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Realizada
por: Elimar
Oliveira
Respondida por: Márcio
e Fábio
Veuliah
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TGZ:
É uma história de dificuldades
e perseverança que em muitos casos
são responsáveis pelo fim precoce
de uma banda. Houve momentos em que vocês
pensaram em parar? Houve também momentos
decisivos para continuar, certo?
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Márcio: Como qualquer trajetória
por um objetivo, as metas em muitos momentos
deparam-se com barreiras que desanimam, desmotivando
a continuidade em alcançar esse objetivo,
levando a necessidade de mudanças energéticas,
como uma verdadeira injeção
de ânimo. Nesses anos de existência
tivemos muitas dessas barreiras que de certa
forma enfraqueceram em alguns períodos,
fatos normais
de qualquer banda a procura do profissionalismo.
E a maior dessas barreiras, foi exatamente
a inconstância de membros da banda,
que em muitos casos foi marcada pela ausência
de responsabilidade em canalizar o objetivo
comum. Vários momentos decisivos ocorreram,
principalmente no início, com a procura
das pessoas certas, e há pouco tempo
com a gravação do single “Black
Spirit”, resultando no Cd “Deep
Visions Of Unreality”.
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TGZ:
Ao longo desses quase dez anos, a cena
baiana foi crescendo, nomes firmando-se e
também surgindo outras bandas, qual
a visão do Veuliah sobre a cena baiana
de ontem, de hoje e do amanhã?
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Fábio: A cena em Salvador está
melhorando muito. Está crescendo e
se profissionalizando. Orgulha-me muito fazer
parte do underground baiano e poder conviver
com bandas de extrema competência e
talento, tais como a Drearylands, Malefactor,
Headhunter, Mystifier, Tharsis, entre tantas
outras presentes na Bahia (não só
em Salvador, como também no interior
do Estado). Há muito tempo que ouço
metal e sempre me interessei por trabalhos
de bandas que não são consideradas
“mainstream” e posso dizer, com
firmeza, que possuímos um time de elite
que não deve nada, em termos de qualidade,
a nenhuma outra parte do Brasil. Há
bastante tempo que a Bahia possui qualidade
musical em termos de metal, mas hoje as bandas
estão podendo mostrar seu trabalho
de uma forma mais profissional. Claro que
as dificuldades existem, e são inúmeras,
principalmente quando a banda tenta evoluir
da mera diversão para uma postura mais
séria e comprometida. Enfrentamos empecilhos
como a falta de estúdios e casas de
shows adequadas para o estilo, dificuldade
em divulgar materiais e apresentações,
forte preconceito por parte de quem não
conhece metal e, até mesmo, a inveja
de quem conhece, mas desdenha as bandas que
estão em evidência no cenário.
Mas acho que a tendência é estarmos
cada vez mais forte e organizado.
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TGZ:
Houve mudanças na sonoridade
da Veuliah, as mudanças de formação
influenciaram nessa nova fase da banda? |
Márcio: As várias mudanças
de formação, com as gratas contribuições
de todos que passaram, não foram apenas
os agentes influenciadores, mas também
pelo próprio amadurecimento natural
dos músicos, isso contribuiu para as
mudanças necessárias, de certa
forma conseguimos acompanhar o processo evolutivo
da cena mundial. E o mais importante é
que hoje alcançamos essa solidez almejada.
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TGZ:
Por ter quase dez anos de estrada, a Veuliah
tem uma boa experiência. E agora com
o debut-álbum lançado não
pensam em alçar vôos mais altos?
Tipo fazer uma tournée pelo Brasil
e até fora do país? |
Fábio: É claro
que após todo esforço e quase
uma década esperando o lançamento
do nosso debut, estamos mais que preparados
para levantar vôos cada vez mais altos.
Todos os integrantes da banda estão
ansiosos para tocar na maior quantidade de
locais possíveis. Estamos prontos para
o que der e vier. No momento, estamos no início
da nossa turnê de divulgação
do disco pelo Brasil. Já tocamos em
algumas cidades e estamos articulando as datas
dos shows pelos Estados mais distantes. O
Brasil é um país muito grande,
então temos que nos organizar de uma
forma que possamos tocar no maior número
de cidades do Brasil com economia de tempo
e energia. Também lutamos para que
possamos ter o prazer de mostrar nosso trabalho
em terras estrangeiras. Sabemos que é
muito difícil, mas esta é uma
de nossas metas.
