» ENTREVISTA: VEULIAH «

Realizada por: Elimar Oliveira

Respondida por:
Márcio e Fábio

Veuliah

Contacts: Maniac Recs
Av. Manoel Dias da Silva, 1759
Shop. Vivi Center-Pituba-Salvador/BA
41.830-000 maniac@maniacrecords.com.br

TGZ: É uma história de dificuldades e perseverança que em muitos casos são responsáveis pelo fim precoce de uma banda. Houve momentos em que vocês pensaram em parar? Houve também momentos decisivos para continuar, certo?

Márcio:
Como qualquer trajetória por um objetivo, as metas em muitos momentos deparam-se com barreiras que desanimam, desmotivando a continuidade em alcançar esse objetivo, levando a necessidade de mudanças energéticas, como uma verdadeira injeção de ânimo. Nesses anos de existência tivemos muitas dessas barreiras que de certa forma enfraqueceram em alguns períodos, fatos normais de qualquer banda a procura do profissionalismo. E a maior dessas barreiras, foi exatamente a inconstância de membros da banda, que em muitos casos foi marcada pela ausência de responsabilidade em canalizar o objetivo comum. Vários momentos decisivos ocorreram, principalmente no início, com a procura das pessoas certas, e há pouco tempo com a gravação do single “Black Spirit”, resultando no Cd “Deep Visions Of Unreality”.

TGZ: Ao longo desses quase dez anos, a cena baiana foi crescendo, nomes firmando-se e também surgindo outras bandas, qual a visão do Veuliah sobre a cena baiana de ontem, de hoje e do amanhã?

Fábio:
A cena em Salvador está melhorando muito. Está crescendo e se profissionalizando. Orgulha-me muito fazer parte do underground baiano e poder conviver com bandas de extrema competência e talento, tais como a Drearylands, Malefactor, Headhunter, Mystifier, Tharsis, entre tantas outras presentes na Bahia (não só em Salvador, como também no interior do Estado). Há muito tempo que ouço metal e sempre me interessei por trabalhos de bandas que não são consideradas “mainstream” e posso dizer, com firmeza, que possuímos um time de elite que não deve nada, em termos de qualidade, a nenhuma outra parte do Brasil. Há bastante tempo que a Bahia possui qualidade musical em termos de metal, mas hoje as bandas estão podendo mostrar seu trabalho de uma forma mais profissional. Claro que as dificuldades existem, e são inúmeras, principalmente quando a banda tenta evoluir da mera diversão para uma postura mais séria e comprometida. Enfrentamos empecilhos como a falta de estúdios e casas de shows adequadas para o estilo, dificuldade em divulgar materiais e apresentações, forte preconceito por parte de quem não conhece metal e, até mesmo, a inveja de quem conhece, mas desdenha as bandas que estão em evidência no cenário. Mas acho que a tendência é estarmos cada vez mais forte e organizado.


TGZ: Houve mudanças na sonoridade da Veuliah, as mudanças de formação influenciaram nessa nova fase da banda?

Márcio:
As várias mudanças de formação, com as gratas contribuições de todos que passaram, não foram apenas os agentes influenciadores, mas também pelo próprio amadurecimento natural dos músicos, isso contribuiu para as mudanças necessárias, de certa forma conseguimos acompanhar o processo evolutivo da cena mundial. E o mais importante é que hoje alcançamos essa solidez almejada.

TGZ: Por ter quase dez anos de estrada, a Veuliah tem uma boa experiência. E agora com o debut-álbum lançado não pensam em alçar vôos mais altos? Tipo fazer uma tournée pelo Brasil e até fora do país?

Fábio: É claro que após todo esforço e quase uma década esperando o lançamento do nosso debut, estamos mais que preparados para levantar vôos cada vez mais altos. Todos os integrantes da banda estão ansiosos para tocar na maior quantidade de locais possíveis. Estamos prontos para o que der e vier. No momento, estamos no início da nossa turnê de divulgação do disco pelo Brasil. Já tocamos em algumas cidades e estamos articulando as datas dos shows pelos Estados mais distantes. O Brasil é um país muito grande, então temos que nos organizar de uma forma que possamos tocar no maior número de cidades do Brasil com economia de tempo e energia. Também lutamos para que possamos ter o prazer de mostrar nosso trabalho em terras estrangeiras. Sabemos que é muito difícil, mas esta é uma de nossas metas.

