» ENTREVISTA: PANNDORA «
   

} Realizada por: Cezar Augusto
} Respondida por: Adriane e Kamila
Panndora

CONTATOS:

A/c Adriane
R. Antonio Zanutto, 100
Maringá/PR - 87.010-100
http://www.panndora.com.br


A Panndora é uma banda paranaense quase que exclusivamente feminina, pois tem em seu line-up três mulheres (Natália - vocal/guitarra, Kamila - guitarra, Adriane "Adrismith" - bateria) e um homem ( Jhovanny - baixo).
Adotando uma linha sonora fincada no Power Metal tradicional, Adriane e Kamila nos contam como vem sendo a trajetória da banda dentre as dificuldades e relações da banda em meio a tudo !!!

TGZ: Saudações ! Panndora é o nome de uma deusa, mas na denominação original não é com dois "n", vocês colocaram por já existir alguma banda na cena com o nome 'Pandora' ? (inclusive aqui na BA mesmo tem uma). Aproveite também para melhor explanar o significado.

Kamila –
Bom, segundo a mitologia grega, Pandora não seria propriamente uma deusa, mas sim, a primeira mulher, comparada assim à Eva, da mitologia cristã, que recebeu de Zeus uma caixa contendo todos os males do mundo. Por ser uma figura feminina forte, ou melhor, um ícone feminino, e também um nome com uma sonoridade agressiva e ao mesmo tempo feminina, é que o escolhemos, já que no início éramos uma banda formada apenas por mulheres. Quando escolhemos que tivesse dois “n” foi apenas para diferenciar do original, mas ainda não sabíamos que existiam outras bandas com o mesmo nome.
Adrismith - Sim, de início colocamos com dois “n” com a intenção de que poderia existir outra banda com o mesmo nome, mas depois até achamos que soou legal dessa forma.

TGZ: Tudo se iniciou (Agosto de 2000)com o nome Wind Of fate, por que e quem determinou a mudança para Panndora?

Kamila –
Mudamos porque achamos que não condizia com a nossa proposta. Ainda éramos uma banda de cover, e não sabíamos qual tipo de som próprio faríamos, mas aos poucos fomos delineando a idéia de algo direto e agressivo, genuíno e autêntico, e procuramos um nome que passasse essa idéia; achamos que “Panndora” tinha essas características.

TGZ: Comente sobre as maiores dificuldades e empecilhos iniciais quando se juntaram com o ideal fincado no Metal tradicional.

Kamila –
Na verdade, quando nos juntamos não tínhamos um ideal fincado no Metal tradicional, a idéia foi surgindo aos poucos, com o desenvolvimento da banda, mas nisso não tivemos dificuldade nenhuma, já que foi algo natural que aconteceu quando eu e a Adriane inventamos de começar a compor (risos), e a idéia foi muito bem recebida pelos amigos, que sempre nos apoiaram desde o início, e do público, que conheceu nossos primeiros passos. É muito difícil um banger que não curta um som tradicional, por isso, somos sempre bem recebidas.
Adrismith - Como toda banda iniciante encontramos as dificuldades básicas normais, como local para ensaiar, equipamento, falta de apoio (pois poucas pessoas dão fé na sua dedicação). Mas com o tempo fomos enfrentando as dificuldades e sei ainda que enfrentaremos muito mais, mas estamos de cabeça erguida e prontas para a guerra quando e como ela começar, sempre.

TGZ: Como se deu a entrada de Jhovanny na banda?

Kamila -
Estávamos sem baixista fixo há mais de um ano, e nesse passo, já tínhamos desistido de aceitar somente uma garota para completar a banda, porque se insistíssemos nisso, estaríamos sem bass até hoje. Conhecia o Jhovanny de vista, e um amigo me passou o telefone dele, dizendo que ele toparia tocar um heavy. Assim, fizemos o contato, passamos uma fita com as músicas que nós tirávamos, ele curtiu e ficou. A presença masculina entre uma maioria de garotas acaba sendo interessante e, no mais, acho que nenhum outro cara suportaria nossa presença e as pérolas que nós soltamos nos ensaios (risos).

