}
Realizada por: Cezar
Augusto
} Respondida
por: Sérgio
Sortilégio
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A
Sortilégio é uma banda que integra
o desconhecido cenário de Rondônia
e com muita honestidade e humildade o sexteto
aplica sua sonoridade simples e precisa em
composições transpassadas de
forma direta e cadenciada segundo suas várias
influências comuns; procurando como
todas as bandas do underground, “o seu
lugar ao sol”.
O brother Sérgio Watannabe (guitarrista)
expôs com calma os ideiais, dissecando
os assuntos abordados...
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TGZ:
Salute brother Sergio!Como foram as situações
que ocasionaram na formação
da Sortilégio ? |
Sérgio: Em meados de 1997, Alberto
(D) e Marconi (B), tinham em mente formar
uma banda de Metal até então
inédita no Estado de Rondônia
que tocasse um som pesado e sombrio sob as
influências de bandas como Dissection,
Venom, Motorhead etc... Eu não tocava
em nenhuma banda, e um amigo em comum uma
vez me abordou dizendo q tinha uns caras tocando
um som do tipo que eu curtia... Ele me levou
lá e me apresentou ao Alberto... A
química foi imediata para o início
de toda a história... A primeira formação
contava com Alberto (D), Camarão (V),
Marconi (B) e Sergio (G). Após 4 anos,
tivemos a troca de baixista e mais precisamente
em 2002, a tecladista Ester é integrada
à Sortilégio pra finalizar tivemos
duas ultimas mudança na formação
com a entrada de Raul na segunda guitarra
e Anderson no baixo.
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TGZ: As
dificuldades fazem parte do circulo energético
de objetivos, mas sendo em Rondonia, as coisas
devem ter sido mais problemáticas ainda
para a solidificação da banda
em meio a pequena cena de shows etc, não? |

Sérgio: Como eu disse antes, a
Sortilégio foi a primeira banda de
Metal que surgiu aqui. A cena que existia
era predominada por bandas punk e hardcore
e o espaço pra qualquer tipo de som
mais extremo era nulo. Mas por incrível
que pareça o nosso primeiro show teve
uma recepção muito positiva
por parte do público, o que nos fez
ter a noção naquele exato momento,
de que realmente havia bangers na cidade.
Foi um momento único pra todos nós
que pudemos de fato, traçar nossas
metas em relação a ajudar na
construção de uma cena metálica
realmente sólida em Porto Velho. Apenas
lembrando que tivemos como companheiros nessa
nossa primeira batalha, as bandas Dream Healer
e Silver Cry de Rio Branco (Acre). E de fato,
até hoje enfrentamos dificuldades para
realizar shows e eventos de Metal. Pra shows
de axé, forró e pagode sempre
existe uma estrutura forte para amparar, sempre
há apoio. Temos a consciência
que tudo o que rolou aqui em se tratando de
shows, foi por esforço de toda a galera
que não desiste de um dia ver estabilizada
uma cena.
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TGZ:
Sortilégio foi concebido por qual
das mentes insanas e há alguma razão
específica para tal? |
Sérgio: Esse nome já vinha
de um consenso entre o Alberto e o Marconi,
pois assuntos relacionados à magia
sempre foram de interesse da banda. Na verdade
esse nome havia acabado de ser concebido à
banda quando entrei.
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TGZ: Comece
por falar agora das letras das músicas
que compõem a demo lançada,
e também a escolha de ter faixas em
português e em inglês? |
Sérgio: A liberdade nas composições
nos fizeram optar por algumas letras em inglês
e outras em português, visto que a assimilação
das letras em português por parte do
público é muito mais rápida.
Porém, sabemos que o inglês é
o idioma padrão para o Metal, não
por obrigação, mas para termos
uma diversidade maior temos letras também
neste idioma.
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TGZ: A
sonoridade da banda é simplória
e cadenciada com um feeling intrínseco,
como você definiria a fórmula
da “feitiçaria” transposta
no equilibrado peso junto a teclados bem simples
encaixados? |
Sérgio: Sempre tivemos o cuidado
para saber como nossa música soaria...
Não somos virtuoses nos instrumentos
(não temos nada contra), mas procuramos
acima de tudo, fazer algo que está
dentro de nossas limitações
como músicos, mas verdadeiro, com sinceridade.
O público entende isso e assimila o
som da Sortilégio de uma maneira que
de certa forma nos surpreende bastante. É
lógico que procuramos nos aperfeiçoar
e aprender mais a cada dia em relação
à técnica, porém sem
nunca perder o feeling e o punch.
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TGZ: Pois
é, e sendo de feitio direto, sem quaisquer
frescuras nos andamentos coesos...O que você
opinaria sobre músicos que encaixam
suas técnicas apuradas e não
têm aquele sentimento Metalizado para
energizar as próprias composições
de suas bandas? |
Sérgio: Quando feito com sinceridade
e objetivo acho que é até válido
quando um músico competente tente mostrar
serviço. Porém, música
não é só técnica,
solos ultravelozes e composições
super complicadas do começo ao fim
de uma música... Devemos usar o bom
senso e saber a hora em que a música
necessita respirar, pois, por exemplo, num
show, se uma banda começa a tocar um
repertorio carregado de técnica, vai
ser como se estivesse jogando um balde de
água fria na galera... Desanima mesmo.
Excesso de informação musical
é muito cansativo, portanto, equilíbrio
entre técnica e feeling são
mais que necessários para uma banda
se destacar.