TGZ: A Veuliah no começo tinha muita influência de Paradise Lost (antigo) e hoje essa influência é mais abrangente, quais são as principais influências musicais da Veuliah atualmente?

Márcio:
As influencias são decisivas no processo de composição, todos contribuem na sua maneira, colocando sua bagagem musical de hoje e de ontem para fora, inserindo assim suas influencias mais marcantes. É claro que nem todos ouvem a mesma coisa sempre, mas podemos considerar mais da metade das influências são iguais e o restante são dados novos trazidos para fechar o som que fazemos hoje. Estilos diversos ecoam nessas contribuições, desde o tradicional heavy metal, passando pelo thrash, pelo progressivo, até o extremo black. Ouvimos de tudo um pouco, pois não podemos esquecer que acima de tudo somos músicos, e a pesquisa musical é de essencial importância.

TGZ: O quê inspira as letras da Veuliah? Tem um tema específico ou são abordados vários?

Fábio:
Não existe um tema específico que nos inspire em todas composições. Claro que temos uma linha de raciocínio, mas, até mesmo em uma única letra, abordamos temas diversos - sempre de uma forma bastante subjetiva. Se analisarmos esta abordagem de uma maneira mais abrangente, podemos dizer que o objeto lírico do Veuliah no “Deep Visions...” volta-se, em grande parte, a desconstrução de valores e conceitos irreais criados pelo homem para encarar e suportar o desconhecido. Mas possuímos também um lado mais intimista e de auto-reflexão, sem perder, é claro, a subjetividade sombria inerente ao estilo.

TGZ: O quê vocês quiseram dizer com o título “Deep Visions of Unreality”, e a concepção da capa?

Fábio: Como já disse acima, gostamos de trabalhar mais com a subjetividade do que com idéias concretas e únicas. Preferimos que a arte se expanda de forma idiossincrática, damos apenas direcionamentos conceituais. Começamos a pensar na temática da capa durante a gravação do Single em 2003, pois, como o “Black Spirit” seria uma prévia do debut, as artes deveriam estar interligadas. A idéia que passamos para a Agência 8 (single) e, posteriormente, para Gustavo (debut) era a de conceber uma imagem que conflitasse entre o angelical e o demoníaco; o singelo e o brutal, utilizando uma figura feminina (com azas de anjo) que evoluísse de menina intocada (capa do single) para uma mulher visceral e já corrompida (capa do debut). Quem comparar a capa do single com a do CD notará conexões como a máscara, que no single está próxima à face do “anjo” e no debut está bem mais embaixo, como se estivesse caindo, já dissipada do “ser". Quanto ao título, Deep Visions of Unreality significa “visões profundas da irrealidade” e foi retirada da faixa 7: Route of Mysteries. É uma frase de efeito e que resume o ato de filosofar, já que a verdadeira realidade, ou a verdade absoluta, não existe. Todos os temas, que há milênios perturbam o ser humano, são criações dos mesmos, ou seja, meras substituições abstratas da linguagem ou denominações análogas para que tentemos entender o desconhecido. A vida após a morte, o além, os anjos e demônios, o bem e o mau, Deus, ou até mesmo conceitos mais corriqueiros e, superficialmente, incontestes, como o da beleza, personalidade, inteligência, o certo e o errado, são irrealidades impostas pela cultura que foi edificada a partir do aparecimento da consciência, e que aceitamos, muitas vezes por medo, comodismo, estabilidade psico-social ou pela patológica cegueira mental. Assim, o que fazemos é tentar navegar por estes conceitos, aprofundando a visão com questionamentos, mas cientes que não existe respostas diante da irrealidade.

TGZ: O álbum possui uma produção que até surpreende, a capa e o encarte são bem feitos assim como a gravação é excelente, como vem sendo a receptividade do público e da mídia especializada?

