versão “on line”.

TGZ: Você observa alguma consideração dada pelas gravadoras nacionais a fanzines? Por quê?

Valterlir:
Muito pouca. O motivo? Vocês seriam capazes de enumerar os Zines que possuem em suas páginas anúncios de gravadoras? Seria fácil, pois pouquíssimas fazem isso. Eu já peguei revistas nada especializadas em Heavy Metal repleta de vários anúncios de grandes gravadoras de Metal, mas se elas acham isso vantajoso...

TGZ: Valterlir, ultimamente alguns fanzines nordestinos vem pregando certos manifestos para tomar cuidado com algumas bandas sulistas de ideais separatistas e racistas, as quais se travestem e nos usam para ingenuamente divulgá-los. Um tema muito polêmico, hein? Como desmacará-las?

Valterlir:
O tempo está a nosso favor, e ele não tardará em desmascarar esses imbecis acéfalos, que apóiam ideais tão tolos como eles. É muito fácil ser racista, separatista, neonazista, ou seja, qual merda for, quando se tem “mamãe e papai” para dar leite e biscoito para seus “filhinhos rebeldes sem causa” comerem, presenteá-los com autoramas e bonequinhos importados. Quero ver quando esses “fodões” forem apresentados ao mundo lá fora, descobrirem como a vida realmente é. Seres patéticos pregando ideais idiotas num país multirracial como o Brasil. Será que eles têm coragem de “subir o morro” e dissertar sobre os seus ideais lá? Será que eles têm coragem de tocar em qualquer cidade do Nordeste e dizer que nós somos subdesenvolvidos ou inferiores? Se tiverem coragem podem vir... Estamos esperando de braços abertos, ou melhor, de punhos cerrados! Mas isso é uma minoria hipócrita que existe, e estão infiltradas na cena para difamar o nome do nosso amado Metal. Verdadeiras bandas de Metal do Sul, como Krisiun, Mental Horror, Losna, Nephasth, Dominus Praelii, PowerSteel, Distraught, Attro, entre tantas outras honram a sua região e adoram nossa região, afinal o Brasil é um só!

TGZ: Qual a sua opinião sobre pirataria de Cd’s de bandas da cena Metal nacional?

Valterlir:
Sou totalmente contra! A nossa cena já carece de apoio e piratear CDs de nossas bandas é quase que forçá-las a encerrar suas atividades. A situação econômica de nosso País não é das melhores, e o bom senso das gravadoras, com a diminuição dos preços dos CDs, ajudaria a diminuir a pirataria.

TGZ: Entrando num assunto bem particular, tu segue alguma religião ou conhecimento ideológico/espiritual; qual seu pensar sobre a vida e a morte dentro de sua crença frente a tudo isso?

Valterlir:
Sou ateu! Não acredito em Deus ou Satã. Acho que se houvesse um “ser infinitamente bondoso” regendo esse mundo, não estaríamos vendo tanta morte, fome, corrupção, guerras... Não sigo religião ou crenças. Penso que a nossa vida é aqui e temos que aproveitá-la o máximo possível, da melhor forma possível, sem ter que passar “por cima” dos outros. A morte é o fim de tudo, e só ela (a morte) é a certeza que temos na nossa vida.

TGZ: Tu colocou na 1ª edição um tema interessante, que servirá de pergunta pra você também: O que é ser Headbanger e o quê o Heavy Metal significa para você?

Valterlir:
Ser Headbanger é apoiar a nossa cena, lutar em prol do engrandecimento do cenário Underground. É aquele cara que vai a shows, compra material das bandas, Zines, divulga as bandas. Ser Headbanger pra mim é isso, e não apenas ficar “pagando pau” pra banda “gringa”. Heavy Metal significa tudo pra mim! Não imagino minha vida sem o Heavy Metal, pois se fosse assim ela não teria nenhum valor. O Heavy Metal me dá forças para lutar pelos meus ideais. Para lutar por dias melhores. Ele me dá forças para querer viver mais e melhor, pois sei que todos os dias, ao acordar, terei forças no Heavy Metal para viver e lutar!

TGZ: Até agora, rolou algum fato decepcionante com bandas no sentido de não darem atenção a sua proposta de divulgação ou algum fato semelhante? Exponha-o(s).

Valterlir:
Nenhum fato decepcionante até o momento, até mesmo porque eu não proponho apoio a nenhuma banda que eu ainda não tenho contato. Não me apresento para determinada banda como editor de um Zine. Agora se uma banda tem conhecimento do meu trabalho, e quer enviar material para fazer parte do Zine, ela pode ter certeza que o apoio será eterno.

TGZ: Ok! Além do impresso, tu tem algum outro planejamento com o Máquina do Metal, tipo lançar versão web, produzir compilações, organizar shows homônimos ao zine, enfim?

Valterlir:
Não planejo transformar o Máquina do Metal em Web Zine. Já tive propostas para fazer isso, mas quando eu não puder mais prosseguir com a versão impressa eu extinguirei o Zine. Compilações é possível, mas não para agora. E assim que possível quero organizar um evento com o nome do Zine. Por enquanto isso não é possível, pois precisarei de apoio/patrocínio, uma vez que não tenho condições no momento de bancar todas as despesas sozinho.

TGZ: Adiante algumas matérias do conteúdo da 2ª edição, falando se há previsão de lançamento e se virá impresso ou xerocado?

Valterlir:
Para a segunda edição teremos entrevistas com Mad Dragzter, Arkanus Ad Noctum, ChaoSphere, ThunderGod (alguém aí conhece? Risos) (N.E. Cezar e Elimar: -Desconhecemos, risos), e outras que ainda não foram confirmadas/respondidas, além das já tradicionais resenhas de shows, Demos, álbuns, Zines, texto polêmico, história do Sarcófago, entre outros tópicos. A versão dessa nova edição será igual a anterior, ou seja, impressa a laser. Data prevista para lançamento: 07 de maio de 2005.

TGZ: Que as engrenagens do Máquina do Metal continue rodando com força e vapor total, pode contar com as bençãos do ThunderGod (Deus do Trovão)!!! Valeu pela força de sempre e pela amizade, até mais guerreiro...!!!

Valterlir:
Eu que agradeço a vocês, “Dorsal” e “Mazinho”, pelo imenso apoio e amizade Underground. Que o “Deus do Trovão” nunca deixe de abençoar as “engrenagens” do “Máquina do Metal”. Muita força a vocês para continuar com o ThunderGod, mas, por favor, lancem a segunda edição impressa do Zine! (risos).

 
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