Bandas: DECOMPOSED
GOD
THE ORDHER
HEADHUNTER D.C.
SADISTIC INTENT
POSSESSED
Data: 05 de Julho de 2008
- Local: Clube Português
(Recife/PE) Fotos: Valterlir
Mendes, Rosberg Rodrigues e Flávio
Brito
O dia 05 de julho foi bastante aguardado pelos
bangers nordestinos, que vieram em caravanas
de diversos estados, e até mesmo de
regiões mais distantes, como o Norte
do país, se fizeram presentes nesse
dia na capital pernambucana. Pela primeira
vez a lendária banda Possessed estaria
se apresentando no Brasil, agraciando a região
Nordeste com o um show que foi esperado ansiosamente
desde o seu anúncio.
O dia do evento foi marcado pelas fortes chuvas
em Recife e diversos engarrafamentos por toda
a cidade, mas ao final da tarde a chuva deu
uma trégua e o que se pode ver foi
uma multidão ávida por Death
Metal.
O evento contaria com mais quatro bandas,
e marcado para as 22:00 horas começou
pontualmente com a banda local DECOMPOSED
GOD, que recentemente foi a vencedora
da etapa pernambucana da seletiva do Wacken
Open Air. Esse show serviria para a banda
fazer o lançamento do seu segundo álbum,
“Bestiality”, mas infelizmente
isso não ocorreu, haja vista que a
fábrica não entregou os CDs
a tempo, o que causou uma grande revolta nos
músicos, chegando ao ponto do baixista
Jean Marcel fazer um desabafo no decorrer
do show. Muitos dos presentes também
ficaram frustrados com isso, pois gostariam
muito de adquirir o novo álbum dos
pernambucanos. Porém isso parece ter
servido para aumentar ainda mais a fúria
do Decomposed God, que destilou pancada atrás
de pancada de seu portentoso e furioso Death
Metal. O início foi conturbado, já
que a sonorização não
era das melhores e o som estava saindo muito
indefinido. Depois da intro “The Omen”,
a banda mandou a nova “Pestholy”,
seguida de uma das melhores músicas
da banda, “No Gods”, também
presente no novo álbum. O show continuou
com o som não muito bom, vindo a ter
uma melhora a partir da quarta música,
“Impregnated God Of Lies”. O vocalista
André Valongueiro mostra, a cada show,
que está cada vez mais entrosado com
a banda e o posto agora tem um dono definitivo.
Com uma boa movimentação em
palco e riffs certeiros de Marco Antonio,
além do desempenho sempre certeiro
do baterista Wagner Campos, o Decomposed God
deu seu recado, num show longo, mas que chamou
bastante a atenção em músicas
como “Portrays The Rough Beauty”,
“Bestiality”, num excelente solo
de baixo, “Misanthropic Mind”,
e na clássica “Hipocrity Liar”.
Tempo para ajustes no palco e o trio gaúcho,
THE ORDHER, que atualmente
divulga seu primeiro álbum “Weaponize”,
começa sua apresentação
como um ‘tapa na cara’. De cara
mandam à violenta e técnica
“Weaponize”, a qual é logo
seguida de “You´ve Become my Enemy”,
mostrando técnica apurada, mesclada
a riffs brutais e solos cativantes, além
de um forte vocal de Fábio Lentino
(ex-Nephasth). Muitos pararam só para
olhar o guitarrista Fabiano Penna (ex-Rebaelliun)
tocando. O cara é uma máquina
de riffs e solos e ao lado do novo baterista
Cássio Canto, uma metralhadora humana,
foi o centro das atenções. O
‘set’ do The Ordher foi relativamente
curto, e ainda contou com as músicas
“The Poison”, “Shot Father”,
“When the Storm Arrives”, essa
com bases mais cadenciadas e pesadas, e encerraram
o show com “Rise”. Na apresentação
dos gaúchos o som estava mais bem definido
e deu para ouvir todos os instrumentos com
certa clareza. Apesar de curta a apresentação,
os elogios foram muitos com relação
ao The Ordher, uma banda que já nasceu
com músicos experientes no Death Metal
nacional.
A terceira banda da noite foi o HEADHUNTER
D.C., uma das mais antigas bandas
de Death Metal do Brasil, e que atualmente
vem divulgando seu novo álbum, “God’s
Spreading Cancer”, considerado (por
mim também) um dos melhores álbuns
de 2007. Depois da intro “Dysangelium”,
e na mesma seqüência do novo disco,
os baianos emendam com “God is Dead”,
e pronto, o caos tomou conta do lugar. Foi
incrível ver a imensa roda de mosh
que se tornou a frente do palco, parecia mais
um campo de batalha! E apesar de um problema
na guitarra de Paulo Lisboa na segunda música,
“...And The Sky Turns To Black...”,
que levou alguns minutos para ser sanado,
o público não esfriou. E foi
nessa hora que se pode ver o que anos de carreira
pode fazer por uma banda, já que o
vocalista Sérgio Baloff soube contornar
a situação, conversando com
o público para que esse não
ficasse aborrecido com a demora. Até
o mestre Jeff Becerra, que assistiu a todos
os shows, foi ao microfone e começou
a gritar o nome do Headhunter D.C., sendo
acompanhado pelo público. Problema
sanado, e o caos continuou com “Am I
Crazy?”, do álbum “Born...Suffer...Die”,
e só se acalmou um pouco na cadenciada
“God's Spreading Cancer...”, que
fez muitos sacudirem a cabeça. O ‘set’
foi curto e encerrado com “Long Live
The Death Cult”, porém a receptividade
à banda foi grandiosa, proporcionando
o melhor show entre as bandas de abertura.