Fábio:
Agradecemos os elogios. Depois de tanto trabalho para tentar fazer um álbum da maneira que queríamos, estamos realizados com a receptividade que ele está tendo. Com a demora do lançamento, geraram-se muitas expectativas em volta do “Deep Visions...”, tanto nossa quanto dos fãs, mas acho que elas foram satisfeitas. Muita coisa ainda está por ocorrer em relação ao disco - estamos apenas começando a divulgá-lo.
Quanto às críticas de mídias especializadas, elas estão sendo muito boas, apesar de muitas vezes percebermos que o avaliador não chegou sequer a ouvir o disco todo... Em geral, considero que conseguimos agradar os verdadeiros fãs de metal. Temos muito ainda o que aprender e aprimorar, mas acho que estamos no caminho certo.
Não podemos deixar de afirmar aqui a importância dos profissionais que influíram na qualidade do nosso disco. Principalmente a Jerônimo Cravo (o Jera - dono do estúdio em que gravamos), foi ele quem fez a engenheira de som e a produção musical do Dvd, e a Gustavo Sazes (www.artemovimento.net) o artista gráfico que fez toda arte do CD (encarte, capa, label etc). Ambos são muito competentes e grandes amigos.

TGZ: O show de estréia no Rock´in´Rio Café em Salvador/BA também foi um evento muito bem organizado, creio que deve ter sido muito foda fazer o lançamento em grande estilo, e ai qual foi o resultado desse evento pro lançamento do álbum?

Fábio:
Com certeza, tivemos que batalhar bastante para que tudo desse certo. Nós fomos bastante perfeccionistas com a produção do disco e fizemos o mesmo com o lançamento. E graças a profissionais como João Carlos (dono da Maniac Records) e seu comparsa Miguel, o show foi um sucesso. Não temos o que reclamar do show do dia 18/06. A produção foi excelente, as bandas que tocaram com a gente (Drearylands e Tharsis), como não podia ser diferente, detonaram, além da casa ter enchido e o público agitado bastante. Foi uma noite memorável para os membros do Veuliah. Estávamos, finalmente, lançando nosso CD debut e, tudo ocorreu perfeitamente bem. Os comentários foram ótimos, tanto de fãs quanto de gente que nunca tinha visto a banda ao vivo. Não sei se agradou a todos, pois ninguém consegue tal façanha, mas ficamos muito satisfeitos com o resultado!

TGZ: Há mais ou menos um mês vocês tocaram aqui em Feira de Santana/BA e filmaram o show para sair num futuro DVD, fale mais detalhes desse projeto.

Fábio:
Na verdade, as imagens do show de Feira de Santana serão apenas uma parte do DVD. Recebemos o convite para ter nosso show gravado em DVD, num teatro de lá, com uma estrutura muito boa - foram 3 câmeras digitais, estrategicamente posicionadas, captando toda apresentação. Com edição teríamos um material interessante. Então tivemos a idéia de produzir este DVD do Veuliah. Mas como sempre partimos do princípio de que “se for para fazer algo, faça bem feito”, resolvemos incluir no DVD cenas de bastidores (camarim, etc), outros shows, entrevistas e até um possível vídeo-clip. Assim, será algo bastante completo para os fãs da banda ou do estilo, que queira nos conhecer melhor. De qualquer forma, este projeto, apesar de já termos muito material, ainda está na sua fase inicial e creio que deva demorar um pouco para sair. Mas quando for lançado (se for - espero que sim), seja algo bem produzido e interessante.

TGZ: E o quê planeja a banda para um futuro próximo?

Fábio:
Primeiramente, divulgar bastante o nosso debut. Ralamos muito para concretizarmos o DVD, agora queremos tocar o máximo possível. Temos que “meter o pé na estrada” e rodar o Brasil mostrando nosso trabalho. Além disso, temos o projeto do DVD (dito acima), e de um clip que estamos tentando viabilizar. Estamos também, paralelamente, iniciando as composições do nosso próximo álbum, pois uma de nossas metas é estar sempre nos superando e, com certeza, o segundo CD será ainda melhor que o primeiro.
 
Livro de Visitas
Livro de Visitas Resenhas (Cd's, Demos, Dvd's, etc) Novidades Materiais Links Entrevistas Editorial + Equipe Contatos TGZ Agenda de Shows Pág. Inicial Pág. Inicial Agenda de Shows Contatos TGZ Editorial + Equipe Entrevistas Links Materiais Novidades Resenhas (Cd's, Demos, Dvd's, etc) Livro de Visitas