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TGZ:
A Veuliah no começo tinha muita
influência de Paradise Lost (antigo)
e hoje essa influência é mais
abrangente, quais são as principais
influências musicais da Veuliah atualmente? |
Márcio: As influencias são
decisivas no processo de composição,
todos contribuem na sua maneira, colocando
sua bagagem musical de hoje e de ontem para
fora, inserindo assim suas influencias mais
marcantes. É claro que nem todos ouvem
a mesma coisa sempre, mas podemos considerar
mais da metade das influências são
iguais e o restante são dados novos
trazidos para fechar o som que fazemos hoje.
Estilos diversos ecoam nessas contribuições,
desde o tradicional heavy metal, passando
pelo thrash, pelo progressivo, até
o extremo black. Ouvimos de tudo um pouco,
pois não podemos esquecer que acima
de tudo somos músicos, e a pesquisa
musical é de essencial importância.
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TGZ:
O quê inspira as letras da Veuliah?
Tem um tema específico ou são
abordados vários? |
Fábio: Não existe um tema
específico que nos inspire em todas
composições. Claro que temos
uma linha de raciocínio, mas, até
mesmo em uma única letra, abordamos
temas diversos - sempre de uma forma bastante
subjetiva. Se analisarmos esta abordagem de
uma maneira mais abrangente, podemos dizer
que o objeto lírico do Veuliah no “Deep
Visions...” volta-se, em grande parte,
a desconstrução de valores e
conceitos irreais criados pelo homem para
encarar e suportar o desconhecido. Mas possuímos
também um lado mais intimista e de
auto-reflexão, sem perder, é
claro, a subjetividade sombria inerente ao
estilo.
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TGZ:
O quê vocês quiseram dizer
com o título “Deep Visions of
Unreality”, e a concepção
da capa? |
Fábio:
Como já disse acima, gostamos
de trabalhar mais com a subjetividade do que
com idéias concretas
e únicas. Preferimos que a arte se
expanda de forma idiossincrática, damos
apenas direcionamentos conceituais. Começamos
a pensar na temática da capa durante
a gravação do Single em 2003,
pois, como o “Black Spirit” seria
uma prévia do debut, as artes deveriam
estar interligadas. A idéia que passamos
para a Agência 8 (single) e, posteriormente,
para Gustavo (debut) era a de conceber uma
imagem que conflitasse entre o angelical e
o demoníaco; o singelo e o brutal,
utilizando uma figura feminina (com azas de
anjo) que evoluísse de menina intocada
(capa do single) para uma mulher visceral
e já corrompida (capa do debut). Quem
comparar a capa do single com a do CD notará
conexões como a máscara, que
no single está próxima à
face do “anjo” e no debut está
bem mais embaixo, como se estivesse caindo,
já dissipada do “ser". Quanto
ao título, Deep Visions of Unreality
significa “visões profundas da
irrealidade” e foi retirada da faixa
7: Route of Mysteries. É uma frase
de efeito e que resume o ato de filosofar,
já que a verdadeira realidade, ou a
verdade absoluta, não existe. Todos
os temas, que há milênios perturbam
o ser humano, são criações
dos mesmos, ou seja, meras substituições
abstratas da linguagem ou denominações
análogas para que tentemos entender
o desconhecido. A vida após a morte,
o além, os anjos e demônios,
o bem e o mau, Deus, ou até mesmo conceitos
mais corriqueiros e, superficialmente, incontestes,
como o da beleza, personalidade, inteligência,
o certo e o errado, são irrealidades
impostas pela cultura que foi edificada a
partir do aparecimento da consciência,
e que aceitamos, muitas vezes por medo, comodismo,
estabilidade psico-social ou pela patológica
cegueira mental. Assim, o que fazemos é
tentar navegar por estes conceitos, aprofundando
a visão com questionamentos, mas cientes
que não existe respostas diante da
irrealidade.
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TGZ:
O
álbum possui uma produção
que até surpreende, a capa e o encarte
são bem feitos assim como a gravação
é excelente, como vem sendo a receptividade
do público e da mídia especializada?
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Fábio: Agradecemos os elogios.