O
SADISTIC INTENT, banda formada
na década de 80 nos Estados Unidos,
e que conta com Bay Cortez (baixo e vocal),
Rick Cortez e Ernesto Bueno (guitarras), e
Emilio Marquez (bateria), foi à próxima
a subir ao palco. O último trabalho
lançado pela banda de que se tem notícia
foi o EP “Ancient Black Earth”,
de 1996. E a primeira música foi exatamente
desse álbum, a primitiva “Untimely
End”. Infelizmente o som voltou a ter
problemas, e o início do show foi um
pouco conturbado, já que o som não
saía com clareza, o que foi revertido
no decorrer da apresentação
dos americanos. Apesar de um pouco cansado
depois do show anterior e se resguardando
para o próximo show, o público
não conseguiu ficar inerte a pancadas
como “Ancient Black Earth”, “Funerals
Obscure”, “Resurrection”,
“Asphyxiation”, essas duas do
EP “Resurrection”. Como mencionado
no início, a banda é praticante
de um Death Metal primitivo, muito pesado
e rápido, algumas músicas chegando
até a lembrar o velho Hardcore, inserindo,
em algumas passagens, momentos mais pesados
e sóbrios. A banda também fez
um ‘set’ curto, mas que agradou
bastante.
E
o momento mais aguardado da noite era chegado.
Alguns retoques no palco e frente a frente
com o público do norte/nordeste estava
o criador do Death Metal: Jeff Becerra! Como
todos já sabem, os músicos da
Sadistic Intent são quem estão
acompanhando o Jeff nessa volta do POSSESSED
e mantiveram uma boa postura em palco, obviamente
sem querer ofuscar o lendário vocalista,
que era a atração principal.
O que se esperava era um desfile de clássicos
do Possessed, e foi exatamente isso que todos
puderam ouvir, começando com “Intro/The
Heretic”, do “Beyond the Gates”,
“Pentagram” e “Burning in
Hell” do “Seven Churches”.
Aqui vai ficar difícil descrever o
que aconteceu quando Jeff começou a
cantar essas músicas... As músicas
foram recebidas de forma furiosa pelos bangers,
que se digladiavam nas rodas de moshes na
frente do palco, enquanto que ao redor muitos
batiam cabeça sem parar, ao meio de
gritos e rostos de felicidade. Apesar de cadeirante
(devido aos tiros que recebeu num assalto),
Jeff não parava um só minuto,
indo com sua cadeira de rodas de um lado a
outro do palco, encarando o público,
bebendo, jogando bebidas para os presentes
e cantando com paixão e fúria
ao mesmo tempo. Em alguns momentos pensei
que ele iria levantar e pular no meio das
rodas de moshes. E tome mais clássicos:
“Tribulation”, “No Will
To Live”, a maravilhosa “Holy
Hell”, “Confessions”, “The
Beasts of the Apocalypse”, “My
Belief”, “Beyond The Gates”,
“Phantasm”, e pra encerrar mandaram
“Intro/The Exorcist” e a gritada
a plenos pulmões por Jeff, “Death
Metal”, e o que já era caos total,
virou zona de guerra! Vale mencionar que nos
cerca de cinqüenta minutos de show, Jeff
não parou um só minuto e sempre
se comunicava com o público. Um verdadeiro
‘frontman’. O público estava
tão entusiasmado que há certa
hora começaram um coro: “olê,
olê, olê, olê, Posse-ssed”.
Todos ficaram maravilhados e muitos ali nem
acreditavam que o que estavam vendo era verdade
ou um grande sonho...
Saliento
aqui que todas as bandas de abertura cumpriram
seu papel de forma grandiosa, mesmo com alguns
problemas na sonorização, a
qual inclusive chegou a atrapalhar o início
do show do Possessed. Menciono, ainda, que
Jeff Becerra assistiu a todos os shows antes
de subir pra cantar, inclusive batendo cabeça
e se empolgando mesmo. Além disso,
foi bastante atencioso com os fãs,
dando autógrafos, tirando fotos, inclusive
saiu do camarim e foi pra uma área
para atender aos seus fãs. Impressionante
a vitalidade de Jeff, que apesar de sua condição
de cadeirante, arrumou fôlego pra cantar
quase que por uma hora. Tudo isso serviu para
engrandecer o evento, que contou com um público
de cerca de mil pessoas. Alguns princípios
de brigas houveram, mas isso só com
os mais afoitos. O problema maior foi quando
Jeff, ao final do show, jogou o microfone
para o público, de tão entusiasmado
e ele não foi devolvido, apesar de
seus pedidos.
Sem
dúvidas, uma noite que ficará
marcada na memória de cada um daquele
que se fez presente nesse evento lendário,
e que talvez nunca mais volte a acontecer.
Alguns acharam o ‘set list’ do
Possessed curto, outros sentiram falta de
uma ou outra música, mas no fim todos
saíram satisfeitos!