TGZ: Em Outubro de 2003 fora lançada a Demo " Choose your side", o que retratam as letras transpassadas nas duas faixas presentes?

Kamila –
Nessas duas faixas, as letras são voltadas ao épico, guerra e conflitos pessoais, de uma forma um tanto sombrio.
Adrismith - As letras de Choose Your side falam de uma situação onde é feita uma relação épica com os dias atuais e sobre o sentimento de ódio do ser humano.

TGZ: Inclusive, na sonoridade da Demo, há pegadas firmes nas passagens tradicionais do Power Metal, ótimas cavalgadas à Running Wild e tal, mas a vocalista precisou inserir um tanto mais de "punch" nas mesmas; foi a critica na 1ª edição do ThunderGod como sabes, Natalia já vem trabalhando esse quesito?

Kamila –
Acho que ela poderá dar maiores detalhes sobre o seu trabalho (risos), mas sim, não só nos vocais,
como nos backings estamos nos preocupando mais com isso, procurando melhorar sempre.
Adrismith - A qualidade da gravação também não ajudou muito e por vários motivos e um deles foi a nossa precipitação em gravar, pois necessitávamos de mais ensaios e também na parte vocal.

TGZ: Ainda no contexto, como vocês reagem a críticas construtivas como tal, visto que têm bandas que não aceitam nem mesmo esses tipos de críticas ?

Kamila –
Acho muito pedantismo não aceitar críticas construtivas. Creio que são fundamentais para o crescimento e progresso de uma banda, ou então, o mais aconselhável é se fechar numa redoma e se alienar do resto do mundo. Acho extremamente positivo. Ninguém está aqui pedindo confete; queremos nos profissionalizar, portanto, precisamos e pedimos críticas construtivas.

Adrismith - Críticas construtivas são sempre bem vindas e isso ajuda no desenvolvimento e evolução da banda. O que não se pode aceitar é crítica destrutiva, pois ninguém tem o direito de julgar a banda sem saber o esforço e dedicação do mesmo.

TGZ: O Paraná é um forte centro de todas as vertentes do Metal, a Panndora tem tido o seu devido espaço na cena da região, em quais sentidos ?

Kamila –
Posso dizer que estamos tendo sim, um espaço por aqui. Temos recebido um número considerável de convites para shows na nossa região e muito apoio da galera, que curte, adquire a demo, e dá força mesmo. Só temos que agradecer.
Adrismith - Sim, o Paraná sempre foi uns dos berços de todas as vertentes do Metal, isso é muito legal, sem dúvida. Temos nosso espaço sem dúvida, tocamos com bandas de outras vertentes do Metal também e cada um tem seu espaço e todos saem satisfeitos. Acho que isso tem que rolar e não essa desunião dentro do próprio Metal. Metal é Metal, sendo com honestidade.

TGZ: E como tem sido a reação do público nos shows realizados, caso queira enfatizar algum (uns), sinta-se livre...

Kamila –
Tem sido a melhor possível, e estamos super satisfeitos. O pessoal agita, bate muita cabeça, canta as músicas da demo, nos trata super bem. Poderia citar nosso último show, aqui em Cascavel, no Paraná, foi uma destruição total, o pessoal de lá é extremo.
Adrismith - A reação do público tem sido muito boa e isso nos deixa muito felizes, pois nosso trabalho está mostrando seus frutos. Nosso ultimo show, que foi em Cascavel-PR, no dia 11/09, nos surpreendeu pra caramba, a cena lá é muito legal e fomos muito bem recebidas.

TGZ: No meio Metalizado ainda existem mentalidades conservadoras de muitos bangers com pensamento machista de enxergar as mulheres somente como 'groupies', sem distinguir das que assumem sua postura real de headbanger como tem aumentado com os tempos... O que pensa a respeito e se já sofreram algo do tipo ?

