» ENTREVISTA: REBAELLIUN «

} Realizada por: LeatherFace (Colaborador)

} Respondida por: Lohy Fabiano e Fabiano Penna

Rebaelliun

CONTATOS:

* Infelizmente a banda acabou, mas fica aqui as nossas saudações através dessa homenagem em entrevista feita na época de sua existência, que não havia sido publicada até então... Leia !

TGZ: Apesar das mudanças de formação “Annihilation” é um grande trabalho de Death Metal, vocês sentiram alguma pressão por parte dos fãs, da gravadora ou mesmo de vocês a respeito do futuro do Rebaelliun?

Fabiano Penna:
A pressão sempre vem de nós mesmos, estamos sempre estabelecendo novas metas dentro da banda pra gente ir mais longe. Tivemos uma forte resposta do nosso primeiro álbum “Burn The Promissed Land”, algumas turnês rolaram pra promover este álbum e o Rebaelliun se tornou uma banda mundialmente conhecida. Sabíamos que tínhamos que fazer um disco muito superior ao “Burn...” pra que a banda continuasse a crescer. Estipulamos uma meta em relação ao novo álbum e acho que acabamos ultrapassando esta meta, pois o “Annihilation” é um disco muito extremo e com uma qualidade técnica acima da média.


TGZ: A capa do “Annihilation” mostra o interior de uma igreja em chamas. De quem foi a concepção desta ótima idéia?

Lohy Fabiano:
A concepção, bem como a arte em si da capa do “Annihilation” foi feita por Jacek Wisniewski, que já fez capas pro Vader, Centurian, e com certeza é um ótimo artista. A gravadora nos passou algumas concepções de capa, aí nos deparamos com a que Jacek havia feito. Então percebemos que aquela capa continha perfeitamente o espírito do álbum e fechava com o título, as letras e o principal que é o som.


TGZ: Dentro do Encarte do “Annihilation” traz a seguinte frase: “Na vida há poucas oportunidades de ser um herói, mas sempre existe chance de não ser um covarde”. O que vocês querem passar com essa frase?

Lohy:
Essa frase expressa a forma como pensamos e encaramos essa vida, o mundo não precisa de heróis, mas de pessoas capazes de guiar seus próprios destinos, sem se acovardar diante de situações adversas. Todos os dias vencemos uma batalha, tocando um estilo que não é popular e não faz parte do mainstream. Estamos fazendo a nossa parte, nadando contra a maré, sem nos deixar acovardar.


TGZ: Sei que vocês possuem um forte sentimento anticristão, gostaria que falasse a respeito de religiões como o cristianismo. E qual a posição de vocês sobre os dogmas impostos por essas entidades?

Lohy:
Todas as religiões são uma forma de fuga que o homem criou para afastar o medo e a angustia de não saber por que esta aqui nesse mundo. Os dogmas criados pelas religiões, principalmente as religiões cristãs, privam o homem do seu bem mais valioso que é a liberdade de pensamento. Somos contra qualquer forma de dominação mental, e o cristianismo com certeza é uma delas.


TGZ: Vocês tocaram com o polêmico Mystic Circle na Europa e presenciaram uma manifestação contra essa banda. Sentiram receio de tocar ao lado dessa banda por parte desse ocorrido? E o que acham de bandas que iniciaram seu som Death, e depois mudaram radicalmente para Black Metal, como fez o Mystic Circle na época da explosão do Black Metal?

Fabiano Penna:
Rolaram umas tretas com o Mystic Circle num show em Berlim, eles não são muito bem vistos na Alemanha e todo mundo achou que ia rolar uma pancadaria no show em Berlim, pois algumas facções radicais tinham colado cartazes na frente do local do show, na hora do show ninguém apareceu lá e ficou tudo tranqüilo, nós não nos preocupamos, pois o problema não era com a gente, estávamos lá fazendo nosso trabalho e não teria motivo pra ninguém zoar com nosso show.
Sobre essas mudanças de sonoridade, acho que cada um é livre para fazer o que quiser com a sua música, o público não é burro e vai selecionar as bandas que estão fazendo um som honesto ou não, e é isto que acontece.


