» ENTREVISTA: SORTILEGIO «
} Realizada por: Cezar Augusto
} Respondida por: Sérgio
Sortilégio

CONTATOS:

A/c Sergio Wattanabe
Rua das Rosas, 5459, Cohab
Porto Velho/RO - 78911-530
sortilegioband@yahoo.com.br


A
Sortilégio é uma banda que integra o desconhecido cenário de Rondônia e com muita honestidade e humildade o sexteto aplica sua sonoridade simples e precisa em composições transpassadas de forma direta e cadenciada segundo suas várias influências comuns; procurando como todas as bandas do underground, “o seu lugar ao sol”.
O brother Sérgio Watannabe (guitarrista) expôs com calma os ideiais, dissecando os assuntos abordados...

TGZ: Salute brother Sergio!Como foram as situações que ocasionaram na formação da Sortilégio ?

Sérgio:
Em meados de 1997, Alberto (D) e Marconi (B), tinham em mente formar uma banda de Metal até então inédita no Estado de Rondônia que tocasse um som pesado e sombrio sob as influências de bandas como Dissection, Venom, Motorhead etc... Eu não tocava em nenhuma banda, e um amigo em comum uma vez me abordou dizendo q tinha uns caras tocando um som do tipo que eu curtia... Ele me levou lá e me apresentou ao Alberto... A química foi imediata para o início de toda a história... A primeira formação contava com Alberto (D), Camarão (V), Marconi (B) e Sergio (G). Após 4 anos, tivemos a troca de baixista e mais precisamente em 2002, a tecladista Ester é integrada à Sortilégio pra finalizar tivemos duas ultimas mudança na formação com a entrada de Raul na segunda guitarra e Anderson no baixo.

TGZ: As dificuldades fazem parte do circulo energético de objetivos, mas sendo em Rondonia, as coisas devem ter sido mais problemáticas ainda para a solidificação da banda em meio a pequena cena de shows etc, não?

Sérgio:
Como eu disse antes, a Sortilégio foi a primeira banda de Metal que surgiu aqui. A cena que existia era predominada por bandas punk e hardcore e o espaço pra qualquer tipo de som mais extremo era nulo. Mas por incrível que pareça o nosso primeiro show teve uma recepção muito positiva por parte do público, o que nos fez ter a noção naquele exato momento, de que realmente havia bangers na cidade. Foi um momento único pra todos nós que pudemos de fato, traçar nossas metas em relação a ajudar na construção de uma cena metálica realmente sólida em Porto Velho. Apenas lembrando que tivemos como companheiros nessa nossa primeira batalha, as bandas Dream Healer e Silver Cry de Rio Branco (Acre). E de fato, até hoje enfrentamos dificuldades para realizar shows e eventos de Metal. Pra shows de axé, forró e pagode sempre existe uma estrutura forte para amparar, sempre há apoio. Temos a consciência que tudo o que rolou aqui em se tratando de shows, foi por esforço de toda a galera que não desiste de um dia ver estabilizada uma cena.

TGZ: Sortilégio foi concebido por qual das mentes insanas e há alguma razão específica para tal?

Sérgio:
Esse nome já vinha de um consenso entre o Alberto e o Marconi, pois assuntos relacionados à magia sempre foram de interesse da banda. Na verdade esse nome havia acabado de ser concebido à banda quando entrei.

TGZ: Comece por falar agora das letras das músicas que compõem a demo lançada, e também a escolha de ter faixas em português e em inglês?

Sérgio:
A liberdade nas composições nos fizeram optar por algumas letras em inglês e outras em português, visto que a assimilação das letras em português por parte do público é muito mais rápida. Porém, sabemos que o inglês é o idioma padrão para o Metal, não por obrigação, mas para termos uma diversidade maior temos letras também neste idioma.

TGZ: A sonoridade da banda é simplória e cadenciada com um feeling intrínseco, como você definiria a fórmula da “feitiçaria” transposta no equilibrado peso junto a teclados bem simples encaixados?

Sérgio:
Sempre tivemos o cuidado para saber como nossa música soaria... Não somos virtuoses nos instrumentos (não temos nada contra), mas procuramos acima de tudo, fazer algo que está dentro de nossas limitações como músicos, mas verdadeiro, com sinceridade. O público entende isso e assimila o som da Sortilégio de uma maneira que de certa forma nos surpreende bastante. É lógico que procuramos nos aperfeiçoar e aprender mais a cada dia em relação à técnica, porém sem nunca perder o feeling e o punch.

TGZ: Pois é, e sendo de feitio direto, sem quaisquer frescuras nos andamentos coesos...O que você opinaria sobre músicos que encaixam suas técnicas apuradas e não têm aquele sentimento Metalizado para energizar as próprias composições de suas bandas?

Sérgio:
Quando feito com sinceridade e objetivo acho que é até válido quando um músico competente tente mostrar serviço. Porém, música não é só técnica, solos ultravelozes e composições super complicadas do começo ao fim de uma música... Devemos usar o bom senso e saber a hora em que a música necessita respirar, pois, por exemplo, num show, se uma banda começa a tocar um repertorio carregado de técnica, vai ser como se estivesse jogando um balde de água fria na galera... Desanima mesmo. Excesso de informação musical é muito cansativo, portanto, equilíbrio entre técnica e feeling são mais que necessários para uma banda se destacar.

