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Realizada por: Cezar
Augusto
} Respondida
por: Adriane e Kamila
Panndora
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A
Panndora é uma banda paranaense quase
que exclusivamente feminina, pois tem em
seu line-up três mulheres (Natália
- vocal/guitarra, Kamila - guitarra, Adriane
"Adrismith" - bateria) e um homem
( Jhovanny - baixo).
Adotando uma linha sonora fincada no Power
Metal tradicional, Adriane e Kamila nos
contam como vem sendo a trajetória
da banda dentre as dificuldades e relações
da banda em meio a tudo !!!
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TGZ: Saudações
! Panndora é o nome de uma deusa, mas
na denominação original não
é com dois "n", vocês
colocaram por já existir alguma banda
na cena com o nome 'Pandora' ? (inclusive
aqui na BA mesmo tem uma). Aproveite também
para melhor explanar o significado. |

Kamila – Bom, segundo a mitologia
grega, Pandora não seria propriamente
uma deusa, mas sim, a primeira mulher, comparada
assim à Eva, da mitologia cristã,
que recebeu de Zeus uma caixa contendo todos
os males do mundo. Por ser uma figura feminina
forte, ou melhor, um ícone feminino,
e também um nome com uma sonoridade
agressiva e ao mesmo tempo feminina, é
que o escolhemos, já que no início
éramos uma banda formada apenas por
mulheres. Quando escolhemos que tivesse dois
“n” foi apenas para diferenciar
do original, mas ainda não sabíamos
que existiam outras bandas com o mesmo nome.
Adrismith - Sim, de início
colocamos com dois “n” com a intenção
de que poderia existir outra banda com o mesmo
nome, mas depois até achamos que soou
legal dessa forma.
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TGZ: Tudo
se iniciou (Agosto de 2000)com o nome Wind
Of fate, por que e quem determinou a mudança
para Panndora? |
Kamila – Mudamos porque achamos
que não condizia com a nossa proposta.
Ainda éramos uma banda de cover, e
não sabíamos qual tipo de som
próprio faríamos, mas aos poucos
fomos delineando a idéia de algo direto
e agressivo, genuíno e autêntico,
e procuramos um nome que passasse essa idéia;
achamos que “Panndora” tinha essas
características.
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TGZ: Comente
sobre as maiores dificuldades e empecilhos
iniciais quando se juntaram com o ideal fincado
no Metal tradicional. |
Kamila – Na verdade, quando nos
juntamos não tínhamos um ideal
fincado no Metal tradicional, a idéia
foi surgindo aos poucos, com o desenvolvimento
da banda, mas nisso não tivemos dificuldade
nenhuma, já que foi algo natural que
aconteceu quando eu e a Adriane inventamos
de começar a compor (risos), e a idéia
foi muito bem recebida pelos amigos, que sempre
nos apoiaram desde o início, e do público,
que conheceu nossos primeiros passos. É
muito difícil um banger que não
curta um som tradicional, por isso, somos
sempre bem recebidas.
Adrismith - Como toda banda iniciante
encontramos as dificuldades básicas
normais, como local para ensaiar, equipamento,
falta de apoio (pois poucas pessoas dão
fé na sua dedicação).
Mas com o tempo fomos enfrentando as dificuldades
e sei ainda que enfrentaremos muito mais,
mas estamos de cabeça erguida e prontas
para a guerra quando e como ela começar,
sempre.
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TGZ: Como
se deu a entrada de Jhovanny na banda? |
Kamila - Estávamos sem baixista
fixo há mais de um ano, e nesse passo,
já tínhamos desistido de aceitar
somente uma garota para completar a banda,
porque se insistíssemos nisso, estaríamos
sem bass até hoje. Conhecia o Jhovanny
de vista, e um amigo me passou o telefone
dele, dizendo que ele toparia tocar um heavy.
Assim, fizemos o contato, passamos uma fita
com as músicas que nós tirávamos,
ele curtiu e ficou. A presença masculina
entre uma maioria de garotas acaba sendo interessante
e, no mais, acho que nenhum outro cara suportaria
nossa presença e as pérolas
que nós soltamos nos ensaios (risos).