Kamila –
Olha, normalmente eu me emociono pra falar sobre esse assunto (risos) porque sou uma eterna
revoltada a todo tipo de conservadorismo e dogmas reacionários. Mas é claro que isso ainda infesta a cena, e somos alvo, naturalmente. Volta e meia aparece um infeliz pra dizer que não prestou atenção no show porque estava concentrado nas meninas..., Ou outros que vêm nos dizer que as mulheres no Metal só servem pra “dar” pros caras das bandas... Fazer o que né, não dá pra simplesmente eliminar (risos). O único jeito é mostrar cada vez mais que somos musicistas e estamos aqui pra fazer um trabalho sério e honesto.
Adrismith - Na verdade, muitas mulheres fizeram jus a ter essa imagem, com certeza, mas nem todas estão no Metal para isso e muito pelo contrário, o que tenho visto por aí, é muita mulherada dando um “banho” em muitos caras que se acham os fodões, mas se for ver, não dão o sangue pelo Metal porra nenhuma e nem levam tão a sério. Hoje em dia as informações e a facilidade de adquirir um som são mais fáceis, mas não é por isso que você não vai dar valor né.

TGZ: Adriane, quero relatar uma nobre atitude sua perante ao ThunderGod, sabendo-se de toda a dificuldade enfrentada na 1ª edição, apesar de já teres enviado a demo para a troca de suporte comum, isto é, quando sair o zine eu te enviar o exemplar, ainda fez questão de mandar um dinheiro relacionado para obter o mesmo ( o que não era necessário, pois o trato não foi tal). Enfim, um ato simples e significativo pela digna compreensão espontânea, pois muitos falam valorizar zines, porém poucos praticam atitudes valorosas como esta, e como eu sei disso. Gostaria de complementar ?

Adrismith -
É aquele lance, se você está na cena Metal, no Underground, deve entender e tentar fazer algo por ela. E essa atitude não foi só por querer ajudar, mas sim pelo esforço reconhecido. Muita gente não tem noção do quanto dá trabalho publicar um zine (por anos eu fazia um zine de um fã-clube e sei muito bem das dificuldades). Se cada um fizer sua parte e parar de reclamar, com certeza o Metal nacional já era para ter atingido um nível maior, com shows decentes para as bandas tocarem, equipamentos melhores, gravações e zines de qualidade. É muito fácil criticar quando se o mesmo que critica, não faz nada!

TGZ: A Panndora saiu na 'ThunderGod Compilation Vol. I' com a faixa "Other Life", qual a sua opinião sobre o trabalho de coletâneas independentes ?

Kamila –
Acredito que devem ser cada vez mais valorizados, porque contribuem enormemente para o underground, principalmente pras bandas novas, que estão ainda se projetando, como nós. Com certeza é um grande e admirável trabalho, que merece todo o incentivo.
Adrismith - Acho muito importante pelo lance da divulgação da própria banda, isso ajuda muito.

TGZ: Quando sairá o debut Cd e como vem sendo os seus preparativos de produção e composição no geral?

Kamila –
Ainda não temos uma data exata, mas temos planos para fazer algo ainda nesse fim de ano.
Adrismith - A maior dificuldade que encontramos é na questão financeira para gravarmos. Assim que conseguirmos, com certeza iniciaremos a gravação e temos a intenção de gravar umas 8 músicas.

TGZ: Valeu amigas pela entrevista, muita força para vocês !!! Assinem suas considerações... !!!

Kamila –
Te agradeço muito pela oportunidade, é sempre muito bacana receber um convite pra uma entrevista, grande apoio mesmo e ficamos super agradecidos.
Adrismith - Agradeço você pela oportunidade de conceder essa entrevista. Espero que continue com esse trabalho e que não desista, pois só os fracos desistem. Mais uma vez obrigado.
 
 
 
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