TGZ: Onde tem sido divulgado o vosso material e como vem sendo as criticas nesses meios? E, além disso, como tem sido a reação de vocês perante a receptividade underground?

Sérgio:
Infelizmente sempre estivemos limitados à nossa região, por isso quase ninguém fora de Rondônia e Acre sabe da nossa existência, mas depois que começamos a divulgar nossas músicas pela internet, tivemos a grata surpresa das pessoas gostarem do nosso trabalho, o que nos orgulha muito e incentiva a buscarmos algo mais dentro da cena underground brasileira.

TGZ: Até agora, vocês tocaram am algum outro local, senão Rondônia?

Sérgio:
Apenas em Rio Branco no Acre, lá eles tem uma cena que passa por problemas semelhantes aos nossos.

TGZ: Qual seu ponto de vista direcionado aos temas: Religião, Radicalismos, Guerras e Política?

Sérgio:
Religião - Apenas uma forma de manipulação das massas, onde se cria um clima de temor, falso arrependimento em busca de uma dita redenção no fim de tudo. Ora, é só olharmos para a história e vermos os absurdos cometidos em nome de uma crença ou religião. E o que vemos hoje? Pastores dentro de carros importados, donos de emissoras de rádio e televisão e o povo, enganado feito trouxa colocando tudo que tem para manter a causa. Deprimente. Ah, também tem os padres parecendo professores de aeróbica e hidroginástica comandando a “maromba” divina. Não sou satanista ou qualquer coisa do gênero, não cultuo a nada. Apenas acho que as pessoas deveriam usar mais os cérebros para resolverem seus problemas dentro da realidade e não ficarem buscando soluções numa organização religiosa imoral. Radicalismo - Pode parecer controverso ao que eu disse a respeito da religião, mas em se tratando de radicalismo, sou da opinião que cada um deve embarcar na sua onda. Mas, de maneira alguma, tentar impor sua vontade aos que estão à sua volta.
Isso é um absurdo. Radicalismos religioso, político e musical só gera discórdia, falsidade e ódio.

TGZ: E qual sua visão sobre a morte terrena inevitável? Crenças pós-vida, descrenças, enfim...Comente.

Sérgio:
Taí uma coisa que de fato temos certeza, realmente nosso ciclo aqui tem um começo meio e fim. Posso eu sugerir que de fato existam outros planos existenciais, pois me recuso a crer que tudo pelo qual um ser humano passa desde seu nascimento até sua morte como sorrir, chorar, amar, odiar, gerar, pensar e sonhar, simplesmente seja apagado quando a “Dama de Preto” chega. Só não me apego a religiões e charlatanismos para tentar entender ou explicar isso.

TGZ: O quê tu conhece da cena baiana de Metal; bandas, zines, bangers?

Sérgio:
Olha, bandas eu conheço o grande Headhunter DC, o Mystifier, o Drearylands... zines por enquanto apenas o Thundergod, e amigos além de você Cezar, já tive o privilégio de trocar idéias com vários bangers baianos, todos muito legais e íntegros.

TGZ: Cite algum fato curioso e/ou engraçado sobre a Sortilégio.

Sérgio:
Ah tem tanta coisa... Já tivemos situações ridículas como ficar a pé no fim do show, o povo todo ir embora e nós ficarmos boiando no local. Também teve uma vez que uma menina meio travada (cachaça) insistia para a gente tocar um som do Dark Funeral e quando o show acabou ela veio nos parabenizar por termos tocado o som que ela queria... só que não havíamos em hipótese alguma tocado Dark Funeral. Ah teve show no qual o pessoal da Zadoque de Rio Branco começou a estender uma faixa no meio da galera com os dizeres “Só Jesus Salva” e os presentes completavam verbalmente com “as contas do pastor”...

TGZ: Vocês estão compondo músicas novas, né? Com intenção já para um debut cd ou para a 2ª demo mesmo?

Sérgio:
Sim, trabalhando na composição de novas músicas e nosso objtevo é o de lançar um cd independente no próximo ano. Pensamos na possibilidade de enviar algo para as gravadoras, mas temos inicialmente a idéia de concebermos o trabalho sozinhos e tentar firmar um acordo de distribuição com alguma gravadora.

TGZ: Rapaz, valeu por ser colaborador do ThunderGod e, mais ainda, por essa troca de idéias “informativamente” underground (risos). Manda teu recado...

Sérgio:
Eu gostaria de agradecer imensamente a oportunidade que o Thundergod Zine está dando à banda Sortilégio de se apresentar ao restante do Brasil, visto que esta é nossa primeira entrevista para um webzine. E também para dizer aos desavisados de plantão que aqui em Rondôna (que muitas vezes confundem com Roraima) existem guerreiros que lutam com todas as forças para que a chama do Metal jamais se apague e que continuaremos na batalha sempre com o objetivo de ver a cena crescer. Pessoalmente, muito obrigado Cezar por me possibilitar a honra de ser colaborador de um veículo de divulgação do Metal no Brasil tão bem feito e honesto. Tenho orgulho disso! Muito obrigado e muito Metal na cabeça!
 
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