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TGZ: Em
Outubro de 2003 fora lançada a Demo
" Choose your side", o que retratam
as letras transpassadas nas duas faixas presentes? |
Kamila – Nessas duas faixas, as
letras são voltadas ao épico,
guerra e conflitos pessoais, de uma forma
um tanto sombrio.
Adrismith - As letras de Choose Your
side falam de uma situação onde
é feita uma relação épica
com os dias atuais e sobre o sentimento de
ódio do ser humano.
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TGZ: Inclusive,
na sonoridade da Demo, há pegadas firmes
nas passagens tradicionais do Power Metal,
ótimas cavalgadas à Running
Wild e tal, mas a vocalista precisou inserir
um tanto mais de "punch" nas mesmas;
foi a critica na 1ª edição
do ThunderGod como sabes, Natalia já
vem trabalhando esse quesito? |
Kamila – Acho que ela poderá
dar maiores detalhes sobre o seu trabalho
(risos), mas sim, não só nos
vocais, como
nos backings estamos nos preocupando mais
com isso, procurando melhorar sempre.
Adrismith - A qualidade da gravação
também não ajudou muito e por
vários motivos e um deles foi a nossa
precipitação em gravar, pois
necessitávamos de mais ensaios e também
na parte vocal.
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TGZ: Ainda
no contexto, como vocês reagem a críticas
construtivas como tal, visto que têm
bandas que não aceitam nem mesmo esses
tipos de críticas ? |

Kamila – Acho muito pedantismo
não aceitar críticas construtivas.
Creio que são fundamentais para o crescimento
e progresso de uma banda, ou então,
o mais aconselhável é se fechar
numa redoma e se alienar do resto do mundo.
Acho extremamente positivo. Ninguém
está aqui pedindo confete; queremos
nos profissionalizar, portanto, precisamos
e pedimos críticas construtivas.
Adrismith - Críticas construtivas
são sempre bem vindas e isso ajuda
no desenvolvimento e evolução
da banda. O que não se pode aceitar
é crítica destrutiva, pois ninguém
tem o direito de julgar a banda sem saber
o esforço e dedicação
do mesmo.
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TGZ: O
Paraná é um forte centro de
todas as vertentes do Metal, a Panndora tem
tido o seu devido espaço na cena da
região, em quais sentidos ? |
Kamila – Posso dizer que estamos
tendo sim, um espaço por aqui. Temos
recebido um número considerável
de convites para shows na nossa região
e muito apoio da galera, que curte, adquire
a demo, e dá força mesmo. Só
temos que agradecer.
Adrismith - Sim, o Paraná
sempre foi uns dos berços de todas
as vertentes do Metal, isso é muito
legal, sem dúvida. Temos nosso espaço
sem dúvida, tocamos com bandas de outras
vertentes do Metal também e cada um
tem seu espaço e todos saem satisfeitos.
Acho que isso tem que rolar e não essa
desunião dentro do próprio Metal.
Metal é Metal, sendo com honestidade.
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TGZ: E
como tem sido a reação do público
nos shows realizados, caso queira enfatizar
algum (uns), sinta-se livre... |
Kamila – Tem sido a melhor possível,
e estamos super satisfeitos. O pessoal agita,
bate muita cabeça, canta as músicas
da demo, nos trata super bem. Poderia citar
nosso último show, aqui em Cascavel,
no Paraná, foi uma destruição
total, o pessoal de lá é extremo.
Adrismith - A reação
do público tem sido muito boa e isso
nos deixa muito felizes, pois nosso trabalho
está mostrando seus frutos. Nosso ultimo
show, que foi em Cascavel-PR, no dia 11/09,
nos surpreendeu pra caramba, a cena lá
é muito legal e fomos muito bem recebidas.
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TGZ: No
meio Metalizado ainda existem mentalidades
conservadoras de muitos bangers com pensamento
machista de enxergar as mulheres somente como
'groupies', sem distinguir das que assumem
sua postura real de headbanger como tem aumentado
com os tempos... O que pensa a respeito e
se já sofreram algo do tipo ? |
Kamila – Olha, normalmente eu me
emociono pra falar sobre esse assunto (risos)
porque sou uma eterna revoltada
a todo tipo de conservadorismo e dogmas reacionários.