Depois de tanto trabalho para tentar fazer
um álbum da maneira que queríamos,
estamos realizados com a receptividade que
ele está tendo. Com a demora do lançamento,
geraram-se muitas expectativas em volta do
“Deep Visions...”, tanto nossa
quanto dos fãs, mas acho que elas foram
satisfeitas. Muita coisa ainda está
por ocorrer em relação ao disco
- estamos apenas começando a divulgá-lo.
Quanto às críticas de mídias
especializadas, elas estão sendo muito
boas, apesar de muitas vezes percebermos que
o avaliador não chegou sequer a ouvir
o disco todo... Em geral, considero que conseguimos
agradar os verdadeiros fãs de metal.
Temos muito ainda o que aprender e aprimorar,
mas acho que estamos no caminho certo.
Não podemos deixar de afirmar aqui
a importância dos profissionais que
influíram na qualidade do nosso disco.
Principalmente a Jerônimo Cravo (o Jera
- dono do estúdio em que gravamos),
foi ele quem fez a engenheira de som e a produção
musical do Dvd, e a Gustavo Sazes (www.artemovimento.net)
o artista gráfico que fez toda arte
do CD (encarte, capa, label etc). Ambos são
muito competentes e grandes amigos.
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TGZ:
O show de estréia no Rock´in´Rio
Café em Salvador/BA também foi
um evento muito bem organizado, creio que
deve ter sido muito foda fazer o lançamento
em grande estilo, e ai qual foi o resultado
desse evento pro lançamento do álbum? |
Fábio: Com certeza, tivemos que
batalhar bastante para que tudo desse certo.
Nós fomos bastante perfeccionistas
com a produção do disco e fizemos
o mesmo com o lançamento. E graças
a profissionais como João Carlos (dono
da Maniac Records) e seu comparsa Miguel,
o show foi um sucesso. Não temos o
que reclamar do show do dia 18/06. A produção
foi excelente, as bandas que tocaram com a
gente (Drearylands e Tharsis), como não
podia ser diferente, detonaram, além
da casa ter enchido e o público agitado
bastante. Foi uma noite memorável para
os membros do Veuliah. Estávamos, finalmente,
lançando nosso CD debut e, tudo ocorreu
perfeitamente bem. Os comentários foram
ótimos, tanto de fãs quanto
de gente que nunca tinha visto a banda ao
vivo. Não sei se agradou a todos, pois
ninguém consegue tal façanha,
mas ficamos muito satisfeitos com o resultado!
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TGZ:
Há mais ou menos um mês vocês
tocaram aqui em Feira de Santana/BA e filmaram
o show para sair num futuro DVD, fale mais
detalhes desse projeto. |
Fábio: Na verdade, as imagens
do show de Feira de Santana serão apenas
uma parte do DVD. Recebemos o convite para
ter nosso show gravado em DVD, num teatro
de lá, com uma estrutura muito boa
- foram 3 câmeras digitais, estrategicamente
posicionadas, captando toda apresentação.
Com edição teríamos um
material interessante. Então tivemos
a idéia de produzir este DVD do Veuliah.
Mas como sempre partimos do princípio
de que “se for para fazer algo, faça
bem feito”, resolvemos incluir no DVD
cenas de bastidores (camarim, etc), outros
shows, entrevistas e até um possível
vídeo-clip. Assim, será algo
bastante completo para os fãs da banda
ou do estilo, que queira nos conhecer melhor.
De qualquer forma, este projeto, apesar de
já termos muito material, ainda está
na sua fase inicial e creio que deva demorar
um pouco para sair. Mas quando for lançado
(se for - espero que sim), seja algo bem produzido
e interessante.
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TGZ:
E o quê planeja a banda para um futuro
próximo? |
Fábio: Primeiramente, divulgar
bastante o nosso debut. Ralamos muito para
concretizarmos o DVD, agora queremos tocar
o máximo possível. Temos que
“meter o pé na estrada”
e rodar o Brasil mostrando nosso trabalho.
Além disso, temos o projeto do DVD
(dito acima), e de um clip que estamos tentando
viabilizar. Estamos também, paralelamente,
iniciando as composições do
nosso próximo álbum, pois uma
de nossas metas é estar sempre nos
superando e, com certeza, o segundo CD será
ainda melhor que o primeiro.
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