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TGZ:
Onde tem sido divulgado o vosso material
e como vem sendo as criticas nesses meios?
E, além disso, como tem sido a reação
de vocês perante a receptividade underground?
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Sérgio: Infelizmente sempre estivemos
limitados à nossa região, por
isso quase ninguém fora de Rondônia
e Acre sabe da nossa existência, mas
depois que começamos a divulgar nossas
músicas pela internet, tivemos a grata
surpresa das pessoas gostarem do nosso trabalho,
o que nos orgulha muito e incentiva a buscarmos
algo mais dentro da cena underground brasileira.
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TGZ:
Até agora, vocês tocaram
am algum outro local, senão Rondônia?
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Sérgio: Apenas em Rio Branco no
Acre, lá eles tem uma cena que passa
por problemas semelhantes aos nossos.
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TGZ:
Qual seu ponto de vista direcionado aos
temas: Religião, Radicalismos, Guerras
e Política? |
Sérgio: Religião - Apenas
uma forma de manipulação das
massas, onde se cria um clima de temor, falso
arrependimento
em busca de uma dita redenção
no fim de tudo. Ora, é só olharmos
para a história e vermos os absurdos
cometidos em nome de uma crença ou
religião. E o que vemos hoje? Pastores
dentro de carros importados, donos de emissoras
de rádio e televisão e o povo,
enganado feito trouxa colocando tudo que tem
para manter a causa. Deprimente. Ah, também
tem os padres parecendo professores de aeróbica
e hidroginástica comandando a “maromba”
divina. Não sou satanista ou qualquer
coisa do gênero, não cultuo a
nada. Apenas acho que as pessoas deveriam
usar mais os cérebros para resolverem
seus problemas dentro da realidade e não
ficarem buscando soluções numa
organização religiosa imoral.
Radicalismo - Pode parecer controverso ao
que eu disse a respeito da religião,
mas em se tratando de radicalismo, sou da
opinião que cada um deve embarcar na
sua onda. Mas, de maneira alguma, tentar impor
sua vontade aos que estão à
sua volta.
Isso é um absurdo. Radicalismos religioso,
político e musical só gera discórdia,
falsidade e ódio.
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TGZ:
E qual sua visão sobre a morte
terrena inevitável? Crenças
pós-vida, descrenças, enfim...Comente.
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Sérgio: Taí uma coisa que
de fato temos certeza, realmente nosso ciclo
aqui tem um começo meio e fim. Posso
eu sugerir que de fato existam outros planos
existenciais, pois me recuso a crer que tudo
pelo qual um ser humano passa desde seu nascimento
até sua morte como sorrir, chorar,
amar, odiar, gerar, pensar e sonhar, simplesmente
seja apagado quando a “Dama de Preto”
chega. Só não me apego a religiões
e charlatanismos para tentar entender ou explicar
isso.
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TGZ:
O quê tu conhece da cena baiana
de Metal; bandas, zines, bangers? |
Sérgio: Olha, bandas eu conheço
o grande Headhunter DC, o Mystifier, o Drearylands...
zines por enquanto apenas o Thundergod, e
amigos além de você Cezar, já
tive o privilégio de trocar idéias
com vários bangers baianos, todos muito
legais e íntegros.
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TGZ: Cite
algum fato curioso e/ou engraçado sobre
a Sortilégio. |
Sérgio: Ah tem tanta coisa...
Já tivemos situações
ridículas como ficar a pé no
fim do show, o povo todo ir embora e nós
ficarmos boiando no local. Também teve
uma vez que uma menina meio travada (cachaça)
insistia para a gente tocar um som do Dark
Funeral e quando o show acabou ela veio nos
parabenizar por termos tocado o som que ela
queria... só que não havíamos
em hipótese alguma tocado Dark Funeral.
Ah teve show no qual o pessoal da Zadoque
de Rio Branco começou a estender uma
faixa no meio da galera com os dizeres “Só
Jesus Salva” e os presentes completavam
verbalmente com “as contas do pastor”...
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TGZ:
Vocês estão compondo músicas
novas, né? Com intenção
já para um debut cd ou para a 2ª
demo mesmo? |
Sérgio: Sim, trabalhando na composição
de novas músicas e nosso objtevo é
o de lançar um cd independente no próximo
ano. Pensamos na possibilidade de enviar algo
para as gravadoras, mas temos inicialmente
a idéia de concebermos o trabalho sozinhos
e tentar firmar um acordo de distribuição
com alguma gravadora.
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TGZ:
Rapaz, valeu por ser colaborador do ThunderGod
e, mais ainda, por essa troca de idéias
“informativamente” underground
(risos). Manda teu recado... |
Sérgio: Eu gostaria de agradecer
imensamente a oportunidade que o Thundergod
Zine está dando à banda Sortilégio
de se apresentar ao restante do Brasil, visto
que esta é nossa primeira entrevista
para um webzine. E também para dizer
aos desavisados de plantão que aqui
em Rondôna (que muitas vezes confundem
com Roraima) existem guerreiros que lutam
com todas as forças para que a chama
do Metal jamais se apague e que continuaremos
na batalha sempre com o objetivo de ver a
cena crescer. Pessoalmente, muito obrigado
Cezar por me possibilitar a honra de ser colaborador
de um veículo de divulgação
do Metal no Brasil tão bem feito e
honesto. Tenho orgulho disso! Muito obrigado
e muito Metal na cabeça!
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