TGZ: Hoje o cenário Death não é tão grande como antes, muitas bandas acabaram e outras mudaram radicalmente seu som, como vocês comparam o Death do final dos anos oitenta e inicio dos anos noventa, com as das bandas atuais?

Lohy:
Acredito que no final dos anos 80 e inicio dos anos 90, o Death Metal teve uma grande exposição, devido ao fato de grandes bandas como Morbid Angel, Cannibal Corpse, Deicide estarem surgindo e aquilo tudo era uma novidade, então o Death Metal atingiu outro patamar. E é exatamente o que aconteceu no final dos anos 90 como Krisiun, Angel Corpse (que infelizmente acabou), que realmente inovaram o Death Metal, fazendo um som ainda mais veloz, visceral e extremo. Eu não diria que antes o cenário era maior, pois hoje temos mais estrutura, e mais gravadoras, bem como mídia especializada. Agora, quanto as bandas que mudaram seu estilo, acredito que quem faz Death Metal por que gosta e faz honestamente prevalecerá. É o caso do Morbid Angel, que tem lançado um disco mais matador que o outro, sem perder o “feeling” do estilo, alcançando cada vez mais público.

TGZ: Muitas bandas de Black Metal têm assumido uma sonoridade tão agressiva quanto o Death Metal, o que você acha desta reviravolta?

Lohy:
Acho que o Black Metal e o Death Metal tem muitos aspectos em comum, tanto liricamente como no som, que é agressivo e extremo. Realmente existem mais bandas de Black Metal fazendo um som mais agressivo, mostrando que as bandas estão sentindo necessidade de brutalizar o som. O mundo em que vivemos tem se brutalizado e ficado cada vez mais extremo, e eu não me admiro, por que o Death Metal e o Black Metal lidam com o mal do ser humano, e o som tem caminhado junto com esta situação que se agrava todos os dias, ficando mais rápido e agressivo.


TGZ: O que acha do termo “Death Metal Melódico”, que é atribuído a algumas bandas como o Dark Tranquility? E você aprecia a proposta dessas bandas?

Lohy:
Death Metal significa: Brutalidade, Agresividade e Extremismo!!!!!!!. Não sei se Death Metal melódico seria um bom termo para classificar essas bandas, me soa meio contraditório. Eu particulamente não gosto desse estilo. Geralmente são ótimos músicos, mas infelizmente não ouvi nenhuma banda que me chamasse à atenção.


TGZ: O Rebaelliun alcançou uma posição de respeito, mas não apenas no Brasil, mas no underground extremo internacional também !!!!!! Porém ótimas bandas surgem no Brasil e desaparecem devido ao descaso do público que preferem dar atenção ao cenário europeu, por exemplo. Não concorda que o Brasil possui um dos melhores, senão o melhor cenário de Metal no que diz respeito às bandas, e não deixamos nada a dever para as bandas de fora?

Lohy:
Com certeza! O Brasil possui ótimas bandas, que não deixam não devem nada para as bandas internacionais. O que realmente falta é mais suporte por parte do público, que às vezes deixa de ajudar uma banda nacional por puro preconceito. Esta situação está mudando, mas temos que nos unir mais, e mudar de vez este status. Lá fora o público respeita e cultua muitas bandas do Brasil, só falta o público daqui fazer a sua parte, para termos um cenário mais concreto e fortalecido.

TGZ: Muito Obrigado e deixe suas palavras finais ..............

Lohy:
Obrigado Leatherface pelo apoio e espaço. Continuem ajudando a fortalecer o underground nacional, indo a shows e fazendo a sua parte. Gostaria também de mandar um Alô para a galera do Rio de Janeiro que nos deu uma puta força, esperamos ver vocês todos na próxima turnê.


 
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