Mas é claro que isso ainda infesta
a cena, e somos alvo, naturalmente. Volta
e meia aparece um infeliz pra dizer que não
prestou atenção no show porque
estava concentrado nas meninas..., Ou outros
que vêm nos dizer que as mulheres no
Metal só servem pra “dar”
pros caras das bandas... Fazer o que né,
não dá pra simplesmente eliminar
(risos). O único jeito é mostrar
cada vez mais que somos musicistas e estamos
aqui pra fazer um trabalho sério e
honesto.
Adrismith - Na verdade, muitas mulheres
fizeram jus a ter essa imagem, com certeza,
mas nem todas estão no Metal para isso
e muito pelo contrário, o que tenho
visto por aí, é muita mulherada
dando um “banho” em muitos caras
que se acham os fodões, mas se for
ver, não dão o sangue pelo Metal
porra nenhuma e nem levam tão a sério.
Hoje em dia as informações e
a facilidade de adquirir um som são
mais fáceis, mas não é
por isso que você não vai dar
valor né.
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TGZ: Adriane,
quero relatar uma nobre atitude sua perante
ao ThunderGod, sabendo-se de toda a dificuldade
enfrentada na 1ª edição,
apesar de já teres enviado a demo para
a troca de suporte comum, isto é, quando
sair o zine eu te enviar o exemplar, ainda
fez questão de mandar um dinheiro relacionado
para obter o mesmo ( o que não era
necessário, pois o trato não
foi tal). Enfim, um ato simples e significativo
pela digna compreensão espontânea,
pois muitos falam valorizar zines, porém
poucos praticam atitudes valorosas como esta,
e como eu sei disso. Gostaria de complementar
? |
Adrismith - É aquele lance, se
você está na cena Metal, no Underground,
deve entender e tentar fazer algo por ela.
E essa atitude não foi só por
querer ajudar, mas sim pelo esforço
reconhecido. Muita gente não tem noção
do quanto dá trabalho publicar um zine
(por anos eu fazia um zine de um fã-clube
e sei muito bem das dificuldades). Se cada
um fizer sua parte e parar de reclamar, com
certeza o Metal nacional já era para
ter atingido um nível maior, com shows
decentes para as bandas tocarem, equipamentos
melhores, gravações e zines
de qualidade. É muito fácil
criticar quando se o mesmo que critica, não
faz nada!
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TGZ: A
Panndora saiu na 'ThunderGod Compilation Vol.
I' com a faixa "Other Life", qual
a sua opinião sobre o trabalho de coletâneas
independentes ? |
Kamila – Acredito que devem ser
cada vez mais valorizados, porque contribuem
enormemente para o underground, principalmente
pras bandas novas, que estão ainda
se projetando, como nós. Com certeza
é um grande e admirável trabalho,
que merece todo o incentivo.
Adrismith - Acho muito importante
pelo lance da divulgação da
própria banda, isso ajuda muito.
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TGZ: Quando
sairá o debut Cd e como vem sendo os
seus preparativos de produção
e composição no geral? |
Kamila – Ainda não temos
uma data exata, mas temos planos para fazer
algo ainda nesse fim de ano.
Adrismith - A maior dificuldade que
encontramos é na questão financeira
para gravarmos. Assim que conseguirmos, com
certeza iniciaremos a gravação
e temos a intenção de gravar
umas 8 músicas.
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TGZ: Valeu
amigas pela entrevista, muita força
para vocês !!! Assinem suas considerações...
!!! |
Kamila – Te agradeço muito
pela oportunidade, é sempre muito bacana
receber um convite pra uma entrevista, grande
apoio mesmo e ficamos super agradecidos.
Adrismith - Agradeço você
pela oportunidade de conceder essa entrevista.
Espero que continue com esse trabalho e que
não desista, pois só os fracos
desistem. Mais uma vez obrigado.
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